A Viagem – Crítica

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Cloud Atlas Critica

Os irmãos Lana e Andy Wachowski, diretores da trilogia Matrix, se uniram à Tom Tykwer, de Perfume e Corra Lola, Corra, em um dos mais ambiciosos projectos cinematográficos dos últimos anos. E isso é um feito em tanto.

Basicamente, os três cineastas tentam colocar 6 filmes diferentes dentro de um mesmo longa, todos interligados de maneiras sutis (ou não tão sutis), tudo convergindo num conceito só. A Viagem é um filme com uma ideia interessante sobre a vida e a alma humana, que vai acabar dividindo opiniões entre o público. Concordando ou não, gostando ou não dessa essência, o projeto é um filme bem executado, belo e ambicioso.

Baseado no livro de David Mitchell, A Viagem é composto por 6 diferentes histórias, com diferentes personagens e diferentes estilos. Acompanhamos uma história de escravidão em 1849, uma romance homossexual em 1946 pós-Segunda Guerra Mundial, uma investigação jornalística em 1973, uma comédia britânica em 2012, uma ficção científica cyberpunk em 2144 e, por fim, uma história milhões de anos no futuro, após um evento chamado A Queda, onde a humanidade parece ter retornado aos seus primórdios.

Todas essas histórias são encenadas pelos mesmos atores. Nomes como Tom Hanks, Halle Berry, Hugh Grant, Susan Sarandon, Jim Broadbent, Hugo Weaving, Jim Sturgess, Ben Whishaw, Keith David, David Gyasi, Zhou Xun e Doona Bae estão em todos os 6 contos em diferentes papéis. Essa repetição de atores serve para ajudar o espectador na transição entre histórias mas também ajuda muito em ilustrar o conceito cíclico do longa na tela. Some isso à atuações de alto nível do elenco, principalmente do óptimo Hugo Weaving, e não há como reclamar dessa decisão.

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Porém, a parte de A Viagem que mais merece elogios é a parte técnica e a direcção de arte. Confesso que fiquei confuso ao escolher as palavras necessárias para descrever a qualidade do trabalho de fotografia, maquiagem e efeitos especiais do longa. Depois de muita deliberação, me contentei com “magnífico”, “estupendo” e “formidável”, respectivamente. Apenas para me fazer entender, preciso dizer que a cidade de Neo Seul é uma das coisas mais incríveis dos últimos anos nos cinemas (em termos estéticos) e que os atores do longa mudaram suas características raciais durante o filme: negros ficaram brancos em certas partes, ocidentais viraram orientais, etc.

A Viagem é um filme lindo. Esteticamente lindo, visualmente impressionante. Mas ele não se resume à beleza. O filme tem conteúdo, tem um conceito motor e vai contribuir muito para quem for aos cinemas. Se você tiver a chance, vá ver. Valerá o ingresso.

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