Resenha de O Mapa de Vidro, de S. E. Grove

Eba, livro de fantasia!

O Mapa de Vidro é o primeiro livro da série de fantasia Mapmakers e foi publicado pela Verus.

Conta a história de uma menina em busca dos pais; E de um planeta inteiro, na verdade.

Logo na primeira cena, o leitor vê o que aconteceu com o mundo: Os continentes se separaram no tempo durante um evento chamado de Grande Ruptura. Assim, a contagem de tempo e o mapeamento do mundo sairam de sincronia, ficando alguns locais em eras modernas e outros em pré-histórias selvagens.

Na América do Norte, mais precisamente na Boston do século XIX, a aprovação de uma lei que fecha as fronteiras para estrangeiros e deporta os que já se encontram no Novo Mundo força a mão de Sophia e seu tio Shadrack, que é um dos maiores exploradores e cartógrafos de todas as Eras. Eles aguardam há anos o retorno dos pais de Sophia, que partiram para auxiliar um amigo em uma Era perdida e não retornaram – nem poderão, quando for implantada a nova lei.

Mas, e aí? O universo é bom?

Sim…?

A complexidade do universo faz com que a autora use a primeira parte inteira em explicações sobre as Eras, as Divisões, Mapas de diversos materiais e como lê-los. É na primeira parte também que ela apresenta o conflito interno da protagonista Sophia: Praticamente órfã, ela foi criada pelo tio Shadrack depois da partida dos pais e não tem o que chamam de ‘relógio interno’, ou seja, ao se distrair, ela perde a noção do tempo de maneira que horas parecem segundos.

A existência de fragmentos de anotações pessoais e livros diversos no início de cada capítulo me deixou um pouco em dúvida quanto à necessidade de cem páginas de explicação e apresentação de personagens, já que a introdução de informações em quantidade menor e mais equilibrada ao longo da narrativa em geral ajuda a história a seguir em frente, e a verdadeira locomotiva narrativa do livro só chega na parte dois, após o sequestro de Shadrack por um grupo misterioso e a decisão de Sophia de tentar resgatá-lo.

E o que tem de interessante?

Apesar do começo moroso, O Mapa de Vidro conta com uma mitologia interessante, das criaturas melancólicas chamadas de Lachrimas à existência de Marcas de Vinha e de Ferro (e suas respectivas repercussões na vida de quem as tem); Além disso, todo o percurso dos personagens é muito fácil de visualizar no mapa apresentado no início do livro, o que reafirma o talento da autora para narrar (e todos amam mapas).

No final das contas, vale a pena?

capa-resenha-lancamento-GER-Verus-editora-leitora-viciada-mapmakers-volume-1-s-e-grove-o-mapa-de-vidroO Mapa de Vidro é um livro infantojuvenil. Dentro dessa expectativa, se sai muito bem, traz um universo complexo e cheio de detalhes para explorar e, apesar de pecar no ritmo, se redime por ser um livro introdutório a um mundo completamente diferente e com regras próprias. No geral, diria que suas continuações é que definirão se trata-se de uma série original e inovadora ou um genérico. Se nos próximos dois livros a autora souber explorar mais das Terras Baldias, das Eras Glaciais e de todos os outros continentes desconhecidos que criou, Mapmakers tem bastante potencial. Além disso, seria interessante se a ela explorasse a mecânica de algumas técnicas e mapas, uma vez que, de certa forma, eles são mais tecnológicos do que mágicos e produzir mapas é tratado como uma ciência.

Pessoalmente, eu também tenho um fraco por character driven stories, ou seja, histórias focadas no desenvolvimento pessoal dos personagens, e acho que com a gama de personalidades interessantes que apareceram em O Mapa de Vidro, seria uma pena deixar passar a oportunidade de cutucar a cabeça deles por dentro.

Como na grande maioria dos primeiros livros de séries, O Mapa de Vidro deixa algumas pontas para explorar em suas continuações e um possível cliffhanger bem claro no final. Agora, resta esperar que as continuações façam jus ao início promissor.

The Handmaid’s Tale – Review – 1ª Temporada

Começa numa perseguição de carro e continua numa perseguição a pé, uma família acuada tenta fugir de seus perseguidores se embrenhando na floresta, a tensão...

Agents of SHIELD – Review – 4° Temporada

Magnifica! É a primeira palavra que me vem à mente para descrever a série Agents of SHIELD, uma série que começou com uma pegada totalmente...

Crítica | Resident Evil 6 – O Capítulo Final

Resident Evil 6 – O Capítulo Final, dirigido por Paul W. S. Anderson e levemente baseado no jogo de vídeo game do mesmo nome,  é...

Desventuras Em Série – Crítica – 1° Temporada

A quase 12 anos atrás, chegava ao cinema a adaptação de um dos maiores sucessos literários da história. “Lemony Snicket’s A Series Of Unfortunate Events”,...

Resenha de Como Tatuagem, de Walter Tierno

Walter Tierno é autor nacional, publicou dois livros pela Giz Editorial (Cira e o Velho e Anardeus – No Calor da Destruição) e agora, pela...

Resenha de Além-Mundos, de Scott Westerfeld

Scott Westerfeld é, atualmente, um dos escritores que considero consistentes a ponto de ler seus livros sem saber exatamente do que se tratam e ainda...