Resenha de Além-Mundos, de Scott Westerfeld

Scott Westerfeld é, atualmente, um dos escritores que considero consistentes a ponto de ler seus livros sem saber exatamente do que se tratam e ainda assim confiar em sua habilidade de me entreter.

Além-Mundos é diferente do usual para o autor, de várias maneiras. Quem já leu Feios, Midnighters ou Leviatã sabe que Westerfeld tem uma habilidade acima da média para criar eventos, realidades e situações. Nesse livro, no entanto, temos um contraponto: Além de criar uma fantasia (Além-Mundos), ele narra a história da autora de Além-Mundos.

alem-mundos-3dAssim, temos a história de Lizzie, uma adolescente que se torna a única sobrevivente de um ataque terrorista em um aeroporto depois de se fingir de morta – tão bem que acabou deslizando da nossa realidade para a próxima – e a história de Darcy, uma jovem escritora debutante que iniciou a carreira ao vender sua primeira história – a história de Lizzie – para uma grande editora.

Em capítulos alternados, acompanhamos o amadurecimento de Darcy como escritora e como pessoa, aprendendo a viver sozinha, a se relacionar profissional e emocionalmente com outras pessoas e alcançar a independência em vários níveis e, em reflexo desse amadurecimento, observamos a história de Lizzie durante a revisão, se tornando mais sombria, complexa e decidida.

Tratando-se de uma história sobre escritores, Westerfeld também aproveita para abordar alguns questionamentos interessantes sobre apropriação cultural, mercado editorial, as etapas pré-publicação de um livro e várias outras nuances que são, em geral, um completo mistério para o leitor. Talvez essa parte da narrativa não seja a favorita de alguns leitores. Quem entrar em Além-Mundos esperando unicamente “mais um livro de Scott Westerfeld” pode se sentir fora do eixo quando perceber do que se trata o livro. É como uma roupagem diferente para a essência do que é o autor; O amadurecimento, os questionamentos e a construção (e desconstrução) características dele ainda estão ali, mas dessa vez aplicadas em um mundo mais real, com um núcleo de fantasia que ocupa não mais do que metade da história.

Tanto a história de Darcy quanto a de Lizzie compelem o leitor, cada uma à sua maneira. Quem gosta de histórias dentro de histórias definitivamente deveria dar uma chance ao livro. São quase 600 páginas que, de maneira impressionante, passam voando depois dos pequenos tropeços iniciais. Para os leitores que seguem seus escritores favoritos em redes sociais, também há o que eu suspeito fortemente que sejam alusões, paralelos e alter-egos para divertir e proporcionar uma caça a easter-eggs.

Talvez com algumas diferenças do tradicional, Scott Westerfeld permanece essencialmente o mesmo escritor que conhecemos de suas obras anteriores. Assim como a imaginação, ainda que numa forma diferente, a qualidade permanece.

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