Primeiras Impressões The Goodwin Games

Carter Bays e Craig Thomas, criadores de How I Met Your Mother, lançam The Goodwin Games, tentativa de superar seu maior sucesso. Mas será que a novata consegue resistir à pressão?

Leandro de Barros

  terça-feira, 04 de junho de 2013

Com o fim de How I Met Your Mother chegando (a última temporada da série deve estrear em setembro nos EUA), os criadores da sitcom, Carter Bays e Craig Thomas, já trabalham na sua substituta para a Fox: The Goodwin Games.

Até o fechamento desse texto, dois episódios da série já foram exibidos na TV norte-americana, com uma audiência bem pequena: média de 1,5 milhões de espectadores por episódio – um número menor que a reprise do season finale de Rules of Engagement, sua concorrente direta no horário.

Depois de assistir aos dois episódios, a impressão que fica é que The Goodwin Games ainda não é uma série finalizada, polida. Dois episódios foram o suficiente para deixar claro que ainda há muito para se trabalhar para fazer com que a série funcione bem. Porém, não custa lembrar que a TV americana não dá tempo para ninguém se achar em campo e se uma série já não estreia engrenada, ela dificilmente tem tempo para se recuperar.

Mas estamos colocando a carroça na frente dos bois. Vamos explicar o que é The Goodwin Games.

The Goodwin Games Primeiras Impressoes

Benjamin Goodwin (Beau Bridges) é um excêntrico milionário com três filhos. Por causa dos tortuosos caminhos da vida e por culpa dele mesmo, seus filhos nunca cresceram especialmente ligados um aos outros e logo saíram de casa. O mauricinho Henry (Scott Foley) buscou o caminho acadêmico para provar o seu valor ao pai e se tornou um dos melhores cirurgiões do pais, a mean girl Chloe (Becki Newton) tenta a carreira de modelo, apesar do seu talento matemático, e o problemático Jimmy (T.J. Miller) vive de prisão em prisão cometendo pequenos furtos.

Destinado a tentar consertar as coisas, Benjamin prepara seu testamento de uma maneira diferente. Com a ajuda da advogada April Cho (Melissa Tang), ele bola uma caça ao tesouro (os tais The Goodwin Games do título) para os seus filhos: quem for o vencedor da disputa, fica com a sua fortuna de $23 milhões de dólares. A expectativa do velho é simples: ao longo da disputa, os três filhos ficarão cada vez mais próximos – o que deve ser a verdadeira “herança” do pai.

Apesar de ser uma boa ideia, a gente pode abrir essa pequena avaliação com um dos problemas de The Goodwin Games: a série é uma comédia que não faz rir tanto quanto deveria. Todos os ingredientes estão ali para que a piada funcione, mas na maioria das vezes ela não encaixa.

A impressão que fica, como já citado, é que The Goodwin Games ainda não está polida. Veja bem, uma das características mais legais de How I Met Your Mother é a sua mitologia – que é respeitada e lembrada pelos criadores. Por exemplo, a gente sabe que a Robin afina a voz quando mente – assim, uma cena onde ela afine a voz pode se tornar bem engraçada, mesmo que não haja “piada nenhuma” ali. O mesmo acontece, por exemplo, com o “sanduíche”. Sempre que os personagens fumam maconha (seja no passado ou no presente), o Ted do Futuro troca por um sanduíche. Assim, a simples presença de um sanduíche em uma cena, faz o expectador rir, mesmo que ninguém mencione a presença do lanche. Esse é um dos principais trunfos de How I Met Your Mother: usar e explorar a sua mitologia. The Goodwin Games parece ir para o mesmo lado, com a diferença de que a comédia mal começou.

Por exemplo, alguns elementos começam a surgir: o pai sempre sabe exatamente como os filhos vão reagir, ninguém sabe de onde surgiu o Elijah (Jerrod Carmichael), o tal criminoso que ameaça o Jimmy sempre citando uma parte estranha do corpo, a noiva invisível do Henry e por aí vai.

O problema com esses elementos em The Goodwin Games ainda não foram bem estabelecidos – e a série parece se apoiar neles pra fazer graça, quando deveria ser o contrário. Ela deveria fazer graça com esses elementos e só depois se apoiar neles.

Fora isso, The Goodwin Games segue um pouco a linha de How I Met Your Mother de ser uma comédia com alguns momentos dramáticos (não sei se “dramáticos” é a palavra certa, mas vocês devem ter entendido) para criar uma relação entre espectadores e personagens. Inicialmente, essa parte também tropeça um pouco.

O trio protagonista não funciona tão bem assim – Henry não é muito legal em cena (mas isso é de propósito, ele deveria ser chato mesmo – mas chato de uma maneira engraçada, o que não tem acontecido) e Jimmy é odiável. Chloe é a mais carismática dos três, embora seu arquétipo não seja tão atraente assim pro espectador. Vistos de longe, os três parecem versões deturpadas do Ted (Henry), Marshall (Jimmy) e da própria personagem de Becki Newton em HIMYM (a stripper que quase casou com o Barney). O que falta, talvez, seja justamente um Barney para roubar a cena e criar algumas catchfrases da série. Por enquanto, a única personagem que realmente funciona é a Lucinda (Kat Foster), ex-namorada de Henry e atual pastora da cidade onde eles vão morar. Ela consegue ser ácida e realmente engraçada, com as suas cenas com o ex-namorado funcionando muito bem nos episódios.

Num resumo, The Goodwin Games é uma série com bastante potencial (com os criadores já mostraram que são bons), mas que ainda precisa se achar um pouco. Talvez, infelizmente, a Fox não dê o tempo necessário pra série acertar o seu tom e se tornar a substituta de How I Met Your Mother que ela nasceu para ser.


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