Scorpion – Primeiras Impressões

Eder Augusto de Barros
edaummm

  quinta-feira, 23 de outubro de 2014

Scorpion – Primeiras Impressões

Fórmula manjada em mais um procedural policial sem final.

Scorpion, a grande apostas do maior canal de televisão aberta americano para essa Fall Season. Baseada na vida de Walter O’Brien, uma das pessoas com o maior QI alguma vez registrado na história (a série diz que ele é o quarto) cria uma empresa com seus amigos gênios para solucionar os problemas da sociedade usando tecnologia.

Quem vê imagens ou lê a sinopse de Scorpion logo pensa que é uma nova série para o nerds – se esquecendo que The Big Bang Theory é do mesmo canal. Porém, a série é a essência do que um telespectador típico americano procura no famoso primetime (horário nobre).

Caso da semana. Policial.

SCORPION

Apesar da temática relativamente inovadora – o mesmo canal ainda vai trazer CSI: Cyber, um dos zibilhões de spin-off de CSI, com temática tecnológica – a série não foge ao básico dos procedurais americanos, que sejamos honestos, é a principal caracterista do CBS, canal do seriado, que também é a casa de Criminal Minds, todos os CSI, todos os NCIS, a novata Stalker, Person of Intereste Hawaii Five-0. Todas procedurais policiais.

Quem espera outra coisa da série vai se decepcionar bastante. A série pouco inova. Usa diversos clichês baratos ao inserir a personagem desajustada no grupo, criar o clima de romance entre os dois protagonistas e atingir à todas as faixas do público alvo. Os homens já estavam fisgados com o nerdzão que salva o mundo, as mulheres torcem para que o mesmo nerdzão conquiste a bela garçonete, que por acaso tem um filho com intelecto acima da média como todos os integrantes da Scorpion, fazendo dela, a garota “normal”, uma desajustada no meio deles.

Mas então, a série é ruim, certo?

Sim, e não. Se você procurava algo diferente do habitual, fuja de Scorpion. Se você não se preocupa com uma história maior, está satisfeito apenas com aquele caso solucionado em 40 minutos, a série até pode te agradar.

Eu posso parece contraditório, mas para quem é amante dos procedurais, Scorpion pode ser uma alternativa interessante. Seus casos transitam entre terrorismo e cyber ataques, algo pouco comum na televisão americana. Pode ser sim uma válvula de escape dos já saturados assassinos dos outros procedurais. O CBS sabia bem disso, já que colocou a série para estrear numa segunda-feira logo após The Big Bang Theory, maior audiência entre as comédias do canal, e antes de NCIS: Los Angeles, maior audiência entre os dramas.

Apesar de manjada, a série tem personagens carismáticos, mesmo que seu elenco não ajude tanto. Sylvester Dodd, vivido por Ari Stidham, é uma calculadora humana com memória fotográfica, o alívio cômico da equipe. Jadyn Wong dá vida a Happy Quinn, uma especialista em mecânica e engenharia que é uma bomba relógio prestes a explodir e Eddie Kaye Thomas, que comeu a mãe do Stifler em American Pie, vive um malandro que consegue através de observação entender a lógica das pessoas nas mais complicadas situações.

O primeiro episódio de Scorpion eu classificaria como extravagante. Conhecemos um pouco da história de Walter O’ Brien e a relação dele com com Gallo, o oficial que recruta sua empresa para a primeira missão. No primeiro trabalho, a Scorpion terá que resolver uma falha do aeroporto de Los Angeles que perdeu o software que regula o tráfego aéreo e todos os aviões que deveriam pousar estão sobrevoando em círculos o aeroporto. Eles correm contra o tempo (como em todos os episódios seguintes) para conseguir instalar novamente o software e pousar todos os aviões com segurança. Como o caos tomou conta da cidade, eles precisam fazer isso de dentro de um típico dinner americano onde Paige trabalha como garçonete, é lá que Walter recruta a moça porque ela tem um filho com intelecto acima da média.

Vamos ao porque o episódio é extravagante. Depois de algumas tentativas frustradas de conseguir o software, a única que resta é pegar com de dentro de um dos aviões, ao conseguir contato com um deles, pelo celular de um dos passageiros, a brilhante idéia é fazer o avião passar muito próximo a torre de comando e tentar receber o software pelo wi-fi (ou algo do tipo). Obviamente não funciona. Então para melhorar vamos dirigir uma Ferrari em alta velocidade pela pista enquanto o avião passa por cima numa altura suficiente para conectar um cabo de rede entre o servidor do avião e um notebook para transferir o software. Dessa vez funcionou. Não consigo imaginar outra solução ainda mais extravagante se essa não resultasse.

Essa é Scorpion, fórmula manjada em mais um procedural policial sem final.


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