Review | Revolution 2×22: “Declaration of Independence” [Series Finale]

João Paulo

  segunda-feira, 26 de maio de 2014

Review | Revolution 2×22: “Declaration of Independence” [Series Finale]

O último episódio da temporada de Revolution funciona melhor como “season finale” do que como “series finale”, mantendo o nível de ação, fechando arcos e deixando um enorme “cliffhanger” como incógnita.

Primeiramente, antes de começar a análise devo dizer que o episódio foi ótimo e muito bem trabalhado, equilibrando ação e humor na medida apesar de deixar algumas pontas soltas. “Declaration of Independence” tem como principal ponto positivo em seu roteiro o fato de fecharem o arco dos patriotas de uma forma satisfatória levando tudo que construíram nesta temporada em cima do plot dos vilões, ainda fomos brindados com ótimas atuações da maior parte do elenco e um desfecho que provavelmente seria o foco principal da terceira temporada.

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O episódio já começa com gancho de “Memorial Day” (2×21) com a nano-Priscila preste a fazer seu movimento contra Rachel e Aaron. Aqui o roteiro é esperto em finalizar parcialmente o arco trazendo a verdadeira Priscila de volta e expulsando os nanobots no processo para focar exclusivamente no arco principal da temporada, a guerra contra os patriotas. Este arco da nanotecnologia só retorna no final do episódio, mas a verdade é que nem sentimos tanta falta até que chegue o tal momento.

Como foi mencionado antes, a narrativa foca em fechar seu arco mais importante e os subplots que ficaram em aberto no episódio anterior. O plano dos patriotas para matar os habitantes de Willoughby e os políticos do Texas foi evitado por Miles na hora “H” (“Run, your idiots”) abrindo espaço para as primeiras reviravoltas da trama, aliás, os vinte primeiros minutos do episódio tem ação ininterrupta protagonizada por ele e os rebeldes fugindo e lutando contra soldados patriotas.

Durante este tempo a narrativa começa a voltar seus olhos para o plano de captura de seu principal antagonista, o presidente Davis, acontece que os roteiristas não tiveram tempo de moldar melhor a personalidade do líder dos patriotas, ainda que tenhamos visto vários indícios de sua crueldade em cenas da Casa Branca em episódios passados, mas o importante é ver como os outros personagens cresceram em volta dele, a começar por Truman, aqui agindo como um verdadeiro vilão, ele tem seu melhor momento na série apresentando um plano alternativo para começar a guerra entre há república da Califórnia e a república do Texas.

A cena em questão aconteceu no porão do bar da falecida Marion e foi bem tensa terminando com a morte do general Carver e seus comandados servindo de estopim do que estava por vir. Dessa forma chegamos ao momento do sequestro do presidente Davis, plano orquestrado por Miles foi eficiente colocando o líder dos patriotas na mão dos rebeldes. A narrativa aproveita este plot para focar na amizade entre Miles e Monroe que por vários momentos se mostrou sendo o ponto forte da série, foi legal ver o tio de Charlie colocando toda sua confiança que amigo levaria Davis ao ponto de encontro enquanto ele, Charlie, Rachel e Gene ficavam para trás tentando barrar as tropas patriotas que os perseguiam.

Monroe teve todos os motivos para trair Miles, seja na cena em que ele é persuadido por Davis, seja na cena em que ele conversa com seu filho Connor, que naquele momento tinha se aliado a Neville para também tentar colocar a mão no vilão patriota. Adorei a cena em que ele engana o filho e Neville dentro da cabana, foi um plano tão óbvio que chega a ser cômico os dois terem caído de forma tão fácil. Bass ainda teve ótimos momentos no final do episódio terminando a história mais como mocinho, mas sem perder a essência autodestrutiva do personagem que agora vem de uma forma mais controlada como pode ser visto na cena de execução de alguns patriotas nas últimas cenas.

Falando em últimas cenas o plano de Miles foi ainda mais certeiro ao trazer o general Frank Blanchart (sério eu jurava que ele estava morto) para conseguir mostrar e provar toda a conspiração armada pelo presidente Davis e seus soldados, antes que o Texas mandasse suas tropas para Califórnia. A partir dessa revelação as coisas começam a melhorar para o lado dos rebeldes que com a ajuda do Texas começaram uma batalha para aniquilar os patriotas restantes e pelo jeito que foi mostrado essa luta se estenderia até ao começo da terceira temporada caso ela acontecesse.

“Declaration of Independence” é eficaz exatamente por fechar bem todo o arco dos patriotas e com isso dar uma sensação de encerramento à série, alguns personagens tiveram um desfecho e outros ficaram com destino em aberto. Dentre aqueles que tiveram um desfecho foi Rachel, que participou da trama dos nano no começo, conseguiu ainda participar do plano de derrocada dos patriotas, aliás, foi interessante descobrir que ela já conhecia o presidente Davis desde os tempos de pré-blackout.

Outro personagem que teve um desfecho ainda que em aberto, foi Miles, mas em relação ao seu relacionamento com Rachel. A conversa entre ele e Charlie já no clímax em um dos poucos momentos em que estiveram juntos foi um belo gesto dela incentivando seu tio a seguir em frente em relação ao amor que ele sentia pela sua mãe, isso mostra o quanto à personagem cresceu, é uma pena que não veremos uma declaração formal de Miles para Rachel, mas deixemos esse trabalho para imaginação.

Assim chegamos à última cena, após o arco dos patriotas estar praticamente fechado a série volta seus olhos para o plot da nanotecnologia. Priscila ficou inconsciente durante todo episódio, apenas para trazer uma revelação a Aaron de que os nanobots tinham um plano que teria origem na cidade de Bradbury nas terras de “The Wasteland”. Não ficou muito claro como ela conseguiu visualizar o plano dos nanobots enquanto acordava do coma, provavelmente nunca descobriremos o que aconteceu realmente na mente dela, mas o que importa é que no final os nano colocam seu plano em prática recrutando as mentes mais frágeis e cruéis como Truman, Davis e Neville formando um exército de zumbis, escravos dessa nova tecnologia em sua missão de exterminar a humanidade que conhecemos, a cena final foi bem emblemática quanto a isto.

Enfim o episódio foi excelente, movimentado do início ao fim, mas como eu citei já no subtítulo a história não funciona muito como um “series finale” (a série poderia render muito mais antes do fim real), mas é eficiente e completo como “season finale” e mesmo sem um fechamento da história em si o roteiro conseguiu encerrar o plot principal da segunda temporada, que foi a melhor da série, praticamente corrigiu muito dos erros da primeira, a começar por trazer uma história mais direta com a introdução dos patriotas como vilões, sabendo também aproveitar o carisma dos personagens principais com diálogos recheados de cultura pop e humor, e apesar da trama dos nanobots terem empacado no meio da temporada, em sua reta final e principalmente neste episódio conseguiram concluir uma parte do arco de uma forma coerente.

Revolution é uma série que tem muitos pontos positivos, mas teve muitos pontos negativos principalmente em alguns momentos da primeira temporada (muito instável, apesar das ótimas sequências de ação), mas sua segunda temporada a série se recuperou bem principalmente com entrada dos novos “showrunners” Rockne S. O’Bannon e Paul Grellong que deram um novo fôlego a narrativa e tornando personagens como Miles, Monroe, Aaron, Charlie e Neville ainda melhores, tendo bons personagens de apoio como Rachel e Gene, e outros coadjuvantes como Jason (que ao menos teve uma despedida digna), Priscila e Connor para contribuir no desenvolvimento da temporada. O seriado deixará saudade sim, seja como aventura, seja como ação e seja para passar o tempo, infelizmente os fãs não tiveram um fechamento da mitologia, mas ao menos a trama termina em seu auge. O que fica é a saudade de Miles e companhia e deste mundo pós-apocalíptico que nos proporcionou excelentes momentos em sua breve vida.

Observações da (Última) Revolução:

Declaration of Independence: O título se refere “Declaração da Independência” dos EUA que ocorreu em 4 de Julho de 1776, no contexto da série o título ironicamente se refere aos rebeldes derrubando os patriotas que se julgavam a “verdadeira América”, eles sim ficaram independentes da tirania desses falsos patriotas.

Wasteland: O único território sem uma república seria o foco dos mistérios na terceira temporada, gostaria de saber por que um território tão vasto nunca foi ocupado, talvez por ser perigoso, enfim nunca saberemos, mas ao menos sabemos que a coisa lá está sinistra.

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Humanos escravos da tecnologia

– Participações: Foi legal rever alguns personagens de volta antes da despedida da série, como Marion que morreu no episódio anterior e Jason Neville, uma surpresa inesperada e bem vinda.

Segunda Temporada – Balanço

Melhor personagem da temporada: Charlie, talvez a que cresceu melhor nesta temporada, a atriz Tracy Spirindakos mandou muito bem e teve sua melhor atuação no episódio “Shit Happens”. Menção Honrosa: Monroe, o personagem mais ambíguo da série também mandou muito bem nessa temporada sempre trazendo ótimos momentos de humor principalmente dividindo a cena com Miles.

Melhor Episódio com Cenas de Ação: “There Will Be Blood”, talvez o episódio mais violento da temporada trazendo um fôlego novo para temporada com a presença sinistra dos Titus Andover e seus renegados servindo como ameaça inicial, enquanto que em parte do episódio Miles é capturado e torturado pelo vilão. Menção Honrosa: “Exposition Boulervard” e “Love Story”

Melhor Frase de Um Personagem “Badass” Em Uma Situação Perigosa: “I’m Batman” – Monroe no episódio “Everyone Says I Love You”.

Melhor Cena Dramática: Charlie e Neville conversando em uma casa no episódio “Shit Happens”, ambos os personagens estavam excelentes e no tom dramático certo, mérito dos atores Tracy Spirindakos e Giancarlo Esposito.

Qual foi o seu personagem preferido da série? E seu episódio favorito? Responda ai embaixo se puder e compartilhe os momentos que mais gostou desta temporada.

– E isso é tudo pessoal, obrigado por lerem e comentarem minhas reviews sobre a série, é sempre um prazer escrever sobre essa série. E para quem curtiu as análises, eu também faço reviews da série Person of Interest aqui no SuperNovo.Net, então se assistiu ou está assistindo só procurar no site. Abraço e tudo de bom para vocês.


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