Review | Revolution 2×19: “Shit Happens”

João Paulo

  segunda-feira, 05 de maio de 2014

Review | Revolution 2×19: “Shit Happens”

Em um episódio que faz jus a seu título temos aqui muita merda acontecendo com os protagonistas, pouco avanço na história principal, mas bastante desenvolvimento de personagens incluindo a revelação de alguns mistérios que ficaram em aberto

revolution 2x19

Depois de um hiatus enorme que parece que durou uma eternidade, Revolution volta de uma forma sombria trazendo bastante desenvolvimento de seus personagens em especial Miles e Charlie. O episódio tem alguns pontos baixos, mas de longe os pontos positivos contribuem para fechar lacunas antes que a trama mergulhe de vez na guerra contra os patriotas.

“Shit Happens” segue os eventos após os atentados ocorridos no Texas em “Austin City Limits” (2×18) que levaram a morte de Jason Neville pelas mãos de Charlie e a interrupção do plano dos patriotas de matar o presidente texano por Miles. A história aproveita a sequela deixada por esses acontecimentos para trabalhar a trama e como os personagens envolvidos nele lidam com as decisões que tomaram no decorrer desta tragédia, neste caso especificamente a atenção recai em Charlie, ela mais do que os outros foi a que demonstrou mais choque depois da morte do filho de Neville.

A verdade é que o retorno ao acampamento foi agitado, Monroe, Miles, Connor e Charlie acabaram por ser perseguidos por um pequeno grupo de soldados texanos no caminho de volta fazendo com que Miles se separasse deles com objetivo de atrair a atenção para si. Em meio a lutas e muita porradaria (às vezes a violência da série me impressiona pela crueza de certas cenas), Miles acaba saindo ferido do confronto ficando sem forças para retornar ao acampamento.

A história usa o dia ruim de Miles como desculpa para colocá-lo nas piores situações possíveis fazendo o personagem refletir sobre si mesmo na eminência de sua possível morte. Dessa forma o roteiro explora um lado mais sombrio de sua personalidade trazendo boas surpresas no processo, os flashbacks do personagem, por exemplo, remetem cenas a muito esquecidas do primeiro episódio da segunda temporada “Born In USA”, seis meses depois dos ataques devastadores das bombas atômicas. Devo dizer que foi interessante descobrir o que havia naquele casebre em chamas em que Miles sai logo depois com as mãos cheias de sangue.

O importante aqui é que temos a primeira ligação de que os nanobots estavam fazendo experimento em observar a natureza humana desde aquela época e assim esses seres tinham plena consciência do Miles estava passando, eles sabiam de todos seus distúrbios, arrependimentos e medos. O mais crucial ainda foi saber que eles apareceram para o amigo de Monroe no tal casebre do flashback explorando suas piores falhas e usando contra o personagem tudo isso na forma física de seu irmão falecido Ben Matheson. Ao mesmo tempo no presente tudo se tornava ainda mais complicado para o tio de Charlie quando este acaba caindo em um buraco no meio do nada se vendo entre a vida e a morte.

Enquanto boa parte do roteiro gira em torno de Miles, seu desaparecimento serve para alimentar o restante dos outros plots, talvez nem tanto ao que se refere aos nanobots e Aaron, mas no geral os dramas gerados são intensificados pela ausência do personagem. No acampamento Rachel, Monroe e Charlie decidem ir atrás dele depois de ficarem um bom tempo sem notícias. Pessoalmente eu gostaria que tivessem trabalhado melhor a relação mãe e filha entre Rachel e Charlie na questão que diz respeito ao luto por Jason, mas por outro lado o fato da personagem tentar ignorar seus sentimentos em relação à tragédia ajudou exatamente na cena em que ela encontra Tom Neville, mas daqui a pouco falaremos nisto com mais detalhe.

O episódio também serve para alguns personagens lavarem um pouco da roupa suja, mas talvez tenham exagerado nisso em relação a Rachel e Monroe. Quando os dois ficam a sós na floresta, ambos expõem o que acham um do outro e a influência que os dois têm na vida de Miles, em consequências temos uma cena de beijo forçada que pareceu gratuita e sem sentido para história evidenciando o que muitos já desconfiavam, a mãe de Charlie realmente teve um caso com Monroe durante o cativeiro dela na capital da república Monroe, talvez os roteiristas tenham a intenção de usar isso como forma de balançar a relação Miles, Monroe e Rachel no futuro, mas toda essa papagaiada toda aqui não funcionou bem tornando esse plot o mais fraco do episódio.

Outro plot que ficou devendo um pouco foi o dos nanobots, por mais que a ideia de tê-los controlando a mente de Priscila para experimentar o que é ser humano de verdade tenha sido estranha e intrigante inicialmente, ainda não está claro o que eles querem com isto, mas tudo se torna menos atraente e até um pouco irritante quando a “nano-Priscila” começa a discutir com Aaron sobre salvar ou não Miles, a cena de diálogo entre os dois só fica interessante quando descobrimos que os nano andam fazendo contato não só com Aaron e Priscila, mas com diversos humanos incluindo Miles como foi citado anteriormente. Dessa forma fica a pergunta, será que os nanobots apareceram para os patriotas também? Será que todo esse conflito esteja sendo manipulado por eles ao influenciarem diversas mentes humanas? Os roteiristas deixam aqui uma lacuna aberta para que a nanotecnologia talvez seja crucial para encerrar a guerra entre rebeldes e patriotas.

Se as coisas pouco se desenvolveram entre Aaron e a “nano-Priscila”, do outro lado da narrativa temos o melhor momento do episódio quando Charlie ainda tentando achar o tio acaba ficando cara-a-cara com Tom Neville. Devo dizer que os roteiristas me surpreenderam ao colocar esse dois para se enfrentarem tão cedo na narrativa, algumas séries demoram até um ou dois episódios depois para tratar assuntos pós-tragédias deste tipo, mas o fato é que a cena entre Charlie Matheson e Tom Neville foi um dos melhores momentos dos dois personagens em toda a série, arrisco dizer que este foi o melhor trabalho da atriz Tracy Spirindakos até agora no seriado, o mesmo pode ser dito de Giancarlo Esposito.

A cena foi filmada de maneira tão fria e intensa que não havia como não ter um resultado melhor, os dois atores brilharam. Charlie foi incrível ao conseguir controlar suas emoções mesmo sobre a mira de uma arma, aos poucos a filha de Rachel conseguiu contar tudo que aconteceu a Neville sobre o que aconteceu com Jason em Austin e como os patriotas conseguiram manipulá-lo. Tom por sua vez surtou ao descobrir que o primogênito morreu e que Charlie era responsável pela morte do filho, quando o personagem puxou o gatilho na cabeça dela, meu coração foi a mil e por isso talvez para mim tenha sido uma das cenas mais intensas já vistas na série.

O importante dessa parte da narrativa é que acima de tudo, Charlie ganhou uma segunda chance de viver, aliás, esse fato não atinge só ela, Miles mesmo enfrentando o pior dia de sua vida também ganhou uma segunda chance de viver para lutar outro dia. “Shit Happens” não é só um episódio onde as coisas acontecem por acaso, mais do que tudo foi um episódio que deu um propósito aos seus personagens principais, objetivo que irá levá-los a guiar os rebeldes contra os patriotas o mais breve possível.

Dessa forma podemos concluir mesmo que o episódio não avance em relação ao plot principal, ele trás um desenvolvimento necessário para personagens que ainda não tinha encontrado seu objetivo no meio deste conflito. Miles e Charlie serão os líderes de uma causa, agora ambos têm por quem lutar e um destino a cumprir, o clímax ressalta exatamente isto na conversa dela com Connor mostrando que a morte de Jason não será em vão, e na fuga dele do buraco quando o único pensamento que o motivou naquele momento foi à imagem de Rachel associado a um objeto que havia encontrado.

Enfim o retorno de Revolution não poderia ter sido melhor, ainda que muitos reclamem de certos aspectos da história, no geral não podemos reclamar na maneira que conduziram a trama em relação a Charlie e Neville após a morte de Jason, além do que ainda conseguiram colocar Miles de volta no centro da trama, o personagem estava muito imparcial nos episódios anteriores, mas agora tudo isto mudou para melhor, esperem momentos “badass” do personagem daqui para frente. E ainda temos a história dos nanobots que trouxeram informações intrigantes adicionando mais mistérios a sua mitologia que mesmo confusa em certos momentos ainda consegue ser interessante. Sendo assim no geral “Shit Happens” foi um ótimo episódio que tomou a decisão acertada de focar nos personagens antes de partir para ação propriamente dita, espera-se então que no próximo episódio a trama dos patriotas volte com força total, à reta final da temporada está ai e acredito que ainda teremos ótimos surpresas ainda pela frente.

Observações da Revolução:

Shit Happens: Esse foi ou não o título mais legal da série até agora, poucas séries colocam títulos com palavrão assim então obrigado a produção da série pela ousadia.

Nano-Priscila: Escolhi chamá-la assim, pois achei mais prático já que são os nanobots controlando a personagem. Vale ressaltar que um ponto que me deixou intrigado foi ver como ela age extremamente esquisito principalmente nos momentos em que ameaça Aaron, chega a dar calafrios.

American Gods: O livro que a “nano-Priscila” estava lendo é de autoria de Neil Gaiman que conta a história de deuses e criaturas mitológicas que existem exatamente porque as pessoas acreditam neles.

Direção e roteiro: Em um episódio muito bem atuado e com um roteiro que privilegiou bem o desenvolvimento de alguns personagens merece um elogio especial para o diretor John Showalter e pela roteirista Anne Cofell Saunders que fizeram um ótimo trabalho.

3289 humanos: Este foi o número citado pela “nano-Priscila” da quantidade de humanos em que os nanobots conduziram experiências até agora, muito me intriga saber que seja tão elevado, sabendo que até aquele momento pensávamos que apenas os criadores do código fonte podiam interagir com os nanos.

Connor: O personagem talvez tenha sido o mais prejudicado na narrativa, tendo uma participação apenas discreta, mas ainda assim ficou evidente seu descontentamento com a obsessão de Monroe em salvar Miles.

– Faltando apenas dois episódios antes do season finale, parece que teremos grandes revelações chegando por ai, veja eletrizante promo abaixo.

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