Review | Revolution 2×16: “Exposition Boulevard”

João Paulo

  quarta-feira, 19 de março de 2014

Review | Revolution 2×16: “Exposition Boulevard”

Explode a esperada guerra entre a rebelião de Miles contra os Patriotas. O novo episódio da série chega cheio de ação, conflitos, lutas e muitas revelações importantes sobre os vilões da temporada.

Revolution 2x16

Agora podemos dizer que a reta final da segunda temporada realmente começou. Este novo episódio de Revolution aproveita todos os elementos positivos da série e foca em dar um arco que não só faz estourar o conflito externo de Miles e companhia versus os patriotas, mas também faz estourar os conflitos internos entre o grupo, trazendo questões que levam os personagens a questionarem o motivo de toda a luta que tiveram até agora.

“Exposition Boulervard” não é um episódio que trabalha apenas os conflitos dos mocinhos, mas é uma narrativa que reserva um espaço para revelar um pouco mais das motivações dos vilões da série. Os patriotas chegaram como uma onda na segunda temporada, infiltrando em cada cidade do EUA pós-blackout, influenciando, recrutando pessoas para sua causa que até o momento não tinha um objetivo claro, mas aqui começamos a perceber as reais intenções desses inimigos.

Antes de aprofundarmos nestas questões envolvendo os patriotas vamos falar do estopim de todo esse conflito, tudo começa quando Monroe, Connor e Charlie encontram dois jovens patriotas no caminho de volta ao acampamento nas proximidades de Willoughby. Lembro-me de quando Jason filho de Neville foi recrutado pelos patriotas para se tornar um soldado no episódio “Love Story” (2×03) e de sua transformação robótica a base de drogas para se tornar uma máquina de matar a serviço dos vilões no episódio “One Riot, One Ranger” (2×05), toda aquela história agora faz sentido quando assistimos a este episódio, o roteiro escrito por David Rambo e Trey Callaway trás muitas revelações em relação ao programa de treinamento patriota e ainda costura toda narrativa de uma forma trabalhar o impacto desta verdade em cima dos personagens seja do lado do grupo de Miles, seja do lado patriota com o presidente Jack Davis e com comandante Ed Truman.

Do lado de Miles e companhia, por exemplo, as coisas começam a complicar a relação do grupo quando entra em questão, matar ou não os jovens soldados que Monroe encontrou. Para Gene e Rachel matar não é a resposta, no caso do vovô Matheson porque os jovens eram adolescentes de Willoughby que ele conhecia muito bem, enquanto que para a mãe de Charlie as questões eram mais complicadas e mais uma vez os roteiristas fizeram questão de bater na tecla de que o filho dela foi morto em conflitos como este, então a personagem nunca seria capaz de concordar com Monroe, que queria a todo custo matar os soldados capturados.

No caso exatamente de Bass podemos perceber que mesmo ele se juntando ao grupo sua presença ali sempre vai ser motivo de discórdia devido ao seu passado e seu jeito cruel de tratar as situações que sempre será um lado perigoso do personagem. Todo este conflito recai em Miles, aqui o personagem como líder do grupo fica divido entre concordar com Rachel e seu pai, ou utilizar o método de Monroe para resolver o problema dos prisioneiros, desta forma pode-se sentir um conflito interno e uma indefinição do próprio personagem em saber o que ele realmente quer. O episódio trabalha muito bem isso, para Rachel a personagem cansou de ser a pessoa que tem todas as respostas e deixa a família de lado em prol da ciência. Ela agora quer focar em assuntos mais importantes, que é cuidar daqueles que estão próximos a ela.

No caso de Monroe ele quer sua república de volta e a qualquer custo, encontrar o filho dele foi apenas um jeito dele encontrar um aliado confiável para fazer seus planos funcionarem. Enquanto que para Miles não sabemos suas motivações, até agora ele se apoiou na motivação dos outros, mas ainda não tem uma própria, aliás, desde a primeira temporada o personagem não abraçou algo que ele queria realmente lutar, a não ser por Rachel em alguns momentos ou por Charlie em outros, mas como líder ele precisa ser algo mais, dessa forma o diálogo excelente entre ele e Monroe já no final do episódio foi importante para dar um choque de realidade ao personagem que agora começara a pensar no porque ele está lutando.

Voltando a falar da história do episódio, a narrativa focada nos jovens não chega a ser muito impactante e às vezes até peca um pouco por deixar a narrativa muito presa a um lugar só, a não ser perto do clímax que vem com uma revelação interessante sobre o programa de treinamento. Do outro lado da narrativa, focada em Neville, Ed Truman e nos patriotas, temos revelações importantes e muita coisa acontecendo tornando esta de longe o plot que mais funcionou no episódio.

Neville neste episódio usou a característica mais aprecio no personagem, o poder manipulação para conseguir subir na hierarquia dos patriotas e se vingar de Roger Allenford. Ao descobrir a localização do acampamento de Miles, ele usa isto como moeda de troca para “ajudar” Truman ao mesmo tempo em que ajuda a si mesmo. O interessante que o personagem tem esse jeito de observar e encontrar o lado vulnerável de seus adversários de uma forma que ele consegue que tudo o beneficie no final. Ele viu que Truman tinha um ódio interno em relação a Roger Allenford e usou isto para conseguir soldados e o apoio do patriota para capturar Monroe.

No caso de Truman, o episódio aproveita a vulnerabilidade do personagem para explorar seu passado através de flashbacks, além de prover uma história de origem para surgimento dos patriotas e seus idealismos. Aqui temos a revelação de como o gabinete do governo chegou a Baía de Guantánamo depois do blackout, como o presidente Jack Davis assumiu o comando dos patriotas e como ele fez para persuadir os soldados a lutar pela sua causa (incluindo Truman), além de termos a inserção da origem do programa de reeducação de soldados que foi criado por Victor Doyle.

Sobre Davis e Doyle, ambos apareceram no episódio em uma cena no presente e bem intimidadora por sinal. Eu lembro que reclamei que o vilão maior dos patriotas seria apenas um político com intenções malignas, mas o que parece ele mostra ser bem mais tirano do que isto. A cena em questão mostra Jack dando uma bronca em Doyle sobre os progressos do centro de treinamento e o objetivo de deixar os soldados prontos para que possam destruir o Texas, enquanto seu filho desenha num papel em seu gabinete testemunhando toda a situação. A intenção dos roteiristas aqui é mostrar que Jack Davis nada mais é do que um carrasco ao delegar função aos seus subordinados, mas também é uma pessoa tem vínculos familiares para manter as aparências.

Dessa forma, podemos dizer que outro ponto positivo do episódio é que todas as narrativas vão se desenvolvendo de forma paralela até convergir num ponto em comum (apenas o subplot de Aaron e Priscila não tinha ligação com a narrativa) que é o conflito no final do episódio entre o contingente liderado por Neville e Truman, contra Miles e seu pequeno grupo rebelde. Conflito que como citado antes abre as portas para o verdadeiro confronto que está por vir, uma semente que começou com uma conversa entre Miles e Rachel no final de “Patriot Games” (2×04) que depois de alguns desvios (alguns deles até desnecessários), começa a torna uma forma mais real.

Sendo assim podemos concluir que “Exposition Boulervard” é o episódio que trás de volta os patriotas para o centro da narrativa, provendo diversas respostas e mostrando um pouco das motivações e objetivos desse grupo terrorista disfarçado de pacificadores. O episódio também é responsável por criar diversos conflitos internos que trabalham o desenvolvimento dos personagens dando um propósito para o que estão lutando, talvez seja por isso que Miles tenha sido o mais explorado pela trama neste quesito, afinal ele que deverá criar um ideal que motive a rebelião a batalhar contra os patriotas.

O episódio ainda tem tempo de começar um novo capítulo no mistério dos nanobots e ainda que Aaron e Priscila tenham aparecido em poucas cenas, uma em questão deixa um mistério no ar sobre um possível plano desses seres. Ainda assim o foco dos patriotas foi algo mais relevante trazendo aqui ótimas cenas de ação e muito conflito armado. Então se pode concluir que Revolution voltou de vez, três bons episódios em sequência para revitalizar os ânimos e preparar o terreno para reta final da temporada que promete muita luta, muitas revelações e a queda dos patriotas, assim esperamos. Se depender deste episódio os produtores estão seguindo no caminho certo.

Observações da Revolução:

– Priscila, a hospedeira: Muito se especulou como os nanobots estariam controlando Priscila naquela cena final na floresta. Acredito que a personagem já está sobre influência deles desde que ela e Aaron saíram de Lubbock, o jeito que ela agiu perto dele neste episódio não condiz com a personagem, que tenho certeza não iria se envolver com ex-marido tão rápido de novo. Sobre ela estar sendo usada como hospedeira das criaturas cibernéticas é uma boa hipótese, mas o que será que eles querem com ela.

Modo de Ativação: A cena que Gene Porter lê os números escondidos na parte interna dos lábios de uma patriota prisioneira deles, serve de ativação para o sistema de lavagem cerebral que sofreram, sendo assim eles se tornam soldados respondendo apenas a ordem dos patriotas, isso me lembra dos clones de Star Wars: A Vingança dos Sith. São ideias diferentes, mas com mesmo propósito.

A decisão de Miles: Será que Miles fez o certo ao deixar o jovem patriota escapar? Espero que Monroe esteja errado quando disse que ele ia se arrepender.

Roger Allenford: O cara anda sendo uma pedra no sapato de todo mundo, Ed Truman, Neville e por vai. A cena dele ativando Jason para cumprir a missão de “cuidar” de Neville promete ótimos momentos no próximo episódio.

Monroe x Nevile, Connor x Jason (x Charlie?): A cena mais legal de luta foi com certeza o confronto de Monroe versus Neville na passarela, cheguei a pensar que o segundo iria morrer se o Truman não tivesse chegado para ajudá-lo. Enquanto que naquele momento o rebento de ambos personagens também mandavam ver na briga sendo interrompida pela interferência de Charlie, ai sim melhor um encontro em meio ação do que um encontro normal entre esses três, se vai haver um triângulo, melhor que seja no meio do campo de batalha.

Gene e Rachel: O momento em que o Gene conta à filha que Charlie está dormindo com Connor é impagável, melhor ainda foi a conversa das duas logo depois.

Top 3 melhores frases do episódio:

                – “You know it’s interesting. Of all the guys you choose to screw, you choose a Monroe.” (“Sabe o que é interessante. De todos os caras que você escolheu pegar, você resolver escolher um Monroe”) – Monroe para Charlie

                “You really want to win this thing, it’s got to be with you and me calling the shots. Not Yoko and her dad.” (“Você quer mesmo ganhar essa coisa, então tem que ser eu e você tomando as decisões. Não Yoko e seu pai”) – Monroe para Miles

                – “You will be the new founding fathers.” (“Vocês serão os novos pais fundadores”) – Jack Davis para um grupo de soldados no flashback em Guantánamo

– O próximo episódio de Revolution promete muita ação, reforços para o grupo de Miles e muita tensão entre Neville, Jason e Roger Allenford, veja promo abaixo.


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