Review | Revolution 2×15: “Dreamcatcher”

João Paulo

  quinta-feira, 13 de março de 2014

Review | Revolution 2×15: “Dreamcatcher”

Entre acertos e falhas, e utilizando a técnica de realidade alternativa, o que poderia sair errado acabou sendo o maior acerto do episódio dando início a virada da série em relação à trama dos nanobots

revo

O novo episódio de Revolution conseguiu uma importante façanha, que foi a de manter o ritmo envolvente do final de “Fear & Loathing”, o foco em Aaron poderia ter sido um tiro no pé se a narrativa da aparente “realidade alternativa” não funcionasse bem. Ao invés disso a série surpreende por desenvolver de uma forma objetiva, cheia de reviravoltas e deixando em aberto a trama dos nanobots.

A cena inicial com Aaron tendo uma espécie de Dejá Vú é o ponto de partida da narrativa que primeiro tenta convencer o programador de que tudo aquilo era real, dessa forma vamos conhecendo um pouco desse mundo totalmente modificado. Priscila e Aaron trabalham na empresa do segundo, Peter também aparece, mas tudo fica interessante mesmo quando os personagens amigos e inimigos de Aaron são apresentados nesta realidade. O roteiro é eficiente ao utilizar personagens como Rachel, o falecido Dr. Horn e até Nora (adorei a breve aparição dela, saudades da personagem), como ponto de ignição para Pittman perceber que algo está errado.

Quando o personagem tenta se conforma que aquilo que está vivendo é real, a farsa cai por terra quando Charlie aparece impedindo que ele ajudasse a conserta o código dos nanobots (aqui disfarçados de empregados de sua empresa). A trama flerta muito com ficção científica, parece bastante uma mistura de O Vingador do Futuro e Matrix (o nerd até cita o filme em determinado momento), com todos aqueles eventos acontecendo dentro da mente de Aaron.

O episódio começa leve, depois ganha ares de thriller misturado com sci-fi e boas cenas de ação, que só perde um pouco em uma determinada cena em que Rachel, Miles e Monroe estão com Aaron num motel barato, mesmo que tal momento proporcione situações engraçadas. O fato é que em certo ponto quando parece que o episódio vai cair no dramalhão, o roteiro dá uma reviravolta interessante. Se as cenas de perseguição deram ritmo ao episódio, a segunda farsa deu toque esperto e revigorante à trama, eu mesmo (quase) cheguei a deixar me enganar pensando que personagem tivesse acordado após se jogar do prédio.

A influência da nanotecnologia é muito presente na trama, quando Aaron é enganado e acaba corrigindo o erro do código que estava matando os nanobots, após isto a história volta a realidade pós-apocalíptica, mas não sem deixar um mistério do ar. Qual será a função desses seres agora que estão cem por cento recuperados? A mensagem que eles deixam para Aaron tem um tom enigmático, mas muito vago, dessa forma teremos de esperar para ver qual será o próximo passo desta trama.

Uma coisa aqui ficou clara neste episódio, os nanobots são até que provem o contrário, vilões. A realidade alternativa que criaram para persuadir Aaron é prova de que esses seres representam um perigo para humanidade. Particularmente adoraria que esta história estivesse mais integrada com a história dos patriotas, talvez até esteja, mas vamos ver o que os próximos episódios nos reservam.

Acredito que os produtores agiram certos ao finalizar parcialmente a trama dos nanobots que já estava ficando um pouco arrastada e meio sem rumo. Aaron no final do episódio iniciou sua jornada rumo a Willoughby para reencontrar com Rachel, Miles e companhia, pois, lá deve ser se o foco da trama já que os conflitos internos (Neville versus Monroe) e conflitos externos (Miles e companhia versus Patriotas) estão prestes a explodir.

Sendo assim pode se dizer que “Dreamcatcher” foi um episódio interessante, intrigante, bem conduzido e que teve um pacote de ação na medida. Revolution está conseguindo manter uma linha crescente em seus episódios, desde “Happy Endings” (2×13) a série tenta ganhar fôlego de novo, depois do bom episódio 2×14, este novo episódio vem para manter a linearidade. O foco em Aaron acabou sendo uma aposta segura, a verdade é que o personagem foi um dos que mais cresceram na série desde a primeira temporada, mérito do ator Zak Orth é bom ressaltar.

Enfim Revolution tecnicamente soube aproveitar a realidade criada pelos nanobots para sair um pouco da rotina, adicionou ação, mistérios e algumas viradas satisfatórias. A criação daquele mundo que nada mais é um reflexo do mundo real, caso os eventos do blackout não tivessem ocorrido, foi uma oportunidade de a série sair ganhar novo fôlego, como eu disse na review anterior era preciso isto para o seriado encontrar um caminho para seguir, e este episódio foi uma prova que é possível fazer narrativas de qualidade se os roteiristas não se segurarem tanto. O próximo episódio deve voltar com a trama dos patriotas, está é outra que como a dos nanobots precisa de uma conclusão parcial, pois já andou bastante em círculos e necessita de uma definição de forma rápida e eficaz.

Observações da Revolução:

Dreamcatcher: As referências às obras de Stephen King não são uma novidade em Revolution. Este nome citado se refere à obra de King traduzida aqui como “Apanhador de Sonhos”, aliás, a obra foi adaptada para o cinema em 2002.

Efeitos Especiais: A cena de ação ainda na mente de Aaron com os raios caindo na cidade ficaram muito bem feitas, efeitos especiais respeitáveis.

CEO Pittman Digital: Achei legal podermos descobrir mais da vida de Aaron mesmo nesta realidade “fake” criada pelos nanobots, principalmente nas cenas da empresa de software que leva o nome dele.

Matrix: Kripke é muito nerd e tem um gosto muito apurado, segundo informações este episódio foi inteiramente baseado no filme de Keanu Reeves de 1999, desta para cena deles pensando em objetos e eles aparecendo no instante seguinte.

– O próximo episódio de Revolution promete muita ação e o confronto esperado entre Neville e Monroe, veja promo a abaixo.

http://www.youtube.com/watch?v=-1P0ql1gO_E


Já está nos seguindo no Twitter e no Facebook? Vem trocar uma idéia com a gente também no Botecão do Jack, nosso grupo no Facebook. Se quiser algo mais portátil, corre pro Telegram.

Comentários