Review | Revolution 2×14: “Fear & Loathing”

João Paulo

  quinta-feira, 06 de março de 2014

Review | Revolution 2×14: “Fear & Loathing”

Depois de um longo hiatus, a série volta com respostas, mas elas só aparecem nos minutos finais deste episódio e durante uma interessante reviravolta.

revolution 2x14

É importante dizer antes de começar que este episódio foi bom, mas apenas dá metade para o final. Revolution mais uma vez consegue unir o útil ao agradável (ou seja, aventura e ação), ainda que falte uma direção mais concreta para a série. Os arcos deixados em aberto foram todos direcionados de uma forma mais coerente e com desfechos que contribuíram para deixar à narrativa menos poluída e mais objetiva.

No episódio “Happy Endings” eu argumentei que faltava ousadia para os produtores e talvez por isso “Fear And Loathing” aparenta ser uma melhora, pois trás respostas e ainda trata de fazer surgir ainda mais questionamentos. A narrativa deste episódio foca principalmente na trama de New Vegas, girando em torno da prisão de Monroe e seu filho. Antes eu mencionei que o plot soava um pouco repetitivo, ao menos desta vez devo dizer que usaram a narrativa para desenvolver mais a relação pai e filho entre esses dois personagens, que praticamente lavaram toda roupa suja aproveitando a situação de prisioneiro em que os dois se encontravam.

Tirando esta parte o plot foi marcado pela previsibilidade, com Charlie sendo capturada pelos mesmos inimigos que pegaram Monroe e Connor. Devo dizer que gostei de criarem uma situação em que a sobrinha de Miles conseguiu provar-se uma pessoa de confiança para Duncan Page, a relação das duas foi algo interessante de se ver neste episódio, mas de tudo que foi trabalhado nesta narrativa, a aparente amizade que surgiu entre elas conseguiu ser de grande valia, pois Monroe ao final apenas obteve êxito em recrutar os soldados de Page devido a Charlie que salvou a vida dela.

Este plot também serviu para adicionar um pouco de ação no episódio, devo dizer que as lutas entre Monroe e Connor na arena soaram bem convincentes (e até comprei que os dois estavam lutando até a morte ali), principalmente na sequência final antes de Duncan e Charlie aparecerem para salvar os dois. Com este plot resolvido “Fear And Loathing” ainda tem tempo de desenvolver o subplot aberto com o reencontro de Neville e Jason com o grupo de Miles. Talvez esta seja a parte mais fraca do episódio, mas ao menos teve uma resolução mais rápida com Miles descobrindo as verdadeiras intenções de Tom.

Mais uma vez o grupo está diante de um dilema, Miles vai tentar impedir Neville de capturar Monroe, mas o fato é que não sei se ele irá conseguir. Afinal não está muito claro porque os patriotas estão tendo todo esse trabalho de matar Monroe, ou será que é só para evitar conflito com estado do Texas, afinal Bass deveria estar morto depois de tomar a injeção no episódio “Dead Man Walking” (2×06), eu pessoalmente não acredito que seja só isto. A verdade é que Miles e seu grupo estão desviando tanto do foco, que quando conseguirem criar uma pequena rebelião em Willoughby, os patriotas já estarão com plano a ponto de ser executado.

Está falta de seguimento é o que às vezes irrita em Revolution, a série desvia muito do caminho criando às vezes episódios que não acrescentam nada, ao invés de ir direto ao ponto e criar novos caminhos através da revelação de seus mistérios. É nesta questão que a trama em Lubbock com Aaron, Prsicila e Peter funciona melhor, pois ali parece ser o único lugar aonde a trama da série pode realmente tomar um caminho diferente. No caso deste episódio foi isso que aconteceu, no começo a trama pareceu um pouco parada, mas quando os fantasmas de Cynthia e o pai de Priscila apareceram para Aaron e sua ex-esposa respectivamente, finalmente descobrimos o porquê dos nanobots terem levado os personagens até aquele lugar.

Um erro no código de Aaron estava matando os nanobots e só ele, Priscila e Peter poderiam descobrir a falha, já que o trio criou as linhas de codificação. Mais uma vez a Revolution trabalha com questionamentos, mas aqui eles se tornam muito mais relevantes para mitologia da série já que o dilema é sobre salvar essas inteligências artificiais, ou deixá-las morrer. Dessa forma vamos fazer um pequeno paralelo aqui, os eventos estranhos que vinham acontecendo desde o incidente na “Torre” não apenas libertaram os nanobots, mas causaram toda uma mudança no planeta como pode ser notado nos primeiros episódios da segunda temporada. Seria esse defeito a causa dessas anomalias? E melhor, se nanobots são uma ameaça como Priscila mesmo pensa, não seria melhor destruí-los?

Por outro lado, temos Peter, que acredita que essas criaturas são deuses, capazes de fazer coisas extraordinárias, o que nos leva a uma frase de Grace alguns episódios atrás, em que ela disse que os nanobots estão presentes em todos os lugares inclusive no cérebro humano. Dessa forma fica a questão, será que se eles fossem destruídos a raça humana seria condenada, afinal eles curam e mantém a vida não é? Assim chegamos à cena final do episódio com Aaron tomando uma decisão radical após descobrir a raiz do problema que estava matando essas criaturinhas cibernéticas.

A decisão dos roteiristas finalmente me agradou, pois foi algo inusitado. Depois de tanta enrolação ver Aaron seguindo a sugestão de Priscila de acabar com os nanobots foi uma surpresa agradável, não importa as consequências, o importante é que Revolution está seguindo em frente. Espero que os roteiristas não venham com explicações fracas, pois depois daquela reviravolta, não sabemos se o plano de Pittman de reescrever o código deu certo, mas o personagem acordou numa espécie de realidade paralela. Se isto é uma ilusão, só saberemos no próximo episódio.

Enfim a narrativa de “Fear & Loathing” começou um pouco lenta e conseguiu empolgar mais perto do final, dando uma reviravolta que a série há muito tempo estava necessitando. O próximo episódio deve ser focado inteiramente em Aaron, mas o importante aqui é que a série saiu da zona de conforto, resta saber se ela saberá manter a consistência apresentada no final deste episódio. Pessoalmente estou curioso para ver que caminhos irão seguir, acredito que algumas surpresas nos aguardam, então vamos dar mais um voto de confiança a Revolution e que isso seja o pontapé inicial para construir um final de temporada eletrizante.

Observações da Revolução:

Fear And Loathing: O título do episódio se refere ao filme de 1998 “Fear And Loathing In Las Vegas” estrelado por Johnny Depp, Benicio Del Toro, Tobey Maguire e Christina Ricci. A produção foi dirigida pelo renomado diretor Terry Gillian.

Charlie: Essa garota só se mete em confusão e pior, toda vez que é capturada, ela acaba caindo no mundo da prostituição, como aconteceu neste episódio e olha que não é a primeira vez, ela também se viu nesta mesma situação no episódio “Sex And Drugs” (1×06). As coisas não estão fáceis para essa beldade.

Duncan Page: Este episódio marcou o fim do arco de Monroe em New Vegas, e com isso chega ao fim também a participação da personagem, espero que ela volte em episódios futuros, afinal ela tem um jeito de “badass” e uma boa química com Bass.

Os Patriotas: Os vilões apareceram no episódio e pouquíssimas cenas, mas uma em especial foi interessante, sendo esta a parte em que vários deles estavam carregando tambores que segundo Jason tinha soldados dentro, pois era uma forma de punição dentro do programa de treinamento que eles faziam. Afinal o que esses indivíduos estão planejando.

– No próximo episódio, Aaron se encontra em um lugar estranho a seus olhos e pode revelar ser consequência de suas ações no episódio anterior, veja promo abaixo.


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