Review | Revolution 2×13: “Happy Endings”

João Paulo

  segunda-feira, 10 de fevereiro de 2014

Review | Revolution 2×13: “Happy Endings”

Com uma trama apressada cheio de momentos bons e ruins, algumas revelações importantes e a introdução de vários novos personagens, Revolution ainda sofre pela falta de ousadia de seus roteiristas apesar de apresentar um bom episódio.

revolution resenha

Este novo episódio de Revolution tinha tudo para ser épico, daqueles para deixar a série pegando fogo durante um bom tempo, o episódio anterior “Captain Trips” deixou pontas soltas interessantes para serem intensificadas aqui, mas infelizmente não aconteceu, porque tudo indica que o receio dos roteiristas de faltar história parece pesar na hora de tomar certas decisões radicais por assim dizer, dessa forma somos apresentados a “Happy Endings” que tem um início acelerado que vai perdendo força até seu final que pode ser definido como apenas bom.

Antes de chegarmos nesta parte vamos começar a review falando do mini cliffhanger deixado no episódio anterior com Connor sendo surpreendidos por soldados patriotas enquanto tentava concretizar o plano de levar Ed Truman para pegar o antídoto da doença tifus e salvar a população infectada de Willoughby. A cena em questão é tão rápida que nem dá tempo da adrenalina subir, Connor acaba tendo um suporte de Miles (excelente cena dele matando patriota com uma sniper) e com isto consegue pegar os vidros com antídoto, no momento seguinte ele já escapou do acampamento inimigo, já chegou até onde estava Gene agonizando devido à infecção pela tal doença, tudo isso em menos de cinco minutos de episódio.

A necessidade de terminar o plot é tão grande que alguns furos no roteiro vão aparecendo pelo caminho deixando um rastro de falta de criatividade. Provavelmente queriam focar logo nos eventos deste episódio que mal se preocuparam em fechar o anterior de uma forma ao menos cuidadosa. A verdade que a trama em si de “Happy Endings” foi realmente boa, as duas narrativas em que o episódio se divide dão certo dinamismo e ritmo ao episódio, mesmo que uma delas não flua de uma forma cem por cento satisfatória.

A narrativa principal ficou por conta da jornada de Monroe, Connor e Charlie rumo a “New Las Vegas” com o objetivo de contratar um minicontingente de pessoas para ajudar Miles na sua revolução contra os patriotas. Esta trama em questão serve para reascender o plot da rebelião que há muito tempo foi deixado de lado devido às circunstâncias já mencionadas, outro aspecto positivo é a interação e o surgimento de uma relação entre Connor e Charlie. Alguns podem até achar meio rápido, mas a justificativa encontrada para tal acontecimento ter ocorrido vem do fato da filha de Rachel ter abraçado um lado mais “vida loka” por assim dizer presenciado desde o começo da temporada.

O maior problema aqui é que provavelmente cairemos na armadilha do triângulo amoroso, já que Jason deve voltar a fazer parte do grupo de Miles durante um tempo, mas falaremos dele um pouco mais a frente. A narrativa de “New Vegas” tem como função mostrar um pouco do passado de Monroe após os eventos das bombas, aqui retornamos à atmosfera sombria do episódio “Born In The USA” (2×01), trazendo a época em que Bass lutava para sobreviver antes de ser sequestrado por caçadores de recompensa. Com isto somos apresentados a uma nova personagem e possível interesse amoroso de Monroe, Duncan Page é durona e uma das chefonas da cidade, ela é a forma que o pai de Connor encontrou para recrutar soldados para causa de Miles.

Se por diversos momentos a trama tem um desenvolvimento que até desperta interesse, vide as cenas de luta com Monroe e o plano para roubar diamantes para comprar os homens de Duncan, ainda assim a série acaba por cair de forma não intencional em um momento “Dejá Vú”. Monroe planejou com Charlie e Connor roubar os diamantes do chefe de luta dele, mas o plano que até certo ponto parecia bem executado acaba por falhar exatamente pela falta de ousadia dos roteiristas, como eu citei lá em cima ainda no subtítulo. A intenção de colocar Monroe e Connor sendo capturados parece uma repetição desnecessária do episódio “Mis Dos Padres” (2×11), misturado com “Dead Man Walking” (2×06), a série perde a chance de ser objetiva reciclando plots como se não tivessem sido apresentados antes.

Falando em objetividade, a trama dos nanobots conseguiu executar essa função melhor do que a parte de Monroe, com isto mais uma peça do quebra cabeça foi inserido sobre os mistérios que rodeiam Aaron, ainda que a história careça de respostas mais claras, desta vez devo admitir que esta parte da trama realmente empolgou, mais por causa da repercussão que novo personagem introduzido trouxe. No episódio anterior ficamos sabendo que a conexão especial dos nanobots se estendia não só a Aaron, mas sua ex-esposa Priscila e seu amigo Peter, os três responsáveis por criar o código-fonte dos nanobots, por isso os únicos capazes de manifestar o poder deles e ter por assim dizer uma ligação especial com esses seres cibernéticos.

Aqui o plot foca exatamente neste dilema, durante vários momentos da temporada Aaron se relutou abraçar o dom que os nanobots o concedeu, mas quando ele encontra seu amigo Peter ele vê o outro lado da moeda, alguém com seus mesmos poderes usando sem receio. O que nos leva ao questionamento sobre a divindade dessas inteligências artificiais. O fato dos nanobots estarem presentes em todos os lugares não faz deles deuses? Grace levantou essa pergunta antes de desaparecer e Peter amigo de Aaron voltou a fazer a mesma pergunta neste episódio. O grande dilema do programador foi tentar compreender exatamente isto, seu amigo não sabia da existência dessas criaturas inorgânicas, para ele o poder que manifestava era obra divina.

O contraponto que o roteiro faz entre ciência e religião lembra um pouco até a série Lost, mas diferente daquela série Revolution usa uma abordagem um pouco distinta, focando no uso questionamentos em torno do poder cerca esses dois argumentos.   Peter usava seu dom, mas quando Aaron revelou a verdade da origem dele, trouxe a tona um caráter vilanesco no personagem, ao invés de encontrarem ajuda Pittman e Priscila se encontraram prisioneiros de uma pessoa que se recusava a perder tudo aquilo que o fazia superior e respeitado entre as outras pessoas daquela pequena comunidade na cidade de Lubbon, Texas. Esta trama às vezes fica lenta, mas quando resolve mostrar seu potencial, consegue trazer diversos momentos ótimos como estes.

E já que estamos falando de ótimos momentos à trama de Neville poderia ter seguido este caminho também, ao invés disso sofreu do mesmo mal do plot de Monroe, a previsibilidade. Sua trama se passa cinco dias depois de toda a trama da infecção em Willoughby e depois daquela cilada em que ele e sua mulher caíram. Prisioneiro, ferido e totalmente acuado, o personagem serviu neste episódio apenas de escada para que os roteiristas pudessem introduzir finalmente o que deve ser o maior vilão da temporada até agora. O presidente Davis aparece aqui como a força por trás da revolução que seus subordinados estão iniciando no que um dia foi os EUA, mas um pouco menos imponente, assustador e intimidador do que eu esperava, não sei se é porque contrataram um ator um pouco desconhecido, ou porque o líder dos patriotas parece apenas político comum.

Ainda assim a conversa entre ele e Neville foi persuasiva e cheia de veneno, não era a introdução que eu queria para o personagem, mas para o presidente Davis surpreender basta que os roteiristas trabalhem melhor as verdadeiras intenções do personagem. Alias intenções infelizmente é o que torna este plot um pouco óbvio, acho que utilizar Tom para infiltrar no grupo de Miles apenas para matar Monroe é uma atitude que pode virar um tiro no pé para os patriotas, acredito que mesmo Neville sendo esperto, o tio de Charlie é mais. Espero que no final o pai de Jason e ele também acabem se juntando a rebelião dos Mathesons contra os patriotas, mesmo que Júlia ainda esteja prisioneira.

Enfim “Happy Endings” pode até ter intenção de dar um final feliz para todos (talvez apenas Miles e Rachel estivesse realmente próximo de um momento assim no episódio), mas ao contrário do que o título diz, todas as tramas ficaram em aberto e a maioria dos principais personagens se encontrou em maus lençóis. Ainda que apenas a trama de Aaron consiga trazer momentos realmente bons, uma coisa ficou bem clara, o roteiro como um todo parece estar andando em círculos, já passou da hora de Revolution se arriscar mais, intensificar a luta contra os patriotas e ainda trazer revelações mais concretas para seus mistérios.

A série sabe trabalhar questionamentos importantes quando precisa como, por exemplo, a trama dos nanobots envolvendo Aaron, Priscila e Peter, mas também este episódio mostrou que a sucessiva repetição de situações aparenta que os roteiristas se perderam um pouco (falta de novas ideias talvez?), o desgaste começa a ficar evidente, mas ainda assim o episódio em questão não foi totalmente desperdiçado, a adição dos novos personagens que surgiram pode ser a primeira dica forma de mudar essa situação para melhor, acrescente isto as cenas de ação e alguns outros pontos positivos, temos ai esperança o bastante de que Revolution vai conseguir apresentar uma boa sequência de episódios. “Happy Endings” foi bom, talvez até melhor que alguns episódios anteriores, mas sabemos que Revolution consegue fazer bem melhor do que foi apresentado aqui.

Observações da Revolução:

Rachel e Miles: Enquanto Monroe, Connor e Charlie estavam passando por apuros em New Vegas, Miles ficou fazendo companhia a Rachel e Gene (ainda se recuperando da doença). Os roteiristas mais do nunca reacenderam a paixão entre o tio de Charlie e sua mãe, a cena quente entre os dois talvez seja o único momento de folga que terão depois que Neville e Jason chegaram para se juntar ao grupo. E olha não podemos esquecer-nos da cena simpática dos dois fingindo ir ao cinema ar livre, com direito a referência a Evil Dead 2.

Ed Truman: Mesmo infectado, Truman ainda conseguiu um antídoto para se curar e escapar, esse patriota é tipo de vilão escorregadio, difícil de ser derrubado.

Peter, Curandeiro: Devo dizer que a cena em que ele cura o rosto de uma senhora com ajuda dos nanobots (em forma de vagalumes) foi muito bem feita. Uma ótima forma da primeira aparição do personagem causar uma boa impressão, pena que as aparências enganam.

Novos Personagens: Três personagens surgiram e parece que vieram para ficar pelo menos por um tempo, Duncan Page que possui um passado com Monroe é interpretada pela atriz Katie Aselton (The League), outro personagem é Peter interpretado pelo ator Daniel Henney (Hawaii Five-0) e o por último o vilão Presidente Davis interpretado pelo ator Cotter Smith (The Americans, Person of Interest).

Bret Michaels: O ex-integrante da antiga banda Poison, fez uma participação no episódio como ele mesmo, fazendo um show na cidade de “New Vegas”.

“O que acontece em New Vegas, fica em New Vegas”: A cidade New Vegas serve para os produtores trazerem participações e curiosidades sobre o mundo pós-apocalíptico de Revolution. Como fizeram antes uma exposição dizendo que David Shwimmer (episódio 2×01) era o último membro de Friends vivo, desta vez tinha exposição para conhecer os restos mortais de Steven Tyler, é desta criatividade que sinto falta na série.

Connor e Charlie: Mais engraçado desses dois trocando flertes e indiretas, até culminar na cena de sexo, foi à reação de Monroe quando viu os dois juntos, hilária a cara dele, quero ver a reação de Miles e Rachel quando descobrirem.

Charlie: Falando na filha de Rachel será ela capaz de salvar Monroe e Connor dá mão do chefão da luta em New Vegas?

Monroe: Falando em cenas de ação, essa com Bass lutando com armário foi de longe uma das melhores partes do episódio.

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– Depois dos jogos de Inverno a série retornar do hiatus no dia 4 de março com a promessa de grandes momentos e provavelmente a revelação definitiva sobre a situação dos nanobots.


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