Review | Revolution 2×12: “Captain Trips”

João Paulo

  terça-feira, 28 de janeiro de 2014

Review | Revolution 2×12: “Captain Trips”

Finalmente a série parece estar entrando nos eixos dando sequência ao bom episódio de semana passada trazendo ainda mais reviravoltas, ainda que peque um pouco ao desenvolver uma de suas narrativas.

revolution 2x12

O episódio desta semana de Revolution trouxe alguns desenvolvimentos interessantes em seus arcos e armou uma estratégia para deixar o público ligado criando alguns cliffhangers interessantes principalmente em seus últimos minutos. “Captain Trips” trás uma narrativa melhor, mas que tem alguns elementos que ainda incomodam, mesmo assim o plot principal focado na doença misteriosa funciona melhor perto do fim do que durante seu desenvolvimento, o mesmo pode ser dito do plot de Aaron.

Com o fim do desinteressante arco da introdução do filho do Monroe no México, Miles e companhia voltaram para Willoughby, encontrando o esconderijo vazio sem a presença de Charlie e Gene. A construção dessa trama foi bem feita no final do episódio passado que culminou na descoberta do surto da doença na cidade e aliança entre o avô de Charlie e o líder dos patriotas o comandante Edward Truman, mas deixou um pouco a desejar neste, os motivos para isto são vários (um deles será explicado nas observações da evolução), o principal a meu ver foi à inserção de Miles, Rachel, Monroe e Connor na história.

Rachel porque a maneira com que ela se deixa ser capturada pelos patriotas foi muito gratuita (mesmo que seja para chegar até Charlie e seu pai), ainda que mais tarde se torne uma vantagem para que Miles possa investigar e obter mais informações sobre a tal doença. Agora o maior problema aqui foi Monroe e Connor, o segundo como está se adaptando ao grupo acaba por parecer uma versão feminina da Charlie remetendo os primeiros episódios da primeira temporada e isto não é um elogio (naquela época a personagem era meio chata).

O filho de Monroe mais uma vez sendo a pedra no sapato nos planos de Miles e só cooperou mesmo com a insistência de seu pai convencendo ele sobre aquele plano deles de construir a nova república Monroe. Continuando a falar sobre o plot da doença, Gene foi o primeiro a desconfiar que algo estivesse errado e é ai que Revolution faz funcionar seu roteiro, o fato de Rachel descobrir que a doença foi criada em laboratório indicava mesmo que os patriotas estavam por trás da contaminação que assolou a cidade, mas a revelação interessante mesmo ficou pelo fato que estavam selecionando pessoas específicas para pegar Tifu em Willoughby (uma espécie de epidemia controlada), uma forma que os vilões encontraram para purificar a comunidade. Esta reviravolta remete um pouco ideias que se assemelham ao que nazistas faziam no passado, sem falar que os patriotas também tem um passado ligado à seita iluminatti o que torna essa ideia ainda mais plausível dentro do contexto, eu espero que explorem mais a ideologia desses vilões nos próximos episódios.

“Captain Trips” tem a qualidade de saber tirar momentos interessantes de todas suas narrativas, como neste plot da doença de Willoughby e esta reviravolta com patriotas, assim também como no plot de Aaron que apesar de não ter sido tão interessante quanto no episódio anterior, acabou trazendo á tona mais peças para o quebra cabeça relacionado aos nanobots. A parte fraca desta narrativa ficou a cargo de Priscila, foi só eu elogiar a dita cuja que a ex-esposa do programador deu um jeito de ficar chata de novo, recusando a seguir Aaron em sua jornada ao desconhecido guiado pelas inteligências artificiais em questão, aliás, que cena bizarra daquela árvore caindo na frente dela, fiquei intrigado para saber mais da extensão do poder desses nanobots.

Se as coisas não estavam fáceis em Willoughby e em Spring City, na narrativa de Neville e Julia na Casa da Branca tudo está ainda mais complicado. Devo dizer que esta foi a melhor parte do episódio, foi aqui que a série realmente empolgou, transformando a reviravolta da prisão de Jason pelo atual marido de Julia no episódio anterior em algo muito maior. Pelo modo que o roteiro reserva certa atenção ao casal, estava claro que ao decisivo estava para acontecer.

Os flashbacks de Neville e Julia dois anos depois do blackout foram cruciais para moldar um pouco mais o caráter desses dois personagens, que como os outros tiveram que usar as armas que tinham em mão para sobreviver e mais salvar o filho pequeno doente. A cena do acampamento foi violenta e mostrou friamente que a realidade pós-blackout transformou bastante a dupla. Essas cenas do passado refletem no presente mostrando as motivações justificáveis dos dois usando de todos os meios possíveis para salvar Jason que coincidentemente acaba por ser uma das causas da mudança de comportamento de seus pais tanto antes (passado) quanto depois (presente).

Como citei antes o melhor dessa narrativa foi o elemento surpresa no final, eu estava achando muito esquisito e previsível o marido da Julia não perceber ela vasculhando suas coisas, mas o patriota foi mais esperto que todos ali, a cena em que Neville é surpreendido por ele e seus subordinados foi uma surpresa incrível. A expressão de impotência de Tom vendo sua esposa sobre a mira de uma arma foi indescritível, aliás, belo trabalho de Kim Raver e Giancarlo Esposito, ambos conseguiram passar verdade na cena, um misto de terror, medo e vulnerabilidade.

Resta saber agora o que o vilão Victor Doyle vai fazer com sua esposa traidora e com Neville, a situação foi tão tensa que acredito que esta história não irá terminar bem para família Neville. Esta reviravolta chega perto clímax exatamente para deixar a audiência salivando por mais e como eu disse anteriormente, é ai que Revolution surpreende e o melhor que esta não foi à única virada. A trama de Willoughby tem um “twist” interessante quando Miles sequestra Ed Truman e o obriga a pegar um antídoto para salvar a cidade, mas devo dizer que deixar Connor levar o patriota para pegar os frascos foi uma ideia péssima.

Assim pode-se dizer que “Captain Trips” consegue trazer alguns elementos que estavam em falta na série ultimamente, que eram as surpresas e o gostinho de quero mais. Com Gene infectado (será que ele sobreviverá?), Connor surpreendido por patriotas dentro do escritório Truman com o mesmo como refém, deixa uma porta aberta para muitos acontecimentos agitarem o próximo episódio, sem falar que a trama de Neville em seu pleno ápice foi a cereja do bolo aqui, espero ver mais desta história, eu só queria que a trama de Aaron fosse um pouco melhor, pois o fato de estarem demorando tanto para revelar as verdadeiras intenções do nanobots começa a deixar a trama mais interessante de Revolution um completo tédio, já passou da hora de chegar á algum lugar com isso.  No geral a série mostra que está seguindo o caminho certo.

Observações da Revolução:

Captain Trips: O título do episódio é uma clara referência à doença que matou 99,4% da população mundial no livro sucesso de Stephen King, The Stand.

Spoiler Alert: Galera tome cuidado com as promos de Revolution, a deste episódio, por exemplo, teve cenas cruciais como a revelação de que a epidemia de Tifu tinha sido orquestrada pelos patriotas, isso diminui o efeito da informação no episódio. É uma falta de respeito com o público, mas fica ai o alerta.

O fantasma de Cynthia: Foi legal ver a Jessica Collins de volta na série ao menos uma última vez, mesmo sendo apenas uma participação, sua presença fantasmagórica foi a representação usada pelos nanobots para comunicar com Aaron.

Lubbock, Texas: Falando em Cynthia, ela trouxe uma mensagem para Pittman, dizendo onde ele deve ir para encontrar as respostas que procura. Lubbock, Texas será a próxima para de Aaron, conhecida como casa do maior cowboy de concreto do mundo.

Grace: A personagem sumiu de novo, parece que os roteiristas não sabem como usá-la corretamente na história, porque só isso para explicar o fato dela sempre desaparecer em momentos de suma importância.

Victor Doyle: Ele prometeu que Julia nunca mais verá Neville de novo, bom o vilão está mostrando suas verdadeiras intenções agora, mas posso dizer que gosto mais do personagem agora que mostrou sua verdadeira cara.

Washington: Faz um tempo que não elogio a produção de Revolution, mas vale a pena citar as belas tomadas de Washington D.C. pós-blackout, estão bem convincentes principalmente quando monumentos da cidade são mostrados em cena (como a cena de conversa entre Neville e Julia).

Miles Matheson: O personagem anda um pouco apagado, mas quando tem cenas relevantes diverte bastante, como a cena em que ele aplica Tifus para chantagear Ed Truman, quero ver mais cenas de ação com personagem.

Audiência: A série começou o ano com uma audiência baixa, oscilou um pouco, mas neste episódio a audiência aumentou 1.5 de ratings (medida na faixa 18-49 nos EUA, esses números são importantes para analisar o interesse do expectador) e 5,28 milhões de expectadores. Se continuar assim a série tem chances de uma renovação, mesmo algumas previsões indicando o contrário.

– No próximo episódio Revolution vem cheio de emoções e mais revelações, veja promo abaixo, SPOILERS.

http://www.youtube.com/watch?v=8WS8Ggz3jqI


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