Review | Revolution 2×06: “Dead Man Walking”

João Paulo

  segunda-feira, 04 de novembro de 2013

Review | Revolution 2×06: “Dead Man Walking”

O plot em si foi previsível, mas ao saber explorar as repercussões envoltas desta narrativa, Revolution se sai bem e apresenta um episódio cheio de ramificações para serem exploradas futuramente.

revolution 2x06

O episódio de semana passada não foi tão bom quanto se esperava e nem surpreendente o bastante, confesso que esperava o mesmo resultado do episódio desta semana depois de assistir a promo. Então devo dizer que estava enganado, pois, apesar de um enredo meio que clichê, Revolution consegue tirar coelhos da cartola ao desenvolver de forma completamente satisfatória todas as tramas ligadas a execução de Monroe e mais, a trama paralela de Tom Neville tomou um rumo intrigante.

Começando pelo plot principal com a sequência depois que Bass matou o texano John Franklin Fry, numa tentativa insana de fazer o plano de Miles funcionar. A sequência inicial foi uma montagem dos dois apagando seus rastros e a forjando evidências que ligassem a tragédia aos patriotas. É claro que as coisas não saíram como esperado, alguns dias depois o plano não só saiu pela culatra como Monroe foi preso pelos patriotas e pelos texanos, que souberam da localização através de uma fonte ainda desconhecida.

O episódio praticamente gira em torno deste evento, com o amigo de Miles indo a julgamento pelos crimes que cometeu, além de servi para acerta uma aliança entre o novo EUA dos patriotas com a nação do Texas. Dessa forma o roteiro explora um pouco do passado de Monroe, mostrando um pouco do personagem antes dele se tornar o louco sádico e sentimental da primeira temporada.

Apresentar um flashback do personagem bem antes dos eventos dessa temporada foi uma aposta arriscada, porque a serie correu o risco de voltar ao plot do blackout que por mais que tenha proporcionado certo desenvolvimento não se compara a qualidade do plot pós-nukes que move a trama deste novo ano. Por sorte a história ainda conseguiu se encaixar bem na história mostrando toda uma trajetória de felicidade e decadência vivida por Monroe.

Descobrimos que personagem tinha uma esposa grávida no começo quando ele e Miles ainda estavam no comando de um pequeno acampamento (que viria a se tornar a milícia dali a alguns anos). Com a morte dela e da criança durante o parto, foi o estopim para Monroe se afogar num buraco infelicidade e causar todo dano que causou em todos que cruzaram seu caminho desde entaõ. A maioria ali em Willoughby tinha seus problemas com Monroe, principalmente a família Matheson, mas enquanto Miles e Charlie sentiam pena da situação de Bass, Rachel via aquilo tudo como a justiça finalmente sendo feita, afinal ele foi responsável pela morte do Danny.

A narrativa se sai bem por explorar pontos interessantes como amizade entre Miles e Monroe, o relacionamento conturbado entre Rachel e Charlie, além do circo promovido pelos patriotas em torno da execução por injeção letal do indivíduo. Começando pela amizade conturbada, devo dizer que talvez tenha sido o melhor desfecho do episódio, tanto pelo lado sentimental quando pela revelação de um plot que ficou em aberto da primeira temporada.

Miles e Monroe sempre foram rivais e isso não é novidade para ninguém, durante todo esse tempo eles passaram por altos e baixos, mas sempre no fim das contas o companheirismo e a amizade falaram mais alto. A cena que corresponde tudo isto que foi citado é a parte em que ambos conversam na cela pouco antes do momento fatídico para Monroe, que mostrando certa fragilidade (devido á morte eminente) revela ao amigo que Emma estava grávida. O fato de Miles saber do filho pode até não ter sido surpresa, mas esconder o dito cujo de Bass foi de uma crueldade imensa (mesmo que ele estivesse fora dos trilhos na época), e dizer isso no leito de morte dele foi o prego que faltava para fechar o caixão.

Para Rachel e Charlie, a questão era mais pessoal. Rachel não consegue ver nada além dos seus sentimentos e só acredita na sua própria verdade, é isto que sua filha mostra para ela e é isto que causa a primeira transformação da personagem, bom pelo menos o início dela, o interessante este é justamente o problema que torna a cena final da personagem previsível e correta, mas não instigante como deveria ser.

Sobre a repercussão que a execução de Monroe trouxe para cidade de Willoughby, os patriotas se aproveitaram para se promover e ainda se aliar com Texas como já citei. Ainda neste núcleo tivemos a entrada de uma personagem, Bonnie Webster que figura como uma repórter que escreve matérias para ressaltar o heroísmo dos patriotas, sem falar que no passado ela trabalhava para revista Forbes, dessa forma ela conhece o passado de bilionário de Aaron Pittman, se isso é bom ou ruim, ainda não sabemos.

Sobre Aaron tivemos apenas esta cena com a repórter de interessante, o mistério do blackout meio que esfriou apesar dele demonstrar que ainda não se sente seguro sobre sua condição. Do outro lado da narrativa chegando ao campo secreto de treinamento dos patriotas, estão Neville e a ex-secretária Allenford. Este plot foi interessante para conhecermos mais deste sistema pesado de reprogramação de soldados dos vilões e ainda pelo fato de vermos o lado humano de Tom Neville aflorar em relação ao filho.

Ainda não sei o real motivo de Justine Allenford estar viva até este ponto, a não ser para salvar Neville da ira do próprio filho (agora soldado programado para matar) e revelar que tinha filho que passou pela mesma situação de Jason. A cena em que Neville fica frente-a-frente com Jason é conduzida com eficiência, sentimental sem parecer muito piegas, a verdade que o garoto é que tudo que restou para ele e lutar contra este mal que os patriotas fizeram vai ser a motivação do personagem daqui para frente, superando até seu desejo de vingança. Com certeza esta trama tem tudo para render um pouco mais nos próximos episódios.

O prólogo de “Dead Man Walking” é carregado de sentimento, mas não é tão eficaz em causar comoção no público. Monroe nunca foi mocinho e a execução dele pode até trazer certo sofrimento em personagens como Miles e Charlie, mas no restante a morte dele é mais do que merecida. Particularmente se o personagem morresse faria falta durante um período, depois seria esquecido pelo menos por parte da audiência, eu gosto da atuação do David Lyons, acho que ele trás a carga dramática que o personagem precisa (as vezes exagera um pouco), além de funcionar muito bem com boa parte do elenco, mas Monroe precisava de algo mais, do que somente a relação que criou com Charlie.

Se o personagem sobreviver (está bem óbvio, vocês viram Rachel cavando) esta história com Miles e seu filho perdido promete pegar fogo e talvez seja a única coisa que realmente importe desta trama toda. No caso de Rachel, esta atitude será o ponto de partida para uma possível reconciliação com Charlie, mas talvez seja o fim da relação com seu pai Gene, que, aliás, protagonizou a reviravolta mais inesperada do episódio.

Saber que o personagem foi à pessoa que entregou a localização de Monroe foi uma surpresa e saber que ele é um dos patriotas, foi uma surpresa ainda maior, porque até então, não tinha nenhum indicio evidente que o pai de Rachel era um vilão. Isso trás tantas repercussões que podem ser trabalhadas e assim como Cynthia a namorada de Aaron, finalmente percebe-se que este novos personagens realmente tinham algo para acrescentar a trama da série. Ponto para os produtores e roteiristas.

Desta forma chegamos a final da análise de “Dead Man Walking”, que teve objetivo de focar um pouco em Monroe, mesmo sendo óbvio em alguns pontos, mas soube desenvolver bem elenco principal em relação à situação do personagem. Ainda tivemos como bônus a trama de Neville que a cada episódio se torna mais intrigante e neste episódio ganha novas camadas. Este episódio foi uma melhora em relação ao anterior e trouxe de volta um pouco (eu disse um pouco, não é ideal ainda) da empolgação dos primeiros episódios. A cena final pode-se perceber a chegada de um novo visitante a Willoughby, o ator é conhecido e o personagem parece ser outro vilão patriota a ser acrescentado na trama, sem falar que a simbologia vista na carruagem que o trazia era familiar a Aaron, então podemos esperar a trama de mistérios voltando com força no próximo episódio.

Observações da Revolução:

– Comic Books: Eu gosto quando Revolution abraçado seu lado nerd. Na cena em que a repórter Bonnie conhece Aaron, o personagem está desenhando em cima da capa de uma revista em quadrinhos do Tocha Humana (referência ideal para ele).

Gene e Truman: Depois da revelação de que ele era o traidor, a conversa dos dois terminou numa troca de farpas que só nos diz uma coisa, o que está segurando Truman de não matar Rachel e Miles é o fato do pai dela estar ali, sem falar que citaram um nome peculiar (Dr. Horn) na conversa.

– Neville: O episódio foi marcado por pouca ação, mas a melhor delas foi Neville matando os recrutas que sofreram lavagem cerebral, o cara foi feroz cortando gargantas e fazendo armadilhas.

Homem misterioso: O homem que apareceu no final do episódio se chama Dr. Horn, será que ele conhece o poder misterioso de Aaron? É esperar para ver.

– No próximo episódio as coisas devem ficar mais complicadas para o senhor Pittman, veja a promo.

http://www.youtube.com/watch?v=CwULmLLqK1M


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