Review | Revolution 2×03: “Love Story”

João Paulo

  segunda-feira, 14 de outubro de 2013

Review | Revolution 2×03: “Love Story”

A ironia está no nome do episódio e talvez seja a grande ilusão deste episódio, é desse modo que a série carrega sua eletrizante narrativa e ainda trás a tona seu vilão mais poderoso.

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E mais uma vez Revolution apresenta um ótimo episódio (e com esse já são três de qualidade inquestionável até agora), apesar deste não ser tão polido e o roteiro amarradinho do anterior, “Love Story” consegue manter o espectador grudado na tela durante quarenta e poucos minutos, e que minutos, devo dizer que aconteceu tanta coisa e ainda assim na última cena tivemos uma reviravolta e um gostinho de quero mais.

Ao contrário de “There Will Be Blood” que dividiu sua narrativa optando por deixar pequenas pistas sobre vilões da temporada “Os Patriotas”, este episódio é mais efetivo em deixar a ameaça deles mais explícita, mas antes de falarmos realmente deles, é bom analisarmos o caminho que roteiro faz até culminar neste momento.

O plano de Rachel e de seu pai deu certo, chegando sorrateiramente no covil de Titus Andover, eles conseguiram resgatar Miles e ainda levar a mulher do vilão junto como refém. A cena em questão foi meio conveniente e tudo correu facilmente, foi clichê, mas não dava para complicar muito. Este plot fica interessante mesmo quando Titus aparece com uma galera para invadir a cidade (que lembra bastante Woodbury de The Walking Dead, aliás, o cerco à cidade lembra muito a terceira temporada da série) onde Miles e companhia estavam se escondendo.

O roteiro faz questão de construir toda uma eminente tensão pré-invasão com Titus nos portões da cidade ameaçando, além de ter Miles ainda ferido de forma grave na mão e ainda tendo que organizar uma retirada da população local. É claro que a batalha iria estourar em algum momento, no entanto devo ressaltar que o plano de Miles em apelar para o lado emocional do vilão foi uma boa tática para segurar um pouco o ataque eminente.

Com tantas coisas acontecendo o plot do blackout meio que desapareceu em alguns momentos da trama, ou seja, nada de visões bizarras com Aaron dessa vez, aliás, ele pouco fez no episódio a não ser ter um argumento sobre fé e ciência com sua namorada Cynthia. Rachel por sua vez está demonstrando mais seus sentimentos por Miles, mas o melhor foi vê-la entrando em ação quando necessário.

Os outros plots como o de Charlie e Monroe tiveram pouco desenvolvimento, mas o roteiro se fez presente em todos eles de uma forma tornar a narrativa mais linear. O primeiro episódio da temporada começou com narrativas bem distintas, dois episódios depois, pode se notar uma intenção de unir todas elas em prol de algo maior. Na narrativa de Charlie, Adam e Monroe, descobrimos que os patriotas estão atrás de várias pessoas inclusive Rachel Matheson.

Falando nos vilões é de admirar a influência e a esperteza desses indivíduos que chegaram cheio de alarde, mas que agora começam tomar os holofotes para si, é mostrado que eles estão por trás de tudo que está acontecendo nas repúblicas remanescentes atualmente. Assim chegamos à trama de Neville e Jason, ambos ainda estão empenhados em derrubar os patriotas de dentro para fora, mas o fato é que a secretária Justine Allenford e seus subordinados são mais inteligentes do que se pensava. A tática de testar a lealdade de Neville foi eficaz e fez os planos do pai de Jason desmoronar, até eu fui pego de surpresa nessa, no entanto penso que o ex-coronel ainda pode ter êxito apesar dos vilões terem descoberto sua identidade.

A criação desses vilões está tão bem cuidada que não foi surpresa descobrir que eles tinham pagado um preço alto para Titus assustar a cidade de Willoughby. O subordinado de Titus e segundo no comando na verdade comandava tudo nos bastidores através de um acordo feito há um bom tempo. É importante notar o quanto Garrett tem poder sobre Titus, mas ainda assim não consegue controlá-lo devido a obsessão do vilão em resgatar a esposa das mãos de Miles.

A narrativa deste episódio cresce de forma gradativa e culmina no momento que citei no começo que é a invasão da cidade. Toda a sequência foi simplesmente muito bem feita e devo dizer que toda a ação e violência empregada é o que muitas séries com essa temática deveriam fazer e acabam não fazendo, mas Revolution não tem medo de se arriscar e de colocar seus protagonistas em perigo a todo o momento, algo que considero um dos pontos fortes do seriado.

Ainda que na cena em que Rachel leva uma flechada não consegue ter uma carga emocional muito forte, as sequências de ação são corretas e violentas o bastante no ponto de criar tensão, em destaque na cena em que a mãe de Charlie e Miles ficam encurralados no beco, a parte em questão é tão perigosa que é difícil imaginar que saíram vivos dali. A grande ironia de “Love Story” é que não é sobre grandes romances, mas sobre desconstrução deles, na verdade esta palavra levou muito dos personagens à diversos sentimentos: de loucura com Titus que invadiu a cidade por sua esposa, de amor verdadeiro com Rachel em relação a Miles, mesmo ela sabendo que os dois juntos só atrai coisas ruins, de obsessão com Tom Neville e sua trilha de vingança em relação a esposa e finalmente de falso amor pela pátria com os patriotas utilizando esse sentimento de forma ilusória para reerguer os EUA mesmo jogando com as armas mais sujas possíveis.

A última tomada do episódio com um giro de 180 graus focado no rosto de Miles e sua reação ao ver os soldados chegando mostra que os patriotas voltaram para recolonizar os EUA de novo, só que desta vez as condições são diferentes e as circunstâncias também. O episódio foi um despertar de Miles, Neville, Monroe e Charlie para realidade em que estão vivendo e dos vilões que terão de enfrentar. Mais do que nunca tudo se encaminha para um confronto entre colonizadores e aqueles que não querem se colonizados novamente. Charlie está retornando para casa, o twist com Rachel sendo ferida abre uma incógnita e Miles terá que tomar muito cuidado daqui para frente. Os próximos episódios prometem e Revolution segue trilhando um caminho mais sólido nesta temporada que realmente merece elogios até momento, espera-se que esta qualidade e objetividade se mantenham.

Observações da Revolução:

– Vice-diretor Vince Cooke: Um novo vilão e membro dos patriotas apareceu no episódio, e já chamou a atenção só por enganar Neville, espero que mais do personagem seja mostrado.

– O mistério dos ratos: Espero que não se esqueçam dos mistérios envolvendo os ratos mortos do episódio anterior, apesar de este episódio não focar nos mistérios resultantes do incidente da Torre é deixar a ressalva para que não demorem a voltar nesta trama.

– Miles o imbatível: Incrível com personagem mesmo com a mão machucada consegue matar mais gente que todos os outros personagens juntos, o cara é sensacional, sem mais.

– Rachel: Não, Essa não é a flecha do cupido, mas ainda assim ela saíra viva, como? Bom isso eu não sei, mas Revolution sempre dá um jeito.

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– Justine Allenford: Estou interessado em saber o que a secretária de estado planeja fazer com Jason, a não ser que ela use ele como objeto de consumo (se é que vocês me entendem), não vejo outra utilidade, a não ser que ele seja recrutado para trabalhar com patriotas ai sim será algo interessante de se ver.

– Nora: Está ai uma oportunidade que os roteiristas perderam ao matar Nora no final da primeira temporada, a personagem com certeza iria render nesta questão dos patriotas.

– No próximo episódio o domínio dos patriotas aumenta e os mistérios voltam ao centro da trama, veja a promo abaixo.


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