Review | Revolution 2×02: “There Will Be Blood”

João Paulo

  segunda-feira, 07 de outubro de 2013

Review | Revolution 2×02: “There Will Be Blood”

Mantendo um clima sombrio a segunda temporada de Revolution continua seu ritmo alucinante apresentando um dos melhores episódios da série até então.

Revolution 2x02

INSANO, é isso que posso dizer desse segundo episódio de Revolution, conseguiu manter os mistérios ainda mais intrigantes, mostrou que o vilão apresentado no final do episódio passado não está para brincadeira e ainda conseguiu movimentar todos os plots de modo bem feito como há muito tempo não se via na série.

Comecemos então pelo mini-cliffhanger deixado no episódio passado, Aaron aparentemente ficou duas horas e meia, completamente morto até despertar de novo. Eu citei na review passada que a explicação para tal evento poderia cair no clichê, mas não foi isso que aconteceu, na verdade tivemos um jeito diferente de lidar com esta situação e foi colocar ainda mais minhoca na cabeça do público, sendo que a única resposta segundo Rachel e o próprio Aaron tem haver com nanobots presentes no ar, ainda assim fica tudo meio vago, mas o flashback que mostraram da noite do incidente na Torre foi uma boa sacada, agora sabemos o porquê do programador não ter conseguido evitar o holocausto em Atlanta e na Filadélfia, o sistema travou e logo em seguida entrou em sobrecarga explodindo todos os equipamentos do lugar, ao que parece Miles, Neville e os outros fugiram do que seria a explosão do lugar, então se espera que isso fique mais claro em futuros flashbacks sobre o acontecimento e sua ligação com eventos climáticos do presente.

No decorrer do episódio acompanhamos Aaron tentando entender o que aconteceu com ele, tento ainda que aguentar sua namorada Cynthia achando que tudo isso foi um milagre de Deus até descobrir a verdade, além disso, ele ainda sofreu de alucinações bizarras com Ben Matheson e ainda testemunhou mais um incidente estranho relacionado às mudanças naturais. Ao contrário de vagalumes dessa vez ratos apareceram mortos como se tivessem sido eletrocutados ou algo do tipo, um evento que não só foi testemunhado apenas por Aaron, mas logo depois por Rachel e seu pai Gene.

Falando na mãe de Charlie ela passou o episódio inteiro tentando convencer alguém a ajudá-la a salvar Miles, talvez esse seja o plot menos interessante do episódio, mas necessário dentro do contexto. No final seu pai e mais alguns membros da comunidade concordaram em ajudar no resgate, mas é fato que essa excursão vai acabar matando a maioria deles, porque se tem uma coisa que a série domina é matar personagens que o público ainda está começando a afeiçoar ou conhecer.

O fato é que este episódio é um dos mais violentos do seriado até agora, muitos podem achar que é apelativo que estão fazendo isso para causar impacto, talvez até seja, mas a questão é que a série nunca escondeu isso, desde a primeira temporada a violência sempre esteve em evidência, agora com uma atmosfera mais “dark” por assim dizer esse quesito deve se intensificar. Dessa forma “There Will Be Blood” (“E Haverá Sangue” tradução literal) faz jus ao título e apresenta várias cenas bem sangrentas que não poupam nem o protagonista da série Miles Matheson.

O tio de Charlie teve em minha opinião o plot mais interessante do episódio, prisioneiro de um grupo de nativos advindos da terra das planícies junto com xerife Mason, ele comeu o pão que diabo amassou na mão dos subordinados do vilão Titus Andover. O cara testemunhou a morte do xerife (R.I.P.) de uma forma brutal, depois tentou escapar e ainda salvar uma prisioneira que dividia o espaço com ele, matou diversos bandidos utilizando um machado (cena sensacional), ainda assim foi capturado de novo e levado a Titus que para provar que era tão sádico quanto sua aparência psicótica denunciava deu uma martelada na mão do Miles numa cena mais do que tensa. UFA!!! Miles sofreu mais nesses minutos do que sofreu em toda a temporada anterior.

Ainda neste plot e falando um pouco mais do vilão Titus, pode-se dizer que ele é o personagem mais escroto que já apareceu na série, perto dele Monroe iria parecer uma criança brincando de guerra, o bandido além de ser megalomaníaco é pedófilo o que só agrava a situação, o jeito que ele foi explicando detalhes do seu passado ressaltando que o blackout o salvou de ser preso por esta prática foi de uma canalhice tremenda, espero que ele fique por um bom tempo na série, pois até o momento ele funciona muito bem como antagonista para Miles.

A narrativa seguinte engloba as peripécias de Charlie e Monroe, eu citei no episódio passado que essa narrativa não me atraia muito, mas que talvez pudesse funcionar, o fato é que neste episódio o desenvolvimento de ambos os personagens foi bem interessante. Sequestrado por Adam e mais individuo no último episódio, Bass logo se viu na companhia de Charlie, que ao seguir o grupo também foi capturada. O interessante aqui foi mais o diálogo que a sobrinha de Miles teve como o ex-general e líder da extinta República Monroe, com direito a muito sarcasmo e lavação de roupa suja. Deste plot podemos tirar de positivo a descoberta que esses caçadores de recompensa que capturaram Monroe estão a serviço dos patriotas, e que ao que parece rolou certa química entre Charlie e Adam que agora devem se juntar na caçado ao ex-general já que o mesmo conseguiu escapar.

O último plot que na verdade é o arco principal, mas tratado em segundo plano por enquanto, é a narrativa de Neville e dos patriotas no campo de refugiados em Savannah, Geórgia. Como era de se esperar Neville, Jason e mais um coadjuvante se juntaram num plano para assassinar a secretária de Justine Allenford, se você como eu conhece Tom Neville já iria suspeitar que ele não fosse ser tão imprudente assim a ponto de matá-lá, mas devo dizer que a sacada de matar um aliado para assim ganhar a confiança da secretária numa suposta tentativa de assassinado foi uma tacada de mestre, algo que só ele poderia imaginar, não é a toa que personagem é um dos melhores da série.

Normalmente nas minhas reviews o roteiro de Revolution raramente é citado, porque por mais que em certos aspectos a série tenha qualidades, a escrita infelizmente não era uma delas, mas dessa vez não tem como não reparar neste aspecto técnico (algo já mencionado no episódio anterior), a escrita assinada por Paul Grellong é muito bem amarrada e consegue construir relacionamentos e personagens de forma interessante, além disso, todas as narrativas começam a ter ligação uma com a outra e todos os caminhos levam aos vilões da temporada que são os patriotas. A ligação dos caçadores de recompensa que estavam atrás de Monroe e agora até um dos subordinados de Titus (ainda não se sabe se o vilão tem conhecimento disso) que parece trabalhar para os indivíduos, só faz confirmar essas suspeitas, o futuro já se prevê um confronto Miles e companhia versus Os Patriotas.

Enfim chegando ao fim da análise, não há como negar que a adição de novos escritores como Ben Edlund (Supernatural) e Rockne S. O’Bannon (Defiance) para auxiliar Erik Kripke foi realmente benéfica, sentimos um cuidado maior na construção do seriado como um todo e uma certa consistência que não se via na temporada anterior. “There Will Be Blood” chega para provar que Revolution tem potencial sim para ser uma grande série de TV, a melhora é gritante e se mantiverem assim esta será a melhor temporada do seriado. Este excelente episódio (talvez um dos melhores senão o melhor da série) termina de forma melancólica com Miles sendo levado para uma sala sinistra aonde as pessoas que entram numa mais sai, a atmosfera é tão estranha que me lembrou do filme de terror O Massacre da Serra Elétrica – O Início parecia à sala aonde Lethearface levada suas vítimas. Sendo assim nossas esperanças estão depositadas em Rachel e seu pai, para que eles consigam chegar a tempo de salvar Miles de seu destino trágico.

Observações da Revolução:

– There Will Be Blood: o título faz alusão ao filme de Paul Thomas Anderson de mesmo nome estrelado por Daniel Day Lewis (que faturou o Oscar de melhor ator neste papel).

– Errata: Na review anterior e coloquei nas observações da Revolução ao relacionado a Miles e Charlie, na verdade o correto seria Monroe e Charlie. Ops.

Aaron e o Incidente: Sai a teoria dos vagalumes levantada no episódio anterior e entra a teoria do “o que aconteceu na Torre?”, pode ser que tal evento pode estar relacionado ao fato do Aaron não ter morrido.

revolution 2x02

– Charlie: Já disse que estou adorando a versão “badass” e “lone Wolf” da filha de Rachel, mais sexy, decidida, Charlie está no caminho certo para se tornar o Miles de saia. Outra ótima cena dela que gostei foi à gata tripudiando em cima do Monroe dizendo que ele era um saco como líder, amo essa garota.

– “Red Door”: Não sei vocês, mas senti uma vibe bem série Lost neste episódio, todo o mistério envolvendo a porta vermelha no cativeiro de Titus, foi intrigante desde o início quando a prisioneira descreveu que as pessoas que entravam não saiam mais, até a sequência final quando o próprio Miles é levado para lá trazendo a chocante revelação do estava dentro. Bad Robot fazendo a lição de casa.

– Referências cinematográficas: Esta semana tivemos ótimas referências de filmes na série, tivemos uns quatros, mas dois foram realmente legais, o primeiro foi Aaron citando “Ghostbusters” e segundo Miles citando “Texas Ranger”.

– Series Low: Infelizmente a série não anda bem das pernas, amargou sua pior audiência mesmo com um ótimo episódio, foram 1.6 de ratings (faixa 18-49 que consumem nos EUA) e poucas de 5,46 milhões de espectadores, ainda tenho fé, mas as chances de uma terceira temporada começam a ficar distantes infelizmente.

– No próximo episódio as coisas vão continuar pegando fogo na série, veja a promo abaixo:

http://www.youtube.com/watch?v=Tzf1fb8D7T8


Já está nos seguindo no Twitter e no Facebook? Vem trocar uma idéia com a gente também no Botecão do Jack, nosso grupo no Facebook. Se quiser algo mais portátil, corre pro Telegram.

Comentários