Review | Revolution – 2×01 – “Born In The U.S.A.”

João Paulo

  quarta-feira, 02 de outubro de 2013

Review | Revolution – 2×01 – “Born In The U.S.A.”

“Brave New World Again?” (Bravo Mundo Novo De Novo?) Revolution com uma atmosfera bem diferente, sobrevivendo de sequelas do passado e trazendo novos perigos ganha um fôlego novo em sua season premiere.

Revolution - Season 2

Energias renovadas, talvez sejam essas as palavras mais corretas para começar esta review, pois, a estreia de Revolution trouxe um frescor para a série que promete ter um ano bem agitado, a começar por esse episódio que marca o início de sua segunda temporada. Sim revolucionários, o seriado voltou do hiatus com novos mistérios, novos personagens e uma nova jornada a ser percorrida.

Nos primeiros momentos de “Born In The U.S.A.” já começam exatamente no momento que a temporada anterior parou, após Randall Flynn ativar as ogivas que tinham como alvo Filadélfia e a República da Geórgia, por instante Aaron usa sua mágica e consegue desativar o sistema da Torre, de repente temos uma passagem de seis meses na história e o primeiro que encontramos é Miles com as mãos cheias de sangue e queimando uma casa com um corpo dentro numa atitude bem fria e suspeita.

É importante notar que o roteiro assinado por Eric Kripke decide não mostrar de imediato o impacto da Torre depois desses seis meses, por alguns momentos os espectadores ficam na curiosidade de saber se Aaron foi bem sucedido em evitar a catástrofe ou não. Notamos aqui um cuidado da narrativa em situar seu público sem soar atropelada, tomando cuidado de mostrar as sequelas desse evento em cada personagem principal, Miles mais sozinho do que antes, Rachel sofrendo pesadelos com aquela noite na torre, Charlie em sua versão “sexo, drogas e rock” seguindo seu próprio caminho, Aaron de todos foi o que mais se deu bem afinal ganhou uma nova namorada para chamar de sua e por fim Neville e Jason tentando se adaptar a nova realidade.

Além das mudanças nos personagens o ambiente da série também muda drasticamente, saindo das paisagens ensolaradas da Filadélfia e Geórgia para os lugares mais sombrios do Texas e “Plains Nation” (“A Terra das Planícies”, já mostrada na primeira temporada), dessa forma notamos uma fotografia bem diferente da primeira temporada que era mais clara e com tons de guerra, agora temos uma fotografia mais escura, mostrando um ambiente mais sujo e perigoso.

É importante perceber que estrutura da série não mudou, temos aqui um repetição do piloto, depois de um grande evento temos uma reintrodução dos personagens, uma passagem de tempo e o fato da narrativa explicar atitudes que acontecem no presente utilizando flashbacks, só que agora sai à trama dos eventos pós-blackout e entra à trama dos eventos pós-ogivas nucleares por assim dizer, é quase um “reboot” da própria série. As respostas que todos buscavam são satisfatórias, descobrimos que Aaron não conseguiu evitar a queda das bombas nucleares que dizimaram a capital da república Monroe e a capital da república da Geórgia, ou seja, presidente Foster e seus cidadãos foram praticamente extintos da face da terra em Atlanta.

Os sobreviventes dessas duas nações vivem como refugiados em campos enormes parecidos com aqueles que foram mostrados na “Terra das Planícies” em alguns episódios da primeira temporada, soldados largaram os deveres militares e agora vivem por si só, é nesse meio que encontramos Tom Neville e Jason vagando a procura de Júlia Neville. Outro que ainda não foi citado e que também deu as caras foi Monroe, agora com outro nome e vivendo sem chamar muita atenção e sobrevivendo de lutas amadoras.

Outro ganho para a série foi à introdução de novos personagens como o pai de Rachel o doutor Gene Porter vivido pelo ator Stephen Collins (Falling Skies, Devious Maids), o interesse romântico de Aaron, Cynthia vivida pela atriz Jessica Collins (Zero Dark Thirty, Person of Interest), o xerife Mason da comunidade aonde Miles, Rachel e companhia residem, este é vivido pelo ator Adam Beach (Cowboys & Aliens, A Conquista da Honra), ainda temos a introdução do personagem Adam (Patrick Heusinger) que sequestra Monroe no final do episódio, além dos possíveis vilões: a secretária Justine Allenford (Nicole Ari Parker) e do nativo e ainda misterioso Titus Andover (Matt Ross da antiga série Big Love).

Falando em vilões podemos perceber que a grande ameaça que a turma de Miles irá enfrentar serão os patriotas (será assim que irei denominá-los daqui para frente ), com uma ideia ilusória de restauração do que um dia foi os EUA, eles chegam todos pomposos em um navio das antigas e com discursos cheio de promessas de liberdade e fraternidade para com o povo, pura política é claro, mas pela palavras da secretária Justine Allenford, eles se consideram a salvação, a força que vai reerguer à nação novamente. Neville foi o único ali no acampamento que não caiu na conversa deles afinal Randall era um patriota e por ordem do misterioso presidente (que ainda não se revelou) ativou as ogivas nucleares dizimando milhares de pessoas incluindo sua mulher dele.

Quando eu citei que a fotografia da série estava mais sombria, ela serve exatamente para mostrar o quanto o mundo de Revolution se tornou um lugar mais perigoso para viver, agora sem milícias ou governos estruturados, terras como “Plains Nation” e Texas são mais primitivas e com isso temos vários predadores no lugar, podemos notar isso quando nativos da terra das planícies vão causar problemas na comunidade de Miles em Willoughby. A ação aqui explode mais uma vez em lutas sangrentas de espadas e muita ação, de certa forma a um interesse dos criadores de voltarem à simplicidade das lutas da metade da primeira temporada que foi se perdendo ao longo do tempo.

A trama principal sobre ausência de energia ganhou novos contornos após o season finale da última temporada. Na review anterior eu citei que as consequências de ligar a energia poderiam gerar mudanças na estrutura física do planeta Terra, acontece que minhas suspeitas estavam corretas, o ambiente mudou completamente, ao que parece houve uma evolução nas dos nanobots, resta saber até aonde essas mudanças irão afetar o ecossistema global. Os vagalumes que Aaron visualizou são o primeiro indicio de que a natureza sofreu uma alteração drástica.

Os dez minutos finais do episódio foram eletrizantes e deixou vários ganchos para o próximo, percebe-se que “Born In The USA” foi bem sucedido em criar expectativas sólidas para o restante da temporada, à ameaçada dos patriotas ao que parece pode render bastante, do outro lado temos o ataque dos subordinados Titus à comunidade e com isso Miles e o xerife foram capturados e levados dali, as consequências foram ainda maiores já que Aaron tentando proteger sua amada foi ferido e morto durante esta investida, mas a reviravolta final ficou por conta da volta do mundo dos mortos do próprio programador em uma cena que lembra muito cenas similares com os Winchesters nas mesmas circunstâncias em “Supernatural”, só espero que a resposta deste fato não seja clichê e que seja no mínimo coerente.

Assim podemos concluir que o hiatus fez bem para a série, o retorno foi mais que promissor e “Born In The USA” pode ser o começo de uma temporada mais estável para Revolution, apesar manter certas nuances da primeira temporada, pode perceber um tom mais sombrio nesta e ao que tudo indica terá momentos interessantes para ser desenvolvidos. A parte técnica está impecável e as cenas de ação continuam excelentes, minha única ressalva para cena das ogivas caindo, podiam ter mostrado a cena em tempo real e não em flashback por uns breves segundos, mas acho que é pedir muito, provavelmente o orçamento não cobre tantos efeitos que a cena exigiria. Enfim é bom ver que a série voltou bem, vale ressaltar que a trama sobre as nanobots está muita mais intrigante agora do que na temporada passada e ao que parece teremos vilões mais perigosos também, veremos como Miles e companhia se saíram frente a essas ameaças.

Observações da Revolução:

  • Miles e Charlie: Ao que parece teremos um plot entre os dois agora com ela inicialmente procurando vingança, não sei se essa trama me agrada, mas esperemos mais episódios para termos um veredicto final.
  • O Presidente: Começa agora as especulações sobre o misterioso personagem, quem poderia ser o ator líder dos patriotas que promete causar vários problemas nesta temporada, eu voto em Robert Steven (o Bobby de Supernatural) que já confirmou participação na série. Segundo o criador Eric Kripke o personagem irá se revelar até a metade da temporada.
  • Born In The U.S.A.: o título do episódio se refere a uma música cantada por Bruce Springsteen e lançada em 1984 de mesmo nome, o interessante que a música é uma crítica a sociedade norte americana pós Vietnã.
  • Aaron e os Vagalumes: Está ai uma teoria de como Aaron pode ter escapado vivo, seu contato com enxame de vagalumes pode ter sido uma das evidências. Será?
    • aron
  • Country reinando: Tivemos uma pegada bem country no episódio com covers das músicas clássicas do rock como “Tom Sawyer”, “Crazy Train” e “Smoke In The Water”.
  • Emmy: Revolution ganhou o Creative Arts Emmy Awards (direcionado a premiar a parte técnica das séries de TV) por Melhor Coordenação Acrobacias ou Lutas em uma série drama pelo episódio 1×10 “Nobody Fault But Mine”, merecido, já que tecnicamente a série é muito boa.

Próximo Episódio

No próximo episódio as coisas prometem entrar em erupção, sem falar que será revelado, ou não, o porquê do Aaron sobreviver depois de permanecer morto  por quase duas horas e meia, saca só a promo.

http://www.youtube.com/watch?v=qH3mPH4FRHE


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