Review | Person of Interest – 5×11 – “Synecdoche”

João Paulo

  quinta-feira, 16 de junho de 2016

Review | Person of Interest – 5×11 – “Synecdoche”

O novo episódio de POI “desacelera” um pouco para lidar com o luto, porém ainda traz diversas surpresas e a missão mais importante da história do “team machine”. Plus: Finch começa a trilhar seu caminho de vingança.

Depois da avalanche de emoções que foi o episódio passado, era de se esperar que Person of Interest diminuísse um pouco ritmo para trabalhar melhor o início de seu arco final. A missão de “Synecdoche” era ingrata, pois manter o nível de “The Day The World Went Away” (5×10) seria quase impossível, desta forma o antepenúltimo episódio da série chega para organizar a narrativa, apresentar um enredo cheio de boas surpresas, enquanto dá ao “team machine” espaço para lidar com o luto pela ausência de Root.

O episódio começa exatamente no enterro de Root, o clima tem uma pegada meio mórbida e só vemos a lápide com números gravados onde a personagem foi enterrada. É estranho perceber que a cena final de “Sotto Voce” (5×09) com o “team machine” reunido seria o único momento “feliz” da equipe nestes últimos episódios da série, pois ver Reese e Fusco no funeral, Finch trilhando sua própria jornada e Shaw lidando com o luto do jeito dela, mostram o quanto as coisas só pioraram desde então.

Com esses primeiros minutos o episódio consegue fazer uma boa transição em relação ao gancho do episódio anterior, ainda que o pós-luto seja bem inferior a aquele de Reese procurando vingança pela morte de Carter no memorável “The Devil’s Share” (3×10), aqui o roteiro assinado pelos novatos na série Jacey Heldrich e Josh Brown é mais contido neste ponto, o que pode deixar alguns decepcionados caso busquem algo mais profundo dos personagens.

É evidente que todos sentem a dor da perda, mas o importante aqui é que o roteiro consegue mostrar como cada um lida com isso, até Fusco se despedindo de Root soa autêntico de uma forma que só o personagem consegue ser. Enquanto isso Shaw tenta em vão encarar “Samaritan” de frente buscando vingança a qualquer custo e lidando com luto de uma forma mais reprimida do jeito Sameen de ser, servindo para Reese atuar como a cabeça pensante e consciente do grupo, uma espécie de âncora para acalmar os ânimos.

Porém a trama principal do episódio não é esta e sim o número mais importante da história recebido pela equipe. Devo dizer que fazia um tempinho que a série não explorava muito o lado relevante, até pensei que iríamos se despedir antes mostrarem essa parte da trama que cobre as ameaças à segurança nacional (saudades personagem Control e a trama do governo). Desta forma eis que somos presenteados com o POI mais importante dos EUA, o presidente, ou melhor dizendo “Relevante Um”, segundo a “Machine”.

Esta trama é bastante movimentada e traz um pouco da paranoia dos indivíduos que são contra o aumento da vigilância crescente no país, basicamente um efeito colateral da ascensão do “Samaritan”. Toda a conspiração do plot é bem trabalhada, mas não escapa de suas previsibilidades, como a revelação do criminoso ser a mulher de um senador que Shaw encontra na festa em que ela e Reese frequentam na primeira metade do episódio.

Aqui também marca uma mudança de cenário, saindo Nova York para Washington D.C. Uma viagem que a série já realizou diversas vezes durante as temporadas anteriores e que agora volta a ser explorada novamente.  Reese, Shaw e Fusco são responsáveis por proteger a vida do Presidente dos diversos atentados que o mesmo sofre durante toda a narrativa, mas sem chegar perto da figura política mais importante dos EUA.

A resolução desta narrativa como ressaltei não fornece muitas novidades, mas consegue trazer um senso de novo a trama por ser o número do Presidente e se torna ainda mais interessante com bem vindas aparições de personagens recorrentes das temporadas anteriores.

É bom ressaltar aqui que mais do que uma temporada a ser finalizada, esta quinta temporada também pode ser descrita como a temporada dos retornos e das homenagens. Devo dizer que abri um largo sorriso ao ver o bilionário Logan Pierce aparecendo para ajudar Reese na festa de gala, ou o ex soldado Joey Durban um dos primeiros POI’s salvos por John e Finch na série, aparecendo para salvar nosso “Man In The Suit” e Shaw de serem capturados pelo Serviço Secreto depois de se tornarem alvos procurados.

E tudo termina com a ladra Harper Rose que apareceu pela primeira vez na quarta temporada e retorna aqui para ajudar Fusco e ainda se revelar aliada de Pierce e Joey na missão de proteger o “team machine”. Talvez este seja o ponto mais alto do episódio, a “Machine” usar POI’s salvos pela equipe anteriormente para serem uma espécie de “team machine B” um espelho bastante semelhante a equipe principal, esta pequena reviravolta é quase como se fosse os produtores e roteiristas abrindo um espaço para o que poderia ser um spin off de Person of Interest, uma pena que a CBS nunca valorizou a série, pois poderia ter rendido muito e virado uma franquia de sucesso.

Gosto como esta trama se liga paralelamente com ao subplot de Finch, no final do episódio Logan Pierce fornece o paradeiro de Harold para Reese e Shaw localizá-lo. O plot secundário temos Finch ainda lidando com a perda de Root, a escrita aqui é eficaz e continua a trabalhar muito bem a transformação do personagem iniciada no final do episódio anterior.

Um dos pontos altos é que o roteiro não busca escolhas fáceis, com Finch usando a “Machine” em uma espécie de God Mode, aqui ainda temos espaço para mostrar o quão desconfortável o personagem ainda está inicialmente ao lidar com esta nova situação, a começar por sua criação usar a voz da Root, as explicações foram convincentes e ficam ainda melhores quando a própria máquina ressalta a homenagem e o carinho para com sua maior seguidora e confesso, era algo que esperava que acontecesse reforçando ainda mais o laço Root∕Machine aos olhos dos expectadores.

A dinâmica “Machine” e Finch funcionam muito bem, ela é o guia, mas funciona como a voz da consciência para esclarecer e ajudar seu “pai” quando necessário. Essa relação já foi explorada diversas vezes em momentos chaves anteriormente, mas aqui é interessante ver algo mais direto com um Finch mais objetivo, sem receio, ou escrúpulos de abusar dos benefícios de ter uma inteligência artificial a sua disposição.

Esta jornada de Finch é a base de um plano maior, devo dizer que achei correto não tornarem o personagem muito sombrio, mas sim elucidar a consciência do ex-bilionário em relação ao objetivo de sua vingança, mas ainda assim fiquei receoso com a cena em que ele ameaça um segurança usando informações privilegiadas sem pensar duas vezes, apenas para escapar de uma base militar.

Outro ponto positivo é em relação ao plano de Harold para destruir o “Samaritan”, devo dizer que roubar um vírus de alto risco denominado Ice-9 é um jeito bem eficaz de infectar e destruir a inteligência artificial, estou curioso para saber como e onde ele fará para disseminar este vírus.

Com as narrativas bem desenvolvidas e os plots direcionados, “Synecdoche” é um episódio que mantém o nível positivo da temporada, apesar de “desacelerar” para desenvolver melhor seus arcos, a trama aqui ganha contornos interessantes por explorar novidades dentro de enredos não tão extraordinários, focando na ação e nas reviravoltas com a trama principal ocorrendo na capital dos EUA e sendo protagonizada por Reese, Fusco e Shaw salvando o Presidente, e sendo salvos pela introdução mais que bem vinda de uma versão B do “team machine” formada por Logan Pierce, Joey Durban e Harper Rose.

O episódio ainda consegue dar uma direcionamento para jornada de Finch explorando sua relação com a “Machine”, enquanto revela para audiência os planos do personagem para destruir o “Samaritan”. Apesar de “Synecdoche” ser contido em lidar com o luto de Root, fica claro que a morte da personagem foi sentida sim, porém a missão dos personagens é algo constante e desta maneira me agrada o fato de não se perderem em dramalhões faltando tão pouco para finalizar a série. Com apenas mais dois episódios restantes, Person of Interest continua trilhando um caminho dentro das expectativas e promete forte emoções nos últimos capítulos de sua jornada final.

Observações de Interesse:

Synecdoche: a origem do título deste episódio é basicamente um termo retórico quando a parte de algo é usado para enfatizar o todo. Dentre muitos lugares usados para referenciar essas expressões, a “Casa Branca” é um bom exemplo, e se refere ao Poder Executivo do Governo dos Estados Unidos. Outro exemplo para Synecdoche, é quando um indivíduo se propõe a ajudar e oferece “uma mão”, a mão serve como uma metáfora para a pessoa inteira e não apenas uma parte dela.

A confissão de Finch: As conversas entre Harold e a “Machine” foram excelentes neste episódio, uma em particular me chamou a atenção pelo fato de Finch confessar para sua criação que nunca fez cirurgia para reparar o dano em sua perna, como lembrança de todas as coisas erradas que já fez.

Team Machine B: Os três membros da equipe secundária da “machine” recebeu os números irrelevantes de Reese, Fusco e Shaw, mas isto não é importante aqui, o importante é que os personagens servem como espelho da equipe principal. A seguir o perfil deles:

 

  • Logan Pierce (Jimmi Simpson): Bilionário, inteligente, as vezes sem escrúpulos, porém disposto a ajudar os mais necessitados. Ele seria uma versão mais pomposa do Finch. O personagem apareceu pela primeira vez na série no episódio “One Percent” (2×14).
  • Joey Durban (James Carpinello): ex-soldado do exército, trabalhou algum tempo para uma organização criminosa composta por ex-militares até cruzar o caminho de Reese, onde o personagem se mostrou um pessoa boa a apesar do desvio criminoso. O personagem seria a versão do Reese na equipe. A primeira aparição do personagem foi no episódio “Mission Creep” (1×03).
  • Harper Rose (Annie Ilonzeh): ladra e vigarista, a personagem conseguiu enganar Reese e Finch por diversas vezes, além da organização denominada “O Cartel” e da gangue “Brotherhood”. Ela seria uma versão “light” da Shaw. O fato da personagem ter trabalhado para o Alias da “Machine”, “Ernest Thronhill” durante alguns episódios da quarta temporada mostrou que a personagem um dia seria recrutada pela criação de Harold no futuro, e não deu outra. A primeira aparição da personagem ocorreu no episódio “Blunt” (4×16).tumblr_o8fiqzP3iu1sk9i0co6_400

Transporte presidencial: Todos sabemos que transportes presidenciais são interessantes devido a todo aparato envolvido, por exemplo, nos EUA “Força Aérea Um” é o avião mais seguro número um do país, o helicóptero presidencial também têm um nome especial “Marine One”, no caso deste episódio tivemos a aparição da famosa limusine secreta e extremamente segura do presidente, que na realidade é chamada de “The Beast” (“A Besta”) devido à forte segurança que a mesma possui.

Momento Reese e Shaw (dupla dinâmica): Adoro essa duplinha da ação descendo a porrada nas forças de elite.

Vírus Ice9: Algumas curiosidades sobre o vírus que Finch pegou na base militar no Texas, a primeira é que o vírus é real e tem a capacidade de se auto replicar e infectar qualquer dispositivo que entre em conta com ele. Um dos sintomas deste vírus é a capacidade dele se esconder em arquivos do computador e torna-los ilegíveis. O nome do vírus é uma referência a Kurt Vonnegut’s, uma substância cristalina descoberta chamada Ice9 que é usada para congelar qualquer tipo de água em que a mesma entre em contato.

Shaw tá de luto, mas uau:

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Melhores frases do episódio:

– “Now It’s time to finish what she started.” (“Agora é a hora de terminarmos o que ela começou.”) Reese para Fusco se referindo a Root

“If Samaritan wants to take down the entire world, I’m sure as hell not doing to make it easy for it. That’s what Root would have wanted.” (“Se Samaritan quer destruir o mundo inteiro, eu farei o inferno para não deixar que ele consiga tão fácil. Isto seria o que o Root iria querer.”)Shaw para Reese

“It’s simple. The three of us enjoy to preventing crimes involving ordinary people.” (“É simples. Nós três nos juntamos para prever crimes envolvendo pessoas comuns”)Pierce para Fusco (Adoro essa ligação com a premissa da série)

“Rest In Peace, Cocoa Puffs. Lord knows you deserve it.” (“Descanse em paz, Cocoa Puffs. Deus sabe que você merece.”)

*Cocoa Puffs – É uma marca famosa de um cereal de sabor chocolate.

– Review do episódio 12 em breve.


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