Review | Person of Interest – 5×09 – “Sotto Voce”

João Paulo

  quinta-feira, 09 de junho de 2016

Review | Person of Interest – 5×09 – “Sotto Voce”

Um retorno inesperado de um vilão, adicione uma pitada de muita ação e tensão, somado ao fechamento de dois importantes arcos e por fim uma cena nostálgica para concluir um dos melhores episódios da temporada de Person of Interest.

Person of Interest continua sua escalada sem precedentes, desde o episódio sete “QSO”, a narrativa tomou um fôlego cada vez maior e não dá sinais de que vai desacelerar. Aqui em “Sotto Voce” temos uma trama movimentada, esperta e que não um segundo de trazer revelações, retornos e momentos eletrizantes.

Uma das maiores qualidades da série é a capacidade de introduzir novos personagens na narrativa, essas participações sempre na maioria das vezes deixam uma boa impressão e com isto desejamos que o (ou a) personagem retorne em algum momento na trama. Quando o vilão “A Voz” foi introduzido lá trás na terceira temporada, precisamente no episódio “Last Call” (3×15), fomos agraciados com antagonista esperto, uma versão masculina da Root por assim dizer, perigoso, implacável e que só sofreu a primeira derrota quando se deparou com Reese e Finch.

Pessoalmente, depois de tanto tempo, não imaginei que os roteiristas poderiam retornar com tal história, apesar de que naquela ocasião deixaram um gancho descarado para o personagem retornar em algum ponto. Passou-se quase dois anos e eis que nos últimos minutos do segundo tempo, dentre todas as surpresas e homenagens nostálgicas que a série tem feito nos oito episódios passados, esta talvez seja uma das mais bem vindas da quinta temporada até agora.

“A Voz” não só apenas retornou, mas foi usada para criar uma teia complexa de eventos que alimenta a narrativa com boas doses de ação e suspense. Este plot, juntamente com o desfecho definitivo do arco de Fusco e Shaw transforma “Sotto Voce” em um episódio crucial para fechar amarras e preparar o terreno para o episódio 100.

A trama começa com Reese salvando o POI da vez Terry Easton, aparentemente um cidadão comum, com um emprego comum que aparentemente está sendo coagido a instalar dispositivos explosivos a mando de uma voz misteriosa. Aqui o enredo é bem mais do mesmo e o fato da mulher de Easton estar mantida em um cativeiro para que ele cumpra as tarefas torna tudo ainda mais importante para o desenvolvimento do plot.

O roteiro assinado por Sabir Pizada não traz nenhuma sensação de novidade neste começo, mas a reintrodução de “A Voz” como antagonista é bastante eficiente. A melhor coisa de uma narrativa como essa é trazer novidades dentro de uma trama batida, todo esquema do plano do vilão funciona muito bem, desde plantar pistas falsas para afastar o maior número de policiais possíveis da delegacia até a libertação de uma gangue no local para eliminar um alvo que sabia sua verdadeira identidade, tudo muito bem conduzido pela diretora Margot Lulick.

Outro ponto positivo da história que me agradou bastante, foi o fato de quebrarem a narrativa principal em duas, com Reese e Fusco ocupados lidando com a execução do plano de “A Voz” na delegacia e com Finch e Elias tentando descobrir a verdadeira identidade do vilão.

A história consegue desenvolver muito bem a relação conflituosa entre Lionel e John neste episódio, por tudo que os personagens passaram até chegar no rompimento em “Reassortment” (5×08), é chegada a oportunidade de finalmente começarem a se acertar e nada melhor do que colocar a dupla em ação para trabalhar as diferenças dando porrada em muito bandido, vide a excelente cena de tiroteio na delegacia contra a gangue Templários. O desfecho dessa história não foi só a volta da confiança, mas a oportunidade para Reese finalmente revelar a verdade sobre a existência da “Machine”, talvez um dos momentos mais esperado do arco de Fusco nesta temporada.

Por outro lado Finch e Elias trabalhando juntos também foi magnífico e deu uma perspectiva bastante interessante sobre ambos personagens. É muito interessante ver que mesmo Elias dado como morto, ainda possui vários contatos no submundo do crime e o jeito que o roteiro usa esses artifícios para descobrirem como “A Voz” está plantando vários explosivos pela cidade é muito bem inserido no contexto.

Este plot também foi bastante importante para Harold, o personagem está numa escala rumo a mudança e trabalhar com Elias mostrou uma perspectiva diferente sobre como lidar com assuntos vamos assim dizer fora dos padrões. “A Voz” é um vilão sem escrúpulos, toda manipulação da identidade forjada, gravação pré-gravada e a revelação de que o rosto por trás de tudo era Terry Easton, o mesmo que Reese está mantendo em custódia na delegacia, foi uma reviravolta excelente que me lembrou bastante a revelação de Root no season finale da primeira temporada “Firewall”, mas com uma reviravolta a mais, Finch deixando Elias cuidar do vilão.

Estamos falando do mesmo Carl Elias que matou Simmons para vingar Carter e que agora elimina “A Voz” também em uma cena que serve como lição para Harold, de que determinados tipos de pessoas não merecem serem poupadas mesmo que seja algo contra o velho e bom código de conduta. Aqui podemos notar um primeiro vislumbre de um lado do Finch que nós não conhecíamos, ele sabia que Elias iria eliminar Easton e permitiu que o mesmo o fizesse, ficou claro que o ex-bilionário está começando a enxergar certas ações com outros olhos.

Com uma trama tão movimentada quanto esta principal, o roteiro ainda encontra espaço para finalizar o arco de Shaw. Devo dizer que achei bastante apressado ela ter chegado tão rápido aos EUA, ok a personagem sofreu muito, mas ao meu ver poderia ter demorado um pouco mais, mas acredito que este seja um efeito colateral de ter uma temporada com episódios reduzidos, ainda assim este fim de plot trouxe a tão esperada reunião entre Root e Sameen.

Devo dizer que a cena entre as duas personagens foi bacana, o fato da Root encontra-la realizando uma das missões da “Machine” manteve a coerência. Apesar deste episódio ser aquele em que a presença do “Samaritan” foi a menos sentida em toda a temporada, a narrativa consegue trazer motivos plausíveis ligados a este arco para cruzar a linha narrativa das duas personagens. Gostei bastante de terem explorado a mente danificada da Shaw como carga emocional de cena, ela lutando para ter certeza se aquilo era uma simulação ou não, foi um trabalho bem sólido entregue por Sarah Shahi.

Falando em trabalho sólido, isto é basicamente o que se pode dizer de todo o episódio que foi bastante movimentado e objetivo. Os roteiristas não estão perdendo mais tempo e mesmo que as alguns desfechos pareçam um pouco apressados (vide Shaw voltando para equipe sem muitos questionamentos), aqui em “Sotto Voce” a missão de juntar e alinhar a narrativa com o objetivo finalizar arcos e linearizar a trama para o que estar por vir foi cumprida com destreza e precisão.

O episódio 9 da temporada mantém a escalada alucinante da temporada trazendo de volta um vilão inteligente como “A Voz” para colocar mais pólvora no pavio desta reta final, resultando assim em desfechos bem executados e no retorno de personagens como Fusco voltando para a equipe e descobrindo da verdade sobre “Machine” e a guerra contra “Samaritan”, tivemos ainda Shaw finalmente voltando para casa (e para Root) e para equipe, finalizando com a tão esperada união do “team machine” nos últimos minutos do episódio.

A cena final é bem emblemática e nostálgica, com a trilha sonora no ponto e os cinco personagens reunidos em uma locação familiar (Queensboro Bridge) dando a sensação de que está será a última vez que todos estarão juntos. Devo confessar que a emoção veio neste momento e ao mesmo tempo criou uma sensação de medo para o que estar por vir no futuro próximo.

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Observações de Interesse:

“Sotto Voce”: É a palavra em italiano que significa “Sob a voz”, basicamente é quando conversamos em voz baixa com ênfases. A técnica foi desenvolvida para sugerir a revelação de um segredo ou um pedaço de informação que pode por sua vez chocar ou ofender.

Trilha Sonora: A música que embala a cena que fecha o episódio se chama “Fake Empire” do The National.

Curiosidades 1: Esse episódio é o primeiro episódio que é passado totalmente pelo ponto de vista da “Machine” desde o episódio “Karma” (4×17) que na ocasião foi escrito por Sabir Pirzada.

Curiosidades 2: Esta é a terceira vez que temos uma cena filmada com o “team machine” sobre a ponte “Queensboro”, a primeira vez foi no episódio “Piloto” e a segunda vez foi no episódio “Many Happy Returns” (1×21).

Reencontro: Fala, você esperou bastante essa cena e foi bom, bom demais. Elogiei a Sarah, mas Amy Acker estava muito bem em cena também.

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Melhores frases do episódio:

“Sameen. You’re really here. She brought you back to me.” (“Sameen. Você esta realmente aqui. Ela trouxe você de volta para mim.”) – Root para Shaw

“Those questions you’ve been asking? You deserve answers.” (“Todas as questões que você vem perguntando? Você merece respostas.”) – Reese para Fusco

Agora respire fundo, abrace o travesseiro e leia a review do fenomenal episódio 100 aqui.


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