Review | Person of Interest – 5×06 – “A More Perfect Union”

João Paulo

  terça-feira, 31 de maio de 2016

Review | Person of Interest – 5×06 – “A More Perfect Union”

A calmaria antes da tempestade. Tentando balancear uma trama mais leve com outra mais tensa, POI entrega um episódio divertido e que pode ao mesmo tempo em que aponta o caminho para o fim de sua jornada.

Mais uma semana e mais um episódio sólido de Person of Interest, é verdade que “A More Perfect Union” o sexto episódio da temporada tem uma pegada bastante leve em sua trama principal, porém consegue potencializar suas sub tramas com reviravoltas interessantes que serão importantes mais para frente, algo que a série sempre fez no decorrer de suas temporadas.

O caso da semana não teve ligação com nenhum personagem principal, ou com a trama principal da série, talvez seja o mais fraquinho da temporada, mas os roteiristas conseguem fazer a previsibilidade do caso trabalhar ao seu favor, utilizando um dos pontos fortes de POI, o humor corriqueiro e sarcástico que a série possui. É verdade que em meio as tramas envolvendo o “Samaritan” fica complicado adicionar humor, mas tramas como estas funcionam como alívio para toda aquela tensão apresentada nos episódios anteriores.

A POI da vez foi a noiva Phoebe Turner, filha de um rico proprietário de cavalos de corrida que pode ser uma possível vítima de um esquema de doping envolvendo os cavalos de seu pai. O caso é comum e não tem muitas reviravoltas interessantes, se o expectador prestar atenção consegue perceber que Phoebe não é a verdadeira vítima da situação, porém a revelação de que o assassino era na verdade a irmã dela e a vítima era a fotógrafa do casamento, Maggie, torna tudo mais que satisfatório.

A novidade aqui não é o caso, como mencionei e sim como roteiro leve assinado por Melissa Scrivner-Love consegue trazer momentos antológicos com nossos protagonistas. A começar por Reese na cena hilária em que entra num apartamento em meio à uma despedida de solteiro é confundido com um dançarino de strippers, ou Finch (ou seria Tio Ralph) cantando de uma forma totalmente inusitada e engraçada na festa de casamento, ou Root salvando a fotógrafa no final montada numa cavalo no maior estilo Xena.

São esses momentos que tornam a jornada de POI tão gratificante, são os personagens que conhecemos por mais de quatro anos que tornam tudo ainda melhor, sendo que a mitologia inteligente e narrativa esperta completam o pacote de qualidade. Falando em personagens, uma cena em particular em “A More Perfect Union” me chamou a atenção, Root, Finch e Reese sentados vendo os noivos e os convidados dançarem, e filosofando que aquele seria o último momento feliz deles a partir daquele ponto, e eles não estão errados.

O prenúncio do “team machine” no terceiro ato é basicamente uma previsão de um futuro sombrio para série, e este futuro começa a se moldar nas duas sub tramas que se passam em paralelo a trama principal. São essas que mantém o arco da temporada se desenvolvendo a todo vapor, a primeira focada em Shaw, onde “Samaritan” após realizar mais de 7 mil simulações nela, tenta chegar próximo da personagem utilizando Greer.

Esta trama em si é muito bem montada, somos levados a uma jornada onde o cabeça da Decima tenta mostrar uma outra perspectiva do que “Samaritan” está tentando realizar, e para isso Greer mostra que a “Machine” também comete erros, ao ignorar diversos pessoas importantes responsáveis por diversas mortes no mundo, mas ainda assim continuam impune. Gosto de como a narrativa tenta convencer não só Shaw, mas o expectador também das “boas intenções” da I.A., é claro a narrativa poderia aprofundar ainda mais nessas questões, mas se pensarmos bem, isto já vem acontecendo a algum tempo desde a quarta temporada e até no episódio anterior onde fomos levados a questionar várias vezes os objetivos reais do “Samaritan” em relação à pesquisa da jovem estudante desaparecida, gosto como a história dessa inteligência artificial não é só preto no branco, ela coloca várias camadas de questionamento no meio da história, mostrando que não é apenas vencer um inimigo, mas também descobrir aonde a humanidade se encaixa nos planos dele.

Talvez a única ressalva aqui é o fato da narrativa tentar confundir o expectador em outra simulação, mais uma vez se você pegar nos detalhes vai perceber que Shaw não estava no mundo real. Porém não há como reclamar, provavelmente seja algo intencional do roteiro que deve se revelar em algum momento deste arco no futuro e além disso a aparição do avatar do “Samaritan”, o menino Gabriel, já no final do episódio foi interessante momento para colocar Sameen frente-a-frente de seu antagonista e ainda trazer um pouco do clima apocalíptico que o futuro da série reserva.

A primeira metade do episódio de “A More Perfect Union” se divide em dois plots, porém mais tarde na narrativa a história encontra espaço para adicionar mais um problema no já complicado arco de Fusco. O segundo número que a “Machine” manda para a equipe é a do POI Roger Carpenter que chega para adicionar ainda mais peças ao quebra cabeça montado por Lionel.

Devo dizer que este arco envolvendo Fusco anda me agradando bastante, não pensei que o personagem teria tanto espaço nesta reta final da série. Porém ressaltei meu receio do detetive seguindo estas pistas por contra própria e neste episódio chegamos a um momento decisivo e inesperado numa reviravolta chave que coloca o personagem no centro da trama de vez.

Esta temporada anda sendo costurada muito bem, todos episódios até agora seguem vários desenvolvimentos e são relevantes para a trama principal, gosto desse seguimento mais serializado e que dá a sensação de que a narrativa está sendo progressiva e objetiva. Desta forma a investigação de Lionel se torna um momento crucial não só para o personagem, mas também para descobrirmos o rastro de corpos que “Samaritan” anda deixando por ai.

É interessante notar como Fusco ficou esperto depois de ser ignorado por Finch e Reese por tanto tempo, neste episódio graças ao número que a “Machine” enviou, o personagem rapidamente conseguiu ligar os pontos, e assim descobrir através de contratos de demolição um túnel secreto sobre a cidade, onde para nossa surpresa se encontrava uma pilha de corpos de pessoas desaparecidas incluindo: o POI deste episódio Roger Carpenter, o amigo de Elias, Bruce Moran e a POI do episódio “ShootSeeker”, a estudante Krupa Naik.

Com todas essas tramas se cruzando podemos dizer que esse episódio seis é até bem equilibrado, apesar de pecar em algumas previsibilidades trazidas pelo caso da semana, porém as cenas de ação e os momentos de humor com diálogos mais leves e reflexivos ajudam a manter o interesse na trama principal da narrativa com Reese, Finch e Root, mas é nas sub tramas com Shaw e Fusco, que POI não perde o foco, enquanto dá um descanso para os nossos protagonistas, começa a moldar nos plots secundários um futuro caótico e perigoso.

O terceiro ato do episódio é começo da tempestade anunciada a muito tempo e Fusco caindo na armadilha do “Samaritan” durante a explosão do túnel mostra que o “team machine” terá diversos problemas a partir deste ponto. Assim “A More Perfect Union” é basicamente um episódio de transição, que começa calmo como se fosse o capítulo menos importante da temporada (provavelmente este foi o último caso da semana mais leve da série), para tornar proporções maiores em seus minutos finais com gancho na medida que não só potencializa a trama da temporada como também pode trazer consequências sérias para Reese e companhia.

Observações de Interesse

“A More Perfect Union” O nome que significa “A Mais Perfeita União” foi retirado de um trecho da constituição dos EUA, “Nós o povo dos Estados Unidos, em ordem de formar a mais perfeita união, estabelecer justiça, assegurar tranquilidade doméstica, provendo para defesa comum…”)

Momento Reese: Nosso “Man in the Suit” sabe entregar presentes como ninguém.

Finch o cantor: A música que o “tio Ralph” canta festa é “We’re Gonna Take It”, originalmente gravada por Twisted Sister em 1984.

Lições da Root 1:

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“Sempre traga uma faca para uma briga com armas”

Lições da Root 2: Uma gif vale mais que mil palavras.

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“Sua princesa guerreira pronta para o resgate”

Melhores frases do episódio edição especial, trollando Root:

– 1 – “…But, surely you would not enjoy a wedding.” (…Mas, certamente você não iria desfrutar de um casamento.”) – Finch para Root

– 2 – “I’m just trying to picture you at a wedding.” (“Estou apenas tentando imaginar você em um casamento”) – Fusco para Root

– 3 – “What you really doing here, Root? The Machine send you?” (“O que você realmente estava fazendo aqui, Root? A “Machine” mandou você?”) – Reese para Root

Root tenta argumentar, mas ninguém leva ela a sério.

– 4 – “Even I appreciate a fairytale ending, Harry.” (“Até eu aprecio um final de contos de fadas, Harry”) – Root para Finch

– 5 – “Please, I left a guy at the altar just last year.” (“Por favor, eu deixei um cara no altar ano passado”) – Root para Fusco

– 6 – “I’m beginning to think no one believes I belong at a wedding.” (“Estou começando a achar que ninguém acredita que eu pertenço a um casamento.”) – Root para Reese

Leia a review dos episódios 5×07 e 5×08.


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