Review | Person of Interest – 5×04 – “6,741”

João Paulo

  quarta-feira, 25 de maio de 2016

Review | Person of Interest – 5×04 – “6,741”

Enigmático, cheio de reviravoltas, o retorno de Shaw a Person of Interest é explosivo, esperto, talvez não muito surpreendente, porém extremamente interessante para mitologia da série.

No histórico de Person of Interest, sempre tivemos episódios diferenciados em algum momento da temporada, aqueles episódios tão instigantes e bem escritos que tornavam a série um produto diferente dos seriados do gênero. Na primeira temporada tivemos o excelente “Firewall” (1×23) com um gancho incrível para mitologia da “Machine”, na segunda temporada tivemos os espetaculares “Relevance” (2×16) introduzindo o lado dos números relevantes e ainda nos presenteando com a entrada magnífica de Sameen Shaw, e “Zero Day” (2×21) trazendo espetaculares e bombástica revelações sobre a “Machine” (outra vez ela), ainda tivemos o brilhante “Deus Ex Machina”(3×23) o divisor de águas da série e fechando com a obra prima “If-Then-Else” (4×11).

Era de se esperar que os roteiristas de POI tentasse algo similar nesta quinta temporada e devo dizer que “6,741” está no mesmo patamar de brilhantismo dos episódios mencionados anteriormente, mesmo que o senso de novidade tenha passado, mas isso explicarei um pouco mais para frente.

O episódio começa sem abertura, a personagem acorda, ouvindo vozes e logo reconhecemos que é Shaw. Depois de ser dada como morta em “If-Then-Else” (4×11) e o “team machine” passar alguns episódios da temporada procurando por ela, nunca perdendo a esperança de que ela estava viva, a última vez que encontramos evidência da personagem foi no penúltimo episódio da quarta temporada “Asylum” (4×21), onde a vimos brevemente entrando num carro dos agentes da Decima.

Durante meses ouve especulações sobre o que aconteceria com a personagem e qual seria os planos do “Samaritan” para ela. Eis que finalmente tivemos a tão esperada resposta que veio de uma forma interessante, intrigante e que consegue na maioria do tempo nos deixar curioso até a revelação final.

“6,741” não é um episódio de respostas fáceis, e como “Relevance” (2×16), a narrativa se passa pelo ponto de vista da Shaw. Do momento em que ela se descobre em cativeiro, tem um chip implantado na cabeça e é persuadida de toda forma por Greer e Lambert (voltando a narrativa) a entregar informação sobre Finch e os outros, desta forma o expectador tem uma boa noção dos métodos de lavagem cerebral usados pelos “Samaritan” para extrair informações.

O roteiro escrito a duas mãos por Denise Thé e Lucas O’Connor entrega uma história que vai expondo a verdade nos detalhes, o texto é muito bem montado e só mostra o que é necessário e no tempo certo. A direção de Chris Fisher neste ponto se torna cirúrgica por não entregar demais, desta forma o público empolga com Shaw recobrando a consciência após uma dolorosa cirurgia, descobrindo um jeito de sair do cativeiro e chutando muitas bundas de agentes do Samaritan antes de conseguir escapar da ilha em que encontrava.

A partir deste ponto o plot muda sua locação para o centro de Nova York e continua surpreendendo o público mostrando a inteligência de Shaw para conseguir colocar um irrelevante em risco para atrair Reese e Root a uma loja de utensílios para a mesma ser resgatada. Tudo funciona muito bem e muito rápido de uma forma eletrizante que você não consegue tirar os olhos da tela, porém a trama sempre deixa aquela sensação de que tem algo mais em tudo que está acontecendo.

O bom de conhecer os roteiristas de Person of Interest a quase cinco anos, é que você sabe que eles não buscam respostas fáceis, eles estimulam o público a montar o quebra cabeça sozinho. Achei genial a introdução dos apagões de Sameem, funcionando como um efeito colateral do vídeo de imagens que havia assistido no cativeiro e provavelmente causado pelo chip plantado em sua cabeça, fazendo a personagem ter diversos desses momentos durante o episódio e despertando a suspeita que ela havia feito algo contra sua vontade.

A narrativa é tão bem montada que ela entrega tudo aquilo que os fãs esperavam que acontecesse quando Shaw fosse resgatada, seja no reencontro com Bear, seja na reação dos amigos ao vê-la (Reese e Finch) e é claro o aguardado reencontro da personagem com amor de sua vida, Root. Os roteiristas chegam até fazer uma cena de sexo super quente entre Shaw e Root, cena essa tão boa que evidenciou ainda mais a química boa entre Sarah Shahi e Amy Acker, deixando a temperatura do episódio ainda mais alta.

Porém, como citei, POI não é uma série de respostas fáceis. Se por um lado a narrativa entrega tudo aquilo que a maioria esperava, por outro ela dá dicas que algumas coisas não estão certas. Desde a cena em que Shaw escapa de barco para Nova York, você percebe que o plot toma alguns caminhos muito fáceis, e quanto a personagem reage ao resgate do “team machine” despejando sua raiva em cima de Finch, você tem a certeza de que algo está errado.

Se o roteiro é eficiente em guardar certas partes narrativa muito bem, porém já perto de fechar o terceiro ato a verdade começa a se revelar. Os apagões começam a ficar mais frequentes e a mente de Shaw começa a ter visões desconexas dos fatos, percebemos então em seu próprio comportamento que ela estava sendo induzida a algo.

É neste ponto que o roteiro entrega sua revelação antes dela acontecer, do momento em que Shaw atira em Greer e logo depois em John, a reviravolta se torna familiar aos olhos do espectador. Depois de assistir a segunda vez o episódio, cheguei à conclusão de que a trama toma um rumo certo, porém essas cenas que mencionei torna claro que aquilo era uma simulação do Samaritan e ao meu ver perde um pouco do impacto quando ela acorda na cena final do episódio, mas é claro, que ainda não muda o fato de que a revelação ainda tem um peso enorme para temporada.

Desta forma, chegamos ao ápice de “6,741” com Shaw percebendo que estava sendo usada para revelar informações que levassem ao QG do “team machine”. Se o episódio perde um pouco do elemento surpresa, por outro lado ganha no impacto emocional, a cena final com Shaw revelando que tinha atirado no Reese para Root foi grande, e ao mesmo tempo mostra que a personagem estava consciente da manipulação mental que estava sofrendo, Sarah Shahi foi simplesmente fantástica na cena do suicídio, do momento que ela diz que a Root que mesma é a parte feliz da mente dela até a cena do auto sacrifício, ali notamos como a personagem esta exausta mentalmente, mas ainda assim seu subconsciente continua a lutar para não ceder ao controle do “Samaritan”.

A revelação de que aquela lavagem cerebral era a simulação 6.741 me deixou um pouco receoso, deu para ver que ela está aguentando firme, mas a mente está cedendo aos poucos, Shaw se mostra forte, mas é complicado lutar contra uma programação tão implacável quanto esta criada pelo “Samaritan”. Ao final do episódio surgem as dúvidas e deixa o futuro da personagem incerto, será que ela aguentará muito tempo? Será que Root e os outros conseguiram salvá-la em um determinado ponto? O quanto de Shaw ainda teremos quando ela sair desse processo exaustivo de extração de informações?

O episódio “6,741” é surpreendente por isso, um episódio complexo, astuto e que não tem medo de colocar seu expectador para pensar. Eu criei ressalvas sobre a própria narrativa antecipar a revelação de uma forma meio que não intencional, mas isso é só um detalhe quando olhamos o todo. O roteiro é muito bem desenvolvido, as peças se encaixam de uma forma magistral devido a edição bacana e a direção competente, mas é a pegada emocional que desafia o público a acompanhar a história do início ao fim, e Sarah Shahi entrega uma ótima performance num episódio exemplar, que definitivamente ficará marcado na história da série como um dos melhores já exibidos.

Observações de Interesse:

6,741: Como foi dito antes o número referente ao título do episódio é o número de simulações que a Shaw teve que suportar para não dizer a localização do metrô, consequentemente lar da “machine”.

Curiosidade: Durante uma entrevista ao site IGN, Jonathan Nolan e Greg Plageman foram perguntados pelo entrevistador, quais episódios eles mais gostaram da quinta temporada e ambos categoricamente responderam que era o episódio “6,741”, segundo eles, especificamente Nolan “É um episódio único. Vai surpreender bastante as pessoas….”.

Lost?: Não sei se foi uma homenagem intencional, mas a Shaw abrindo os olhos lembra muito a primeira cena do piloto de Lost, com Jack abrindo os olhos após o acidente. Vamos combinar que a Bad Robot adora fazer referência a suas próprias séries.

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Música do Episódio: “Do I Move You” cantada por Nina Simone é a música que toca durante a cena quente de sexo entre Shaw e Root.

Samaritan: A máquina maligna usou de todas as formas colocar Shaw sobre seu controle, devo dizer que aquele vídeo de imagens me deixou desconfortável em alguns momentos. As três palavras de controle são: “Dedicação”, “Fé” e “Lealdade”.

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Simulações: Nós havíamos visto “Machine” rodar simulações pela primeira vez no episódio “If-The-Else” (4×12), mas aqui vemos o “Samaritan” rodar simulações pela primeira vez, mas usando para o mal, no caso quebrar a mente da Shaw.

Root e Shaw: Vamos falar a verdade, real ou não, a gente esperou isso uns três anos e foi bom demais.

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Shaw: Estava com saudade de ver a personagem em ação (ainda esperando aquele spin off), ela usando Lambert como escudo foi a cereja do bolo. A cena dela escapando foi bacana também.

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Melhores Frases do Episódio:

“First thing I’m gonna do when I get out of these straps is make you bleed” (“A primeira coisa que irei fazer quando sair dessas cintas é fazer você sangrar”) – Shaw para Lambert

                – “Move along Milhouse” (“Vaza Milhouse”) – Shaw para um vendedor.

– “The torture, I told you I couldn’t escape it. But when things got to be too bad, there was one place I would go to in my mind. Here. With you….” (“A tortura, eu te disse que eu não conseguiria escaper. Mas quando as coisas tende a ficar ruins, existe apenas um lugar aonde eu iria na minha mente. Aqui. Com você…”)

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“…Você é meu lugar seguro” – Shaw para Root

A review do episódio 5×05 também está disponível aqui.


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