Review | Person of Interest – 5×03 – “Truth Be Told”

João Paulo

  segunda-feira, 16 de maio de 2016

Review | Person of Interest – 5×03 – “Truth Be Told”

De volta ao normal. Person of Interest retorna ao formato dos casos da semana, mas não se engane, várias surpresas estão guardadas por baixo da narrativa, principalmente em relação a Reese.

Depois de dois episódios de um arco eletrizante, POI retorna ao formato original, em “Truth Be Told” a série volta a focar no caso da semana, porém coloca as engrenagens em movimento no plano de fundo plantando pequenas dicas do que estar vir no confronto com “Samaritan”, enquanto que isso a história principal do episódio dá espaço a jornada de herói solitário de John Reese.

Eu mencionei na review anterior que estava gostando desse foco em cada personagem principal, no primeiro episódio Finch, no segundo a “Machine” (sim ela é um personagem neste universo) e agora chegamos a vez de Reese. Gostei do caso do Alex Duncan, POI que especialista em segurança de computadores que presta serviço de consultor para uma empresa multinacional, mas que na verdade só entrou no lugar para descobrir a verdade sobre a morte do irmão.

107314_WB_0003b_FULLEste plot principal funciona porque consegue ligar-se intimamente com o passado de Reese que aqui ganha um foco em diversos pontos da narrativa. O roteiro assinado por Erik Mountain consegue resgatar várias facetas do personagem, além de oferecer algo novo em relação a sua história e seu passado. A história do episódio segue ainda um plot secundário com Root voltando a fazer missões para “Machine” sendo ajudada por Finch.

O episódio começa com um flashback de 2010 (agora sobre o ponto de vista da “Machine”), onde vemos John e Kara Stanton (Annie Parisse) entrando em um escritório sendo apresentado a um dos cabeças da CIA, Terence Beale (David Keith) responsável pela Divisão de Atividades Especiais, ou seja, ele foi o contratante de Reese, Kara, Mark Snow e outros agentes. Beale recruta John e Kara para a missão de investigar um soldado chamado Brent Tomlinson sobre a suspeita dele estar vendendo informações ao Taliban.

A narrativa volta ao presente onde seguimos o desenrolamento do caso de Alex, onde Reese acaba descobrindo fatos importantes sobre ele. Normalmente este tipos de plot tendem a ser um pouco repetidos em séries procedurals, mas Person of Interest aprendeu ao longo dos anos que a melhor forma de tratar este tipo de plot é liga-lo aos personagens principais da série, ou a trama principal da temporada de alguma forma, desta forma a direção de Stephen Surjik apesar de pecar na questão do ritmo, surge aqui de forma eficiente ao conseguir utilizar bem os flashbacks para tornar a narrativa ainda mais pessoal para Reese no presente.

A revelação de que Alex era irmão de Brent Tomlinson, foi uma boa revelação, apesar de não ter sido tão surpreendente. Outro aspecto positivo foi utilizar o retorno de Beale como elo de ligação com passado para John, servindo como um fantasma do passado na vida do personagem e a lembrança do porque ele não ter laços pessoais no ramo em que trabalha.

Falando em laços pessoais, tivemos o retorno de Iris no episódio, a terapeuta do nosso “Man in the suit” volta trazendo os pais para conhece-lo numa cena no mínimo engraçada de assistir. Iris volta num momento vulnerável para Reese, não que ela sofra algum tipo de perigo, porém para John lidar com o caso de Alex e o retorno de seu antigo chefe no presente, põe o personagem para reavaliar seus métodos e suas prioridades.

Gosto que o episódio mostra como Reese amadureceu ao longo desses anos, ainda que Jim Caviezel ainda precise demonstrar mais emoções, ele ainda entrega um trabalho sólido, seja na frieza com que mata Brent no passado, passando pelo sentimento de arrependimento ao revelar que matou o irmão de Alex e fechando com rompimento de compromisso com Iris já no fim do episódio.

Por mais que os fãs queriam alguém para John, o personagem é um lobo solitário e enquanto tiver a missão de salvar vidas, não terá espaço para ter laços afetivos e “Truth Be Told” vem exatamente para lembrar e reforçar o papel do personagem na série. No season finale “YHWY” da temporada passada, ele se despediu de Iris e ficamos na curiosidade se ele iria contar a verdade, porém ele sabe do risco de seu trabalho e o fato do personagem ter a decência de terminar com ela é uma amostra do quão honrado ele é em não coloca-la em perigo.

107314_WB_0318b_FULLHonra que é reafirmada por Terence Beale na última cena do episódio, quando ele se mostra arrependido e grato por Reese ter poupado a vida dele depois do mesmo ter perseguido e tentado matar Alex Duncan. É claro que John não teria conseguido salvar o POI da vez sem a ajuda de Finch que neste episódio serviu como apoio de luxo para as duas tramas da narrativa, já que Fusco não deu as caras desta vez.

Harold hackeou o site da CIA para atrair Beale e ainda conseguiu ajudar Root em outros momentos do episódio. O plot secundário da nossa hacker favorita serviu para deixar a trama mais intrigante, não só pelo fato de Root se vestir de entregadora de encomendas (as vezes penso que “Machine” adora trollar a personagem com esses disfarces hilários), mas também por descobrirmos que o “Samaritan” está colocando um malware para infectar notebooks alheios de formar hackear todos os dados dessas máquinas.

A narrativa marca não só o retorno da trama do “Samaritan” como também o fato de que a “Machine” volta a dar dicas a equipe sobre o que estar por vir, aposto que muitos ficaram intrigados com a codificação que ela mandou para Finch, e mais ainda quando a Root descobriu que a codificação se tratava de um poema ainda mais enigmático.

Em meio a esses mistérios e a jornada pessoal do Reese dominando a narrativa, posso dizer que “Truth Be Told” consegue manter o nível dos episódios anteriores, porém com um pouco menos de complexidade, mas não menos interessante. A narrativa tem alguns problemas de ritmo em determinados momentos, mas nada muito gritante, talvez seja um pouco de estranheza da minha parte por voltar ao formato original, mas a série ganha pontos por trazer relevâncias ao caso da semana e explorar a essência de Reese trazendo rostos conhecidos do personagem como Kara Stanton e o novato na história da série, Terence Beale para adicionar ainda mais elementos a sua história.

Person of Interest continua numa caminhada bem sólida, três episódios e três acertos, as tramas estão bem direcionadas e os personagens principais estão sendo muito bem trabalhados dramaticamente. Aos poucos a trama do “Samaritan” está retornando ao centro da narrativa já que a última vez que ele esteve presente no plot principal foi na premiere, em “SNAFU” tivemos um vislumbre de que a inteligência artificial está recrutando novos agentes e aqui percebemos que ele está infectando vários notebook pela cidade e provavelmente pelo país, então acredito em breve descobriremos de uma forma mais clara os planos dessa inteligência artificial. Ainda bem que “Machine” 2.0 está operando cem por cento para ajudar o “team machine” a enfrentar a batalha que estar por vir.

Observações de Interesse

Enigma em código: A “Machine” mandou um código para Finch e Root descobriu que era um poema, o trecho foi tirado da obra de Emily Dickinson chamada “Cocoon Above! Cocoon Below” (algo como “Casulo Acima! Casulo Abaixo”) publicado em 1860. Abaixo tem o trecho traduzido.

“Casulo acima! Casulo Abaixo!

Casulo furtivo, porque você esconde

O que todo o mundo suspeita?

Uma hora, e uma despreocupação em cada árvore

Seu segredo, empoleirado em êxtase

Desafia a prisão!

Uma hora em crisálida para passar,

Em despreocupação acima recuando grama

Uma borboleta a partir!

Um momento para interrogar

O mais sábio do que um “Substituto”

O universo a conhecer!”

Especulações: O poema fala sobre transformação e mudança, como a Root também citou que pode ser mudança neles mesmo, eu aposto que é algo relacionado a mudança de perspectiva de cada um na equipe, algo que já está acontecendo com Finch, Reese, Root e provavelmente acontecerá com Shaw, quando esta retornar.

Curiosidades: O restaurante onde Reese encontra Iris e os pais dela, foi o mesmo lugar usado em uma determinada cena do episódio “RAM” (3×16) quando Daniel Casey encontra Lambert (agente do Samaritan) que estava disfarçado de agente do governo. O local também fica a uma quadra da locação da Biblioteca, primeiro quartel general do “team machine”.

– Melhores frases do episódio:

– “There is Always unfinished business” (“Há sempre negócios inacabados”) – Beale para Reese.

O próximo episódio promete muito, principalmente porque iremos descobrir finalmente o paradeiro de Shaw.


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