Review | Person of Interest – 5×02 – “SNAFU”

João Paulo

  segunda-feira, 16 de maio de 2016

Review | Person of Interest – 5×02 – “SNAFU”

Reconstruir! A palavra de ordem que resume bem o segundo episódio da nova temporada de POI que chega trazendo nostalgia, colocando a ação em segundo plano e explorando novas vertentes para mitologia da série.

“Você pode me ver?” perguntou Finch para “Machine” logo no início do episódio, e a partir do momento que os primeiros “bugs” (anomalias que fazem um sistema computacional não funcionar corretamente) começaram a aparecer, o espectador logo de cara percebe que as coisas não retornaram ao que era antes de uma forma tão fácil assim. O novo episódio da temporada de Person of Interest segue o gancho deixado em “B.S.O.D.”, com a “Machine” ativando seu protocolo de testes padrões estabelecidos por Finch.

Em “SNAFU” acompanhamos a batalha de Finch e Root para reparar os erros de sistema da “Machine” e coloca-la operando de novo. Para resumir tudo em uma linguagem mais simples, a “Machine” é como se fosse nosso computador pessoal quando formatamos, tudo tem que ser instalado de novo, drivers de comando, programas computacionais e por ai vai, além disso em certas máquinas é preciso configurar para que ela fique da maneira semelhante ao seu estado anterior.

Essa analogia por ser feita para o que acontece neste episódio, Finch e Root tentando inserir os protocolos básicos como reconhecimento facial, identificação do histórico da pessoa investigada e principalmente parâmetros para reconhecer e identificar possíveis vítimas. O roteiro assinado por Lucas O’Connor é bastante didático neste quesito, você nunca se perde nas explicações sobre o software e sobre o que Finch e Root estão tentando fazer para ressuscitar a “Machine”, a escrita dele também abre espaço para absorção das respostas, utilizando um pouco de humor da série para deixar o espectador mais à vontade para entender esses assuntos mais técnicos.

O episódio basicamente gira em torno deste problema com a “Machine”, a narrativa te envolve de tal forma que você não consegue desgrudar da tela um segundo. Quando a abertura nova começa você já sente que algo diferente será mostrado, mesmo que logo em seguida ela seja cortada para dar lugar a cenas mais intrigantes da criação de Finch entrando em funcionamento novamente.

É importante notar que “SNAFU” é uma narrativa complexa e nostálgica, ela não traz respostas fáceis, mas cria um ambiente plausível e familiar para explorar “Machine” de Finch de uma forma que não tínhamos visto antes. Quando a conhecemos pela primeira vez lá na primeira temporada, o sistema já estava pronto, Harold já havia criado limites para seu funcionamento e suas ações, ela era inteligente, porém era refém de barreiras, algo que é abordado de uma forma diferente neste episódio, que explora exatamente os riscos de um sistema aberto sem qualquer limitações, é como se fosse “Samaritan”, só que com o rosto da “Machine”, se é que você entende.

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As coisas não funcionaram do jeito que Finch e Root esperavam, após os dois terem consertado o problema com identificação facial que abre o episódio (cena hilária diga-se de passagem), alguns “bugs” começaram a aparecer depois que Harold ativa o protocolo dos irrelevantes na máquina. A narrativa divide a equipe em três plots, o principal com Harold e Root, e dois secundários com Reese e Fusco tentando salvar potenciais vítimas.

Devo dizer que esses momentos com John e Lionel indo atrás dos POI’s (30 possíveis vítimas) trouxeram inserções cômicas pontuais, destaque para cena em que Reese vai atrás de um “criminoso” que na verdade era um jovem que havia passado trote na própria escola, sem falar na cena com Fusco indo parar numa peça de teatro por causa de um integrante que supostamente iria matar alguém, mas nada muito verdadeiro, se é que vocês me entendem.

Esses dois plots, são um contraponto bem diferente da história que segue Root e Finch, que tem uma pegada bem mais séria e tensa. Quando a reviravolta em torno do problema “Machine” acontece, percebemos o real motivo dela estar expelindo vários números errados e apresentando erros em seu sistema. O roteiro é meticuloso o bastante para trazer questionamento e novas perspectivas com tudo girando em torno do problema envolvendo uma espécie de defeito que fazia a “Machine” reviver todas as suas memórias gravadas simultaneamente em tempo real, fazendo com que ela perdesse senso de tudo, revivendo eventos do passado e do presente ao mesmo tempo.

Estava cartada da narrativa faz com o público consiga reviver diversos momentos do passado dos personagens, como também da série em si, temos referências a segunda temporada quando Root sequestrou Harold e matou Denton L. Weeks, até da quarta temporada dela matando Martine Rousseau, provas do porque a máquina de Finch a considerava Root uma ameaça.

O roteiro nos faz questionar a cada momento se tudo de mal que Root, Finch e outros fizeram em prol de interesse próprio ou de um bem maior, será que certas ações os tornam pessoas más? O próprio Harold é levado a questionar a si mesmo, já que destruiu sua própria criação 42 vezes antes que ela torna-se a versão que conhecemos na primeira temporada da série, é como se ela estivesse revivendo todas as suas mortes ao mesmo tempo, justificando assim toda a hostilidade que ela mostrou em relação a Finch.

É claro que os questionamentos levam também há consequências, a escrita transforma a “Machine” numa espécie de juiz, colocando todos contra a parede, enxergando os defeitos e as índoles duvidosas de cada um, é claro que o foco fica mais em cima de Root e Harold, porém no decorrer do episódio Reese também se torna parte dessa equação (achei que faltou ter colocado Fusco no contexto também, lembrando de seu passado corrupto na H.R.), por falar nisso devo dizer que a assassina contratada pela própria “Machine” foi uma jogada bem feita, uma vez que imaginamos ser algum agente do “Samaritan” perseguindo John e não sua maior aliada.

A direção de Chris Fisher mais uma vez rende bons momentos, talvez as cenas de ação não possuam nada de novo, porém as cenas internas no QG da equipe são muito bem dirigidas, do momento que “Machine” considera a Root e Harold ameaças e tenta de qualquer forma ataca-los (pobre Root), passando por outro diálogo emocionante entre Finch e sua criação, e finalizando com a transição dela para voltar ao normal, tudo ali funciona demonstrando um equilíbrio entre tensão e drama.

De uma forma geral podemos avaliar que no próximo episódio as coisas devem voltar ao formato das temporadas anteriores, uma vez que “Machine” está operando 100% agora. Em conclusão, pode-se dizer que “SNAFU” é a última peça do quebra-cabeça para trazer a máquina de Harold de volta a vida, o fim do renascimento da arma final contra “Samaritan”, agora funcionando ainda mais livre como sistema aberto.

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Seguindo os passos de “B.S.O.D.”, este segundo episódio consegue ser ainda mais atrativo por ser mais inteligente e focar em elementos evocam diversos pontos chaves da mitologia de Person of Interest e ainda consegue trazer um pouco de nostalgia para os fãs, o episódio questiona o passado dos nossos protagonistas e cria questionamentos também para quem assiste, a narrativa também serve para finalizar um arco que começou na season finale passada e foi magistralmente bem conduzido até aqui.

É importante ressaltar que enquanto “B.S.O.D.” foi sobre restaurar a fé e a esperança de Finch de volta, aqui em “SNAFU” o foco foi para restaurar a “Machine” e ressaltar sua importância em saber questionar o certo e o errado, além de resgatar o elemento humano que faz dela a inteligência artificial que pode guiar o futuro da humanidade; acredito que ambos são personagens importantes que provavelmente serão chave para destruição do “Samaritan”.

Outro ponto importante é o fato do roteiro focar na personalidade de cada um da equipe, antes de imergir na batalha final, espero que agora explorem mais a Root e o Reese nos próximos episódios. E por último vale enfatizar o cuidado narrativo de fechar um ciclo, esse regaste de cenas do passado (as várias referências a personagens que já passaram pela série foram momentos de pura emoção) neste episódio foi exemplo disso, a jornada que nos levará ao fim das aventuras de Finch e Reese está sendo meticulosamente bem traçada e acredito que ainda teremos muitas emoções pela frente.

Observações de Interesse

SNAFU: é uma expressão militar “Situação Normal: Tudo Fudido”, foi usada por tropas militares norte americanas durante a Segunda Guerra Mundial. Em outras situações significa que a situação está crítica, mas pode ser consertada.

Dia R: A palavra que aparecia toda vez que a “machine” resgatava uma de suas memórias, a expressão “R” é vem do termo matemático que é relacionado aos números reais onde está agregado todos os números reais positivos e negativos, no caso do contexto do episódio, significa que a “machine” tinha perdido noção do tempo, misturando passado e presente que aconteciam ao mesmo tempo.

Participações breves (cameos):  Este episódio foi um deleite para os fãs e vamos combinar, rever os nomes dos personagens que passaram pela série como: Denton Weeks, Martine Rousseau, Joseph Durban, Megan Tillman, Zoe Morgan, Carl Elias, Caleb Phipps, Logan Pierce, Arthur Claypool, Daniel Casey, Grace Hendricks, Control, Malcolm Booker, Simon Lee, Dani Silva, Harper Rose e Sulaiman Khan; traz uma nostalgia e uma vontade de rever a série tudo de novo, espero que alguns desses que ainda não morreram, retornem ainda nesta temporada, vamos aguardar.

Jeff Blackwell: Enquanto o episódio focava nos problemas da “Machine” no final do episódio, Jeff Blackwell, um dos números expelidos pela máquina de Finch foi mostrado como o mais novo recruta do “Samaritan”, estou curioso para saber o que essa inteligência artificial está tramando.

Bear folgado: Alguém anda sendo mimado demais neste começo de temporada. Quero ver o Bear em ação.

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Melhores frases do episódio:

“John. Run for your life” – Finch

“You need a purpose. More specifically – you need a job.” – Mona para Jeff Blackwell (Fato interessante: A mesma frase foi dita pelo Finch quando recrutou o Reese lá no piloto da série)

“I suppose that everyone feels that he is the hero in its own story but there are no heroes, no villains just people doing the best they can.” – Finch para “Machine”


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