Review | Person of Interest – 5×01 – “B.S.O.D.” [Season Premiere]

João Paulo

  sábado, 07 de maio de 2016

Review | Person of Interest – 5×01 – “B.S.O.D.” [Season Premiere]

Bem-vindo ao mundo de Samaritan! Depois de quase um ano de espera (e muitas promessas), a série volta mais empolgante do que nunca para sua última temporada apresentando uma premiere com um formato diferente, cheia de ação e muita tensão.

Depois de quase um ano de espera, muitas especulações, incertezas e indecisões, Person of interest retorna a ser exibida, sendo esta denominada a última temporada do seriado confirmada pela CBS e pelos produtores da série Jonathan Nolan e Greg Plageman. Serão 13 episódios para matar a saudade da longa pausa e nos despedirmos de uma das melhores séries da atualidade.

Nolan e Plageman ressaltaram uma entrevista recente que receberam carta branca do estúdio para encerrar a série da maneira que achassem melhor, então desta forma o season finale da quarta temporada que já anunciava uma mudança drástica para o futuro da série, se torna realidade na season premiere da quinta temporada, que começa muito bem sua jornada para encerrar as aventuras de Finch, Reese, Fusco, Root, Bear e Shaw.

No season finale “YHWH” exibido no ano passado, testemunhamos o derradeiro plano da “Machine” para sobreviver ao confronto contra “Samaritan”, um plano de autopreservação, um plano de sobrevivência, um plano de retirada estratégica para que um dia tivesse a chance de enfrentar seu mais poderoso antagonista mais uma vez no futuro.

A cena final com “team machine” indo direto à ação é perfeita representação que o confronto estava apenas começando. Aqui nesta season premiere denominada “B.S.O.D.” (ou “Blue Screen Of Death” ou “Tela Azul da Morte”), não temos tempo de respirar e apesar da sequência inicial ser um flashfoward, podemos notar que a narração em off proferido pela Root anuncia que a nova temporada será uma guerra aberta definitiva entre Finch e companhia versus as forças do “Samaritan”.

O episódio continua exatamente onde parou, com Reese, Finch e Root fugindo dos agentes do “Samaritan” e tentando proteger a qualquer custo o conteúdo da maleta que continha os dados comprimidos da memória da “Machine”. A direção de Chris Fisher é eficiente em fazer a transição entre os momentos finais de “YHWH” (4×22) e começo de “B.S.O.D.”, a trilha sonora acompanhando os momentos de ação de Reese no beco dão estilo e corpo a narrativa, assim como Finch e Root, ambos em lugares diferentes da cidade, ambos perseguidos e tentando se esconder do olhar implacável do “Samaritan”.

Uma das características positivas do roteiro assinado por Greg Plageman e Tony Camerino é que ele consegue situar o espectador de forma rápida e eficiente, para depois focar no objetivo principal deste início de temporada, o renascimento da “Machine”. Ao mesmo tempo que acompanhamos o “team machine” pela cidade tentando chegar no refúgio (no caso a estação secreta de metrô), temos também a narrativa mostrando o quão mais perigoso o “Samaritan” se tornou após concluir “A Correção”, o protocolo estabelecido no final da temporada passada é sentida em todos os lugares, nada escapa ao olhar vigilante e atento da inteligência artificial, tornando impossível se esconder num mundo tão globalizado e tecnológico como o nosso atual.

O impacto da “Correção” é também sentida pelos personagens principais, mas aquele em que o fator é mais eficiente é a história de Fusco na delegacia. Para quem não se recorda o Fusco foi testemunha das mortes de Dominic e Elias, durante a ativação do plano mestre do “Samaritan”. Pessoalmente eu gosto de como Reese protege Lionel da verdade em relação a “Machine” e mais tarde do “Samaritan”, porém com o passar das temporadas podíamos perceber que estava cada vez mais difícil esconder essa verdade, se no final de “Deus Ex-Machina” (3×23) não saber a verdade protegeu Lionel de ser uma vítima em potencial da I.A., aqui em “B.S.O.D.” será impossível manter o personagem ainda no escuro.

Fusco começa a perceber que tem algo mais em jogo, do momento que ele se torna o principal suspeito da investigação do FBI em relação as mortes misteriosas de Elias e Dominic, passando por sua investigação no local do crime, até chegar na reviravolta com a morte misteriosa do agente Soriano, fica claro que forças ocultas estão agindo nos bastidores.

A narrativa aqui consegue ser bastante intrigante e a direção mais uma vez faz um bom trabalho de manter a tensão e a periculosidade que a cena exige. É fato que as coisas devem ficar mais difíceis para Fusco no decorrer desta temporada, ainda mais com “Samaritan” o monitorando e avaliando todos seus passos e ainda o classificando como potencial risco a seus planos tornando o personagem ainda mais vulnerável e com sérios riscos de se tornar uma vítima da inteligência artificial.

Falando na máquina de Greer, podemos notar aqui uma versão bem mais inteligente e sofisticada da inteligência artificial, as animações e os jogos de câmera mostram bem a evolução tecnológico do Samaritan após “A Correção”. Sem rédeas e interagindo ainda mais com ambiente que controla, a I.A. torna Nova York seu playground, ativando agentes, usando todo tipo de monitoramento e artificio possível, criando um ambiente claustrofóbico e perigoso para Reese e companhia.

Quem mais sente isso na pele é Root, que dentro da narrativa do episódio é outra personagem que tem bastante espaço. Devo dizer que adorei a cena do metrô com “Samaritan” ativando celulares alheios para fazer a nossa hacker preferida um alvo, isso deu uma amostra do quão perigoso se tornou a cidade, além de uma boa oportunidade para colocar Root em ação.

Gosto quando a escrita da série é esperta o bastante para relembrar o passado da hacker e seus antigos contatos, aposto que muita gente se imaginou voltando ao período do episódio “Root Cause” (1×13) para tentar imaginar o quão importante e perigosa seriam as pessoas que a Root prestava serviço. É importante ressaltar aqui que as identidades forjadas para proteger a equipe irão perder a camuflagem em breve, é claro que a confissão para uma das câmeras do metrô pela Root só facilitou a identificação dela, porém acredito que “Samaritan” será esperto o bastante para perceber que tem algo errado, espero muito que os roteiristas explorem esta questão no decorrer da temporada.

Aqui em B.S.O.D. o roteiro consegue explorar bem Fusco, Root e Finch, deixando Reese mais em segundo plano servindo mais como o homem da ação, até gosto disso, quanto mais cenas do Jim Caviezel chutando bundas, mais divertido a série fica, apesar de que nem todas as cenas de ação do episódios são empolgantes, destaque mesmo para cena inicial no beco e a cena de ação já no final do episódio quando o personagem salva Root dos agentes do “Samaritan”, vale ressaltar aqui o quão é legal ver essa dupla trabalhando em equipe, desde o episódio “M.I.A” (4×13) a sintonia só melhora.

Falando em melhorar, guardei a melhor parte para o final, o arco de Finch definitivamente é o mais relevante aqui, enquanto o arco de Fusco trouxe senso de perigo e vigilância, o da Root trouxe senso de tensão e o de Reese a ação, a jornada de Harold foca num lado mais emocional e cheio de paralelos basicamente mostrando a verdadeira intenção dos roteiristas de não apenas mostrar o renascimento da “Machine”, mas também o motivo dela ser tão importante para o futuro da humanidade.

Fico impressionado que mesmo após quase cinco anos, os escritores da série ainda tem algo de novo para explorar na história da “Machine” criada por Finch. A transição dos flashbacks estavam impecáveis, pensei que causaria estranheza, já que não temos as animações da “Machine” para fazer a transição para o passado, mas a narrativa consegue fazer uma transição entre os eventos de 2006 e 2016 de uma forma bem orgânica.

Estava com saudades de ver mais da relação entre Harold e Ingram, e da relação entre ele e Grace também. Os flashbacks focam num momento chave quando Finch está preste a implementar o código que apaga a memória da “Machine” a cada 24 horas, história que é revelada mais tarde no episódio “Zero Day” (2×21), ganha novos contornos em “B.S.O.D.”, todo o dilema e relutância de Finch em apagar a memória de sua criação reforçam ainda mais os problemas de confiança entre criador e criatura.

Durante quase toda a quarta temporada e principalmente no season finale, a relação Harold e “Machine” volta e meia entrou em foco na narrativa, mas nesta season premiere o roteiro consegue traçar um paralelo mais definitivo entre o passado e presente da “Machine”, mais uma vez a relação paternal dela para com Finch é reforçada e principalmente sua necessidade de ganhar a confiança de seu “pai”, o diálogo no flashback antes dela ser apagada pela primeira vez foi de cortar o coração, tão emocionante quanto a despedida da mesma no final de “YHWH”, ainda fico impressionado como a direção de Chris Fisher consegue trazer emoção em um diálogo entre humano (Michael Emerson impecável nesta cena) e uma máquina. O roteiro de Plageman e Camerino deixa claro a confiança entre ambos tem que ser mútua e já no terceiro ato fica nítida a mudança de atitude de Harold em não cometer os mesmos erros do passado, a relação entre ele e a “Machine” deve ficar ainda mais profunda no decorrer desta temporada.

Enfim “B.S.O.D.” é um episódio de abertura impecável, talvez seja a melhor season premiere que a série já teve, consegue trazer um sentido de urgência para narrativa, consegue ampliar a ameaça do “Samaritan”, dá foco suficiente para todos os membros do “Team Machine” e principalmente foca na relação entre Finch e sua criação. O episódio ainda consegue equilibrar muito bem cenas de ação utilizando bem vindo humor característico da série, além de direcionar a narrativa para um momento decisivo da jornada de POI, a reconstrução da “Machine” e o fim da guerra com I.A. do mal.

Devo dizer que se a série manter esse nível, a temporada promete ser extremamente explosiva e no mínimo brilhante. É importante ressaltar que “B.S.O.D.” traz um formato mais serializado, algo que a série já vinha abraçando desde a terceira temporada, mas agora sem amarras e sem a forma datada dos casos da semana a série fica ainda mais dinâmica e livre para explorar novos caminhos e ser ainda mais instigante do que já é.

A reconstrução da “Machine” teve apenas o início neste episódio (quem diria que consoles de PS3 salvariam o dia) e o gancho deixado no final do terceiro ato foi apenas uma forma deixar os espectadores ainda mais curiosos para o que estar por vir. A temporada nem começou, mas várias perguntas continuam sem respostas, conseguirá Finch, Root e Reese restaurar a “Machine”? E Shaw, será que ainda está viva? E Bear, será que terá seu espaço merecido nas cenas de ação? Até onde os planos de “Samaritan” irão chegar? Essas e outras questões irão povoar nossas mentes nas próximas semanas e eu mal posso esperar pelas respostas.

“Aaaah! Como é bom ter Person of Interest de volta e melhor do que nunca”

Observações de Interesse:

B.S.O.D: A sigla que dá nome ao episódio é a abreviação de “Blue Screen of Death”, é uma nomenclatura usada quando o sistema é sofre um erro fatal, basicamente quando seu Windows falha ou tem algum tipo de erro, essa tela aparece antes do sistema desligar de vez.

Elias e Dominic: Ao que parece ambos reis do crimes de Nova York foram realmente eliminados, Dominic era 100% certeza, agora Elias era a única dúvida, porém um breve flashback deu para ver que que o vilão favorito dos fãs também sofreu um tiro certeiro.

O dia que PS3 salvou sua vida: Quem diria que diversos consoles de PS3 seriam usados como receptores para uma grande rede de dados, a verdade é que esses vídeo games possuem hardware e processamento semelhantes a de um supercomputador quando ligados em conjunto. O melhor de POI é que sabe usar artifícios reais para alimentar a mitologia na ficção, simplesmente genial.

Aquele momento que o coração para:

 

Meu coração bateu feito tambor nessa cena.

Paralelos de B.S.O.D: A quantidade de cenas que remetem as temporadas anteriores são imensas neste episódio, primeiro a referência do Finch na balsa, o personagem relutou a entrar no barco ao lembrar da morte do amigo Ingram (cena exibida no episódio “God Mode” (2×22)).

Outra referência legal foi a luta da Root no metrô que remete basicamente a cena do Reese barbudo no piloto da série.

Novas interações do Samaritan: Achei interessante que agora a machine de Greer identifica Reese e os outros como “Combatentes Inimigos”, esse termo mais militar mostra que realmente o clima é de guerra entre “Samaritan” e “Team Machine”.

Momento Reese: Tivemos bastante Reese em ação neste episódio, no começo na cena do beco e é claro o momento em que o personagem salva Root.

Menção honrosa: O menção honrosa dessa semana vai para Root, lutou, bateu, apanhou, atirou, ou seja, essa mulher não deve nada para o Reese no quesito ação.

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Música do episódio: A excelente música da sequência inicial se chama “No Wow” do grupo The Kills.

Melhores frases do episódio:

“You can just call me Root, bitch!” – Root para Samaritan

“I’m so sorry, now I’m the one that’s failed you” – Finch após a maleta com as memórias da “machine” pegarem fogo.

“Just needed a change. Got a new job. Fell in love” – Root explicando porque se aposentou da vida de hacker.

“I don’t speak nerd” – Reese para Root

Semana que vem teremos dois episódios seguidos, um sendo exibido na segunda e outro na terça, então apertem o sinto que teremos muito para comentar.


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