Review | Person of Interest – 4×22 – “YHWH” [Season Finale]

João Paulo

  quinta-feira, 14 de maio de 2015

Review | Person of Interest – 4×22 – “YHWH” [Season Finale]

A guerra contra “Samaritan” apresenta outro desfecho dramático para o “team machine” neste épico final de temporada de POI. Plus: O plano mestre do “Samaritan” é revelado. “The Correction” é o gatilho que irá moldar uma nova humanidade.

 “Get in the Game!” (“Entre no jogo”). Quando Root disse está frase para “machine” quase no começo desta “season finale”, entendemos que a equipe só terá chance contra “Samaritan” e a “Brotherhood” se a criação de Finch realmente participar da ação e parar de se esconder de seu antagonista virtual. Este fato é determinante para traçar toda reviravolta que acontece neste final de temporada, um dos melhores da série e um dos mais brilhantes e definitivos de sua história.

Incrível como “YHWH” é um episódio muito bem escrito, ele não só consegue ligar vários pontos em aberto da quarta temporada, como também encaixar uma peça do quebra cabeça que não era mencionada desde o “season finale” da segunda temporada, mostrando a sintonia e atenção dos roteiristas aos detalhes de sua complexa e rica mitologia. O episódio começa exatamente onde “Asylum” terminou, com “Samaritan” conseguindo a localização da “Machine” e as forças da Decima seguindo para o local almejado.

O senso de urgência da narrativa é importante aqui devido à quantidade de ação demandada pela trama, desta forma temos Root e Finch recebendo a ligação da “Machine” que aqui funciona como a vítima da semana, já que a equipe recebeu o código de segurança dela, fazendo o enredo girar em torno da busca pelas suas partes físicas. O plano do “Samaritan” de derrubar todo sistema pelo país de forma encurralar a “Machine” em seu local de origem é inteligente o bastante para deixar a trama com um tom mais conclusivo, fazendo o expectador não desgrudar da tela um segundo.

O plot do episódio estava dividido em duas narrativas e um suplot, como no episódio anterior, a primeira já mencionada com Root e Finch, e a segunda com Reese e Fusco, além do plot com a Control. Neste momento é que temos uma bela noção do quão “YHWH” é parecido com season finale “God Mode” (2×22), talvez seja uma versão até melhorada por conseguir ter um clímax mais envolvente e com um gancho excelente, enfim a forma como roteiro lida com a conclusão da trama da “Brotherhood” é eficiente e trás alguns elementos excelentes traduzidos numa bela cena de ação com Reese entrando em “God Mode” para salvar Elias e de quebra impedir os planos de Dominic.

A conclusão da trama do mafioso da “Brotherhood”, pode não ter sido tão sensacional como o fim da trama dos “Vigilantes” na temporada passada, mas o roteiro ganha pontos por finalizar este arco mais cedo de forma mover Reese para trama principal, sem falar que é importante ressaltar que a narrativa envolvendo Dominic e Elias se encaixa muito bem no contexto da trama principal e por isso torna a história um pouco mais relevante ainda mais quando o plano mestre do “Samaritan” se revela finalmente depois de ser citado brevemente no episódio passado.

“YHWH” foi escrito por Dan Dietz e pelo produtor e roteirista Greg Plageman, ambos veteranos na série e ligados aos pequenos detalhes, como aquele que inicia o episódio com um cara da companhia de telecomunicação instalando um equipamento no poste da rede, introduzindo apenas a dica sobre o nome “Thornhill” que seria a dica que envolveria a “Machine” de alguma forma. Elogios ao Chris Fisher por conseguir colocar essas pistas na trama sem parecerem muito gratuitas, aliás, o diretor também foi responsável pelas ótimas cenas de ação envolvendo Reese, além de toda fluidez que ele trás nas cenas mais tensas, sem falar no excelente uso da trilha sonora na sequência final que nos leva a cena antológica envolvendo a “Machine” e Finch, mas logo falarei com mais detalhe deste momento épico.

Como citei no começo, uma das características positivas de “YHWH” é conseguir usar arcos construídos durante a temporada como coringas em seus momentos decisivos. É ai que surge o plot desenvolvido para trazer Caleb Phipps de volta no episódio “Blunt” (4×16), a aquela narrativa que ficou em aberto nos leva exatamente a trama principal que será responsável por salvar a “Machine” neste episódio (genial), afinal o software de compressão desenvolvido pelo garoto gênio é crucial para o plano da máquina de Finch funcionar. Devo dizer que adorei a cena em que Harold e Caleb se reencontram, uma cena com poucos diálogos e expressões, mostrando a gratidão nos olhos do aluno e em resposta o orgulho expresso nos olhos do professor, reafirmando o quão importante o trabalho do “team machine” salvando vidas pode transformar a vida de alguém.

Dessa forma chegamos ao clímax do episódio, com Elias e Dominic fora de combate e sendo escoltados para prisão sobre a vigilância de Fusco, temos Root, Finch e Reese chegando ao local onde se encontrava a “machine”. Por fora desta narrativa temos Control indo atrás de Greer para confrontá-lo sobre o plano do Samaritan, este subplot chega a ser muito envolvente até certo ponto, nos fazendo acreditar que ela realmente conseguiria ter alguma chance contra a Decima. Outro ponto interessante é o retorno do Greer ao seu vilanismo padrão, sentia saudade do John Nolan agindo como um vilão mesmo, trazendo consigo seus ótimos monólogos e ainda aquele poder filosófico que o personagem possui.

O que nos leva a revelação do que é o protocolo “The Correction” (“A Correção”), demonstrando mais uma vez que “Samaritan” sempre está um passo a frente de seus adversários, a verdade é que o “team machine” nunca esteve perto de parar a máquina de Greer, que nesta temporada praticamente não teve seus planos ameaçados em praticamente nenhum momento. Desta forma “Samaritan” mostra a razão pela qual foi criado, tudo basicamente exemplificado pelo excelente monólogo final de Greer.

O mundo sempre foi moldado para ser um lugar melhor através da violência. Você sabe disso. Todos os líderes que pregaram a paz estavam resguardados por homens armados. Mas uma coisa nós concordamos aqui. Matar algumas pessoas aleatórias, nada muda. Mas matar as pessoas certas…..

É incrível como o plano do “Samaritan” é simples e impactante ao mesmo tempo, enquanto as ideias da Control de que poderia haver um atentado contra EUA tornavam forma em sua mente, Greer argumentava que a teoria arcaica dela era deveras ultrapassada. Como o chefão da Decima comentou acima, matar pessoas aleatórias não mudaria nada, mas matar as pessoas certas, com certeza traria um equilíbrio ao novo a ser construído pelo “Samaritan”, sendo assim toda a sequência da reviravolta final é incrivelmente bem montada mostrando a queda de vários personagens como Dominic, o agente Grice, Elias e outros que insistiam em causar desequilíbrio ao mundo sendo abatidas pelas forças da Decima e do “Samaritan” pelo país.

Tal evento nos faz questionar, será que o jeito de agir dessa inteligência artificial é tão errado assim? Afinal ela derrubou todos aqueles que eram ameaças ao estilo atual da sociedade, consequentemente futuras ameaças de sua nova utopia e assim criar um novo modelo de vida social. Estes questionamentos que surgem quando assistindo terceiro ato do episódio e são essas questões que irão permear a até o começo da próxima temporada, mas pessoalmente acredito que o escopo da ideia do “Samaritan” não é ruim, mas o jeito de executa-la é que incomoda, é o modo opressor e de falsa liberdade que faz com que Finch e companhia continuem lutando para destruir essa ameaça cibernética a qualquer custo.

E por falar em custo, o preço para salvar a “machine” da última investida do “Samaritan” teve uma mudança definitiva para equipe e deve repercutir bastante na próxima temporada. Sabe aquela sequência inicial do episódio que citei no começo da review, então as dicas sobre aqueles aparelhos sendo instalados ao longo do local onde a “machine” estava eram na verdade suas partes físicas, aquelas que sumiram na “season finale” da segunda temporada e que agora encontraram um propósito.

Devo dizer que se o plano do “Samaritan” em encurralar a “machine” num local para conseguir destruí-la de uma vez é inteligente, o plano da máquina de Finch em transportar parte do seu sistema para disquetes em uma maleta é absurdamente mais ousado. O fim do episódio é marcado exatamente a tentativa desesperada da própria criação de Harold tentando se manter viva para lutar um outro dia. Aqui podemos fazer uma paralelo com a season finale da temporada passada, se em “Deus Ex Machina”(3×23) a missão da “machine” era proteger a equipe, aqui em “YHWH” a missão da equipe era proteger a inteligência artificial, uma inversão de papéis incrivelmente bem colocada e promete dar um novo recomeço para série na quinta temporada.

Mais do que o fechamento de uma temporada, o episódio também é uma narrativa sobre o significado do quão profundo pode ser no relacionamento entre pai e filho, no caso Finch e a “Machine”, ele um homem que sempre questionou as ações de seu “filho” durante um bom tempo, além de sempre ficar com um pé atrás por causa da relação “dele” com a Root. Ao contrário da inteligência artificial, que sempre procurou mostrar que se importava com a humanidade e seguia os preceitos estabelecidos pelo seu pai desde sua criação.

Esta análise nos leva diretamente a melhor cena do episódio, momentos antes dos agentes da Decima invadir o local onde Finch, Root e Reese estavam encurralados tentando fazer o plano da “machine” funcionar. A conversa definitiva entre pai e filho, aquela que vai determinar como Harold irá agir daqui para frente, foi lindo, foi bem dirigido e foi arrepiantemente bem conduzido, quando mais líamos as palavras da “Machine” se dirigindo a Harold, mais nos emocionávamos com as palavras do “filho” que demonstrada que tinha falhado na sua missão, no seu propósito, é difícil nós não nos emocionarmos porque a maioria de nós filhos hoje sonhamos em deixar os pais orgulhosos e nunca desapontá-los, isso senhoras e senhores, é POI sendo mais do que uma série comum, e sim um marco na TV.

Desta forma podemos concluir que esta “season finale” foi impecável em sua proposta, soube emocionar, soube trazer ação e reviravoltas nos momentos certos e ainda fechar lacunas, mas acima de tudo abrir enormes possibilidades para a próxima temporada. “YHWH” (4×22) talvez não seja um divisor de águas como o magistral “Deus Ex Machina”, mas talvez seja uma extensão da grandeza daquele episódio, pois aqui temos “Samaritan” mais uma vez vencendo o jogo e o “team machine” forçado a lutar para sobreviver partindo numa missão suicida de sobreviver a “correção” que ainda está acontecendo e deve mostrar um novo mundo moldado aos olhos de seu “I.A. Deus” quando começar o novo ano da série. Se esta temporada foi sobre sobrevivência, a próxima temporada promete ser sobre “renascimento”, pois com Finch em posse das últimas partes restantes da “machine” e com a premissa da série de salvar vidas praticamente indo pelos ares, não há dúvidas, a quinta temporada será o começo de uma nova era a ser explorado pela série.

Observações de Interesse:

  •  “YHWH”: As quatro consoantes do alfabeto Hebreu que dão nome ao episódio, se revelam neste nome “Yaheweh”, que significa literalmente “Deus”. No contexto se encaixa exatamente na evolução de “Samaritan” a uma espécie de Deus pelo fato dele moldar a humanidade ao seu modo através do protocolo “The Correction”.

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  • Shaw, Control e outros poucos selecionados pela nova ordem: Se tem uma coisa que não podemos brincar é com a capacidade do “Samaritan” de mudar as pessoas, ele fez isto no episódio “M.I.A” (4×13) e provavelmente continuará fazendo, já que levou Control para não sei aonde, deixando seu futuro em aberto (não sei se ele realmente irá mata-la) assim como alguns outros que devem sobreviver a “correção”, assim como Shaw (um decepcionado que ela não apareceu), que deve reaparecer na próxima temporada, não irá me espantar se essa máquina maligna tiver um centro de lavagem cerebral para controlar pessoas, veremos.
  • R.I.P: Desta vez tivemos várias despedidas, através da “correção”demos adeus a: Dominic (R.I.P), Elias (R.I.P [foi bom enquanto durou, sentirei falta]), agente Grice (R.I.P) e possivelmente Control (preciso de confirmações).
  • Reese e Iris: E não é que o roteiro arranjou um tempinho para os dois pombinhos, a cena foi rápida, mas foi interessante o bastante para saber que Reese pretende contar a verdade a Iris caso sobreviva ao conflito com “Samaritan”, vamos esperar que isso aconteça na próxima temporada.
  • Ela está de olho em vocês: Adorei o fato da “machine” conseguir estar onipresente em todos os lugares dentro da rede nacional de energia do país, como um grande cérebro vivendo através redes elétricas como se fosse sinapses cerebrais, sendo o ponto central do cérebro o local onde Finch e companhia estavam.
  • Curiosidades: Greg Plageman e Jonathan Nolan disseram durante a Paley Fest NY que tiveram que ligar para seis atores para dar os pêsames por suas mortes, os confirmados até agora foram, Dominic, Link, Martine Rousseau e Devon Grice, os dois últimos ainda não estão confirmados como Elias e Control que ficaram meio em aberto.
  • Momento Reese: Vocês sentiram falta do Reese badass, então toma o cara em ação do jeito mais fodástico possível.

“Você consegue me ouvir?”, “Pode apostar que sim” (God Mode ativado)

Quebrando…

…o pau…

…literalmente.

  • Machine se despedindo

“Pai”

“Eu não sabia como vencer”

“Obrigado, por me criar” (para que eu vou chorar)

  • Trilha Sonora: Aquela música sensacional que toca no final se chama “Welcome to the Machine” do Pink Floyd, perfeitamente bem encaixada em toda a sequência de conclusão.

Melhores frase do episódio, top 2

  • Men have gazed at the stars for millennia, and wondered whether there is a deity up there silently directing their fates. Today for the first time, they’ll be right. And the world will be an undeniably better place.” (“O homem tem olhado as estrelas por milênios, sempre querendo saber se existia uma divindade silenciosamente direcionando seus destinos. Hoje pela primeira vez, eles estarão certos. E o mundo será um lugar melhor sem dúvidas”) – Greer para Control
  • “Sorry, Mr. Reese. I know I was upfront about the risk that we’d be running but- -Forget about it, Harold. There’s no place I’d rather be.” (“Desculpe, Sr. Reese. Eu sei que eu não fui claro sobre o risco que estaria correndo, mas…Esqueça disso, Harold. Não há nenhum outro lugar que gostaria de estar.”) – Finch e Reese

Uma boa e uma má notícia

Vamos começar pela boa primeiro, POI foi renovada para quinta temporada depois de muita apreensão. Agora a má notícia, ao que parece a série terá apenas 13 episódios, podendo indicar que esta poderá ser sua última temporada. Deixo aqui meu protesto.

Obrigado por lerem e comentarem, eu espero vocês voltem neste mesmo local na próxima temporada, abraço forte e até lá.


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