Review | Person of Interest 4×21: “Asylum”

João Paulo

  segunda-feira, 11 de maio de 2015

Review | Person of Interest 4×21: “Asylum”

Agora é guerra! O novo episódio de POI começa a amarrar todas as pontas soltas deixadas durante a temporada focando em suas duas principais narrativas. Segure o fôlego, isto é apenas o começo.

Agora assim, um episódio sem rodeios direto e com muita preparação para o “season finale” que acontecerá em breve nesta próxima semana. “Asylum” estabelece muito bem o que quer em pouco mais de quarenta em cinco minutos projeção, pois depois de deixar claro suas intenções em “Search & Destroy” (4×19) no que diz respeito aos objetivos do “Samaritan” para com a “machine” e dar pequenas dicas de que a guerra entre Elias e Dominic já havia começado no começo de “Terra Incognita” (4×20), o passo seguinte da narrativa foi criar o ambiente perfeito para o que pode ser um dos maiores embates da série até agora.

O episódio é cheio de bons momentos, talvez nada muito genial, mas já mostra que tanto este, quanto o próximo fará um limpa no quis diz respeito a personagens recorrentes e talvez até regulares na série. Eu mencionei que a narrativa segue duas histórias principais que foram desenvolvidas durante a temporada, mas ela também continua um subplot iniciado lá no episódio “Control-Alt-Delete” (4×12) com a personagem Control, que agora está passando a investigar mais a fundo os mistérios que cercam o projeto “Samaritan”. A história se passa em momentos isolados da narrativa e serve como catalisador de outro mistério que provavelmente será revelado mais há fundo no último episódio da temporada, mas voltaremos a falar disto mais tarde na review.

A narrativa começa com Reese recebendo dois números da “machine”, Carl Elias e Dominic Besson, dando a entender que ambos devem se enfrentar em breve. Reese e Fusco ficam bastante ocupados com esta parte da história, sendo que a missão deles era a de encontrar Elias e evitar que ele matasse Dominic e vice-versa. O interessante aqui é que o roteiro já lida com as consequências do episódio anterior, depois da experiência quase morte de Reese sofreu, ele já começa a dar sinais que será uma pessoa diferente, vide a cena em que o personagem tenta ser mais gentil e se importar mais com Fusco, estou curioso para ver mais deste novo John.

O plot com a guerra entre Dominic e Elias não foi tão bem explorado, apesar de esquentar bastante no final do episódio. Quando Reese, Fusco e Elias são capturados por Dominic temos algumas cenas tensas de tortura mostrando que o chefe da Brotherhood não está para brincadeira. A única coisa que destoa do jovem chefão é o fato dele ter sido enganado tão fácil por Elias em determinado momento, fazendo com ele matasse seu próprio braço direito Link, numa jogada esperta do “amigo” de Reese que parece já ter um plano em movimento, esse sim parece o Elias que conhecíamos esses anos todos, uma mente criminosa sempre a frente um passo a frente de seu adversário.

Outro fato interessante desta narrativa é a presença de Harper Rose, mais uma vez retornando a série. Ainda não sei a intenção dos roteiristas em trazê-la de volta tantas vezes, mas aqui fica claro que a “machine” utiliza-se da falta de escrúpulos da personagem para proteger Reese e Fusco caso as coisas não saíssem como planejado. O que me leva a considerar que provavelmente ela será uma das próximas vítimas de Dominic, caso este descubra suas intenções.

Enquanto a guerra entre as gangues estava movimentando o submundo de Nova York, um nível acima as coisas estavam ainda mais caóticas principalmente quando Root recebeu uma ligação de Shaw dizendo que precisava de ajuda. Era certo que os roteiristas já estavam pensando numa jogada assim para armar uma cilada perfeita da Decima na intenção de pegar Root e Finch. Ainda que este ponto da narrativa seja um pouco previsível, o roteiro assinado pelos veteranos Denise Thé e Andy Callahan é esperto o bastante em não enrolar para mostrar as verdadeiras intenções do “Samaritan”.

A tática de usar a conexão privilegiada de Root para tentar chegar até a “machine” era um plano tão eficiente que me surpreende o “Samaritan” não ter usado esta estratégia antes. Aqui em “Asylum” a criação de Finch se recusa a ajudar Root no seu plano de resgatar Shaw, já sabendo que seria armadilha, mas a paixão da hacker não deixaria que a mesma enxergasse além da razão, mesmo com próprio Harold tentando alerta-la, ambos acabaram sendo capturados nas instalações do misterioso asilo, que na verdade era a central da Decima.

Devo dizer que por mais que o plot de Elias e o Dominic tente ter destaque no episódio, a trama do “Samaritan” é a que deixa a história do episódio mais sólida e intrigante, ainda mais depois que Root finalmente consegue sua vingança contra Martine ao quebrar o pescoço dela (na presença de Greer) mesmo presa a uma cama em uma das cenas mais cruas e sensacionais da temporada.

O clímax do episódio foi ainda mais inesperado quando “Samaritan” dá um ultimato a criação de Finch, trazendo uma conversa tensa entre as duas A.I., aliás, a cena em que a “Machine” acessa os equipamentos da sala e começa a conversa com Root e Harold é uma das cenas mais emocionantes desta reta final. É incrível como uma inteligência artificial consegue trazer ainda mais “emoções” para a cena sem ter uma presença física. O modo como ela muda o ponto de vista de Harold, pelo fato de se importar com a vida da equipe ao invés da sua própria, mostra o porque dela ser uma criação tão única, sem falar que distância ainda mais da personalidade calculista e fria do “Samaritan”.

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Não sei vocês, mas fiquei com a impressão de que esta vai ser uma das últimas vezes que a “machine” manifestará desse jeito. É a mesma impressão quando temos quando dão destaque a um personagem e ele está preste a morrer na cena seguinte, eu espero estar enganado afinal ela é um dos motivos de muita gente acompanhar o seriado e sua rica mitologia. Sendo destruída ou não pelo “Samaritan”, algo irá mudar no seriado e isto é um fato.

Os últimos minutos de “Asylum” mostram o porquê de POI conseguir ser uma das séries mais bem planejadas e surpreendentes atualmente, a história de Elias e Dominic ficou em aberto, com primeiro levando certa vantagem psicológica em cima do segundo abalado por ter matado o próprio braço direito. Reese e Fusco continuam inseridos neste contexto sem ter como ajudar Finch e Root, que conseguiram ser libertados graças ao sacrifício da “machine”,  que agora esta preste a ser destruída por Greer e seus empregados uma vez que sua localização não é mais um segredo.

Sem falar que o episódio deixa dois mistérios no ar, primeiro em relação a Shaw, que aparece nos últimos segundos no reflexo de um retrovisor não só para atiçar a curiosidade do público, mas para deixar uma grande incógnita em relação ao seu futuro na série. Pessoalmente acho que matar Sameen seria mais sensato, ainda mais depois que Martine citou que a torturou o bastante para que ela fizesse tudo que a Decima queria. O outro mistério vem do subplot da Control que mencionei bem no comecinho, depois de um interrogatório tenso com Shelly a falsa professora e agente do “Samaritan”, a frase “the day of the correction is coming” (“O dia da correção está vindo”) é um alerta de que o grande plano do antagonista da temporada está chegando e ao que parece promete dar uma grande virada na série mais uma vez.

Desta forma pode-se dizer que “Asylum” é um ótimo episódio para acerta os ponteiros para o que está por vir, todas as narrativas estão em um ponto de ebulição, nos preparando para um “season finale” ainda mais explosivo. O roteiro aqui ganha pontos por saber explorar os pontos fortes das narrativas, além de tirar ótimos momentos de cada uma e ainda nos proporcionar diversos momentos de ação, humor simples e muito mistério no ar, ainda que alguns momentos não cheguem a surpreender, sua última parte deixa um gostinho de quero mais.

As grandes perguntas que ficam agora são se Reese e Fusco conseguiram parar a guerra entre Elias e Dominic, e pior será que os dois ainda chegaram a tempo de ajudar Root e Finch a salvar a “machine” de seu possível destino trágico? Essas e outros questionamentos consumiram os espectadores até terça a noite, então prepare o lenço, porque o último episódio promete ser ainda melhor que este e que tem tudo para ser o melhor da temporada até agora.

Observações de Interesse

  • Asylum: A palavra que dá nome ao episódio é também o covil da Decima e lar do “Samaritan”. Acredito que seja até uma piada interna dos roteiristas ao esconder uma das maiores inteligências artificiais existentes dentro de manicômio cheio de loucos, afinal quem iria suspeitar de algo acontecendo no interior do asilo.
  • Team Machine, Control e agentes do lado relevante: Por mais que as narrativas do “team machine” e da Control não tenham se cruzado, fica claro ao terminar o episódio que essas duas forças devem se juntar em breve como uma última resistência para tentar parar a Decima e “Samaritan” de destruíram a “machine”.
  • A Vingança de Elias: Finalmente Carl conseguiu vingar seu amigo Scarface (deve estar rindo neste momento), fazendo Dominic provar do seu próprio remédio ao matar seu próprio braço direito.
  • Primeiras baixas: Neste episódio tivemos duas mortes, mas do lado inimigo da força com Martine (R.I.P. – um minuto de silêncio alegria) indo para vala anunciando a primeira baixa da Decima (senão não me engano foi a primeira grande baixa da organização nesta temporada) e a primeira grande baixa da Brotherhood com a morte de Link (R.I.P).
  • Momento Root: Falando em morte, essa cena tem um gosto de satisfação elevado a mil.

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  • Curiosidade 1: Aqueles tubos usados por Elias para enviar mensagens aos seus aliados, são chamados tubos pneumáticos, que utilizam ar comprimido para impulsionar os tubos que viajam a grandes distâncias dentro de grandes tubulações através de prédios para levar alguma carta ou mensagem. Esta foi muito utilizada no século passado em Nova York principalmente.
  • Curiosidade 2: A foto que estampa o começo da review, trás a “machine” mais uma vez utilizando-se de sua simulação para enxerga alguma probabilidade de Finch e Root escaparem, como está claro na imagem, as probabilidades são mínimas. Incrível como os quatro episódios da quadrilogia “The Cold War” do meio da temporada ecoam forte neste episódio.
  • Correction: Um dos pontos altos do episódio foi a cena da conversa entre Control e Shelly, a falsa professora que trabalha para Samaritan. Ela cita que a correção está vindo, e já podemos especular que deve ser algo grande, segundo a agente, “Samaritan” planeja criar um novo mundo onde apenas poucos privilegiados podem habitá-lo. Só de pensar no que pode ser já me dá calafrios.
  • Shelly: Não há dúvidas que atriz Erin Dilly (Boardwalk Empire) fez um ótimo trabalho na cena do interrogatório, mas sua presença na Casa Branca me intriga pelo fato de que o avatar do “Samaritan” também já havia aparecido lá nesta temporada (lembra do pequeno Gabriel em “Control-Alt-Delete”?), algo me diz que o presidente estará em perigo nesta season finale.
  • Dominic e a “machine”: Uma pessoa esperta como Dominic já percebeu que tem algo estranho no jeito que Reese, Fusco e restante do “team machine” age, desta forma é curioso perceber que ele está próximo de descobrir a verdade sobre a “machine”, resta saber se este plot em que ele se encontra irá colidir com plot em movimento do “Samaritan”, mais uma questão em aberto para “season finale”.
  • Shaw: Saudades da nossa Sameen, quando ela apareceu nesta cena, meu deu impressão de que a personagem está de alguma forma mudada.

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Melhores frases do episódio, top 5:

  • “I go by many names, all derived from species of birds.” (“Eu sou chamado por vários nomes, todos derivados de espécies de pássaros”) – Finch para o médico do asilo.
  • “You are wrong Harold. You are not interchangeable. I failed to save Sameen. I will not fail you now.” (“Você está errado Harold. Vocês não são substituiveis. Eu falhei em salvar Sameen. Eu não falharei com você agora.”) – The Machine para Harold (sério, escorreu uma lágrima aqui)
  • “Do you ever lie awake a night thinking one day it would one day see you as a threat, or worse, irrelevant?” (“Você sempre fica até tarde da noite pensando que um dia ele o enxergará como uma ameaça, ou pior, irrelevante?) – Greer para Finch sobre Samaritan
  • “Whoops! Now I surrender.” (“Oops! Now I surrender.”) – Elias para Dominic
  • “Go home to your loved ones. Hold your daughter tight, because a new day is dawning. And those who impede progress, the disruptive, the aberrant will be systematically purged from our society. There will be no mercy, no stay of execution. For some, this will be the end. But for others, a rebirth, a second chance to live the life they were designed for. Every life given a purpose. Samaritan will build a new world. A better world.” (“Vá para casa para seus entes queridos. Segure sua filha apertado, porque um novo dia está amanhecendo. E aqueles que impedem o progresso, o perturbador, a aberrante será sistematicamente expurgadas da nossa sociedade. Não haverá misericórdia, nenhuma suspensão da execução. Para alguns, isso será o fim. Mas, para outros, um renascimento, uma segunda chance de viver a vida para que eles foram projetados. Toda vida é dado um propósito. Samaritan vai construir um novo mundo. um mundo melhor. “)

Fique agora com a promo do último episódio da temporada e prepare-se:


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