Review | Person of Interest 4×20: “Terra Incognita”

João Paulo

  segunda-feira, 20 de abril de 2015

Review | Person of Interest 4×20: “Terra Incognita”

Em um episódio contemplativo e marcante, POI apresenta uma das narrativas mais profundamente nostálgicas de sua história.

No episódio anterior, Reese enfatizou em uma conversa com Finch, que ele não estaria sempre ali para protegê-lo, em resposta, seu amigo disse que quando este dia chegasse todos eles estariam perdidos. Talvez tenha sido só preocupação de um amigo em relação a outro, ou talvez fosse um sinal do que estaria por vir neste magnífico novo episódio de Person of Interest. “Terra Incognita” pode ser descrita como imersão completa do público na história (e mente) de John Reese, como também pode ser descrita como o fechamento definitivo da jornada de Jocelyn Carter na série.

O episódio começa de forma bem fria e logo de cara já percebemos que se trata de uma trama diferente, não só pela fotografia pesada, ou pela trilha sonora contida e que remete bastante às duas primeiras temporadas da série, mas pela direção exemplar de Alrich Riley e o roteiro certeiro assinado pela duplinha veterana na série Erik Mountain (escreveu episódios como “Panoption” (4×01) e “Many Happy Returns” (1×21), só para citar alguns) e Melissa Scrivner-Love (“Most Likely To…” (2×19) e “Nautilus” (4×02)).

Com tantas qualidades e pessoas envolvidas na concepção do episódio, estava claro que estaríamos diante de algo especial, único e porque não, inesquecível. Esta narrativa se consolida pelo simples fato de saber construir bem aquilo que quer contar, desta forma temos aqui um caso da semana que serve como motivo para retorno de uma personagem em especial e ainda proporciona um grande momento de mudança para o personagem de John Reese.

Confesso que apenas as promos foram intrigantes o bastante para me deixar entusiasmado com o episódio, ainda mais com as chamadas ressaltando o retorno da detetive Carter a série, um ano depois de seu fim trágico no derradeiro e excelente arco da H.R. . A única questão que ficou no ar era como a personagem iria aparecer no episódio, através de flashback, numa breve cena ou seria em algo mais. A resposta a estas perguntas podem ser confirmadas com um grande “SIM”, não só a atriz Taraji P. Henson retornou a POI, como também tivemos um episódio que realmente explora bastante a personagem e seu relacionamento com Reese.

Tudo começa de forma muito calma e paciente, com Reese, Finch e Fusco trabalhando num caso de homicídio que envolve alguns bandidos mortos que tinham ligação com Dominic, sugerindo que a guerra entre Elias e o líder da Brotherhood já começou nas entrelinhas e pode crescer ainda mais em breve (provavelmente nos dois últimos episódios da temporada). Neste momento a história toma um novo rumo quando Finch recebe o número do POI, Chase Patterson, um jovem que foi acusado de matar a própria família em um misterioso e sangrento caso que coincidentemente era um que a detetive Carter não conseguira solucionar no passado.

O lado bom de “Terra Incognita” é esta capacidade narrativa de trazer surpresas nos pequenos detalhes, aqueles que só serão percebidos pelos fãs e expectadores que acompanharam a série durante todos esses anos. Ao mesmo tempo em que passamos por referências que passam por episódios marcantes (como “Many Happy Returns” (1×21)), o roteiro faz questão de não definir ao certo em que período os flashbacks se passam, aqui é possível perceber duas palhetas diferentes no flashback em que Reese e Carter estão conversando dentro do carro e os flashbacks da detetive e seu parceiro corrupto da H.R., o detetive Terney investigando o caso no passado.

Como citei o episódio é bastante diferente do habitual, se passa pelo ponto de vista da “machine”, mas temos poucas animações mostrando ela vasculhando dados, marcando vítimas e vilões, e outras interações que ela normalmente faz durante as cenas, tudo estratégia dos roteiristas para esconder as revelações do terceiro ato. No contexto funciona muito bem, e no final constatamos que o episódio se passa mais pelo ponto de vista do Reese do que pelos olhos da criação de Finch, tanto que podemos destacar aquela cena em que Reese sai do radar da “machine” numa zona em que ela não tem acesso, fora dos limites de Nova York, fazendo a transição perfeita de ponto de vista entre ambos e ainda trazendo mais mistérios para história.

O enredo explora bastante Reese e sua jornada de lobo solitário, desde o momento em que ele descobre que o caso de Patterson pertencia a Carter, ele fez questão de impor a si mesmo que aquilo seria um espécie honra a memória da detetive. Desta forma Finch, Fusco e Root continuam trabalhando no caso já mencionado, tendo pouco tempo de tela, tornando a narrativa totalmente focada na investigação de John e sua relação com Carter, resolvendo assuntos inacabados, conversando através de longos e profundos diálogos, trazendo o melhor e o pior de Reese colocando o personagem para repensar os momentos mais importantes de sua vida e como decisões equivocadas que levaram até aquele lugar.

Devo dizer que a interpretação de Jim Caviezel estava na medida, engrandecida ainda mais pela presença de Taraji P Henson dividindo suas cenas. Ambos juntos foi como se fosse uma aula de atuação, as cenas do carro foram tocantes, nostálgicas e trouxeram seus personagens para um novo patamar em nível de emoção. O mais interessante disso tudo é que o roteiro acerta em deixar o caso em segundo plano e priorizar um Reese como uma figura frágil agindo pela emoção e lembranças da parceira, fazendo o mesmo se arriscar, não perdi ajuda e acabar caindo na mão do vilão do episódio. A descoberta de que o filho bastardo que tinha orquestrado tudo para parecer que o irmão tinha cometido todos os assassinados foi bastante coerente e até certo ponto surpreendente.

O que nos leva ao clímax, assim chegamos também ao ápice reflexivo da narrativa que revelação do flashback que se passa no carro na verdade era em sua boa parte uma espécie de alucinação de Reese que se encontrava entre a vida e a morte. O jeito com que tudo é revelado ao público torna tudo mais assustador, triste e é claro feito de detalhes (como eu disse no começo da review), como a foto que tinha John e Jessica que Carter tinha em sua posse e nunca conseguiu entregar, ou a despedida que Reese idealizou se abrindo com a amiga, mas que nunca ocorreu.

Talvez soubéssemos que Reese seria resgatado em algum ponto daquele entrave, mas o fato que encarar a morte desta teve um peso diferente. Principalmente pelo efeito que Carter causou em sua mente, talvez este seja o momento divisor de água para aquele John que conhecíamos culpado por não conseguir salvar Jessica e assumir seu amor por ela, ou aquele que se sentiu falho ao não conseguir proteger sua melhor amiga, aquele que não deixa ninguém se aproximar, e principalmente aquele John solitário, afundado em suas próprias mágoas, talvez esta figura comece a dar o lugar a um novo Reese, mais amigo, mais protetor e principalmente pronto para encontrar alguém, e este alguém talvez seja Iris.

Esta transição vinha acontecendo desde o começo temporada e agora mais ainda depois daquela última cena no episódio “Skip” (4×18) e que agora se consolida aqui. Desta forma “Terra Incognita” trata sobre isolamento, perdão e redenção de forma exemplar, muito bem dirigido, muito bem escrito (episódios assim você encontra normalmente em canais pagos de séries consagradas), e principalmente muito bem atuado, trazendo uma personagem marcante como foi Joss Carter de volta de uma forma tão eficiente e crucial, ajudando a completar a jornada auto reflexão de Reese. O episódio acerta todas as notas no que diz respeito a apelo emocional, é impossível não deixar escorrer uma lágrima, ou a menos ficar com os olhos marejados nas últimas cenas entre Carter e Reese.

Aqui se fecha um ciclo, talvez Carter nunca mais retorne à série, agora que sua jornada foi completada de maneira tão excepcional em um dos melhores episódios da temporada. Person of Interest, pode até ter desviado um pouco de seu foco (Samaritan nem foi mencionado aqui), talvez este capítulo não pareça fazer diferença na série (acredite fará diferença), mas a verdade é que esta narrativa ainda vai ecoar no seriado e nas atitudes de Reese até o final de sua jornada. “Terra Incognita” é a aquela parada estratégica, talvez tenha a mesma função do episódio “In Extremis” (2×20), que mergulhou na jornada de um personagem, antes de explodir cabeça dos dois episódios seguintes. POI está chegando ao final de sua temporada da maneira mais sólida possível, pode esperar que após esta “calmaria” a tempestade deve atingir a série em breve, espero tenhamos estruturas para suportá-la, ainda mais depois desta jornada nostálgica e cheia de emoções que foi este episódio.

Observações de Interesse:

Terra Incognita: o nome que parece uma expressão em português tem sua origem no Latim e significa terra desconhecida, inexplorada ou não descoberta. A palavra também possui um significado metafórico para uma nova experiência ou jornada ao desconhecido.

Hipotermia: A condição severa de frio que Reese se encontrava é quando o corpo começa a parar de funcionar devido à exposição ao frio e a perda de calor. O coração começou a bater mais devagar, consequentemente sua circulação sanguínea diminui reduzindo o sangramento no local do tiro que sofreu. Como consequência da redução da temperatura, a mente começa a ficar confusa levando a alucinações. No próximo passo e devido a falta de calor os órgãos começam a falhar.

Trilha Sonora (curiosidade): “Happy New Year” cantada por Nat King Cole nas cenas finais entre Carter e Reese, foi selecionada pelo próprio Jim Caviezel.

Flashback (1×21 – “Many Happy Returns”): Aquele momento em Carter que Reese já foi uma pessoa feliz.

Root em Noiva em Fuga: Uma imagem vale mais que mil palavras. Hilária foi também a reação do Finch a situação.

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Melhores frases do episódio, top 3 (Especial Reese e Carter):

“Being missed means you meant something to people while you were here” – Carter para Reese

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“Ser lembrado significa que você significou alguma coisa para pessoas enquanto você estava por aqui”

“I’ve missed you” – Reese para Carter

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“Eu tenho senti sua falta”

“I wanna to talk to you about her, I just wished we have more time.” (“Eu queria conversa com você sobre ela, eu apenas desejei que tivesse mais tempo.”) – Reese para Carter

– Próximo episódio vai ar dia 28 de abril e o season finale acontecerá no dia 5 de maio. Até breve então.


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