Review | Person of Interest 4×18: “Skip”

João Paulo

  quinta-feira, 02 de abril de 2015

Review | Person of Interest 4×18: “Skip”

Em um episódio tremendamente dinâmico e divertido, POI volta as suas tramas habituais explorando duas narrativas excelentes e com desfechos inesperados.

Já dizia o ditado, quem espera sempre alcança. No episódio anterior eu manifestei que a série estava num caminho certo para voltar ao ritmo alucinante da primeira metade da temporada, mas estava faltando algo e posso dizer que este novo episódio “Skip” trás todos os elementos que apreciamos em POI, com direito a ótimos ganchos e cenas de ação para deixar o coração de qualquer fã da série feliz e muita cena emocionante em sua maioria entregue pelos momentos entre Root e Finch.

Como citei no subtítulo, talvez este seja um dos episódios mais dinâmicos da temporada, a maior parte da história funcionou muito bem, com duas tramas envolventes dividindo a ação em duas narrativas muito bem desenvolvidas trazendo Reese e a caçadora de recompensas Frankie Wells de um lado, enquanto do outro Finch volta a entrar em contato com Elizabeth Bridges e assim colocar um plano que poderia derrubar “Samaritan” de uma vez por todas.

Comecemos então pela trama do caso da semana, que ao contrário da trama do episódio anterior, não trata apenas de uma temática, sendo inicialmente mais parecida com o que estamos acostumados a assistir. O grande diferencial neste plot é exatamente a POI da semana Frankie Wells, interpretada pela bela Katheryn Winnick (Vikings). A série esta numa vibe para achar a nova Shaw desde o episódio “Q&A” (4×15), não sei se era algo intencional dos roteiristas, mas POI’s como Anna Mueller, Dani Silva e até Harper Rose (retornou a série neste episódio) todas tinham características em particular que dariam uma boa adição ao “team machine”, mas ainda assim nenhuma apresentava um carisma e humor que Sameen tinha, é ai que Wells entra, ela é o mais próximo que do que seria uma substituta à altura da amada de Root.

É incrível como a narrativa que envolve Frankie só funciona por causa da química excelente entre Winnick e Jim Caviezel, uma dupla que funciona muito bem tanto nas cenas de ação, como nas cenas de humor ou demonstrando alguma sensualidade. Toda a trama dela como caçadora de recompensas correndo atrás de um mafioso em busca de vingança pelo irmão morto chega a ser interessante por alguns momentos, mas tem um desenvolvimento bem confuso em seu desfecho que enfraquece um pouco a história, mas como eu disse ainda assim a personagem faz com este enredo funcione.

O roteiro assinado por Ashley Gable é cheio de humor e consegue trazer ótimos momentos para esta parte da narrativa, tanto que o retorno de Harper Rose (a POI do episódio “Blunt” (4×16)) a série deixa uma impressão bem melhor do que sua primeira participação. A verdade é que o episódio também pode ser chamado de “John e suas garotas”, brincadeiras a parte, além de se envolver com Frankie e Harper, Reese também tem que lidar com sua crescente relação com Iris Campbell, que neste episódio chega a seu momento decisivo.

Alguns andam dizendo que os dois personagens não tem muita química, mas a meu ver é exatamente ao contrário. Reese é uma pessoa fechada e que guarda muito os sentimentos para si, até mesmo o “man in the suit” com todos seus problemas não pode superá-los sozinho. Iris foi uma grande ajuda para o personagem nesta temporada principalmente de forma superar o luto pelas recentes perdas. A crescente química entre os dois personagens se deu através do humor e do drama equilibrado da maneira certa em diversos episódios durante esta quarta temporada, aqui em “Skip” chegamos ao ápice desta relação que mesmo construída através clichês no subplot deste episódio, trouxe exatamente o que se esperava para definir o momento mais importante da relação entre Reese e Iris. Aquele beijo, primeiro por iniciativa dela e depois a consenso dele, foi o momento mais feliz (arrisco a dizer) do personagem desde as cenas dele com Jessica no piloto da série.

Se as coisas esquentaram de um lado da narrativa, a outra parte não deixou nada a desejar mais uma vez explorando a complexa relação de amizade entre Finch e Root. Adorei retornarem ao arco de Hong Kong e ao plano de Harold em relação à matemática Elizabeth Bridges iniciado no episódio “Pretenders” (4×06) coincidentemente escrito por Ashley Gable, que aqui em neste episódio tem a chance de fechar a narrativa com desfecho um tanto quão dramático.

O reencontro de Harold e Bridges trouxe mais uma vez uma deliciosa química entre a dupla, a essa altura o clima de romance estava no ar mesmo Finch tendo a intenção de executar seu plano. Quando Elizabeth revela que finalizou o algoritmo de previsão que estava desenvolvendo para uma empresa privada, Harold chegou à conclusão que era hora de agir para tentar destruir o “Samaritan”.

Incrível como a narrativa funciona muito bem mesmo sem presença de Greer e companhia, mas só com a ideia e a possibilidade de derrubar estes antagonistas torna a trama 100% mais interessante. Quando o nome de Bridges aparece como a segunda POI do episódio, Root entra na trama para ajudar Finch a proteger sua amada. O roteiro aqui é esperto o bastante ao conseguir esconder algumas boas reviravoltas até Harold entender quem estava realmente atrás de sua “amiga” de “profissão”.

A amizade de Finch e Root é algo que se tornou um dos pontos mais fortes da mitologia de Person of Interest, o que antes começou como antagonismo, se tornou uma cumplicidade inabalável, até agora. A revelação de que a hacker na verdade era quem causaria a morte de Elizabeth pode não ter sido surpreendente, mas trouxe uma forte carga dramática ao episódio.

Devo admitir que o plano de Finch e tentar instalar um “Trojan Horse” no laptop onde estava o algoritmo desenvolvido por Bridges de forma infectar o “Samaritan” foi brilhante, mas também bastante vulnerável ao correr o risco de ser descoberto por Greer e a própria máquina dele, deixando assim exatamente a incógnita que levou Root a tomar as decisões que tomou. O desfecho com Finch tomando o veneno que iria matar Bridges foi previsível, mas a atuação de Michael Emerson e a atuação de Amy Acker foram tão convincentes que superam as obviedades do roteiro.

Ao meu ver Root tomou a decisão certa, mas não há dúvidas que fica aquela dúvida, e se o plano funcionasse e se essa fosse a melhor oportunidade de derrubar o “Samaritan” de uma vez por todas, mas arriscar a vida de Harold, seria uma perda muito grande, mesmo a própria “machine” não concordando com a atitude da hacker. O mais importante aqui é que mesmo Finch compreendendo as atitudes de Root, as ações dela não só frustraram seus planos como também colocaram um fim em seu relacionamento com Beth Bridges.

O episódio deixa pequenas pontas soltas, mas sem um grande gancho para incendiar a reta final da temporada como se espera de uma série faltando apenas quatro episódios para o fim. Ainda assim posso dizer que “Skip” trouxe POI de volta aos eixos finalmente, apresentando uma trama dinâmica, bem humorada, que também sabe dosar boas revelações e um pouco de dramaticidade. A adição de Frankie Wells a série foi mais do que benéfica, desde já estou torcendo por um possível retorno da personagem em episódios futuros. A narrativa principal com “Samaritan” ainda não foi explorada afundo aqui, mas saber que Finch estava trabalhando numa forma de detê-lo mostra que esta parte da trama deve voltar com força total nos próximos episódios.

Sendo assim pode-se dizer que o episódio foi excelente, com duas narrativas bem equilibradas, roteiro esperto e eficiente, direção afiada de Helen Slater (que dirigiu o ótimo “Mors Praematura” (3×06)) e muito desenvolvimento de personagem em relação à Reese, Finch e Root. “Skip” basicamente trás tudo que nós fãs apreciamos em POI e até um pouco mais, com boas reviravoltas perto do final em relação ao Reese e Iris, além de chacoalhar bastante a amizade entre Root e Finch, que talvez signifique o prelúdio de uma tempestade que chegará em breve a série.

 Observações de Interesse:

– Skip: o significado literal da palavra é “saltar”, mas em outro contexto ela significa “desviar”, no caso do episódio Reese convenceu Frankie a “sair” do caminho da vingança, assim como Root fez Harold desviar de seus planos em relação a Elizabeth Bridges.

Fusco: O detetive apareceu pouco no episódio, mas ao que parece se divertiu bastante com Frankie na delegacia.

poi 4x18

– “Machine” recrutando?: A última cena com Reese descobriu-se que a “machine” entrou em conta com a Harper através de mensagens encriptadas e utilizando seu nome falso “Ernest Thornhill”, aquele mesmo do episódio “Zero Day” (2×21). O que isso pode significar? A “machine” está procurando possíveis aliados para luta com “Samaritan” talvez? É bom lembrar que esta não é a primeira vez que a “machine” recruta aliados, vocês se lembram dos “necessários” na terceira temporada.

Algoritmo de Previsão: A ferramenta de análise desenvolvida por Beth Bridges tinha como função calcular a probabilidade de algo acontecer ou não. No caso deste algoritmo, ele poderia ser usado em diversas aplicações, seja para definir uma decisão admissões na faculdade até créditos de admissões, vendas e marketing, sendo assim ele poderia prever qual produto o consumidor provavelmente iria comprar baseado em compras passadas.

Momento Reese (e Frankie): Esse dois juntos é um achado, principalmente nesta cena antológica dos dois batendo em capangas algemados um ao outro.

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Reese safadão: Aquele momento em que você deseja estar no lugar do John que teve a oportunidade de beijar duas belas mulheres. Go Reese Go.

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Trojan Horse: O cavalo de Tróia que Finch havia preparado “Samaritan” foi destruído por Root, mas será verdade, será que a hacker não poderia ter guardado para usá-lo depois? Fica ai a dúvida.

Melhores frases do episódio, top 4:

                – “I’m pretty good in keep secrets” (“Eu sou muito bom em guardar segredos.”) – Reese para Iris

“Ok, if we’re not friends anymore, you being alive is enough.” (“Ok, se nós não formos mais amigos, você estar vivo já é o bastante.”) – Root para Harold.

“I don’t wanna see you for awhile” (“Eu não quero vê-la por algum tempo”) – Harold para Root

                “It was a brilliant plan Harold, the Trojan Horse, but it would’ve gotten professor Whistler killed.” (“É um plano brilhante Harold, o cavalo de tróia, mas teria levado o professor Whistler a morte.”) – Root para Harold

No próximo episódio, teremos o retorno à trama do “Samaritan” em força máxima, veja a promo. Até semana que vem.


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