Review | Person of Interest 4×17: “Karma”

João Paulo

  segunda-feira, 23 de março de 2015

Review | Person of Interest 4×17: “Karma”

Até onde você iria para superar um luto? O novo episódio da série abre esta pergunta trazendo diversos questionamentos importantes para o “team machine” em um dos melhores casos da semana da temporada.

poi 4x17 karma

O que se pode dizer de um episódio como “Karma”, talvez ainda não seja aquela trama ideal que almejamos ver em POI, mas ao menos já começa a dar sinais de que estão melhorando a narrativa aos poucos. No episódio anterior eu reclamei que faltava alguma coisa mais empolgante para começarem a moldar a reta final desta quarta temporada, esse detalhe ainda não veio, mas ao optarem por inserir flashbacks na trama de novo, proporcionou a volta de uma qualidade dramática que não víamos desde o episódio “M.I.A.” (4×13).

O episódio ainda segue o modelo caso da semana, mas infelizmente sem nenhum desenvolvimento em paralelo com a trama principal (Samaritan) ou a subtrama principal (Brotherhood), talvez seja o que mais incomode neste plot. Ainda assim, devo dizer que seguramente esse é um dos melhores casos da semana da temporada, exatamente por conseguir trazer um assunto relevante à tona, proporcionando todos envolvidos mostrar como cada um lida com o luto.

A trama que desencadeia todo este questionamento de como lidamos com luto que se dá através do POI e psicólogo Shane Edwards, que é especialista exatamente tratar de pacientes que tem problemas em lidar com a perda e seguir em frente. Mais tarde descobrimos que Edwards tem seus próprios problemas pessoais para lidar com o luto, desta forma o personagem atua como uma espécie vigilante, forjando armadilhas para aquelas pessoas que causaram sofrimentos irreparáveis a outras pessoas, neste caso alguns de seus próprios pacientes, que sofreram algum tipo de sofrimento.

Sua atitude pode até ser considerada nobre, afinal ele praticamente é uma versão diferente do Reese se olharmos com mais cuidado. O problema é que em seu último esquema de incriminar uma pessoa de um crime que ela não cometeu, tinha relação à pessoa que aparentemente causou a morte de sua falecida esposa, fazendo Reese e Finch entrarem em cena para evitar que o psicólogo cometa o erro de vingar e se tornar vítima ao tentar realizar esta missão.

O roteiro assinado pela dupla novata na série Hillary Benefiel & Sabir Pirzada, consegue desenvolver bem o impacto desta história na vida de Reese e Finch. John, por exemplo, fica dividido por diversos momentos, questionando a si mesmo e seu chefe se realmente valeria a pena deixar um possível assassino sem punição ao tentarem impedir que Edwards executa-se seu plano. Desta forma a psicóloga doutora Iris Campbell retorna novamente ao contexto da série não só para acompanhar Reese e Fusco em uma festa, mas para fazer com que nosso “man in the suit” comece a lidar com luto de uma forma mais aberta, mais uma vez devo ressaltar o quanto estou gostando da dinâmica entre os dois.

Por outro lado temos Finch que no presente se mostra pacífico e correto ao lidar de forma tão madura a questão, lembrando sempre a Reese e Fusco, que a vingança nunca é a saída, vale destacar aqui outro ótimo desempenho de Michael Emerson. O personagem é a principal âncora moral do episódio, ainda mais que o flashback focado em sua pessoa, trás um Harold versão 2010, frágil, movido pelo ódio tendo que lidar com luto após a morte do amigo Nathan Ingram. Basicamente temos aqui a continuação dos eventos dos flashbacks de “Zero Day” (2×21), “God Mode” (2×22) e brevemente em “The Devil Share” (3×10), com Finch ainda na cadeira de roda e armando um plano para assassinar Alicia Corwin, pessoa que ele acredita que seja um dos responsáveis pela morte de seu amigo.

Talvez a melhor parte do plot seja as cenas de Finch no passado, tanto por ter grande relevância em suas relações no presente e sua tentativa de parar Edwards, quanto pelo fato termos aqui mais uma parte da “timeline” se fechando, afinal, Harold acaba desistindo da ideia de matar Corwin nos últimos minutos (a cena em que a “machine” o marca como ameaça é empolgante), seguindo um caminho diferente para curar sua dor, o mesmo não se pode dizer de Alicia, que provavelmente sairia da agência depois daquele fatídico dia e se tornaria reclusa e obcecada em descobrir quem era misterioso amigo de Ingram, levando a sua morte nos últimos episódios da primeira temporada.

É por estas e outras que não dá para perder a fé em Person of Interest, a série é interessante por natureza e por mais que esteja sofrendo com a ausência de Shaw e com uma breve quebra de ritmo, os roteiristas fazem questão de nos mostrar que com episódios como “Karma” a série sabe executar muito bem aquele entretenimento de primeira que estamos acostumados.

O clímax do episódio não traz nada muito surpreendente, mas curiosamente deixa a questão sobre o assassino da mulher de Edwards em aberto, deixando o público e o “team machine” sem saber realmente se ele era realmente culpado ou não, a única que sabia realmente a verdade é a “machine”, tanto que ela passa a monitorar o cara a partir daquele momento, algo novo para criação de Finch que normalmente não coloca vítimas comuns sobre monitoramento. Lembrando que Person of Interest já fez episódios assim, você deve se lembrar de “Cura Te Ipsum” (1×04) ou “Reasonable Doubt” (3×04), episódios controversos que colocam o público para fazer os questionamentos e julgar a índoles dos POIs.

Sendo assim podemos dizer que “Karma” é um ótimo episódio, por saber tratar sua temática sabiamente de forma desenvolver bastante os personagens, talvez apenas Fusco tenha sido um pouco negligenciado aqui, ele mostrou uma fúria em relação ao caso que soou um pouco exagerada para o personagem, afinal Lionel já passou da fase corrupta, então é estranho ele concorda com as atitudes de Shane Edwards. Tirando este detalhe o episódio foi correto, redondinho e bem dirigido pelo sempre ótimo Chris Fisher, talvez falte um pouco de ação, mas POI sabe trocar a pancadaria por bons diálogos e aqui não foi diferente.

Enfim o episódio cumpre sua função e consegue mostrar que para superar uma perda não se pode agir impulsivamente ou usar a vingança para ajudar a superar o luto, Finch compreendeu isso no passado e passou isto para Reese e Shane Edwards no presente. John parece ter sido realmente tocado pela situação, talvez isto leve o personagem a superar a antiga perda do passado e as recentes perdas no presente. POI começa a chegar em seu momento derradeiro e já estouramos a cota de fillers por temporada, por mais que eu tenha gostado de “Karma”, estou ansioso para descobrir qual é o próximo movimento do “Samaritan” e o que os roteiristas estão nos preparando para a reta final. Restam cinco episódios para fim da temporada e espero que façam a lição de casa e a série consiga retornar ao status eletrizante dos treze primeiros episódios.

Observações de Interesse:

Karma: é um principio originado da religião asiática de que ações passadas podem influenciar a vida futura. Karma nada mais é do que a crença do que recebemos aquilo que nos é merecido como resultado das ações que fizemos no passado.

Root: Eu esperava que a personagem ficasse mais presente na série com a ausência da Shaw, mas ao que parece os roteiristas vão continuar usando a personagem em pequenas doses.

Reese e Iris: Foi engraçado Reese pedindo um favor para Iris, pensei que realmente ia rolar um encontro com dois, mas quem sabe nos próximos episódios.

Momento Reese: Não tivemos essa semana, mas deixo meu protesto porque estou sentindo falta do Reese descendo a porrada em figurantes alheios.

– O próximo episódio promete trazer outra personagem interessante para a vida de Reese e Finch. Veja a promo.


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