Review | Person of Interest 4×13: “M.I.A.”

João Paulo

  quarta-feira, 11 de fevereiro de 2015

Review | Person of Interest 4×13: “M.I.A.”

O verdadeiro final da trilogia “The Cold War”, também é o episódio que fecha definitivamente o arco envolvendo o desaparecimento de Sameen Shaw.

poi 4x13

Agora assim, podemos dizer que encerrarão o arco de “The Cold War” de uma forma mais correta. A trilogia na verdade é uma quadrilogia se pensarmos a fundo, sendo que “M.I.A” chega para  expor mais um experimento sinistro do Samaritan para com a humanidade e ainda trazer as repostas que todos estávamos esperando sobre o destino de Shaw, será que a personagem está morta ou não? Como será o futuro da série daqui para frente? Todas essas repostas vieram de uma só vez no fechamento deste épico arco de episódios.

Devo dizer que o episódio demora um pouco para empolgar, como anterior, as coisas ficam mais interessantes da metade para o final, e que final, mas antes de chegarmos lá vamos analisar por parte. Eu sempre tive curiosidade de ver Reese trabalhando mais com Root, algo que começamos a presenciar no episódio anterior e que é mais bem explorado aqui. É fato que o sumiço de Shaw criou esta dupla improvável, antes inimigos durante a segunda temporada e que acabaram se tornando aliados durante a terceira temporada, e finalmente parceiros de vingança.

Reese continua mais calado, pensativo e ainda machucado pelos recentes eventos, ele é a única pessoa capaz de controlar a fúria de Root neste momento, talvez ele até compartilhe das ideias de Finch, que não acreditava que Shaw poderia estar viva, mas escolhe apoiar toda essa ideia de vingança no intuito de manter as esperanças de não perder mais um membro da equipe.

Por outro lado, Root é um caldeirão de emoções ambulante, uma panela de pressão preste a entrar em ebulição, que como eu disse só pode ser contida por causa do “man in the suit”. Depois que Finch consegue as coordenadas do caminhão que pode ter levado Shaw, a jornada de John e Root os leva a pequena cidade de Maple nos arredores de Nova York. O episódio “M.I.A” toma a decisão correta de não só explorar esta parte da vingança, mas também começar a trazer as coisas para seu estado normal como os casos da semana, com Finch recebendo um novo número e designando Fusco para a tarefa de proteger mais uma “vítima”.

O caso da semana com o POI Albert Weiss foi interessante por causa da presença de Lionel e o retorno da bela detetive Dani Silva a POI do episódio “Point of Origin” (4×08), que aqui teve mais desenvolvimento e participação crucial na resolução do caso. Silva e Lionel travaram vários diálogos e cresceram com a presença um do outro, participaram de várias boas cenas de ação e devo dizer que gosto ainda mais da personagem depois deste episódio, ela com certeza será uma daquelas participações especiais que todo mundo gostará de ver retornando mais vezes para série.

Enquanto este subplot se resolvia de um lado com Fusco e Dani, mesmo com algumas complicações, o fato do POI ser o criminoso, ou melhor, dizendo um assassino profissional trouxe bastante suspense e emoção ao caso, do outro lado da narrativa as coisas ficavam ainda mais tensas à medida que Reese e Root descobriam mais pistas sobre o paradeiro de Shaw. Como citei anteriormente, o que segurava à fúria de Root era a passividade de Reese, mas nem o “man in the suit” conseguiu segurar ela por muito tempo, o que ficou evidente na cena na delegacia com ela derrubando um delegado tarado, ou ameaçando um doutor que poderia ter realizado a cirurgia de sua amada, ou na tensa cena em que ela perfura a mão da dona de uma fábrica da cidade para obter informações, algo que lembra a velha Root louca e vilanesca.

O fato é que esta busca dos dois não resultou em muitas descobertas, a não ser a revelação de mais um dos experimentos do Samaritan. Eu mencionei no episódio anterior que esta máquina assusta por ser implacável e nada escapar seus olhos, mas utilizar a cidade de Maple como um laboratório pessoal para estudar o comportamento humano instalando neles aparelhos eletrônicos em seus cérebros como forma estudar suas funções cerebrais é sinistro e algo ainda mais assustador sem pensarmos como seria isto no mundo em que vivemos caso uma IA dessas realmente existisse.

Se o episódio anterior, teve em parte a função de manter a esperança sobre destino de Shaw, aqui em “M.I.A.” a lição é a de seguir em frente e não se deixa entregar a insanidade. Reese e Root chegaram ao fim do túnel, mas não foi exatamente Shaw que encontraram lá, mesmo tendo diversos indícios que apontavam para ex-agente, a verdade é que apenas descobriram os planos do Samaritan de controlar a cidade como já havia sido mencionado anteriormente, tornando tudo ainda mais frustrante e decepcionante, principalmente para Root.

Desta forma pode-se dizer que “M.I.A.” é uma boa conclusão que não chega a ser excepcional, mas trás algumas novas informações na guerra contra Samaritan e ainda proporciona um desfecho triste, porém eficaz para história de Sameen, mérito do roteiro coerente de Lucas O’Connor. O diálogo entre Finch e Root no final não foi só choque de realidade para hacker, mas também um recado indireto para os fãs, não se pode ficar buscando algo que está fora do alcance, manter a expectativa em certos momentos nos leva há falsas esperanças, no caso do “team machine” poderia levá-los a morte certa, afinal estariam ainda mais expostos do que já estiveram até agora.

A conclusão deste arco marca também uma verdadeira rachadura na equipe, com a perda de Shaw e a decisão de Root de partir (pelo menos temporariamente), após ouvir da própria “machine” que não deveria mais continuar naquela busca, o grupo ao que parece será reduzido a três membros por alguns episódios, algo que irá remeter os primeiros episódios da série. Os produtores foram espertos em conseguir finalizar o arco de Shaw e ainda esconder o destino dela do “team machine”, mas a grande sacada mesmo foi mostrar que ela está viva e nas mãos de Greer para o público, deixando claro que a personagem voltará em algum momento no futuro. Confio que Jonathan Nolan e sua equipe não deixaram a qualidade cair e teremos boas surpresas ainda nesta temporada, mesmo sem a presença de um de seus personagens principais mais memoráveis.

Observações de Interesse:

M.I.A: a sigla significa “Missing In Action” ou “Desaparecido em combate”, um termo militar usado para descrever tropas que não são encontradas ou que não retornaram a base após alguma missão. No caso do episódio, Shaw se encaixa no termo M.I.A., porque a equipe não consegue determinar seu paradeiro ou saber se ela está viva ou morta.

Dani Silva: Muitos cogitaram que a detetive poderia entrar para o “team machine” no lugar de Shaw, mas acredito que isto não irá acontecer, no momento acho que a formação da equipe vai se estender apenas a Reese, Finch, Fusco e possivelmente Root.

Ant Farm: Finch se fere ao experimento do Samaritan na cidade de Maple como uma fazenda de formigas. O personagem se refere a um tipo de formigário de vidro onde se pode observar as formigas dentro de uma colônia formando túneis embaixo da terra. Este tipo de dispositivo ficou muito popular em 1960 nos EUA, adultos costumavam permitir que as crianças brincassem com esses formigários de forma observar as formigas trabalhando na colônia através do vidro, dando a elas horas de puro entretenimento.

Maple: Essa cidade sendo controlada pelo Samaritan como se fosse um experimento, lembra bastante o filme Mulheres Perfeitas, nele um casal chegava numa cidade aparentemente perfeita e acaba por descobrir que os maridos substituíram suas mulheres por robôs ambulantes.

Greer: Estou muito curioso para saber o que o líder da Decima e o Samaritan irão fazer com a Shaw, talvez daqui duas temporadas a gente descubra, ou talvez antes.

Gif da Semana: Não tenho dúvidas de que a Shaw aparecendo nos últimos minutos deixou muita gente aliviado, e suas frases ainda estão entre as melhores tiradas da série. Volta logo Sameen.

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“Se isto é o pós vida, então é um saco.”

– Melhores frases do episódio, top 3:

                “I want to hold out hope. But hope is painful. We may never find her.” (“Eu quero me segurar na esperança. Mas esperança é dolorido. Nós talvez nunca a encontremos”) – Finch para Root

“We need an answer. I need an answer. If Sameen is alive or if she’s dead.”(“Nós precisamos de uma resposta. Eu preciso de uma resposta. Se Sameen está viva ou se ela está morta”) – Root para Finch

“I sincerely hope you managed to get some rest, my dear Sameen. You’re going to need it.” (“Eu sinceramente espero que você tenha conseguido descansar um pouco, minha querida Sameen. Você irá precisar”) – Greer para Shaw

– No próximo episódio o “team machine” volta aos casos semanais, então segue a promo de “Guilty”.


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