Review | Person of Interest 4×12: “Control-Alt-Delete”

João Paulo

  quarta-feira, 11 de fevereiro de 2015

Review | Person of Interest 4×12: “Control-Alt-Delete”

A Conclusão da trilogia “The Cold War”, parece ser anti-clímax, mas na verdade se transforma numa eficiente crítica ao governo, dando ênfase no lado “Relevante” da série pelo ponto de vista de Control. Plus: O Team machine tenta transforma o luto em esperança.

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E chegamos ao fim da trilogia, ou seria mais um capítulo do meio, pois “Control-Alt-Delete” não fecha realmente uma lacuna, mas sim deixa um gancho para a série continuar se desenvolvendo até o season finale. A tonalidade do episódio pode ter causado algum tipo de estranhamento inicial ao focar no lado relevante, dando um ‘descanso’ para incógnita deixada no episódio anterior. Afinal, Shaw está viva ou não?

Os roteiristas resolveram deixa esta pergunta no ar e abraçar o outro lado do conflito. Desde o episódio “The Cold War” eu mencionei que esta trilogia não teria a proposta de fechar a saga do “Samaritan” e sim alimentar a guerra em proporções maiores, o primeiro episódio mostrou o caos e a guerra intelectual entre as duas máquinas, além de proporcionar o primeiro confronto entre “Machine” e “Samaritan”. O segundo e brilhante episódio “If-Then-Else” vai mais fundo na mente lógica de uma inteligência artificial ao mostrar como o cérebro da “machine” funciona, além de proporcionar outro momento marcante colocando um de nossos personagens principais entre a vida e a morte.

Desta forma chegamos ao capítulo final, “Control-Alt-Delete” vem com a missão de fazer uma crítica a obsessão norte-americana em relação a proteger seu povo a qualquer custo no importando os meios utilizados para atingir este objetivo, além de mostrar sobre o ponto de vista da Control como o lado relevante enxerga a guerra entre “Samaritan” e “Machine”. O episódio começa de forma casual com a personagem levando sua filha para escola e depois chegando ao trabalho para exercer sua função, dando uma leve sensação de normalidade.

Desde o season finale “Deus Ex Machina”(3×23), muito pouco se viu do lado relevante, então nunca tivemos noção de como esta parte do governo estaria se comportando com a influência ainda maior do Samaritan nos EUA. Desta forma o roteiro trata de passar mais de vinte minutos mostrando a operação coordenada pela Control de forma parar outra ameaça terrorista em solo norte americano. Durante todo momento ela não se sente confortável fazendo sua função, principalmente com presença de um dos agentes da Decima supervisionando toda a operação como uma coruja implacável, vigiando cada decisão e intervendo sempre que não seguissem uma determinada direção.

A verdade é que “Samaritan” controlava tudo ali, sendo assim a função de “Control-Alt-Delete” é arranhar a parede invisível que cerca a cúpula do governo através da personagem Control, fazendo questionar ordens, fazendo-a investigar por conta própria terroristas que aparentavam não ser apenas o que indicavam, indo contra todas suas convicções de seguir ordens sem questionar, transformando o episódio em uma busca frenética pela verdade trazendo chocante e importante revelações para o contexto da série.

Neste episódio tivemos o retorno dos agentes do lado relevante Devon Grice e Brooks, atuando na missão mencionada anteriormente, aqui pode-se notar uma extensão dos questionamentos levantados por Grice no episódio “Honor Among Thieves” (4×07), o fato de receberem uma missão que pouco se sabe os detalhes, tendo apenas alvos para eliminarem, aqui fica bem claro que há além do que os olhos podem perceber.

Desta forma quando o lado irrelevante entra em cena em uma sequência adrinalesca com Reese e Root derrubando o carro da Control, para depois levava prisioneira para um lugar onde poderiam interrogá-lá, a história da uma verdadeira guinada. Quem achou um pouco frustrante a primeira parte de “Control-Alt-Delete”, teve todo motivo para ficar satisfeito com a segunda metade que trouxe a ótima sequência proporcionada por Finch e Control na cena do interrogatório.

Este episódio possui diversas semelhanças com o brilhante episódio “Relevance” (2×16), tudo é visto pelo ponto de vista do governo e dos agentes, com apenas uma diferença, aqui o equilíbrio em cruzar de um lado para o outro significantemente mais interessante, lá ficamos muito tempo com Shaw com aparições esporádicas de Reese e Finch, mas aqui as coisas funcionam de forma mais rápida. Enquanto estamos acompanhando a história deste lado, os eventos da vingança de Shaw já estão em plena atividade com Reese e Root tocando o terror correndo atrás de vestígios que possam levá-los até a ex-agente, tudo isso anunciado como uma notícia corriqueira nos jornais da TV.

Quando o lado relevante encontra o lado irrelevante, os pontos de vista se misturam perfeitamente e assim conseguimos perceber como o “team machine” está lidando com a perda de Sameen. O roteiro assinado pelo novato roteirista na série Andy Callahan é esperto em explorar ambos os lados em uma mesma cena, como mencionei a sequência do interrogatório foi a melhor parte do episódio, primeiro com Reese (ainda ferido por causa do tiro que levou no episódio anterior) e depois com a fúria de Root, até chegar na passividade incisiva de Finch.

É importante destacar o quanto Michael Emerson e Camryn Manheim estavam bem neste episódio, o primeiro apresentando certa surpresa ao perceber que sua adversária não tem ideia da guerra travada em Nova York entre as duas inteligências artiificais, além de não ter ideia do porque Reese e Root terem a sequestrado. A segunda consegue ser enigmática e ainda assim se mostrar completamente perdida ao ser questionada sobre as ações da Decima na bolsa de valores, mas toma o controle da situação ao ler as expressões de Finch e perceber que o mesmo ao contrário de Reese e Root não acreditava que Shaw poderia estar viva.

A verdade é que “Control-Alt-Delete” é uma tremenda crítica ao jeito americanizado de lidar com ameaças terroristas (destruir um alvo e questionar os motivos depois), desta forma “Samaritan” é esperto o bastante em utilizar este ponto fraco a seu favor, a revelação de que um dos terrorista que a equipe de Control perseguia fazia parte do jogo Nautilus, o mesmo que a personagem Claire havia participado no segundo episódio desta temporada, foi uma tremenda reviravolta e mostra que o governo servia naquele momento apenas para eliminar as ameaças ao próprio “Samaritan” e não ao resto do país.

A melhor característica do episódio é conseguir plantar a semente da dúvida na personagem de Camryn Manheim, que no final começa a percebe que não só está do lado errado do conflito, como pode ter sido enganado durante um longo tempo. A cena em que Control chega ao local onde houve o confronto entre “team machine” e os agentes do “Samaritan” é exatamente o reflexo do quão perigoso pode ser ter uma inteligência artificial com tantos recursos solta por ai. O local todo limpo, sem nenhuma marca de bala é o reflexo da parede invisível que a cúpula do governo se encontra, cega confiando em um programa que deveria ter um único propósito a não ser evitar que ameaças terroristas contra os EUA.

“Control-Alt-Delete” é o reflexo do quão perigosa esta guerra contra o “Samaritan” pode ser, algo sentido na pele por Reese, Finch e companhia. O episódio pode não ter sido magnífico quanto o anterior e nem tem essa pretensão, aliás, o foco no lado relevante era algo esperado há muito tempo desde que esta temporada começou, por isso devo dizer que foi uma aposta acertada dos produtores, ainda mais focando na personagem de Control, senador Garrison e o resto da cúpula do governo que conseguem segurar muito bem suas cenas sem a presença de algum regular da série, isto é algo que poucas séries conseguem, mas que POI faz com destreza por saber construir personagens interessantes e intrigantes.

Sobre o lado irrelevante, o que se pode dizer é que a palavra da vez para o “team machine” foi esperança, aquela pontinha de dúvida que faz com todos busquem uma forma de continuar lutando. É certo que a Root foi a que mais foi afetada por esses eventos, ainda mais após deixar claro o quanto gostava de Shaw, mas o maior problema é que a confiança da equipe como um todo está frágil e abalada, quanto mais continuarem nesta busca, mais estarão em risco de serem expostos ou sucumbir às forças do Samaritan.

A última cena com Root foi triste, dramaticamente bem colocada e reflete exatamente o sentimento do público em relação a este trágico evento que nos tirou Shaw. Finch conseguiu instalar um “bug” no sistema do governo e com isto localizar o possível paradeiro de Sameen, desta forma o episódio termina com Reese e Root seguindo para cidade de Maple, onde a verdade poderá ser revelada. Se por um lado “Control-Alt-Delete” abriu um pouco os olhos do lado revelante para guerra secreta instaurada por “Samaritan”, ele também conseguiu nos deixar ainda mais apreensivos sobre o destino de Shaw.

O episódio serve como fim da trilogia, mas não trás o sentimento de fechamento como a trilogia da H.R. conseguiu fazer a mais de um ano atrás. A verdade é que esses três episódios eventos serviram para mostrar que a guerra contra essa inteligência artificial está só começando e que o “team machine” precisará de mais aliados se quiser virar este jogo, talvez Control entre na história como uma possível ajuda para derrubar esse perigoso adversário, já que agora está mais próxima de descobrir a verdade. Enquanto isto “Samaritan” utilizando seu avatar Gabriel, está continuando seus planos de dominação global ao se aproximar do chefe de estado para conseguir uma audiência com presidente dos EUA, mostrando que este jogo só fica ainda mais perigoso a cada novo capítulo desta guerra.

Observações de Interesse:

Control-Alt-Delete: É uma combinação do teclado que interrompe determinado função no computador, geralmente este comando dá acesso também ao administrador do sistema. A sigla também remete a personagem Control como um tipo de acesso a sua vida, o que sugere o episódio focar no ponto de vista dela.

Team Machine Vs Agentes Grice e Brooks: O primeiro confronto entre essas duas equipes é bastante movimentado, principalmente por colocar Reese em confronto direto com Grice, pupilo de Shaw, algo lembrado pelo “man in a suit” durante a luta que foi excelente.

Jogo Nautilus: A descoberta de que o grupo terrorista na verdade era um grupo de quatro jovens amigos que venceram o jogo Nautilus, ambos recrutados por “Samaritan”, nos leva a crer que a personagem Claire (do episódio 4×02) estará em perigo em breve, já que agora sabemos o destino daqueles que ganharam o jogo. Este quatro amigos estavam desenvolvendo um código para uma empresa de bioinformática criando um modelo de mudança de clima, uma vez que terminaram o trabalho foram marcados como terroristas pelo Samaritan.

Fusco: Apareceu pouco no episódio e ainda continua um pouco perdido por não entender o que está enfrentando, espero que os roteiristas saibam o que estão fazendo deixando o personagem tão no escuro assim.

Quadrilogia?: Uma informação importante sobre esta trilogia que foi ideia da CBS promover desta forma, provavelmente devido à ótima repercussão da trilogia exibida na terceira temporada, mas uma das roteiristas da série Ashley Gable, confirmou que são quatro episódios que cobrem este arco, sendo o próximo M.I.A o episódio que fecha este grande arco.

Samaritan, o implacável: Não sei vocês, mas fiquei com medo do quanto o Samaritan pode ser agressivo quando alguém ultrapassa os limites com ele, as mensagens que ele mandou para Control e o poder de localização que o vilão tem é assustador.

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Gif da semana: Não há dúvidas que a cena final com a conversa entre Root (Amy Acker excelente) e Reese no carro foi à parte mais tocante do episódio e nos deixa com esperança de que Shaw possa estar viva.

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“Eu sei que ela está viva, Harold.”

– Trilha Sonora: A música “The Violent Bear It Away” do grupo Moby, foi muito bem inserida na cena em que Control está nas instalações subterrâneas abaixo da bolsa de valores.

Melhores frases do episódio, top 4:

                – “We gave you a marvelous car. Surely, you didn’t think I’d let you drive it yourselves” (“Nós lhe demos um maravilhoso carro. Claro, mas você não pensou que deixaríamos você dirigi-lo por conta própria.”) – Greer para Garrison.

                – “You think she is dead, and don’t have the guts to tell them” (“Você pensa que ela está morta, e não tem a coragem de dizer isso para eles.” Control para Finch

“Let’s go get Shaw back” (“Vamos lá pegar a Shaw de volta”) – Reese para Root

“Can you consider for a second the possibility you’ve been lied to?” (“Você pode ao menos considerar por segundo a possibilidade que você pode ter sido usada também?) – Yasi Said para Control


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