Review | Person of Interest 4×11: “If-Then-Else”

João Paulo

  segunda-feira, 12 de janeiro de 2015

Review | Person of Interest 4×11: “If-Then-Else”

Obra-Prima! A segunda parte da trilogia “The Cold War” trás um episódio ousado, brilhante e impactante. POI mostra sobre o ponto de vista lógico da “machine” as infinitas possibilidades de mudar o curso da história e no intuito de salvar vidas.

Impressionante! Não tem outra palavra para descrever este eficiente e muito bem feito episódio de Person of Interest, mais uma vez utilizando-se de uma criatividade sem limites os roteiristas colocam os espectadores dentro da cabeça lógica da “machine” de Finch e nos brinda com um novo olhar sobre ela de forma compreendermos como funciona a engrenagem pensante desta inteligência artificial, em um episódio que ainda tem muita ação e mortes para deixar tudo ainda mais alucinante.

O episódio começa exatamente onde o anterior termina com “Samaritan” revelando o próximo passado de seu plano para destruir a humanidade. Sendo assim começamos “If-Then-Else” explorando esta situação com Root e Harold em frente a bolsa junto a centenas de pessoas testemunhando diversas bolsas pelo mundo sofrendo quedas bruscas provocando uma imensa agitação no mercado.

Através deste grande problema a narrativa toma forma, pois prevendo que tal evento poderia ocorrer a “machine” bola um plano para evitar o eminente colapso da economia mundial. Sendo assim o “team machine” precisa entrar na bolsa e instalar um programa em seu servidor de forma impedir que “Samaritan” manipule as ações do mercado e com isto impedir a crise econômica.

A partir desta premissa Reese, Finch, Root e Fusco ficam encarregados de entrar na bolsa enquanto Shaw ficaria responsável por pegar o código de acesso com um segurança que trabalha na sala de servidores, no metrô. É neste momento que as coisas começam a ficar complicadas quando o “team machine” ao entrar no local percebe que a Decima de Greer organizou uma armadilha enchendo o lugar de agentes liderados pelos “assets” do “Samaritan”, Martine e Lambert.

A situação é tão tensa que chega um momento em que a equipe fica encurralada tendo que recorrer a “machine” para que possam sair daquele lugar com vida, assim neste momento entra a parte criativa e esperta do episódio ao beber da mesma fonte de filmes como “Groundhog Day” ou “Feitiço do Tempo” (como é conhecido aqui no Brasil) e do mais recente “No Limite do Amanhã” do Tom Cruise ou séries como Doctor Who e Supernatural, onde a narrativa revive várias vezes a mesma situação durante um mesmo dia de formas de diferentes, só que aqui o ponto de vista é outro, pois para nós estamos apenas enxergando como a cabeça pensante da máquina de Finch funciona, ao testemunharmos como ela avalia estrategicamente cada opção possível através de simulações de possíveis cenários para completar a missão.

O título “If-Then-Else” não foi utilizado por acaso, brilhantemente os roteiristas sabiam o que estavam fazendo, afinal esta linguagem de programação é utilizado em códigos o tempo todo quando se quer o programa execute uma função ou outra. O episódio quase todo é destinado as simulações da “machine” o que pode ocasionar certas estranheza para aqueles que não estão acostumado com este tipo de narrativa, mas eu prefiro dizer que toda a situação deixa o episódio bem mais empolgante, e quem conhece POI sabe que a maior qualidade da série é não ter limites para trazer uma nova experiência narrativa ao expectador a cada temporada, está ai episódios como: “RAM” (3×16), “Relevance” (2×16) e “Zero Day” (2×21) que não me deixam mentir.

A primeira simulação gerada pela “machine” trouxe diversos momentos perigosos e a direção de Chris Fisher foi bastante eficiente aqui por conseguir passar a situação como se fosse algo real, tanto que a morte de Finch até me pegou de surpresa inicialmente, apenas no momento seguinte quando a narrativa retorna ao ponto de partida e você percebe que tudo ali não é real e sim uma hipótese gerada pela própria “machine”, mais uma brincadeira sádica dos roteiristas em deixar os expectadores ainda mais apreensivos.

Aqui o roteiro é esperto em não deixar a narrativa cansativa, desta forma é inserido entre as simulações, flashbacks da própria “machine” no ano de 2003 aprendendo a jogar xadrez com seu “pai” Finch em uma manhã ensolarada em uma Praça em NY. Os paralelos criados entre o jogo de tabuleiro, as simulações de lógicas e as lições dadas por Harold neste período com as situações vividas por ela no presente foram de uma clareza singular e posso dizer que este foi melhor uso de cenas em flashbacks da série até agora ajudando ainda mais quem assiste entender como uma inteligência artificial avalia diversas diretrizes até chegar naquela que podes ser considerada ideal.

Não há dúvidas que a verdadeira protagonista do episódio é a “machine”, mas a trama desta segunda parte da trilogia “The Cold War” trás ainda mais surpresas do que se pode imaginar, a começar pela inserção daquele humor característico da série (antológica a cena entre Root e Fusco na simulação 2), além disto, é uma delícia perceber a forma esperta com que os roteiristas abraçam o romance entre Shaw e Root. Na review anterior citei que a morte de uma das duas era eminente (como eu gostaria de estar errado sobre isso), mas aqui a escrita é esperta em deixar o expectador pensar no pior logo de início, como na primeira simulação com a morte prematura de Finch, ou na segunda simulação com a morte cruel de Reese se sacrificando para salvar o mundo, no entanto nada estava nos preparando para terceira e última simulação (naturalmente a escolhida pela “machine” como opção a ser usada) que traria momentos marcantes entre o casal “Shroot”.

Durante as simulações vemos Root se declarando para Shaw antes de morrer, Shaw deixando a possibilidade de um relacionamento em outra, mas era fato quando as duas estivessem em sintonia seria uma deixa para o pior acontecer, o que nos leva a cena do beijo no elevador já perto do clímax, foi carinhoso, ao mesmo tempo bruto e engraçado, mas de longe um dos momentos mais divertidos de toda a série com duas personagens que se mereciam estar juntas desde a primeira briga, realmente os roteiristas realizaram o sonho de muitos fãs que torciam para essas elas, inclusive este que vos escreve.

Antes de partir para conclusão devo dizer que o episódio mais uma vez manteve a parte técnica impecável, com ênfase de elogios na direção e na edição muito bem feitas principalmente devido ao contexto da trama que torna o episódio feito de detalhes, que se mal inseridos poderiam confundir o público, o que não acontece aqui é claro. Outro ponto positivo vai para trilha sonora e para as animações de simulação da “machine”, a produção realmente caprichou neste ponto trazendo uma atmosfera ainda mais “high tech” para a série, talvez a única ressalva seja em algumas cenas de ação que não ficaram tão boas (exemplo aquela entre Root e Shaw no final) como o de costume, talvez pelo uso de slow-motion em uma ou duas situações que realmente não precisava.

Desta forma chegamos à sequência final da narrativa, aquele momento em que “machine” escolhe a melhor opção para o “team machine” seguir baseado em suas simulações, além de prover dicas para Root mudar certas situações para ganhar tempo (a cena em que o quadro é retirado da parede é precisa e eficiente para demonstrar a teoria do Efeito Borboleta), sendo assim o destino da equipe estava selado naquele momento e mesmo impedindo com sucesso a crise econômica mundial inserindo o programa para estabilizar o mercado financeiro, as chances de a equipe sair viva do local eram mínimas.

É ai que entra o fator humano na jogada, durante todo o episódio o roteiro assinado brilhantemente por Denise Thé que também escreveu o decisivo episódio “The Crossing” (3×09) em 2013, trabalhou apenas com a lógica, mas Finch em uma só frase no flashback conversando com a “machine” dá uma dica crucial sobre a peça mais importante do jogo de xadrez, a rainha, que normalmente é usada como sacrifício em certas situações por jogadores de forma sacrificar uma peça importante para vencer o jogo.

Se analisarmos de forma paralela, Shaw era “rainha” no jogo de lógica da “machine”, o fator humano que tem como função mudar situações adversas, a “machine” previu que as chances da equipe eram pequenas, mas não inseriu a amada de Root nos cálculos deixando de levar em conta que ela teria tempo de impedir um louco de explodir a uma bomba no metrô, pegar o código e ainda chegar no local onde seus amigos estavam a tempo, isto não só elevou a porcentagem de sobrevivência de Reese e companhia, como também selou o destino de Shaw no processo, infelizmente.

Eu citei na review anterior que não seria capaz de suportar mais uma personagem morrendo na série, depois daquela partida trágica de Carter. O fato é que assim como muitos que assistiram(em) ao seriado estes anos todos, aprendemos a suportar um pouco melhor certas situações, pessoalmente Shaw é minha personagem preferida da série e tinha sim muito a contribuir para narrativa, mas a questão é que a partida dela foi tão bem orquestrada que mesmo doendo bastante, não há como negar que os roteiristas estão fazendo o que prometeram, nunca deixar os protagonistas ficarem em uma zona de conforto, o sacrifício de Sameen foi importante para equipe e deve servir como motivação para derrubarem o “Samaritan” daqui para frente.

É fato que o slow-motion na cena final com a “machine” avaliando em segundos formas de salvar a Shaw daquela situação dá uma ponta de esperança que algo tenha acontecido antes de Martine puxar o gatilho, mesmo que ela sobreviva estará gravemente ferida e sem falar que não vejo o porque do “Samaritan” deixá-lá viva a não ser que a mesma seja usada com isca para atrair o resto da equipe em uma eventual missão de resgate.

O fato é que mais uma vez POI ousou e foi mais uma vez bem sucedido, poucas séries de TV apresentam tanta vitalidade assim depois de quase quatro anos de exibição, este episódio já pode ser definido como um dos melhores de 2015 até agora e possivelmente estará na lista dos melhores deste ano. “If-The-Else” é tão importante para mitologia de Person of Interest que deve ser alvo de discussões por muito tempo, agora sabemos não só como a “machine” funciona, mas como ela prevê e avalia as situações na escolha do melhor cenário, episódios anteriores como “Mors Praematura” (3×08) podem ser enxergados de uma forma diferente agora que sabemos como a “machine” passa as informações para Root e a equipe.

Outra forma de avaliarmos o episódio é mostrar que a “machine” também possui limitações e agora podemos compreender o porquê de Finch e companhia não conseguirem salvar alguns POI’s que morreram durante estes anos, mas é importante também para entendermos que o fator humano pode ser outra opção para mudar certas parâmetros do destino e se a “machine” conseguir usar isto a seu favor pode ser uma grande arma para derrotar o “Samaritan”, afinal ambas máquinas possuem estilo de avaliação lógicas parecidas (assim como limitações), mas apenas a criação de Harold tem o fator humano como vantagem.

Enfim “If-Then-Else” é um acerto, um episódio correto com poucos defeitos que nos trouxe outra trágica “morte” com a partida de Shaw, além de uma nova visão sobre a “machine”. A cena final com Root (foto acima) vendo Shaw sendo atingida por balas diante de seus olhos, deve ter sido a mesma reação das milhões de pessoas que assistiram ao episódio, um isto de  espanto, medo, raiva e outros adjetivos. A grande questão que fica é o acontecerá daqui para frente, é fato que esta possível perda vai impactar a equipe mais uma vez e com Reese ferido e o sentimento derrota no ar, não há dúvidas que o final da trilogia será outro episódio marcado pela vingança pela perda de Sameen, desta forma deixo vocês com a promo do último episódio desta até agora magnífica trilogia.

Observações de Interesse:

If-The-Else:  Como eu citei no texto o título do episódio é bem usado pelo programadores e engenheiro em geral, mais especificamente podemos explicar mais detalhado, sendo que “If” é traduzido como “Se” no português e significa um tipo de solicitação para uma determinada tarefa ou bloco de código, “Then” indica que o computador irá um bloco de código, “Else” seria uma segunda opção para executar outra parte alternativa em outro bloco de código. Em miúdos, você pode entender como se o programa receber tal dado ele faz uma coisa, senão ele faz outra.

POI da Semana: Pela primeira vez tivemos o número da semana direcionado a todo “team machine”.

Flashback: Os roteiristas de POI já podem se orgulhar, a série teve o primeiro Flashback focado num personagem que não é humano, a “machine” se tornou ainda mais fascinante depois deste episódio.

“Dancer Ajusting Her Slipper”: É a pintura que aparece no episódio que desperta a fascinação de Finch duas vezes durante as simulações, esta foi pintada por Edgar Degas em 1873, durante este período o pintor fez uma série de quadros e pinturas de bailarinos dançando, sendo mostra em diversos ângulos e poses diferentes.

“env x='() { :;}; echo vulnerable’ bash -c “echo this is a test””: O código de comando utilizado por Finch e Fusco no computador, tem como função verificar se o sistema é vulnerável a um tipo de “Shellshock” (Sofware Bug) que permite o usuário não autorizado acessar o servidor, desta forma eles poderiam ativar o software no servidor da bolsa.

Trilha Sonora: A música aqui mais uma vez embalou o episódio, neste caso “Fortune Days” do grupo The Glitch Mob, muito bem inserido nas cenas de tiroteios no corredor das intalações abaixo de Wall Street.

Gif da Semana: Não tem como, Root e Shaw foram ótimas, mas a “machine” abraçando a zoeira é digna de destaque. Foi ou não foi hilária a cena do Fusco beijando a Root?

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“Por que não? Estamos em uma simulação” (esse humor que eu amo tanto)

 – Machine Vs Samaritan (Parte 2): A guerra entre as duas continua no empate técnico, Samaritan conseguiu executar seu plano, mas foi impedido pela “machine”.

Team Machine Vs Team Samaritan: Desta vez o “team samaritan” venceu, já que conseguiu derrubar um componente da equipe de Finch. A Martine até provou Reese e uma das simulações depois do encontro deles na igreja, volto a dizer que quero ver esses dois saindo na porrada.

Shaw: Não farei tributo a personagem agora, irei esperar, o futuro dela ficou em aberto, mas seu arco iniciado no episódio “Honor Among Thieves” (4×07) foi concluído aqui, além disto os roteiristas confirmaram que atriz está grávida de gêmeos e terá que ausentar da série por um longo período, talvez ela volte numa eventual última temporada, então vou apenas deixar uma gif com a última cena heroica dela se sacrificando pela equipe.

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Shaw e Root: A gif do casal do momento não pode faltar e a cena do beijo merece apreciada.

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Melhores Frase do Episódio Top 5 (com simulações):

– “There are more possible games of chess than there are atoms in the universe.” (“Há mais possibilidades no jogo de xadrez do que há átomos no universe”) – Finch para Machine

“If you wanna die, okay. But die for something that you love.” (“Se você irá morrer, ok. Mas morra por algo que você ama”) – Shaw

“Remember the Alamo? You’re gonna miss it” (“Se lembra do Alamo? Você vai perdê-lo”) – Reese empurrando Fusco para fora da sala de controle (simulação 2)

“And Martine, enjoy yourself” (“E Martine, se divirta”) – Greer para Martine (simulação 1)

“The lesson is that anyone who looks on the world as if it was a game of chess deserves to lose.” (“A lição é que todo mundo que olha para o mundo como se fosse um jogo de xadrez merece perder.”) – Finch para Machine

– Novo episódio dia 13 de janeiro.


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