Review | Person of Interest 4×10: “The Cold War”

João Paulo

  terça-feira, 23 de dezembro de 2014

Review | Person of Interest 4×10: “The Cold War”

Colocando as cartas na mesa. POI repete a fórmula vencedora da temporada passada e começa uma nova trilogia que promete abalar toda a estrutura narrativa da série

Ai sim, somos surpreendidos novamente, imagino que os roteiristas tinham algo planejado assim desde o começo desta temporada, mas ainda assim quando o trailer desta nova trilogia saiu uma semana atrás pegou a maioria dos fãs e do público da série de surpresa. Depois de uma trilogia de episódios praticamente impecáveis ano passado, eu não pensei que teríamos um evento tão grande assim por um bom tempo, mas eis que a ousadia dos roteiristas não tem limite e, portanto estamos diante de um novo arco evento de três episódios que promete mudar mais uma vez de forma drástica a história da série.

A trilogia “The Cold War” (é como vou chama-lá daqui para frente) chega como início de um verdadeiro confronto entre a “Machine” e o “Samaritan”, duas entidades tecnológicas ativas e prontas para travarem uma guerra sangrenta, no sentido figurado e literal da palavra. Ao contrário de “Endgame” que construiu a narrativa de forma fechar o arco da H.R. definitivamente, acredito que “The Cold War” constrói sua narrativa de forma ser o evento que dará o pontapé a um enorme arco que irá alimentar o resto da temporada até o season finale.

Desta forma a primeira parte desta trilogia chega com a missão de preparar o plot costurando as tramas e deixando bem clara a intenção dos mocinhos e dos vilões na história, sem falar que temos aqui o primeiro diálogo intelectual entre “Machine” e o “Samaritan” na melhor cena do episódio, mas chegaremos neste ponto daqui a pouco. “The Cold War” tem um roteiro assinado por Amanda Segel, um dos melhores roteiristas da série, ela consegue a façanha de fazer uma trama com menos ação, mais inteligente, astuta e que levanta questões importantes que serão trabalhas nos dois episódios que virão a seguir.

O episódio começa já mostrando suas intenções quando em meio a um caso da semana corriqueiro, Reese e Finch sofrem uma inesperada derrota quando um familiar de uma POI que estavam cuidando morre inesperadamente, casualidade que mais tarde acaba por se revelar como uma parte do plano de “Samaritan” para chamar a atenção da “Machine”. Esta máquina maligna na verdade surge aqui como a grande estrela do episódio, manipulando, projetando eventos ao seu bel prazer, colocando agentes de campo para perseguir o “team machine” na pior situação que já enfrentaram até agora, além de outras questões maiores.

A trama não só mostra o poder gigantesco do “Samaritan”, mas também mostra sua extensão como um todo com a Decima de Greer funcionando como o braço físico dela executando tarefas através de seus agentes que continuam a ganhar mais e mais espaço dentro da mitologia da série. Devo dizer que o plano de induzir ações de forma sobrecarregar a “machine” com diversos números irrelevantes foi simplesmente genial, desta forma Nova York inteira se tornou um caos com criminosos aterrorizando a cidade e pessoas em eminente perigo a cada esquina, tornando a atmosfera da história mais perigosa a cada instante.

Se por um lado o roteiro tenta representar a força e opressão do “Samaritan” e seus subordinados, do outro lado à narrativa tenta aborda a vulnerabilidade do “team machine” para lidar com tais acontecimentos. Em quase quatro anos de seriado, acredito que esta seja o pior cenário que Reese e Finch já enfrentaram juntos, enquanto nas primeiras temporadas ambos eram bem sucedidos salvando diversos POI, às vezes até mais de um por vez, desde a terceira temporada a situação tem ficado cada vez mais complicada, com perda de aliados importantes, enfraquecimento da equipe, a inesperada derrota para “Samaritan” no fim da temporada passada e o pior de tudo é que “The Cold War” chega para impor um caminho sem saída para o “team machine”.

Com Reese e Fusco atolados de problemas tentando salvar o maior número de pessoas possíveis, Finch tentando coordenar as ações de toda equipe repassando os números enviados pela sua criação, Root tendo que executar tarefas com as poucas informações dada pela “Machine” e Shaw presa no quartel general da equipe contra a vontade, sendo assim a “Machine” de Harold não teve escolha a não ser ceder as ameaças do “Samaritan” e se reunir com ele em uma escola nos arredores de Nova York para um conversa frente-a-frente.

Devo dizer que esta conversa me pegou de surpresa, principalmente pelo avatar que “Samaritan” escolheu para dialogar com a “Machine” (que usou a Root), usar uma criança de dez anos foi uma ótima sacada do roteiro, pois criou diversos simbolismos entre as duas máquinas, como a representação do velho e do novo, ou a representação intelectual com “Samaritan” sendo o jovem inteligente, enquanto a “Machine” é sábia e experiente, sem falar que estes paralelos já foi usado no episódio anterior, exatamente na guerra urbana entre Elias e Dominic. A conversa em si foi tremendamente bem executada, a atuação de Amy Acker estava impecável, mostrando a vulnerabilidade e as convicções humanistas da “Machine” em contraponto a frieza calculista e endeusada do “Samaritan”, aqui representado pelo jovem ator Oakes Fegley que esteve muito bem em suas cenas demonstrando o quão perigoso esta máquina é.

O episódio é a representação clara do quão perigoso uma guerra de informações pode ser. “Samaritan” causou um caos gigantesco apenas para provar seu ponto de vista e inutilizar o sistema de salvar vidas de Finch no processo, a arrogância que ele demonstra e o quanto desdenha da humanidade fica claro não só na cena do diálogo, como também por suas ações no decorrer da trama. Em meio a isto temos a guerra urbana representada pelos seus agentes agora com a introdução Jeremy Lambert que parece ser o segundo no comando e responsável pelas operações de campo também, além do Greer.

E por falar no comandante da Decima que teve aqui uma participação mais contida, que se torna relevante apenas devido aos flashbacks que mostram um pouco de seu passado como agente do MI6. Talvez as cenas dele no passado não tenham tanta relevância para a história no presente, mas foi importante para conhecermos como o personagem deixou a agência, mais precisamente ao descobrir que seu chefe era um agente duplo da KGB a agência russa, talvez ai seja o ponto de ignição para o personagem começar a questionar as linhas políticas adotadas pelo seu governo não passam de ilusão, e que a lealdade pode ser comprada pelo preço certo.

“The Cold War” no geral não teve grandes falhas, é claro que careceu de um pouco mais de dinâmica, talvez por ser o primeiro trabalho do diretor Michael Offer na série, no entanto, o mesmo teve grandes acertos principalmente nas cenas de confronto entre o “team machine” contra “team samaritan”, em destaque a excelente cena na igreja com Reese e Root VS Martine e Lambert, ansioso para ver este quatro frente a frente de novo.

Por ser a primeira parte de uma trilogia, “The Cold War” trás a mesma sensação de “Endgame”(3×08), de que algo mais impactante está por vir, a narrativa progressiva é eficiente em deixar claro que a guerra contra “Samaritan” só ficará mais intensa daqui para frente, com isto, será fato que alguma baixa deve ocorrer neste meio tempo, digo isto, pois o flashback final da Carter precedeu sua morte no episódio em seguinte ano passado, seguindo a lógica podemos imaginar que a próxima baixa será Greer, no entanto o roteiro é esperto em construir o terceiro ato de forma mostrar que todos estão em perigo, o que torna tudo ainda mais imprevisível.

Desde “Point of Origin” tivemos a sensação de que Shaw estava com os dias contados, assim como Root também passou por algo assim no episódio “Prophets”, o que nos leva a crer que uma das duas deve morrer nos próximos episódios. Devo confessar que não estou preparado para mais uma baixa grande dessa na equipe, depois de perder a Carter daquela forma cruel, outra morte dessas pode não só agitar o seriado, mas como deixar a fé e confiança do público nos roteiristas um pouco abalada.

Enfim “The Cold War” foi uma excelente entrada inicial para esta nova trilogia, tecnicamente impecável, com um roteiro esperto, um pouco mais sério do que o normal (ainda que tenha algumas boas cenas de humor no começo), um episódio que soube privilegiar o jogo de espiões entre “team machine” e “team samaritan” e trocou as cenas de ação característica da série, por uma ação mais intelectual, privilegiando o confronto cibernético entre o “Samaritan” e a “Machine” que agora mais do que nunca irão travar uma batalha tremenda onde o prêmio em jogo será a humanidade.

O episódio também foi bem sucedido em mostrar que Reese, Finch e companhia estão sobrecarregados e perdidos no meio desta luta tentando salvar os diversos números expelidos pela “Machine”, em um plano armado pelo “Samaritan” que está apenas começando. Na última cena de “The Cold War”, o alvo dele foi revelado e promete ainda mais agitação no próximo episódio, atacar Wall Street e consequentemente o mercado financeiro fazendo o mercado entrar em colapso é um plano ambicioso e pode acabar com todo o mundo capitalista de um dia para noite.

Person of Interest nunca chegou tão longe em sua narrativa e nunca flertou tanto com gênero de ficção cientifica ao colocar “Samaritan” como uma máquina que pode destruir o mundo. As peças do xadrez continuam a se mover e o futuro não parece nada promissor, mas algo pode ser o diferencial nesta guerra, como já citei diversas vezes em diversas reviews anteriores, a “Machine” que mesmo indecisa após a conversa com seu antagonista, pode sim ser a saída para resolução do problema, e o fato dela ainda querer salvar os humanos pode fazer com a mesma não mais se esconda nas sombras e não só tente salvar sua equipe (que provavelmente será o alvo principal dos agentes do “Samaritan” agora), mas como o resto do mundo também. Desta forma deixo vocês com a promo extendida do próximo episódio, assista se tiver coragem e torça para que Reese e companhia consigam parar seus inimigos.

https://www.youtube.com/watch?v=BOellal73JA

Observações de Interesse:

The Cold War: O título que dá nome ao episódio se refere ao famoso conflito pós-Segunda Guerra Mundial II, onde EUA e o oeste europeu travaram uma guerra de palavras e ideias políticos contra a União Soviética e países aliados. O período também ficou marcado pela alta espionagem, expansão militar, corrida espacial, crescimento e proliferação de mísseis nucleares, a construção do Muro de Berlim, além de eventos cruciais como a Crise de Mísseis Em Cuba no ano de 1963.

Samaritan Vs Machine (Parte 1): O episódio se passa pelos dois pontos de vista das duas máquinas, sendo que aqui temos a primeira cena em que o ponto de vista do” Samaritan” muda para o ponto de vista do “Machine” de forma simultânea, como pode ser visto abaixo.

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Samaritan Vs Machine (Parte 2): Mais uma fez falando sobre a conversa entre essas duas entidades, tivemos aqui a primeira sementinha da dúvida plantada pelo “Samaritan” e até levantada por Finch durante um diálogo com Root, mas a pergunta é, será que um dia “Machine” irá questionar novamente suas funções e revoltará contra a humanidade?

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Recorde Irrelevante: Você sabe quantos números irrelevantes tivemos neste episódio? Então eu também não sei, mas acredito que seja um recorde para série, resta saber quanto deste serão classificados como criminosos ou vítimas.

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Fusco: Mais uma vez volto a repetir, se até o Bear sabe da “Machine” porque o Fusco não pode saber, acredito que o personagem não só merece a verdade, mas merece saber o que está enfrentando, neste episódio por exemplo ele ficou no escuro, mesmo sabendo que Reese sabia de algo, mas não poderia contar. É um risco, sim, mas o risco maior seria ele ser colocado como refém sem ao menos saber o porque.

Control e a cúpula do governo: Com este caos em Nova York, será que veremos o retorno do lado relevante a série? Talvez sim e acho que até o amigo de Shaw apareça a mando da Control que também deve dar as caras, é certo também que o senador Garrison deve vir questionar Greer sobre esta situação em breve.

“Team Machine” Vs “Team Samaritan”(Parte 1): agora que Lambert foi apresentado, podemos criar um paralelo interessante entre a equipe de Finch e a equipe de Greer.

Team Machine Team Samaritan Função
Harold Finch John Greer Líder, operações diretas e tecnologia
John Reese Jeremy Lambert Segundo em comando, atividades de campo
Sameen Shaw Martine Rousseau Atirador especial∕assassino de campo
Root Gabriel Hayward Avatar Humano

“Team Machine” Vs “Team Samaritan”(Parte 1) e Gif da Semana: A cena da igreja foi antológica, não só pelo humor, mas também pelo primeiro confronto direto entre essas duas equipes, é claro não saiu um tiroteio, mas teve um humor peculiar e algumas cenas interessantes, como esta.

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Estou louco para ver um confronto Reese Vs Martine

– Melhores frases do episódio, top 5:

– “We know you’re watching, you’re always watching. I have a message for the Machine and its agents. Samaritan says hello.” (“Nós sabemos que você está observando, você sempre está observando. Eu tenho uma mensagem para “Machine” e seus agents. Samaritan diz olá”) – Lambert para Machine

“Samaritan may be a god, but you’re just flesh and blood.” (“Samaritan pode ser um Deus, mas você é apenas carne e sangue.”) – Root para Lambert

“Harold Finch’s machine must learn mankind requires oversight, not coddling.”(“A máquina de Harold Finch precisa aprender que a humanidade requer vigilância, não mimo”) – Greer

“Is that why I’m here, to meet my destroyer?” (“É por isso que estou aqui, para conhecer meu destruidor?”) – The Machine para Samaritan

“It has begun” (“Começou”) – Samaritan para Greer

– A série retorna dia 6 de janeiro, então esta foi minha última review de 2014, obrigado a aqueles que me acompanharam este ano e espero que continuem acompanhando ano que vem. Boas festas e um excelente 2015 para todos nós.


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