Review | Person of Interest 4×08: “Point of Origin”

João Paulo

  quinta-feira, 27 de novembro de 2014

Review | Person of Interest 4×08: “Point of Origin”

Um episódio que mostra a que veio nos primeiros minutos, trazendo múltiplas narrativas, muitas reviravoltas, ação, perigos e dois grandes cliffhangers. “POI on Fire”.

Era fato que o episódio anterior tinha como função preparar as narrativas até um ponto em que elas entrassem em ebulição com um simples toque, neste caso “Point of Origin” é a fagulha que faltava para que a temporada pegasse fogo, este que não só trás uma trama consistente, mas também intercala plots com uma precisão milimétrica deixando a audiência empolgada a cada segundo antes deixar os mesmos salivando por mais encerrando a história com dois ganchos gigantescos para os próximos episódios.

Quando o episódio “Honor Among Thieves” foi exibido, terminou-se aquela trama com o Samaritan recuperando uma parte da imagem de gravação em que se via parte do rosto da Shaw. Desta forma o episódio “Point of Origin” explora exatamente a busca de Samaritan, Decima e Martine Rousseau para tentar identificar esta possível ameaça ao sistema. O roteiro assinado Tony Camerino (escreveu o ótimo episódio “In Extremis” (2×20)) é eficiente em estabelecer esta atmosfera de investigação liderada pela implacável e perigosa Agente Rousseau, que basicamente faz a rota contrária do episódio anterior rastreando todas as pessoas que tiveram contato com Shaw, começando com a equipe de Tomás até chegar a seu ex-chefe Romeo em uma das melhores cenas de ação da narrativa.

Em paralelo a esta trama tivemos outra história interessante em desenvolvimento com “team machine” cuidando de mais um caso que desta vez estava ligado a outro arco que está desenvolvendo bastante e agora chega ao seu ponto decisivo, que é exatamente o confronto entre Elias e Brotherhood. Talvez esta trama não seja surpreendente quanto àquela que está correndo por fora com Samaritan, no entanto ela trás uma revelação decisiva ao seu final, mas antes de falarmos desta parte em particular, vamos começar do princípio falando um pouco do POI da vez, a policial novata Dani Silva (Adria Arjona), recém-chegada a academia de treinamento do departamento de polícia de Nova York e que mais tarde acaba se revelando uma policial infiltrada atrás de um traidor dentro de sua turma coordenada e treinada pelo detetive Riley.

Devo dizer que foi legal ver Reese treinando os novatos na academia e gostando de atirar um pouco sem restrições para variar, aliás, o personagem ganho bastante espaço exatamente porque o roteiro explora muito a dinâmica entre ele e Dani. Falando nela, posso dizer que a policial do departamento de assunto internos de NY foi de longe uma das melhores vítimas de POI a aparecer na série, linda, durona e com certeza uma excelente adição a série, espero que a personagem volte a dar as caras no futuro. Voltando ao contexto geral, esta parte da narrativa empolga mais quando Brotherhood entra no enredo depois que o traidor (Alex Ortiz) dentro da academia revela ser um corrupto trabalhando para Mini. Sobre o chefão da gangue temos aqui o primeiro ponto fraco do episódio, com a descoberta por Shaw e Fusco que Dominic era na verdade o cabeça da Brotherhood.

Minha ressalva aqui é pelo fato de que Finch não ter percebido isso antes, afinal uma mente brilhante como a dele deveria ter ligado os fatos mais rápido em relação à Mini ser na verdade Dominic e pior isto deveria ter acontecido há algum tempo atrás. Tirando isto o plot funciona bem para colocar todo o “team machine” (com exceção da Root) em ação de forma tentar proteger Dani Silva e ainda recuperar os documentos roubados por Ortiz da rede online de dentro da academia de polícia que compartilha a mesma base de dados do departamento de Nova York.

As partes mais movimentadas do episódio funcionam muito bem e com clima ficando ainda mais perigoso na sequência final, tivemos um confronto entre “team machine” e Brotherhood, com direito até a Bear participando das cenas de ação. Aqui a direção de Richard J. Lewis acerta em conseguir passar urgência à narrativa colocando Reese e o restante da equipe ocupada para que desta forma a trama secundária surja como um elemento surpresa na conclusão de “Point of Origin”, lembrando os ótimos ganchos de episódios como “Prisoner’s Dilemma”(2×12) e “Endgame” (3×08), só para citar alguns.

A união das duas narrativas no final foi inteligentemente bem plantada para criar dois grandes cliffhangers, o primeiro vem da conclusão da narrativa com Finch descobrindo que Dominic estava atrás de arquivos de todos os arquivos relacionados a Elias e seus comparsas, fazendo dele o principal POI do próximo episódio. A segundo grande cliffhanger vem da narrativa secundária com Rousseau finalmente localizando Shaw na loja de cosméticos iniciando uma sequência espetacular que será concluída apenas daqui uma semana.

Aos poucos Person of Interest vai construindo uma excelente temporada, talvez não seja tão eficiente como o arco da H.R. ano passado, mas está longe de ser menos empolgante, afinal não chegamos aos momentos cruciais ainda, mas este episódio deixa claro que os disfarces do “team machine” estão prestes a cair, começando por Shaw e acredito que o disfarce de Reese será o próximo, afinal não sei quanto tempo ele conseguirá enganar sua terapeuta (poderia rolar um romance ali hein, os dois ao menos tem química) e o resto do departamento de polícia.

“Point of Origin” talvez possa ser considerado o segundo melhor episódio da temporada (perdendo apenas para o magnífico “Prophets”), mais por conseguir fazer duas narrativas funcionarem de forma empolgante e se cruzarem em determinado ponto da trama. Com um roteiro bem escrito ligando boa parte dos episódios passados e ainda criando diversas novas possibilidades para os que estão por vir, contando ainda com uma direção equilibrada, uma edição esperta e ótimas reviravoltas, temos aqui os ingredientes perfeitos para o que pode ser um dos mais surpreendentes “fall finales” da série até agora. A ausência de Root me preocupa, ela e a “machine” deveriam estar cientes desse eminente ataque a Shaw, mas espero que nossa hacker favorita volte a tempo de salvá-lá e ainda ajudar o resto do “team machine” nesta guerra interminável contra Samaritan e Brotherhood.

Observações de Interesse:

“Point of Origin”: O nome do episódio “Ponto de Origem” se refere exatamente a busca de Martine Rousseau na tentativa de capturar Shaw, investigando a partir da primeira pista indo a prisão conversar com uma comparsa de Tomás, até chegar em Romeo e descobrir o paradeiro de Sameen na loja de cosméticos já final do episódio, ou seja, seu ponto de origem.

Dominic: O líder da Brotherhood, se mostrou um vilão inteligente ao colocar seu plano em prático para destruir Elias, além do que ele já começa a focar seu alvo também no detetive Riley, sempre evitando que seus planos se concretizem. Sua melhor cena foi aquela na escola ensinando valiosas lições ao líder da gangue de baixo-escalação “The Trinitario” mostrando que o personagem tem mais a mostrar do que se imagina, ainda assim espero mais deste ator que interpreta o vilão, ele ainda não me convenceu muito.

Referências: O pequeno monólogo de Mini na sequência da escola falando sobre círculos e possibilidades lembra bastante a aula que Finch deu no episódio “2πR” (2×11) falando sobre a importância do π. Seria legal se ele estivesse estado presente naquela aula com Harold, mas nem POI consegue conectar tantos fatos assim.

Shaw e Fusco: Saudades desses dois trabalhando juntos, pois sempre surge algum momento engraçado como a cena do Fusco dormindo no carro sendo cutucado pela Shaw. Gosto desta dupla desde que Shaw salvou o filho do Lionel na temporada passada.

Decima & Samaritan: Fiquei me perguntando se Greer e a Decima irão perceber que há algo errado com Samaritan, afinal quando Rousseau localizou a Shaw, a máquina não conseguiu identifica lá no local, precisando dos olhos da agente para realizar tal ação, estou interessado em saber se através deste pequeno detalhe será a porta para os disfarces da equipe caírem.

Snowden & NSA: Legal a referência que Mini fez ao ex-analista da NSA, toda vez que POI faz alguma menção relacionada à agência e a ao Snowden a série dá um passo para dentro da nossa realidade.

Rousseau: Assim como Dominic teve sua melhor participação na série até agora, a agente a serviço do Samaritan teve sua melhor participação aqui, rastreando alvos, usando a fraqueza de seus adversários contra os mesmos, sendo “badass” (aquela cena no bar) quando preciso e ainda conseguindo localizar seu maior alvo até agora.

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Momento Bear: Nosso mascote favorito ajudou Reese e Dani a escaparem da escola depois de estarem encurralados pelos capangas de Dominic. Go Bear go.

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Momento Reese especial (com John e Dr. Iris Campbell): Eu já tinha desconfiado que essa terapeuta fosse algo mais na vida do John, após este episódio tenho quase certeza que os roteiristas estão preparando algo para estes dois, porque afinal Reese deu uma se Superman salvando a vida dela em meio a um tiroteio.

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O que acabou de acontecer aqui?

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O que você estava dizendo mesmo sobre meu complexo de herói?

Curiosidade: Garcia o líder da gangue “The Trinitario” que apareceu no episódio sendo morto pelo seu subordinado a mando de Dominic, já havia aparecido na série no episódio “The Crossing” (3×09).

As melhores frases do episódio, top 5:

“No matter who they become or where they hide, there will always be the people they meet, the people they love, the people they wrong.” (“Não importa quem eles se tornem ou aonde eles se escondam, sempre haverá pessoas que eles se encontram, as pessoas que eles amam, as pessoas que eles erram.”) – Martine para Greer

                “Iris, my school didn’t have bullies. I kept them in line.” (“Iris, minha escola não tem balas. Eu mantenho eles na linha”) – Reese (ou Mr. Irônico) para Iris

                “Sorry to get all Dick Cheney on you. Had they been slugs, you would’ve lost an arm.” (“Desculpe dar uma de Dick Cheney em você. Se tivessem sido lesmas, você poderia ter perdido um braço”) – Martine para Romeo

                “I had a math teacher once, said, ‘All the world’s infinite possibilities, rest within this one simple circle.’ Including the possibility that the big, quiet kid in the back of the class, the one that everyone always underestimated, could one day run the streets of New York.” (“Eu tive um professor de matemático antes, “todos os mundos são infinitas possibilidades, descansando dentro deste simples círculo”. Incluindo a possibilidade do grande, quieto garoto no fundo da classe, aquele que todo mundo sempre subestimou, poderia um dia governar as ruas de Nova York”) – Dominic

                “No worries. I found her.” (“Não se preocupe. Eu encontrei ela”) – Martine para Samaritan.

 E no próximo episódio prepare o coração, pois teremos muita ação e momentos de tensão com a continuação deste episódio com final explosivo, veja a promo abaixo.


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