Review | Person of Interest 4×05: “Prophets”

João Paulo

  segunda-feira, 27 de outubro de 2014

Review | Person of Interest 4×05: “Prophets”

GUERRA! Uma grande conspiração, uma trama política envolvente, Team Machine VS Team Samaritan, Reese precisando de terapia, de volta ao “dia 1” com Finch e Ingram, tudo isto no melhor e mais poderoso episódio da temporada de POI até agora.

Primeiramente respire fundo, ok já respirou, então vamos começar a falar do melhor episódio desta temporada até agora, simplesmente incrível em todos os aspectos. Era fato que os quatro primeiros episódios eram apenas um ensaio para o que está por vir, dessa forma “Prophets” é direto, objetivo, assustador, revigorante e espetacular. Não, eu não estou exagerando e olha que já passamos por muitos episódios sensacionais antes e este não é diferente, pois teve respostas, teve conspiração, teve ação da boa, roteiro enxuto e atuações na medida.

A trama central do episódio é bem política, algo que sempre gostei em POI que sempre soube misturar bem esta temática com contexto na série trazendo questionamentos e servindo como ponte para nossa realidade, dessa forma a história focada na vítima da vez Simon Lee (Jason Ritter de Parenthood e The Event), um guru da política que consegue prever o resultado das eleições através de cálculos matemáticos e fazendo pesquisas de opinião, trás uma atmosfera conspiratória á eleições para governador de Nova York entre a candidata Martine Perez e o candidato a governador Murray, este auxiliado por Lee.

Inicialmente a história de Simon aparenta ser algo normal, até que a vitória da candidata que fazia oposição ao candidato dele mudar todo o contexto da narrativa. O fato é que Lee tinha certeza que seu candidato ganharia, o cara era expert em seu trabalho e nunca tinha perdido uma eleição, mas o problema é que tinha um Samaritan em seu caminho. Do momento em que Finch e companhia descobrem que a máquina maligna de Greer é responsável direta pelos resultados da eleição, a trama entra em um caminho paranoico e traçoeiro.

Se em “Nautilus” (4×02), tivemos um vislumbre de como Samaritan pode ser perigoso, aqui em “Prophets” finalmente conhecemos seu verdadeiro poder. É incrível como o roteiro assinado brilhantemente por Lucas O’ Connor (dos excelentes “Aletheia” e “Death Benefit” da terceira temporada) consegue englobar diversas respostas e levantar milhões de outras mais sobre esse inimigo implacável, dessa forma temos aqui um verdadeiro escopo do plano mestre desta máquina no presente e a volta dos flashbacks a série para criar um parâmetro de comparação para ajudar o público a entender como este antagonista pensa.

É uma grata surpresa que os roteiristas tenham conseguido trazer Ingram de volta ao contexto da série, como citei os flashbacks com ele e Finch são cruciais para entendermos a mente do Samaritan. Dessa forma retornamos ao final do ano de 2001 num período entre outubro e dezembro em uma série de flashbacks com Harold tentando construir uma versão perfeita da “machine”, sabíamos que ele seria bem sucedido no dia 01∕01∕2002, afinal essas cenas se passam antes dos flashbacks do “Dia 1” do episódio “The Contingency” (2×01), mas o fato é que não sabíamos como foi difícil para ele conseguir trazer a vida a versão da “machine” que conhecemos hoje.

O roteiro cria um paralelo genial entre a “machine” e o “Samaritan” neste contexto, desta forma assistimos Finch versão 2001 penando para construir um código algorítmico que não apresentasse algum tipo de falha, por diversas vezes sua criação insistia em fazer algo inusitado e perigoso. A narrativa aqui a todo o momento mostra como uma A.I. (Inteligência Artificial) pode ser perigosa se agir livremente, em diversas versões diferentes a “machine” apresentava algo nocivo em seu código, à capacidade evolutiva dela era tão grande que chegou a criar por conta própria novas linhas de código dentro do algoritmo que Harold já havia criado, permitindo ela ter comportamentos estranhos, como capacidade mentir, tentar escapar, hackear sistema persuadindo pessoas e até tentar matar Finch quando esta se sentiu ameaçada.

Se analisarmos o que foi dito estas características podem ser atribuídas ao Samaritan também, afinal este “Deus” é a versão da “machine” sem barreiras, um sistema imprevisível, capaz de manipular e controlar tudo ao seu redor, além das características de revidar quando ameaçado. Esta máquina usa humanos como meio para chegar a um fim, desta forma é quase que assustador descobrir que a vitória da governadora Martine Perez era apenas parte de um plano maior que envolvia o assassinato da mesma e sua sucessão pelo seu vice Nick Dawson.

O fato é que o Samaritan está entrando no cenário político controlando pessoas (58 através das eleições) com altos cargos pelo território dos EUA, sem falar naqueles infiltrados dentro de órgãos do governo. É importante notar que o retorno de Greer em “Prophets” trás a resposta de que Martine Rousseau está trabalhando com ele para concretizar o plano desta inteligência artificial, e nenhum momento ela parece receber ordens do mesmo, o que torna o vilão apenas uma peça do xadrez, não sendo parte integral dela, podendo ser descartado a qualquer momento.

Situação semelhante ao de Simon Lee que no meio de toda essa conspiração é considerado um efeito colateral indesejado sendo um alvo prioritário para Samaritan que usa sua agente para eliminá-lo. Funcionando como uma espécie de parte física do Samaritan, a agente faz seu retorno à série de maneira tenebrosa, assim como ela agiu na primeira cena de “Panopticon” (4×01), aqui ela vem para limpar as pontas soltas desta conspiração eliminando possíveis ameaças ao sistema.

Assim somos brindados com uma das melhores cenas ação da série até agora, talvez a atriz Carla Buono não tenha uma atuação primorosa, mas ela consegue empregar um jeito robótico a sua personagem Rosseau, que auxiliada pelo Samaritan em “god mode” (sim ele tem um que nem a “machine”) vira uma espécie de exterminadora (lembra bastante a TX do filme Exterminador do futuro 3), letal e perigosa. Toda a sequência do hotel é extremamente bem filmada, o diretor Kenneth Fink (dirigiu o episódio “Ragozvor”(3×05)) consegue ângulos sensacionais, somado a uma edição esperta e uma trilha sonora empolgante, a cena valeu pelo episódio inteiro.

A luta entre Root e Rousseau marca o primeiro confronto entre a “machine” e o Samaritan, e com certeza não será o último, mas deu uma boa ideia de como serão as próximas lutas daqui para frente. Este confronto teve um peso maior para hacker que aqui ganha espaço na história tendo um de seus melhores momentos na série até agora.

Este episódio trouxe diversas facetas de Root, nós nunca estivemos tão íntimos e nos importamos tanto com a personagem quanto em “Prophets”, o roteiro foi esperto em trazer a dinâmica entre ela e Finch novamente para série, dois personagens que começaram como inimigos mortais e que acabaram compreendendo um a outro ao longo do tempo através do relacionamento distinto que ambos possuem com a “machine” e com isso se tornando amigos e confidentes, como ficou claro nas cenas no QG e nas cenas no quarto do hotel enquanto vigiavam Simon Lee, cenas que, aliás, trouxeram o melhor dos atores em cena, destaque para Amy Acker que emocionou revelando aspectos mais humanos possíveis da Root, inclusive a confirmação do romance entre ela e Shaw, que se antes não passava de flertes, agora se revelou algo mais para delírio dos fãs.

A verdade é que aqui descobrimos que Root não só está com uma comunicação limitada com a “machine”, como também fazia tempo que não se comunicava com a mesma, é importante salientar como os roteiristas conseguem trazer aquela atmosfera de paranoia e medo do final da terceira temporada á tona, tudo aqui representado através da hacker que projeta um cenário sombrio ao perceber que Samaritan sempre está infinitos passos a frente do “team machine” e que sacrifícios terão que ser feitos mais cedo ou mais tarde nesta guerra em que estão vivenciando.

Outro aspecto de “Prophets” é fato de tentarem criar um clima de ninguém está a salvo, que aqui pode até não funcionar muito bem, apesar de ficarmos apreensivos ao ver Root se arriscar expondo-se daquela forma para deter a agente Rousseau e salvar Simon Lee no processo. Com Harold, Shaw e Finch tendo trabalho para proteger o POI da semana e foco nesta conspiração toda, a trama secundária envolvendo Reese serve apenas para amenizar um pouco a tensão do plot principal.

Eu tenho algumas considerações importantes a fazer sobre este arco que os roteiristas criaram para John nesta temporada. No episódio anterior eu manifestei que seria difícil para o personagem manter esse disfarce por muito tempo, em “Brotherhood” (4×04) já foi complicado para Reese proteger as crianças e ainda cuidar para não se revelar muito com a detetive auxiliando no caso, aqui em “Prophets” o método “man in the suit” de resolver as coisas começa a chamar uma atenção maior levando ao departamento pedir que Reese faça terapia.

No contexto do episódio em si ganhamos a oportunidade para o amigo de Finch se abrir mais, talvez seja uma forma dos roteiristas de mostrar mais da persona de Reese e talvez levar o personagem a ter maior equilíbrio de suas ações, em alguns momentos funciona muito bem, vide a última cena dele se abrindo mencionando a amiga dele detetive (adoro quando mencionam Carter nas entrelinhas) que morreu e que causou um grande impacto em sua vida. Por outro lado este disfarce já começa a prejudicar o lado herói do personagem, limitando suas ações pelo fato dele ter que seguir protocolos, algo que sabemos que para o “man in the suit” é um grande desafio.

Outro ponto negativo talvez seja que por causa disto, Reese fique fora em boa parte da ação deste episódio, aparecendo em momentos esporádicos, apenas para ajudar Shaw. Este tipo de fato pode até ter funcionado neste episódio, porque Sameen e Root deram conta do recado direitinho, mas acredito que não podem limitar o trabalho do John tanto em episódios futuros a ponto dele não conseguir participar do centro das tramas, isto tiraria um pouco da função do personagem, que no final das contas ainda é o herói da série.

Tirando esta pequena ressalva, não podemos negar, o episódio “Prophets” cumpre seu papel de forma bastante coerente, conseguindo incendiar a guerra contra Samaritan de vez. Com um roteiro estupendo, temos aqui diversas respostas importantes que irão repercutir por toda a temporada. Os paralelos feitos entre Samaritan no presente e a criação da “machine” no passado foi crucial para entendermos um pouco da mente deste vilão supremo, sem falar também descobrimos que seu plano está a pleno vapor, e o fato dele usar a compaixão humana para controlar e manipular políticos pelo território norte-americano mostra que seu verdadeiro objetivo é governar humanidade a qualquer custo.

Ainda que este cenário seja considerado sombrio, a narrativa faz questão de afirmar que ainda há esperança para Finch e companhia virarem o jogo, e a resposta está exatamente na relação entre Finch e a “machine”, essa relação conturbada de pai e filho que passou por vários momentos conturbados na terceira temporada, com a decepção do pai com sua criação no episódio “Death Benefit” (3×20) quando esta pediu para que ele tirasse uma vida humana para salvar o restante da humanidade, passando pelo fato dela agir por conta própria deixando ele de fora na maioria de suas ações.

No entanto Root lembrou um fator importante, o fato de Finch ter conseguido fazer a “machine” se importa com a vida humana, essa é a principal diferença dela para o “Samaritan” e talvez a única forma de encontrarem uma forma de combater esse poderoso inimigo seja estabelecendo a relação que tinham antes, talvez Harold seja o grande guia para que a “machine” possa evoluir para algo que ele sempre almejou uma arma perfeita para salvar a humanidade que não apresente riscos.

Desta forma a última cena talvez seja o ponto de virada para Finch e a “machine”, talvez esta última cena seja o primeiro escopo de que finalmente veremos o antigo Harold, aquele do ano de 2002 dos flashbacks do episódio “All In” (2×18) que ensinou importantes valores para sua criação de volta, no intuito de servir como mentor para sua inteligência artificial que enfrentará importantes batalhas num futuro próximo. A primeira foi vencida, afinal conseguiram salvar Simon Lee e ainda conseguiram fazer Samaritan desistir de matá-lo, como Root disse, mesmo que o “team machine” esteja vinte passos atrás, ainda é possível conseguir algumas vitórias pelo caminho.

Estamos no quinto episódio e a temporada está inflamada como nunca, “Prophets” prova que Person of Interest está melhor do que nunca e com fôlego para conseguir fazer outra temporada espetacular, tecnicamente à série continua impecável tendo poucos pontos negativos até agora. Os roteiristas mostram que tem todo controle da narrativa e pode-se imaginar que atingimos apenas a ponta do iceberg e que as coisas ainda prometem se complicar muito daqui para frente, afinal Samaritan já marcou seu próximo alvo.

poi 4x05 00

Observações de Interesse:

– Prophets: são pessoas que acreditam ter a capacidade de prever o futuro com alto nível de precisão. No caso de “profetas” (no português) como o POI Simon Lee, este usam previsões baseadas no conhecimento que possuem  ou em evidentes que estão ao seu redor. Este termo normalmente é usado para pessoas ligadas à religião, mas em alguns casos acaba sendo usado de forma ampla, como habilidade de Simon de prever o futuro. Este termo serve também como alusão a inabilidade de Finch no flahsback em prever com previsão o que a “machine” fará no futuro.

Bullet Time: A técnica de efeitos especiais que já foi usada em Matrix, também já foi utilizada diversas vezes em POI, aqui em “Prophets” ela é utilizada pela terceira vez no momento da luta entre Root e Rousseau no exato momento em Simon entra no elevador tentando escapar do tiroteio no hotel.

Trilha Sonora: A excelente música utilizada na cena de luta entre nossa hacker favorita e a agente do Samaritan se chama “Young Men Dead” da banda The Black Angels.

– Root Vs Martine Rousseau: uma gif vale mais do que mil palavras, essa cena de luta foi espetacular e vale a pena ser conferida novamente.

poi 4x05 01

Curiosidades: Alguns fatores interessantes sobre o episódio, a primeira foi que Finch foi sinalizado com um quadrado vermelho durante uma das cenas do flashback, outro fato curioso é que o sobrenome “Harold Cardinal” também é um nome de um pássaro e por último a cena que fecha o episódio com Finch olhando para câmera falando direto com  a “machine” remete a última cena season finale da primeira temporada “Firewall”, que teve Reese vivendo a mesma situação.

poi 4x05 02

Eleições 2014: Algo me diz que os roteiristas de POI estavam ligados nas eleições brasileiras quando escreveram o episódio, estou brincando, mas que as fraudes e disputas eleitorais lembram bastante o momento que estamos vivendo hoje na escolha presidencial e outros cargos públicos.

Top 5 das melhores frases:

                – “I have a hobby, shooting people” (“Eu tenho um hobby, atirar em pessoas”) – Reese para Fusco

“Friendliness is something that human beings are born with. A.I. are only born with objectives. I need to constrain it, control it. Or one day it will control us.” (“Simpatia é algo que o ser humano já nasceu consigo, Inteligências Artificiais apenas nasceram com objetivos. Eu preciso contê-lá, controlá-lá. Ou um dia ela irá controlar nós”) – Finch (vidente) para Ingram

“There are far too many bad people in this world, and not enough good. I knew a detective once; she was the best cop I ever knew. Never lost sight of good and evil. I couldn’t save her. Now this job is dangerous; you think I am too. So be it. Maybe that makes me unfit to be a cop. And if I don’t save these people, nobody else will.” (“Existe bastantes pessoas más neste mundo, e não muitas boas o suficiente. Eu conhecia uma detetive antes, ela era a melhor policial que eu conheci. Ela nunca se perdeu de vista entre bem e o mal. Eu não consegui salvá-lá. Agora este trabalho é perigoso, e você pensa que eu também sou. Que seja. Talvez isto me faça inapto para ser um policial. E se eu não salvar essas pessoas, ninguém irá.”) – Reese para terapeuta.

– “The difference between the Machine and Samaritan… it’s you.” (“A diferença entre a “machine” e o Samaritan….É você.”) – Root para Finch

“It’s time we had a talk, you and I.” (“Chegou a hora de nós conversarmos, você e eu”) – Finch para “machine”

– No próximo episódio Reese e Finch terão muito trabalho para proteger um policial impostor, veja promo abaixo.


Já está nos seguindo no Twitter e no Facebook? Vem trocar uma idéia com a gente também no Botecão do Jack, nosso grupo no Facebook. Se quiser algo mais portátil, corre pro Telegram.

Comentários