Review | Person of Interest 4×04: “Brotherhood”

João Paulo

  segunda-feira, 20 de outubro de 2014

Review | Person of Interest 4×04: “Brotherhood”

O novo episódio de POI trás o surgimento de uma nova ameaça em um caso cheio de perigos e boas reviravoltas.

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E mais uma semana se passou e chegamos a mais um episódio de inédito de POI, que como eu vinha dizendo vem apresentando uma temporada bem consistente. Em “Brotherhood” temos a apresentação de uma trama redondinha, que se não empolga como as anteriores, ao menos trás reviravoltas interessantes, a introdução de um novo inimigo para o “team machine” e retorno de Elias que parece que irá estar mais integrado com o plot principal abrindo um leque de possibilidades para o futuro.

Então comecemos pela história do episódio que envolve desta vez duas vítimas, na verdade duas crianças, os irmãos Malcolm e Tracie Booker que roubam uma mochila de dinheiro depois de um tiroteio envolvendo a máfia armênia e a gangue conhecida como “Brotherhood” coincidente o título que dá nome ao episódio, pois é exatamente neste grupo que a narrativa foca, com os membros desta gangue orquestrando uma verdadeira caçada atrás das crianças por Nova York em busca do dinheiro roubado.

Uma das características que sempre menciono ao falar de POI é esta capacidade da série de introduzir diversos vilões durante suas temporadas, aliás, esta qualidade aproxima o seriado de características de quadrinhos (ou HQs para os íntimos) com uma nova ameaça constante a todo o momento. Com o fim da H.R. na temporada passada, a galeria de vilões seria reduzida drasticamente, não foi à toa que foi introduzida uma nova ameaça no episódio “The Last Call” (3×15), que ainda não retornou a série, mas provavelmente irá aparecer em algum momento no futuro.

No caso deste episódio a introdução do arco da gangue “Brotherhood”, trás esse grupo como novos vilões para mitologia da série, o interessante aqui é que se pensava que a história envolvendo o grupo em “Panopticon” (4×01) era algo de um caso só, afinal Reese tinha detido a gangue com ajuda de Elias e ainda tinha prendido o “líder” deles o bandido chamado Link, mas aqui o bandido não só retorna como também abre caminho para o verdadeiro cabeça desta organização criminosa fazer sua estreia no seriado.

A narrativa segue um tom mais linear focando mais na história do episódio, deixando tramas secundárias como a de Finch e Elias mais isoladas entrando em pontos esporádicos durante o plot, com isto o “team machine” trabalham de uma forma mais coordenada todos contribuindo para resolução do caso da semana que por si só trás vários entraves e perigos constantes. Um dos problemas do episódio a meu ver é o fato de ser mais cadenciado do que o normal, aqui o ritmo não é muito bom, tornando algumas cenas mais lentas e carecendo de ação para funcionar melhor, esta que empolgam mais no final da projeção do que na sua primeira metade.

No entanto o roteiro desenvolvido por Denise Thé busca a todo momento acerta o tom da história e até consegue em diversos momentos, como na construção da amizade entre Reese e as crianças, principalmente o garoto Malcolm, que faz lembrar a relação que o nosso “man in the suit” teve com outro garoto no episódio “Wolf And Cub”(1×14), além do que a escrita também acerta ao dar espaço para Shaw e Fusco auxiliarem Reese no tempo certo, este último ajudando a salvar o dia no melhor estilo “John Reese” atirando na perna dos bandidos.

A parte previsível do roteiro fica clara na introdução da detetive Erica Lennox, que aqui serve de ajuda Reese (ou Riley como ele é conhecido) até se revelar uma policial corrupta trabalhando para gangue “Brotherhood”, cena esta que é revelada sem nenhum tipo de mistério sendo estranho já que POI sempre teve como qualidade a criatividade de revelar algum inimigo de forma surpreendente e inusitada o que não ocorreu neste caso.

Felizmente se a escrita falha nesta revelação sobre a detetive ser bandida, ao menos acerta ao conseguir revelar o líder da gangue “Brotherhood” de forma inusitada e coerente. Achei esperto colocarem um vilão tão jovem para ser líder deste grupo criminoso, Mini apareceu no episódio como bandido comum, que tinha um jeito meio atrapalhado, que foi capturado e quase torturado pela Shaw, mas que no final se revelou o cabeça do grupo, surpreendentemente ele é quem dava as ordens a Link e companhia. Este fato por sinal lembra bastante à primeira aparição de Elias e Quinn (H.R.) que estavam bem perto da ação e acabaram por enganar Reese e companhia em ambos os casos.

Pessoalmente quando assisti o episódio pela primeira vez achei que o ator Winston Duke não convencia muito como vilão, mas ao ver de novo percebi que ele tem potencial, resta saber se ele será tão memorável quanto os outros que a série tem ou já teve. Falando em vilões, como mencionei no começo do texto tivemos aqui o retorno de Elias que surgiu para ajudar Finch com informações sobre o caso das crianças, trazendo duas sequências interessantes e um surgimento de um possível plot para o vilão.

A história deixa pistas que o antagonista de Reese e do “team machine” pode entrar nesta guerra contra Samaritan, à conversa entre Elias e Finch é cheio de enigmas, mas também consegue ser objetiva, era fato que Elias com os recursos e a inteligência que tem iria desconfiar do fato de Harold e John estarem usando nomes falsos para se esconder de alguma ameaça que fica claro na última cena do episódio.

Outro ponto positivo é o fato de Finch estar mudando o jeito de enxergar as coisas, no episódio anterior ele aceitou bem o fato da “machine” ter usado ações corriqueiras para garantir a equipe recursos financeiros e armamentistas, mesmo que estes viessem de fontes ilícitas, aqui em “Brotherhood” ele começa a perceber que precisará de alianças (mesmo que esta não sejam de seu gosto) para vencer Samaritan, e Elias pode ser uma peça chave por ter recursos dentro do submundo que poderiam ser úteis para ele em algum momento.

Desta forma pode-se dizer que o episódio “Brotherhood” ficou um pouco abaixo dos episódios anteriores, a falta de ritmo e algumas previsibilidades contribuíram para isto, ainda assim a trama sai como um saldo positivo e mantendo ótima qualidade principalmente por conseguir ter sua relevância para a temporada ao introduzir um novo inimigo (através do caso da semana) que promete causar muitos problemas para o “team machine” no futuro, principalmente pelo fato do líder da gangue “Brotherhood” Mini ou Dominic saber que Riley e Shaw estão colaborando um com o outro, será que teremos aqui um grupo tão forte quanto a H.R. foi?

O episódio também foi esperto ao trazer Elias para dentro da trama principal da temporada, estou curioso para saber se realmente irão utilizar o vilão neste plot. É importante salientar também a mudança de comportamento dos personagens e sua evolução constante durante estes quatro episódios, a mais perceptível como eu disse foi a de Finch, tendo atitudes que em temporadas anteriores ele nunca teria, sem falar em Reese que aqui vem ganhando ainda mais espaço por causa de seu disfarce como detetive, aliás, esta identidade está cada vez mais difícil de manter, neste episódio tivemos prova disto, chegará momentos em que nosso “man in a suit” não conseguirá mais fingir, enquanto este momento não chega podemos aproveitar a excelente dinâmica que o “team machine” trás em todos episódios mostrando que estão mais preparados do nunca para enfrentar o que está por vir.

Observações de Interesse:

Root: Nossa hacker favorita não apareceu no episódio, mas a verdade é que nesta trama não sentimos muito sua falta, com certeza ela deve retorna em breve.

Samaritan∕Machine: Não sei se fui só eu que percebi, mas o episódio dividiu-se entre o ponto de vista do Samaritan e o ponto de vista da “machine”, exemplo foi no tiroteio no começo, quando o Samaritan classifica a ação entre os armênios e a gangue Brotherhood como algo irrelevante, em outros momentos quando a câmera pega Reese ou Finch, podemos ver os quadrados amarelos em ambos, sugerindo que estamos vendo pelo o olhar da “machine” também, intrigante e genial.

Agente do DEA: A morte da agente no final do episódio deixou uma forte impressão que a gangue “Brotherhood” não está para brincadeira, gostaria de ver a reação do Reese à morte dela.

The Insivible Man: O primeiro livro da trilogia de H.G. Wells de 1897 que Finch entrega para Elias de forma avisá-lo do perigo que o mesmo corre ao procurar por respostas, conta a história do cientista Griffin que consegue descobrir uma forma de ficar invisível, mas que não consegue reverter o processo permanecendo desta forma.

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Bear: nosso cachorro favorito fazendo arte e comendo os artigos que o professor Whistler deveria corrigir, uma gif vale mais que mil palavras.

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– Top 5 melhores frases:

“You tell me what I want to know, it’s a pit-stop. You don’t… it’s your final resting place.” (“Você me diz o que eu quero saber, então paramos. Você não me diz… aqui será seu último lugar para descansar em paz.”) – Shaw para Mini

“You can’t make something right by doing something wrong.” (“Você não consegue fazer algo certo, fazendo algo errado”) – Reese para Malcolm

“It’s a tricky business, playing a game in which you’re unsure of the pieces.” (“É um negócio arriscado, jogar um jogo que você não ter certeza das peças.”) – Elias para Finch

“And in this game, I fear losing is not an option.” (“E neste jogo, Eu tenho receio que perder não seja uma opção”) – Finch para Elias

“Only one rule… We all die in the end.” (“Apenas uma regra…Nós todos morremos no final”) – Dominic para Link

– Segure no assento ai porque no próximo episódio o bicho vai pegar, veja a promo e comprove o que estou dizendo.

https://www.youtube.com/watch?v=plnOz8MFeB0


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