Review | Person of Interest 4×03 – “Wingman”

João Paulo

  segunda-feira, 13 de outubro de 2014

Review | Person of Interest 4×03 – “Wingman”

Uma pegava mais leve. Fusco ganha mais espaço, Finch e Root vão a uma caça ao tesouro, Shaw e Bear em ação, e Reese fica atarefado tendo que lidar com a nova Capitã na delegacia de NY neste divertido e engraçado episódio de POI.

E chegamos a mais um episódio de Person of Interest, e como já era de se esperar o este resolveu diminuir um pouco o ritmo dos dois intensos primeiros episódios, ainda assim apesar de “Wingman” ter uma pegada mais leve, a qualidade não decaiu, tendo bastante desenvolvimentos de personagens e diversas tramas paralelas que manteve o espectador intertido por quarenta minutos.

O grande trunfo da trama do episódio foi apostar no humor e dar espaço a um dos personagens do elenco principal que menos tinha se destacado nos dois episódios anteriores, mas sem deixar dar espaço ao resto dos principais é claro. Não sei se alguém sentiu, mas senti que a trama era bem parecida com o filme do Will Smith, “Hitch – O Conselheiro Amoroso”, aliás, o termo “wingman” é usado por aqueles profissionais que são contratados para ajudar homens tímidos e desajeitados a conseguirem uma parceira ideal.

Esta é a função do “ wingman” Andre Cooper o POI da semana que acaba por consegui o cliente mais inusitado possível. Achei o fato terem colocado Fusco disfarçado neste caso uma ótima ideia, o ator Kevin Chapman sempre teve um ótimo “timming” cômico e seu personagem é um dos mais queridos pelos fãs. Lionel sempre foi um pouco desajustado, então a esta missão caiu como uma luva para ele, para ajudá-lo aqui sobrou apenas Shaw como suporte e apoio nos momentos mais tensos, já que Reese estava ocupado na delegacia, enquanto Finch e Root saíram em numa interessante caça ao tesouro.

O roteiro assinado por Amanda Segel (dos excelentes episódios ““Zero Day”, “The Devil’s Share” e “A House Divided”) consegue um balanço ideal entre as tramas e injeta um ótimo ritmo nas cenas, mas o melhor aqui é o fato dela conseguir trabalhar todos os membros do “team machine” de modo cada um ter seu momento no episódio, tendo a direção de Frederick Toye como um complemento a excelente escrita dela.

Talvez o único ponto fraco de “Wingman” seja exatamente seu personagem título, mas neste caso que foi apenas um equívoco na escalação do ator que interpreta Andre Cooper, senti que o personagem deveria ter um pouco mais de carisma e presença de tela, assim como Will Smith tem no filme que mencionei anteriormente, desta forma a trama envolvendo ele só funciona devido à presença de Fusco, que trás carisma e humor mostrando um lado mais pessoal e relaxado de seu personagem, aliás, isto se comprova na cena em que ele sai todo bem vestido da loja de ternos.

Como citei anteriormente, para dar suporte a Fusco tivemos Shaw, retomando uma dupla que nós não víamos juntos a um bom tempo. Sameen aqui funciona como a mulher da ação, deixando de lado seu trabalho na loja de perfrumes e seu emprego noturno de ladra temporariamente para bater em capangas (com auxílio de Bear é claro) de um grupo de bandidos que tinha contas a acertar com Cooper. Assim ela preenche o espaço que normalmente é direcionado a Reese que desta vez teve que fazer seu disfarce valer a pena, com a nova capitã do departamento de polícia não dando folga para que ele resolvesse os casos pendentes.

Devo dizer que gostei da adição da atriz Monique Gabriela Curnen (Batman – O Cavaleiro das Trevas e Contágio) no papel da Capitã Felícia Moreno, principalmente porque ela teve boa química com Jim Caviezel, sendo assim podemos esperar que a personagem torne-se recorrente na série. Falando mais deste plot temos Reese experimentando realmente o que é ser detetive, depois de ter desdenhado do Lionel várias vezes por fazer corpo mole para trazer informações ou solucionar casos, é bom para John entender que o trabalho do Fusco é ainda mais complicado quando se tem seguir o lado correto da lei. Apesar disto Reese ainda conseguiu impressionar a capitã, capturando bandidos e derrubando quadrilhas inteiras de forma rápida transparecendo que ele tinha um dom nato para o serviço.

O interessante dessas tramas paralelas é que cada uma delas carregam algum tipo de humor diferente, mais uma vez o roteiro se faz importante por costurar bem as narrativas que acabam até se cruzando e determinado momento do terceiro ato, como por exemplo, o fato do caso que Reese investigava estar ligado ao caso que Fusco e Shaw estavam cuidando. De todos estes plots, o que melhor funciona em minha opinião é o que envolve a jornada de Root e Harold em uma missão especial orquestrada pela “machine”.

Falando na criação de Finch, é importante notar que neste episódio voltamos a ver os acontecimentos através do ponto de vista dela, depois de dois episódios sobre o ponto de vista do Samaritan (que em breve deve voltar para centro da narrativa), mostrando que a chefe de Root continua atuando mesmo mantendo suas ações limitadas e sigilosas para não ser detectava pela entidade maior.

É neste instante que a narrativa se mostra inteligente ao fazer um pequeno paralelo com episódio anterior “Nautilus”, enquanto naquele Samaritan guiava a POI Claire numa caça ao tesouro soltando pista para que ela decifrasse até chegar ao prêmio, aqui em “Wingman” a “machine” utiliza-se de um artifício semelhante colocando Finch e Root numa perseguição interessante envolvendo várias negociações ilícitas transformando Harold em um chefão temido no submundo do crime no intuito de levá-los ao derradeiro propósito daquela missão.

O que mais empolga em Person of Interest é essa capacidade de se ater aos detalhes, neste caso especificamente podemos perceber que desde que a “machine” despertou novamente na premiere, está seguindo um plano para restabelecer o “team machine” de novo de forma que eles possam ter como enfrentar Samaritan e a Decima num futuro próximo. Em “Panopticon” o primeiro passo foi unir o grupo (naquele caso utilizando Reese como chave desta conexão) e criar um novo tipo de comunicação, no segundo episódio tivemos a inauguração do novo QG da equipe “The Subway” e agora neste terceiro episódio fechou-se um ciclo com captura de munição e dinheiro (já que Harold não podia acessar suas contas bancárias) que Harold já necessitava há algum tempo depois de utilizar o restante que tinha para reformar a “bat-caverna” da equipe.

Outro ponto positivo é que “machine” aprendeu que ações corriqueiras, como roubos, assaltos e outros fatos comuns da nossa sociedade não é algo que Samaritan trate como ameaça, dessa forma todas práticas que Finch e Root fizeram durante o episódio passou despercebido pela máquina maligna.

Desta forma chegamos à conclusão que o episódio “Wingman” consegue manter a qualidade da temporada intacta, mesmo abrindo mão do lado mais sério da série de forma temporária, talvez não seja inteligente quanto os anteriores, mas é de longe um dos mais divertidos que a série já proporcionou, bebendo da mesma fonte do bom “Lady Killer” (3×03) da temporada passada, mas com uma trama mais amarrada e momentos memoráveis proporcionado pelo elenco.

Em um episódio onde Fusco ganhou um espaço merecido, depois de ser um pouco deixado de lado nos dois anteriores, mostrando que um personagem querido por todos pode proporcionar momentos hilários, sendo um destes envolvendo flertes com belas mulheres (ainda que levando um fora da maioria delas) durante as festas arrumadas pelo seu “wingman” pessoal, que apesar de não ter caído no meu gosto pelo seu desempenho, ainda assim conseguiu trazer a autoestima do Lionel de volta e só por isso já compensa sua falta de carisma.

A trama também serviu para finalizar o arco do plano da “machine” de preparar “team machine” para o que está por vir, agora tendo os aparatos necessários, acredito que nos próximos episódios novos arcos devem surgir e a história principal com Samaritan deve voltar ao foco aos poucos, no entanto vale destacar o começo promissor desta quarta temporada que por enquanto tem um dos melhores (senão o melhor) inícios da série até agora.

Observações de Interesse:

– O Fusco: O último focado no personagem senão estou enganado foi o episódio 2×20 “In Extremis” quando ele estava sendo acusado de ter matado o parceiro corrupto. A última vez que vimos Fusco saindo com uma mulher foi no episódio “Til Death” (2×08), o personagem ficou um bom tempo sem se relacionar com alguém, afinal com o arco do fim da H.R., a morte da Carter e a ameaça da Decima, ele não teria tempo mesmo.

Curiosidades: Lembram-se da Rhonda, a garota que o Lionel levou para sair no episódio “Til Death” e que foi mencionada por ele neste episódio, então os roteiristas tinham um plano para a personagem que trabalharia para H.R. e Fusco iria descobrir que ela teria um caso com o falecido oficial Simmons, porém descartaram a ideia depois ver que os fãs estavam teorizando e cogitando essa possibilidade depois da exibição do episódio.

Trilha Sonora: essa temporada está recheada de boas canções, sendo que a primeira é “Whatta Man – Salt-n-Pepa feat. Em Vogue” que pode ser ouvida quando o personagem Andre Cooper entra no bar para se encontrar com Fusco, a segunda música é “Too Marvelous For Words – Frank Sinatra” que pode ser ouvida depois que Lionel dá um upgrate no visual e sai a caça atrás de sua cara metade.

Mr Egret: Finch pode até não ter gostado (mas ele se divertiu fingindo) de ter sido transformado num homem perigoso pela “machine”, mas o nome que ela escolheu ainda não destoa dos diversos nomes fakes de Harold, “Mr Egret” por exemplo, também é um nome de um pássaro.

Momento Team Machine: O episódio está cheio de ótimos momentos, mas três foram excelentes com Shaw, Reese e Root.

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Shaw mostrando porque é tão “badass”

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Momento Reese

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Root mostrando que continua em forma

The Subway: O novo QG está funcionando muito bem para equipe, todo mundo já parece confortável no lugar que tem seu charme, até Root já deu uma passada lá.

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E vocês o que acharam da nova casa do “team machine”?

Melhores frase do episódio, top 3:

– “I think I know who’s gonna to kill our guy. Me.” (“Eu acho que sei que vai matar nosso cara. Eu”) – Fusco para Shaw

“Holy crap. That is yesterday’s suit.” (“Que merda. Isso é um terno de ontem.”) – Shaw reagindo a avaliação de Cooper sobre as roupas do Fusco

“It’s because I have two modes, Jerry, calm and furious. It’s rare the person who see the latter and live to talk about it” (“É porque eu tenho dois modos, Jerry, calmo e furioso. É raro a pessoa que viu estes lados e viveu para contar a história.”) – Mr Egret…ops…Finch

– O próximo episódio promete mais ação e adrenalina para “team machine”, veja a promo abaixo.


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