Review | Person of Interest 3×23: “Deus Ex Machina” (Season Finale)

João Paulo

  sexta-feira, 16 de maio de 2014

Review | Person of Interest 3×23: “Deus Ex Machina” (Season Finale)

Monumental! POI não trouxe só um season finale, mas um caldeirão fervente cheio de reviravoltas, muita ação, mortes e o melhor cliffhanger da história da série até agora.

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Foi preciso que eu respirasse um pouco, tomasse um ar e parasse para pensar e refletir sobre tudo que aconteceu neste episódio final da terceira temporada. Primeiramente posso dizer que os roteiristas de POI estão de parabéns, conseguiram se superar mais uma vez e vou além em dizer que toda vez que episódios extraordinários como esse acontecem no decorrer da série tenho mais certeza que estamos presenciando um marco na TV de uma forma geral. Person of Interest não só construiu uma narrativa bombástica em “Deus Ex Machina”, mas redefiniu todos os conceitos básicos da série para algo maior do que qualquer coisa que nós poderíamos imaginar, estamos diante da versão “O Império Contra-Ataca” de Jonathan Nolan e Greg Plageman, onde o inimigo se tornou tão poderoso que a única forma de vencê-lo é se apoiar em um único sentimento capaz de manter a chama da luta acesa.

Antes de sabermos qual sentimento é este, vamos no ater aos fatos que levaram o episódio a fechar a temporada de uma forma tão brilhante e devastadora. O gancho deixado no final do episódio passado foi importante para mostrar que a narrativa deste novo episódio é um seguimento direto da história, inclusive no que diz respeito a flashbacks. Assim como na temporada passada e similar as estruturas dos episódios “Zero Day” (2×21) e “God Mode” que se completavam, temos algo bem parecido com “A House Divided” e “Deus Ex Machina”, ambos funcionam como um só, mas a diferença para por ai, já que a trama aqui é muito diferente dos eventos da segunda temporada.

O importante disto tudo é que o arco do episódio anterior focado no líder dos Vigilantes que tem sua história concluída neste novo capítulo que começa diretamente no tribunal armado por ele Peter Collier. Antes de falar das reviravoltas que acontecem após este julgamento público, vamos falar dos três personagens que se destacaram nele, Finch, Collier e Control, ambos com argumentos diferentes, apoiando em suas próprias interpretações sobre as questões envolvendo vigilância e projetos como “Northern Lights”.

Começando por Peter Collier que aqui chega ao ápice de sua vingança se tornando o júri e o acusador no tribunal organizado por ele numa forma de punir o governo norte-americano por abuso no uso de sistemas de vigilância. Mais uma vez e aproveitando a atuação sólida de Leslie Obom Jr. o roteiro aqui coloca as cartas na mesa fazendo o personagem interpretado por ele questionar tudo que o governo fez de errado ao esconder o programa “Northern Lights” do resto da população, um a um dos acusados ali eram coagidos a subir no palanque para ser questionado de suas ações de uma forma serem punidos pelos seus atos. E quando a resposta não era suficiente à punição era imediata (pobre Manuel Rivera), com isto todo aquele circo era uma forma de mostrar que as respostas viriam de uma forma ou de outra.

As cenas do julgamento “público” serviram também para tirar a melhor atuação de Camryn Manheim na série, desde que ela entrou sua personagem tem sido uma grata surpresa no papel de vilã, mas aqui Control mostra um lado diferente, mostra que é uma verdadeira patriota confessando tudo aquilo que achava pertinente que o seu governo tenha feito e ocultado da população numa forma de proteger cada cidadão, tanto ela como o senador Ross Harrison, não se importavam com as consequências, apenas com a finalidade que era oferecida por “Research” (codinome da “machine”) de ajudar a localizar ameaças terrorista em solo norte americano.

O maior problema de pessoas como Control e Harrison é que por causa deste pensamento elas são suscetíveis a serem enganadas mais fáceis, abrindo espaço para pessoas como Greer conseguirem o que querem. A verdade é que o episódio usa sua complexidade narrativa exatamente para esconder seu maior jogador, como a trama consegue trazer a tensão desejada nas cenas do julgamento, nas cenas agitadas na rua de Nova York com Reese e Hersh, além da parceria cada vez mais deliciosa entre Shaw e Root, somos levados a enxergar apenas aquilo que os roteiristas querem, nos desviando da verdade maior.

O que nos leva a parte mais importante do julgamento, a intervenção de Finch para evitar que Control tivesse o mesmo fim do conselheiro de inteligência da casa Branca. No momento que Harold confessou toda a verdade sobre “machine” e seus feitos, à série já tinha praticamente ido além de tudo que nós espectadores tínhamos visto até agora, Michael Emerson foi incrível ao conseguir trazer uma interpretação tocante e correta rebatendo basicamente todos os argumentos levantados por Collier no que se refere ter uma máquina vasculhando a vida de cidadãos.

Se apenas com essa revelação de Finch tudo já estava suficientemente chocante, logo depois seríamos bombardeados com centenas de reviravoltas uma atrás da outra. O maior trunfo do roteiro assinado por Greg Plageman e David Slack é a coerência de não fugir muito da mitologia que foi criada para esta trama da ascensão do Samaritan, talvez os flashbacks de Collier não tenham sido tão emocionantes quanto os do episódio anterior, mas funcionam muito bem para atiçar nossa curiosidade sobre aquele personagem misterioso que recrutou o líder dos Vigilantes e como a organização começou a atingir aos específicos que infringiam o direito de privacidade.

Tudo isto para que chegássemos à mente brilhante por trás de toda essa disputa, aquele que com uma estratégia quase impecável enganou a todos e conseguiu manipular tudo ao seu bel prazer, no maior estilo imperador Palpatine da franquia Star Wars (sim eu tenho tendências ao nerdismo) controlando os dois lados do conflito, sim ele mesmo Greer, talvez aqui o maior vilão de POI e o único capaz de enganar até a “machine” de Finch. O interessante é que no episódio anterior tudo foi construído para que Collier se tornasse o vilão mais ameaçador da série, mas na verdade a grande ilusão disto tudo é que o líder da Decima na verdade era mente criminosa escondida nas sombras inclusive mostrando que o tribunal era apenas uma farsa armada.

Greer não só usou a dor e o desejo de vingança de Peter Collier para que ele fundasse o grupo dos Vigilantes (utilizando frases inspiradoras da revolução americana para comunicar com ele, simplesmente brilhante), mas através disso conseguiu uma forma de convencer o governo que usar o Samaritan era a única saída. John Nolan foi simplesmente sensacional, a interpretação que ele faz na pele deste vilão é uma mistura equilibrada de inteligência, calma, frieza e loucura palpável. E se olharmos a temporada inteira como um todo, veremos Greer atuando nas entrelinhas simplesmente envolvendo Finch e os outros em seu jogo de tramoias que o levaria a atingir seus objetivos, e colocar o radicalismo representado pelos Vigilantes atuando como agentes do caos apenas para surgir como solução no meio da tragédia foi simplesmente genial.

O episódio “Deus Ex-Machina” não veio apenas para fechar o arco dos Vigilantes, mas também para mostrar a ascensão do Samaritan ao poder, substituindo a “machine” como o sistema de vigilância mais poderoso existente. Durante muito tempo nos perguntamos se o “team machine” seria capaz de parar os planos da Decima e a resposta vem de uma forma tenebrosa no clímax de “Deus Ex-Machina”, o monólogo narrado por Root nos últimos momentos mostra que tudo que a “machine” vinha fazendo no decorrer da temporada, tomando medidas para se proteger, recrutando pessoas especiais para sua causa (os “necessários”) e tomando decisões impensáveis (como mandar o número do deputado McCourt para que ele fosse morto) era uma forma de evitar que suas previsões se tornassem realidade, ela preveu esse evento catastrófico muito antes no episódio “∕ “ (3×17) e viu a última chance de mudar o futuro ir pelo ralo quando Finch tomou sua decisão no episódio “Death Benefit” (3×20).

É triste saber que Finch, Reese, Root e Shaw lutavam por uma causa perdida, mas é importante perceber que a “machine” ainda tinha apenas uma alternativa, mesmo que não tivesse poder para deter o plano da Decima. A jogada dos roteiristas é aquilo que faz POI uma série que sempre evolui de uma temporada para outra, sua capacidade de renovar as ideias é sempre crucial para manter a audiência na expectativa do que está por vir e o mais importante, eles não tem medo de arriscar, muitas vezes deixei claro que essa atitude fazia o seriado algo único na TV e com este episódio eles praticamente mudaram completamente a direção da história, o futuro para ela parece mais perigoso, inseguro e catastrófico.

O despertar do Samaritan significou uma vitória definitiva para Decima, agora entendemos quando Greer dizia que não queria controlar a máquina, mas sim deixasse que ela governasse por si própria, basicamente o vilão entregou o destino da humanidade na mão de um ser que apenas usará lógica pura para tomar suas decisões, não com a consciência e o entendimento da natureza humana como a “machine”, significando que as decisões serão tomadas levando em conta o bem maior. Como Root mesmo citou, muitas vidas serão perdidas nesse processo e talvez Harold e o resto da equipe não consigam salvar todas. As palavras da hacker entram de fórmula melancólica neste contexto e merecem ser repetidas nesta review:

A “machine” e eu não conseguimos salvar o mundo. Nós resolvemos salvar sete pessoas que talvez possam tomá-lo de volta, então demos o Samaritan um ponto cego: sete chave de servidores, que os códigos rígidos irão ignorar sete cuidadosamente elaboradas novas identidades. Quando o resto do mundo é vigiado, arquivado, indexado, numerado, a única forma de desaparecer é aparecer, escondendo nossas verdadeiras identidades dentro de uma vida aparentemente normal. Você não é mais um homem livre, Harold. Você agora é apenas um número. Nós temos que nos tornar essas pessoas agora, se nós não o fizermos, eles nos encontraram, e nos mataram. Me desculpe, Harold. Eu sei que não é o bastante. Muitas pessoas irão morrer, pessoas que poderiam ser capazes de ajudar. Tudo está mudado. Eu não sei se tudo ficará melhor, mas tudo ficará ainda pior. Mas a “machine” pediu para te pergunta antes de partimos. Você uma vez explicou ao John todo o ponto da caixa de Pandora que uma vez aberta, não pode ser fechada de novo. Ela me pediu para lembrá-lo como a história termina. Quando tudo termina, quando o pior já aconteceu, há apenas uma coisa sobrando dentro da caixa de Pandora: ESPERANÇA.

As palavras de Root são determinantes, esperança, este é o sentimento que citei no começo da review e que será o que dará força para a série seguir em frente, muitos perigos ainda virão, mas acredito que todo o amadurecimento que Finch, Reese, Root, Shaw e Fusco sofreram nesta temporada será crucial para enfrentarem o que ainda está por vir, pois agora eles são fugitivos (menos Lionel), heróis camuflados no meio da multidão, a única esperança da humanidade. Ainda que tudo seja uma incógnita e teremos que passar quatro meses formulando teorias malucas, não se pode dizer o quanto o episódio foi satisfatório e trouxe resoluções impactantes abrindo espaço para infinitas possibilidades.

Dessa forma pode-se concluir que “Deus Ex Machina” é o melhor season finale da série até agora e o melhor episódio da série em minha opinião, tão transformador e ousado ao deixar que o vilão vença no final, e ainda mais intrigante ao colocar nossos heróis em uma situação nunca estiveram antes, será interessante ver Reese e Finch atuando como irrelevantes, assim como Shaw e Root. Pela primeira vez fiquei feliz do Fusco não ter sido incluído nesta equação, talvez o personagem não ter descoberto da existência da “machine” tenha sido uma decisão sensata desde o começo, agora ele pode ser um trunfo nesta luta. Minha única ressalva e terem matado Collier, o vilão tinha se tornado um personagem interessantíssimo em poucos episódios, mas para que os planos de Greer fossem bem sucedidos era inevitável que os Vigilantes saíssem de cena, não antes de serem acusados injustamente de aumentar a paranoia da população ao explodir e matar milhares no local do julgamento.

Por outro lado é bom elogiar a parte de técnica da série mais uma vez, não só a fotografia bem feita, mas também pela edição e composição da trilha sonora. O diretor Chris Fisher apresentou seu melhor trabalho até agora, seja nas cenas de ação em sua maioria protagonizada por Reese e Hersh, seja nas cenas mais calmas conseguindo tirar ótimas interpretações da maior parte do elenco. O roteiro eu elogiei várias vezes durante a review e volto a dizer que é brilhante, cheio de camadas, cheios de questionamentos, trazendo diálogos inteligentes e cheios de filosofia, agregando a narrativa um realismo único. Greg Plageman e David Slack conseguiram fazer POI transitar entre a ficção e a realidade de uma forma tão crível que é impossível não pensar que algo assim um dia não poderia aconteça no mundo em vivemos. O lado ficção científica da série mais uma vez ficou em evidência e com “Samaritan” entrando em operação de modo definitivo temos aqui uma clara representação do que seria o mundo controlado por uma inteligência artificial, as semelhanças com filmes como Matrix e Exterminador do Futuro não são coincidências, aliás, o último é o melhor exemplo de que POI conseguiu trazer uma espécie de Skynet a vida, não que veremos máquinas do futuro surgindo no passado, mas aqui temos o mais próximo de um mundo previsto por diversos estudiosos e romancistas que um dia as máquinas iriam assumir o poder. E pensar que tudo isso saiu da mente doentia e megalomaníaca de Greer, agora nos resta saber o que “Samaritan” deseja para nós humanos, será que seremos poupados, ou será que no final todos nós seremos considerados obsoletos aos olhos desse novo Deus?

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 Observações de Interesse:

Deus Ex-Machina: O título do episódio significa literalmente “Deus a partir da máquina”, um nome mais do significativo para evidenciar que “Samaritan” iria ser o vencedor da guerra.

Machine 1: O evento gigantesco que afirmei que a criação de Finch tinha previsto no final do episódio “∕”, mas só foi acontecer neste episódio com explosão do local onde aconteceu o julgamento armado pelos Vigilantes.

Machine 2: Estou curioso para saber como a “machine” atuará na próxima temporada, afinal com a presença do “Samaritan” não vejo como ela poderá se esconder por muito tempo, de uma forma ou de outra ela será os olhos de Finch, Root e companhia para escapar dos olhos vigilantes do Deus de Greer.

Reese: De todas as perdas que a equipe sofreu no episódio, ao menos Reese conseguiu evitar uma ao salvar Finch na sequência do terraço, aliás, John pode ter perdido um pouco de espaço devido aos acontecimentos, mas no final ele conseguiu salvar seu amigo.

Momento Reese:

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Fusco e Bear: Ao contrário de “God Mode”, o episódio “Deus Ex-Machina” consegue espaço para utilizar todos os personagens possíveis trama, sendo assim fico feliz que Fusco tenha participado do episódio ao menos em algumas cenas, em destaque naquela em que ele encontra Reese e Hersh. Outro também que se destacou foi Bear ajudando Reese a localizar membro dos Vigilantes no meio do caos em Nova York.

Hersh Norris ou Chuck Hersh (R.I.P.): Não há dúvidas que o ex-chefe de Shaw teve sua melhor participação na série, o cara sempre foi um assassino implacável, mas neste episódio ele quase se tornou um Chuck Norris levando tiro e matando meia dúzia de agentes da Decima. Hersh morreu, mas partiu com honra, sentiremos saudades. Ótimo trabalho Boris McGiver.

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“Dá próxima vez que ver você, eu provavelmente terei que matá-lo”

– Biblioteca (R.I.P.): O QG do Finch depois de três temporadas foi descoberta e destruída, não sei vocês, mas fiquei com uma dor no coração ao ver aquelas cenas, o lugar deixará saudades.

– Shaw e Root: Dá para essas duas assumirem o romance logo, não acredito que os produtores conseguiram criar uma versão feminina do “Bromance” Finch e Reese, é ótimo ver cenas dessas duas juntas.

Necessários: Com Jason Greenfield, Daniel Casey e Dayzo sendo peças chaves no plano da “machine”, temos aqui a adição de três prováveis recorrentes na próxima temporada, será interessante saber como os três ajudaram Finch e Root nesta empreitada.

Mortes: Esse season finale teve um número exorbitante de mortes, destaque para morte de Hersh, Peter Collier, todos os membros restantes dos Vigilantes e mais alguns civis.

Trilha Sonora: A excelente música que toca no final do episódio se chama “Exit Music (For a Film” do Radiohead. Essa produção sabe como escolher canções.

Curiosidades: Não lembro se mencionei no episódio anterior, mas todas as cenas externas gravadas no episódio foram filmadas de dia, sendo que os efeitos visuais para parecer noite foram adicionados depois na pós-produção. Outra curiosidade é que a frase dita por Root mencionando a caixa de Pandora é uma versão estendida da versão que Finch contou a Reese ainda no piloto da série (genial).

Melhores frases do episódio, top 4:

“In 20 years time, life on earth will come to resemble the myths of the ancient Greeks. A pantheon of super-intelligent beings will watch over us, using human agents to meddle in our affairs.” (“Em 20 anos, a vida na Terra irá se assemelhar aos mitos gregos antigos. Um panteão de seres super inteligentes cuidarão de todos nós, usando agentes humanos como meio de interferir em nossos assuntos”) – Greer

“Well, I tried to quit, but some jackass told me I needed a purpose.” (“Então, eu tentei desistir, mas algum idiota me disse que eu precisava de um propósito.”) – Reese para Finch

“Any chance we had of stopping it, ended when we didn’t kill the congressman. This was never about winning. It was just about surviving.” (“Qualquer chance que tinhamos de impedir isso, acabou quando não matamos o deputado. Isto nunca foi sobre ganhar. Era apenas sobre como sobreviver”) – Root

“What are your commands?” (“Quais são seus comandos?”) – Samaritan

Season 3, veredito: Sem dúvidas está foi a melhor temporada da série, tanto pela estrutura, quando pela qualidade de roteiro. As atuações foram exemplares e tirando poucos episódios mais aquém do esperado, basicamente tivemos diversos marcantes passando por “Razgovor”, a trilogia da H.R. em destaque “The Crossing” e finalizando com “Deus Ex-Machina” só para citar apenas alguns. Person of Interest é de longe uma das melhores séries atuais e esperemos que um dia as premiações futuras oficializem o que os fãs já sabem muito tempo, que a série é extraordinária. Até a próxima temporada, abraço e obrigado a todos que leram e acompanharam as reviews.


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