Review | Person of Interest 3×22: “A House Divided”

João Paulo

  segunda-feira, 12 de maio de 2014

Review | Person of Interest 3×22: “A House Divided”

O passado de Peter Collier é revelado servindo como catalisador do plano mestre dos Vigilantes no presente, o grupo entra no jogo causando caos e colocando a vida de todos em risco.

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Agora assim Person of Interest, agindo como se deve e engatilhando todos os acontecimentos para o que pode ser a maior virada da série até agora. Eu tinha dito anteriormente que o grupo terrorista “Os Vigilantes” precisavam de um desenvolvimento mais profundo em sua narrativa, afinal estavam muito relegados a vilões secundários na história, enquanto a Decima parecia ser a real ameaça com seu poderoso “Samaritan”.

O fato é que nunca devemos subestimar a mente criativa dos roteiristas da série, que aqui não só trouxeram o melhor episódio dos vilões liderados por Peter Collier até agora, como também deram uma origem para o personagem de Collier justificando praticamente todas as suas ações no decorrer da temporada e causando uma dúvida no espectador sobre idealismo empregado pelo grupo, considerado até então radical e terrorista.

“A House Divided” é um episódio esperto, ao contrário de “Beta”, este é mais incisivo em suas ações, mas focando do outro lado da moeda. Se no episódio anterior a atenção estava voltada inteiramente para Decima e nos planos de Greer de colocar “Samaritan” como o principal dispositivo de vigilância dos EUA, aqui tudo se volta à ameaça dos Vigilantes como agentes da mudança, aqueles irão expor toda essa guerra secreta entre Decima, “team machine” e o governo norte americano.

O roteiro assinado por Amanda Segel trás tantos elementos da mitologia de POI que é impossível não ficar empolgado em cada cena, mas a verdade é que o episódio demora um pouco a engatar nos primeiros minutos, Reese, Shaw e Root correndo de um lado para outro tentando tirar informações de agentes da Decima ficou um pouco batido, ainda que o trio funcione bem as coisas só fica interessante mesmo quando o grupo dos “necessários” entram em cena para colocar o plano da “machine” em prática mesmo que não saibamos exatamente o que seja, apenas que tem haver com os sete servidores roubados por Root no final do episódio anterior.

Outro aspecto que faz o enredo ganhar força são os números expelidos pela “machine”, cinco no total, eles não só ajudam a movimentar a trama como também acrescentam personagem importantes do alto escalão do governo para dentro da narrativa, tudo para que a reviravolta final da narrativa deixe um gancho gigantesco para o season finale. É importante ressaltar aqui como a visão da “machine” ficou limitada devido aos acontecimentos recentes, um organismo artificial capaz de ver tudo não conseguiu prever muitos dos eventos do episódio inclusive tudo que diz respeito a Decima e aos Vigilantes, o que torna Root ainda mais importante para história, assim como Reese e Shaw.

Os três funcionam como os olhos dela em certos pontos e fonte de informação em outros, contudo, mesmo encontrando alternativas o “team machine” sempre esteve um passo atrás dos vilões do episódio e bem longe de salvar Finch de seu cativeiro atual. Falando no pai da “machine” como Greer bem frisou no episódio, temos aqui um grande debate sobre as intenções do líder da Decima para com “Samaritan” e o motivo de manter Harold em cativeiro.

As cenas entre dois personagens foi um dos pontos altos da história que serviu para conhecermos mais do Greer como pessoa, um homem que sofreu com horrores da guerra enquanto pequeno e ainda prestou serviços para serviço secreto britânico o MI6 antes de se juntar a Decima. Do outro lado temos Finch, ainda sentindo vulnerável e traído devido às ações de sua criação e ainda tendo que lidar com as ideias megalomaníacas de seu antagonista. O diálogo entre eles foi cheio de charadas e mistérios, mas uma coisa fica clara ali, a diferença entre os dois rivais, enquanto um trata sua criação como filho (Harold), outro trata a sua como um meio de atingir seus objetivos, ou seja, deixar que “Samaritan” use todo seu potencial, sem as restrições protocolares que a “machine” possui.

A verdade é que tudo que desenrolou neste plot não foi capaz de tirar os holofotes dos Vigilantes, em especial Peter Collier, ou Peter Brandt como descobrimos ao assistir. Como citei no começo da review, os flashbacks do personagem foram mais do que pontuais, construíram tudo de uma forma tão humana a vida do até então advogado (e futuro procurador geral que era seu verdadeiro sonho) que é difícil não chegar a um ponto em que você está torcendo para que ele consiga vingar daqueles que causaram o suicídio de seu irmão.

Através disto os roteiristas plantam ainda mais dúvidas em nossas cabeças, pois agora sabemos que a origem do ódio de Peter se deve a uma falha do governo ao interpretar uma informação errada sobre um suposto terrorista conhecido de seu irmão, provavelmente de um número relevante soltado pela “machine” na época. O próprio sistema governamental ajudou a criar o que se tornaria seu maior inimigo no presente e suas motivações são justificáveis até certo ponto, afinal manter tudo em segredo da população foi o que impulsionou Collier e os Vigilantes agirem do jeito que estão agindo.

O roteiro é sólido por fazer esses flashbacks funcionarem em paralelo aos acontecimentos do presente, assim que os Vigilantes revelam suas reais intenções na metade para o final do episódio, tudo se torna um caos, não por conseguirem deixar a “machine” as cegas colocando Nova York às escuras, mas por conseguirem capturar cada um dos principais responsáveis pelo conflito todo envolvendo “Samaritan” e o projeto “Nothern Lights”. Devo admitir nunca vi futuro nos Vigilantes como vilões grandiosos como Elias, Decima ou H.R., mas ao conseguirem capturar e colocar Control, senador Ross Garrison, Manuel Rivera, Greer e Harold Finch em uma sala frente-a-frente cercados de câmeras transmitindo tudo ao vivo para o resto do país, eles ganharam meu respeito.

Essa capacidade constante da narrativa tirar coelhos da cartola impressiona e com isto temos todos os ganchos em ponto de ignição para o season finale, o episódio foi brilhantemente projetado para colocar os Vigilantes dentro da guerra que já estava acontecendo entre Decima e o “team machine”, mas não de uma forma qualquer, os produtores resolveram complicar tudo colocando verdades fazendo a audiência questionar, até onde Peter Collier e seus aliados estão certos? Será que o governo é o verdadeiro vilão por esconder um programa que permite invasão de privacidade?

Dessa forma narrativa transita pelo lado dos mocinhos e dos bandidos trazendo os pros e contras de uma realidade com imensas ambiguidades, diversas incógnitas e muita repercussão. Não é a toa que Person of Interest é a série com o assunto mais atual do momento e mais uma vez mostra seu brilhantismo, agora trazendo o lado político e a ordem polida representada pelo governo dos EUA, contra uma atitude revolucionária caótica representada por Collier e seus vigilantes, tudo isto tendo duas inteligências artificiais preste a entrarem em conflito independente do que aconteça após a cena final daquele julgamento.

Sendo assim pode-se que concluir que “A House Divided” foi um episódio que veio para estabelecer os Vigilantes como a verdadeira ameaça e mostrar que os atos praticados por esses vilões é uma questão de ponto de vista, afinal Peter Brandt (agora Collier) teve suas razões para fazer o que está fazendo agora, no final das contas quem pode culpá-lo por querer justiça e clareza? Com um roteiro inteligente de Amanda Segel e uma direção eficaz de Chris Fisher (ele consegue tirar boas cenas ação em um enredo cheio de tensão e movido por brilhantes diálogos), a narrativa consegue elevar o nível de empolgação ao máximo, deixando tudo montado para o final da temporada.

Os Vigilantes agora tem posse de Finch, Greer, Garrison e Control, enquanto que do outro lado da cidade tivemos uma aliança inusitada entre Reese, Shaw e Hersh para salvar seus respectivos chefes, sem falar que com o trabalho dos “necessários” completado modificando os servidores pudemos finalmente pudemos descobrir o lar físico do “Samaritan”, resta saber se Root conseguirá colocar estes servidores no local sem ter algum tipo empecilho. Como pode ser visto as coisas estão cada vez mais eletrizantes e complicadas, não vejo a hora de descobrir o que os roteiristas estão preparando para nós, seja o que for será imprevisível e chocante.

Observações de Interesse

Peter Collier∕Brandt: Todas as cenas de flashback foram ótimas, mas a última em especial foi simplesmente sensacional, trabalho acima média do ator Leslie Odom Jr. ajudado por um roteiro sólido com frases inspiradas.

Reese e Shaw: Ambos tiveram um papel padrão, ainda que percam espaço na narrativa devido às diversas tramas, quando estão em cena ao menos ambos conseguem ter destaques merecidos principalmente nas cenas de ação do episódio.

Manuel Rivera: Mais um que sabe da existência da “Machine” o personagem é conselheiro de inteligência do presidente e uma das peças importante capazes de ajudar na aprovação das leis que permitiram o “Samaritan” entrar em atividade.

O quinto número: Greer foi quinto POI da semana, guardado até os últimos minutos do episódio. Interessante ressaltar que o vilão pareceu muito calmo no momento que foi preso por Collier, será que ele contava com isto?

Necessários: curiosidade a mais do grupo especial recrutado por Root é que Daizo, Jason Greenfield e Daniel Casey tinham quadrado amarelo, evidenciando que sabem da existência da “machine”, mas do jeito que as coisas andam o resto da população norte americana se juntará a eles logo.

Mensagens Misteriosas: Sabemos agora os motivos de Peter Collier, mas temos um porém, quem deu todas informações para que ele se armasse e formasse o grupo dos vigilantes? As mensagens recebidas por ele podem indicar uma pessoa manipulando tudo das sombras, quem poderia ser: Ingram? Um novo inimigo? Ou o próprio Greer? Em 2010 aconteceram muitas coisas na série, até onde sabemos esse novo personagem pode ser alguém que menos esperamos.

Fusco e Bear: Mais uma vez ambos ficaram fora da narrativa, mas com tantas coisas acontecendo assim como nos dois últimos episódios da segunda temporada e com o contexto empregado não teria como encaixá-los, mas quem sabe apareçam no season finale.

Melhores frases do episódio Top 5:

                “I want to talk about the future. And who more qualified for that conversation than the father of artificial intelligence?” (“Eu quero converser sobre o futuro. E quem é mais do que qualificado para está conversa do que o pai a inteligência artifical?”) – Greer para Finch

“It’s pure hubris to think that you could control something so powerful.” (“É pura arrogância pensar que você pode controlar algo tão poderoso.”) – Finch para Greer

“I can’t believe what I’m about to say. I’m here to rescue you.” (“Eu mal posso acreditar no que estou preste a dizer. Estou aqui para salvar você.”) – Shaw para Control

“How often alliances shift in times of war. Not that those alliances ever truly exist. They’re an illusion, like seeing a sunset in a sky of flames.” (“Como freqüentemente alianças mudam em tempos de guerra. Não que todas essas alianças sempre existiram na verdade. Elas são uma ilusão, como um pôr-do-sol em um céu cheio de chamas”) – Greer para Finch

“Court is now in session.” (“Corte está agora em sessão”) – Peter Collier

– O season finale da terceira temporada promete muito, veja promo abaixo e prepare-se.

https://www.youtube.com/watch?v=MiMRZkyP1DY&hd=1


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