Review | Person of Interest 3×19: “Most Likely To…”

João Paulo

  quinta-feira, 10 de abril de 2014

Review | Person of Interest 3×19: “Most Likely To…”

Utilizando a dose certa de humor e ação, POI consegue fazer um de seus episódios mais divertidos, e ainda utilizando a ameaça crescente dos Vigilantes, temos uma reviravolta inesperada promete ser um divisor de águas nesta reta final de temporada.

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O episódio dessa semana de POI trouxe uma mistura de elementos capaz de utilizar as melhores características da série em benefício da narrativa. Os roteiristas que assinam a série são um dos poucos dentre séries de TV que se arriscam em trazer algo diferente sem ter receio que isso possa não funcionar ou destoar do tom narrativa, mas isto não acontece aqui, “Most Likely To…” é divertido, engraçado, cheio de ação e possui uma revelação eficaz capaz de impactar bastante a mitologia de POI deste momento em diante.

Inicialmente a trama do episódio não dá a entender que o clima será leve, como de costume temos Reese e Shaw atuando em campo investigando mais um número irrelevante como usual. A introdução da POI Leona Wainwright na narrativa significou duas coisas para trama, a primeira foi à quebra de uma invencibilidade para o “team machine”, devo dizer que a morte da personagem em poucos minutos de episódio me pegou de surpresa, assim como muitos que assistiram.

A segunda coisa importante foi que esta morte repentina da vítima serviu para abrir uma narrativa secundária cheia de conspiração envolvendo os Vigilantes e também ligada ao governo, mais precisamente ao programa “Northern Lights”, já que o número da vítima poderia até ser confundido com um número relevante devido ao trabalho que ela exercia ter ligações com departamentos do governo.

O roteiro assinado por Denise Thé (do impactante episódio “The Crossing”) e Melissa Scrivner-Love (co-escreveu o ótimo episódio “4C”) é bem trabalho, elas conseguiram balancear na maior parte do tempo o humor e o suspense nas duas narrativas da trama que foi mantido pela direção correta de Kevin Hooks, talvez aja um exagero proposital na trama de Reese e Shaw, mas tudo de acordo com a temática trabalhada. Falando nesta parte especificamente, temos aqui uma divisão do “team machine” cobrindo dois casos diferentes, o primeiro já descrito leva Finch e Fusco para Washington D.C. para investigar o interesse dos Vigilantes na POI morta, enquanto que Reese e Shaw ficam em Nova York para proteger mais uma vítima expelida pela “machine”.

Essas duas narrativas vão se intercalando no decorrer do episódio cada uma apresentando características diferentes. Se por um lado a trama que fica por conta de Finch e Fusco é mais interessante por trazer elementos da mitologia da série, por outro lado às investigações conduzidas por Reese e Shaw levam a dupla a um lugar inesperado trazendo a tona o humor característico de POI, dessa forma tem-se aqui o maior equilíbrio possível entre ambas.

A primeira narrativa é focada na dupla Reese e Shaw tentando proteger o POI Matthew P. Reed vivido pelo ator Nestor Carbonell (Lost), um promotor criminal com passado misterioso que leva nossos heróis a entrar disfarçados numa reunião de veteranos de “high school” para poder investigá-lo. O roteiro brinca com todos os clichês do gênero ao colocar Reese e Shaw em diversas situações engraçadas encontrando os tipos mais esquisitos possíveis, isso tudo enquanto estão investigando a vida de Reed, nosso “man in a suit”, por exemplo, ficou com o disfarce de pegador da turma, sendo relembrado disso a todo momento levando tapas de antigas namoradas no maior estilo Jack Sparrow. Enquanto que Shaw pegou o disfarce de patinha feia da turma (agradeça ao algoritmo de perfil criado por Finch) que agora mudou e ficou bonita.

A trama de Matthew não chega a ser tão original afinal essa história dele ser suspeito da morte da antiga namorada num caso de assassinato de vinte anos atrás e sofrer com a culpa já foi retratado diversas vezes e de várias formas diferentes na TV e no cinema. O importante aqui é o que acontece no desfecho desta história, como a inserção dos Vigilantes neste contexto e a descoberta de uma trama de vingança arquitetada por Matthew quando este descobre o verdadeiro assassino entre seus antigos colegas de classe.

O ambiente dessa trama também é uma forma do roteiro trabalhar o desenvolvimento de personagens, neste caso Shaw é a mais beneficiada uma vez que ela se envolve com POI da semana trocando flertes e indiretas, aliás, o baile da reunião é uma oportunidade para a personagem mostrar sua beleza natural, já que na maior parte do tempo ela se veste de uma forma bem diferente daquela vista em uma das cenas do episódio.

A narrativa de Reese e Shaw trás de importante mesmo é a presença constante dos Vigilantes servindo como reais antagonistas. Durante várias reviews eu reclamei que os vilões precisavam de um melhor polimento para compreender mais suas motivações, é bom reforçar que ainda sinto falta disto, mas neste episódio o jeito que o roteiro consegue inseri-los no contexto é notável a ponto de que esta pode ter sido a melhor participação do grupo até agora no universo de POI.

Acredito que desde “Mors Praematura”(3×06) os Vigilantes não tenham sido tão ativos em um episódio da série como foram neste, eu quero dizer sem ter que dividir o centro das atenções com a Decima, por exemplo, como vinha acontecendo no decorrer dessa temporada. O roteiro ainda estrutura a narrativa de uma forma evoluir a ameaça do grupo, enquanto que no plot de Reese e Shaw eles surgem como adversários já perto do fim (a descoberta que o verdadeiro alvo dos vilões não era o POI e sim a dupla foi uma boa sacada) do caso, a outra parte dessa célula terrorista liderada por Peter Collier segue os passos de Finch e Fusco em Washington trazendo um desfecho importante.

Toda a história que se desenvolve nesta subtrama envolve mais do que aparenta, tanto que no final toda a investigação, ecos de conspiração em torno do caso da POI morta Leona Wainwright serve para expor o verdadeiro plano dos Vigilantes. Quando Finch descobre que a vítima tinha documentos importantes que poderiam revelar a verdadeira natureza do projeto “Northern Lights”, ele entende que essa informação nas mãos de radicais como Peter Collier poderia ser catastrófica.

Devo dizer que o roteiro mais uma vez foi esperto em trazer uma atmosfera mais política para a série levando sua trama para Washington, sendo assim antes da sequência final temos toda a repercussão da morte de Leona nos bastidores do governo, aqui mais um personagem com conhecimento do projeto “Northern Lights” consequentemente da “machine” é introduzido na trama para que Control (Camryn Manheim como sempre ótima) se sinta ainda mais pressionada a evitar que os documentos de Leona caiam nas mãos dos Vigilantes, aliás, o senador Ross Garrison vivido pelo ator John Doman (The Wire) exerceu um papel importante e crucial neste episódio, acredito que sua pessoa deverá voltar em outras ocasiões.

Dessa forma o clímax de “Most Likely To…” trás mais uma vez o brilhantismo dos Jonathan Nolan e companhia em encaixar a mitologia desenvolvida através do idealismo seguido pelos Vigilantes ao mundo em que vivemos hoje, um mundo de paranoia, insegurança e medo exposto por um ex-analista da NSA Edward Snowden sobre as atividades vigilância praticadas por sua ex-agência, que no mundo de POI nada mais é do que uma representação mais eficaz feita através de Peter Collier e seus aliados radicais. Até agora não tínhamos visto algo realmente importante vindo dos Vigilantes, mas esta exposição dos segredos do governo no final do episódio trás tantas repercussões que serão sentidas não só nesta reta final de temporada, mas se os roteiristas forem espertos as proporções desta revelação podem repercutir durante a quarta temporada também.

Enfim o episódio consegue trabalhar tramas mais leves e com um tom mais sério sem cair na armadilha de um se sobrepor a outra, além de conseguir fazer com que os Vigilantes finalmente exerçam a função que lhes cabiam desde que surgiram no começo da temporada, aqui o grupo realmente funciona como adversários do “team machine” e como adversários do governo. Acima de tudo a revelação da existência de máquina que pratica o ato de vigilância na população é primeiro passo para uma mudança drástica para POI, como Finch ressaltou ao ficar frente-a-frente com Collier (travando um ótimo diálogo, diga-se de passagem), revelar tais informações implica em danos imensuráveis e um perigo para todos.

Acontece que mesmo com pensamento de fazer o certo à verdade é que os Vigilantes facilitaram a vida da “Decima Tecnologies”, que agora terá um caminho mais fácil ativar o programa Samaritan, afinal devido essa exposição do “Northern Lights” o senador Ross Garrison forçou a Control fechar o projeto imediatamente, fazendo a “machine” redirecionar suas ações para primárias para Root, isso coloca o “team machine” para cuidar dos dois lados irrelevante e relevante, afinal a hacker não dará conta de tudo sozinha. Portanto pode-se dizer que “Most Likely To…” começou de uma forma mais leve tendendo em sua maior parte para comédia, para encerrar de uma forma sombria e com um tom mais sério, e como estamos perto do fim da temporada a tendência é que daqui para frente as coisas fiquem mais tensas para Finch e o restante do “team machine”.

Observações de Interesse:

– Most Likely To..: O nome do episódio se refere a prêmios comumente (comum) encontrado em anuários do “high school” norte americano.

Fotos do Anuário: As fotos de disfarce de Reese e Shaw que Finch usou para colocar no livro da escola foram vistos anteriormente nos episódios “Bury The Lede” (2×05) e “Lady Killer” (3×03).

Fusco: O personagem participou de diversos momentos hilários do episódio, um deles foi quando estava hospedado em um hotel luxuoso junto com Finch no maior estilo ricaço e outra foi na hora de escolher as músicas para viagem que faria com Harold (E ai você prefere Dixie Chicks ou AC∕DC?).

Root: A personagem pode ter aparecido apenas nos momentos críticos, mas ainda assim continua se mostrando bem entrosada com o “team machine”, a cena dela com Fusco foi ótima (estou adorando os dois trabalhando juntos), mas a sequência final dela salvando Harold de Collier foi o melhor momento da personagem no episódio.

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Ironias do Destino: Eu posso imaginar a fúria da Control quando Ross exigiu que ela fechasse o programa “Northern Lights”, mas o pior era saber que o próximo número relevante que ela tinha recebido era exatamente o de Peter Collier quando o tal ato ocorreu.

Um presente para Root: Depois que o governo fechou as práticas que diziam respeito ações relevantes, a “machine” redirecionou suas operações primárias para Root, que agora será responsável por elas, assim como ela é responsável pelas operações terciárias. Será que é o momento de utilizar os necessários para ajuda-la? Veremos como a “machine” resolverá esse entrave.

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Matthew Reed: A vítima da vez é a primeira que se revela um criminoso que o “team machine” pega desde o episódio “Endgame” quando 38 membros da H.R. queriam matar 27 russos.

Reese e Shaw: Devo dizer que um dos momentos mais legais, foi à dupla desfazendo a mala. Se Reese e Kara eram a versão Sr. e Sra. Smith do passado, Reese e Shaw são a mais nova versão só que no presente.

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Momento Reese: Em como derrubar um vigilante

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Mr. Reese o galanteador: Lembra que eu disse que o John parecia o Jack Sparrow nesse episódio? Então veja a gif e tire suas próprias conclusões.

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Amado pelas mulheres

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Jack Sparrow conhece esse sentimento

Vigilantes: Uma das melhores coisas do episódio foi saber que Peter Collier descobriu não só sobre a “machine”, mas ele agora conhece o método de trabalho de Finch e companhia (não com todos os detalhes). A cena de diálogo entre Collier e Harold foi um dos melhores momentos do episódio, ele citando alguns POI que a equipe salvou na temporada foi sensacional, dentre eles Wayne Kruger (“Nothing To Hide” 3×02), Timothy Sloan (“Mors Praematura” 3×06), Arthur Claypool (“Lethe” 3×11) e Leona Wainwright (a POI morta no começo deste episódio).

– Top 4 melhores frases do episódio:

                “If you keep an open mind, Miss Shaw, you might actually enjoy yourself.” (“Se você conseguir manter a mente aberta, senhorita Shaw, você talvez consiga admirar a si mesma”) – Finch para Shaw

“I’ve killed lots of people, but my friends keep telling me it’s wrong.” (“Eu já matei muitas pessoas, mas meus amigos ainda ficam dizendo que é errado”) – Shaw para Reed

“…..That the government has a secret surveillance system it spy us every hour and every day….” (“….que o governo possui um sistema de vigilância secreto que nos espiona a cada hora e a cada minuto…”) – Collier para Finch (genial citar parte da abertura do seriado)

“My dance card just got full” (“Meu cartão de dança acaba de ficar cheio”) – Root para Finch

– O próximo episódio promete fortes emoções, veja promo abaixo e espere acontecimentos tensos para próxima semana.

https://www.youtube.com/watch?v=iBDm1OWepMw


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