Review | Person of Interest 3×14: “Provenance”

João Paulo

  quarta-feira, 12 de fevereiro de 2014

Review | Person of Interest 3×14: “Provenance”

A série volta ao formato de casos da semana desacelerando um pouco o ritmo depois de uma sequência de episódios com pura adrenalina.

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Depois de mais uma semana de pausa Person of Interest volta com mais um episódio inédito, só que desta vez a série preferiu reduzir o ritmo de vez, um tipo de pausa estratégica por assim dizer, pois desde o episódio 3×08 ela entrou em uma sequência eletrizante de episódio memoráveis que foram praticamente concluídos no episódio anterior “4C” (3×13) com Reese finalmente retornando a equipe depois de passar um tempinho fora se recuperando do luto.

O episódio “Provenance” marca um novo começo para o “team machine”, tanto que a narrativa foca bastante na equipe e no POI da semana e menos na mitologia da série. Talvez por isso a mesma tenha sido um pouco previsível e simples para os padrões da série, ainda assim algo do tipo já era esperado, pois como já citei os episódios anteriores foram bastante frenéticos, mesmo assim o episódio não trás nada de novo, sendo a história mais isolada da temporada desde “Reasonable Doubt” (3×04).

Durante a segunda temporada tivemos alguns assim, mas acredito que faltaram os subplots que fazem partes de episódios deste tipo, sempre dando dicas do que estar por vir. Sendo assim temos uma trama com começo, meio e fim, mas que não trás nada de realmente relevante que o faça ser lembrado no futuro. Interessante que aqui o roteiro de Sean Hennen não consegue ser esperto ou intrigante como os outros episódios que ele escreveu até agora, como o ótimo “Proteus” (2×17) e o eficiente “The Perfect Mark” (3×07).

Se o roteiro não consegue escapar da armadilha da previsibilidade, ao menos ele tenta, colocando diversas reviravoltas no começo do episódio, fazendo a POI da semana transitar entre vítima, criminosa e vítima de novo. O nome da vítima em questão é Kelli Lin, uma organizadora de leilões de antiguidades que no final das contas acaba por se revelar uma ladra profissional desses tipos de objetos trabalhando par uma organização criminosa internacional.

A narrativa foca bastante na personagem, principalmente em sua história para criar certa empatia do público. Pode-se perceber que até um breve paralelo entre Kelli e Shaw é criado, vide a cena em que Samantha vasculha o apartamento da moça notando certa semelhança com seu, ou na cena em que as duas se confrontam pela primeira vez na saída do museu, são fatos que lembram bastante os tempos em que Shaw trabalhava para Control. O maior problema aqui é que exageram no espaço dado a POI, tirando tempo de tela de alguns membros do “team machine”, como Reese e Fusco, que poderiam ter sido mais bem aproveitados.

Ainda assim a segunda metade do episódio foca mais na equipe trazendo ambos de volta ao contexto. A reviravolta na narrativa com fato de que Kelli estava só praticando diversos roubos de objetos antigos para conseguir saldar sua dívida com uma organização que tinha sua filha pequena como refém, deu oportunidade de mostrar uma atitude inusitada do grupo, tendo que decidir por roubar uma bíblia rara organizando um elaborado plano para evitar que a filha da vítima fosse morta pelos criminosos.

Sendo assim podem-se destacar três características que seguraram bem o episódio: o humor da série, com diversas cenas engraçadas entre Finch e Reese (como senti falta desse “bromance” entre os dois) principalmente no começo quando foram para exposição, sem falar de Shaw e em alguns momentos do Fusco com diversas tiradas hilárias e afiadas. Outras características foram às cenas de ação, destaque para toda a sequência de roubo que lembrou diversos filmes de roubo como “Onze Homens E Um Segredo”, “Roubo Nas Alturas” só para citar alguns. E por último a trilha sonora, batidas misturando pop e um pouco de música eletrônica para dar ritmo aos seguimentos e progressões nas cenas do já citado roubo.

Portanto, devo dizer que “Provenance” é um dos episódios mais comuns apresentados por POI até agora, eu até diria que é mais fraco da temporada, mas “Reasonable Doubt” ainda ganha, este pelo menos trás momentos engraçados e um bom entretenimento que sempre esperamos. Apesar de algumas pequenas limitações, a narrativa até que desenvolve de forma positiva, trazendo bons momentos com “team machine”, destaque para volta da dinâmica entre Reese e Finch já mencionada, os diálogos entre o “man in a suit” e Shaw, além de Fusco usando sua influência policial para tirar seus amigos de enrascadas planejadas.

Enfim este episódio foi necessário, um respiro em meio a tantas informações que vínhamos recebendo ultimamente, mas poderia ter sido melhor dentro das circunstâncias, ao menos um subplot deveria pelo menos ser mostrado para dar continuidade à trama, mas sem um plot como o da H.R. não havia como ser diferente. Ainda assim espero que a série não perca o formado que sempre a consagrou como procedural diferente de todos os restantes, aquele que sempre tem uma mitologia gigante para ser explorada. Se isto faltou no episódio, pelo menos uma cena foi suficientemente importante para situar como a equipe está em relação aos recentes eventos.

A sequência em que estão na mesa em que o “team machine” bebe de forma informal, depois de serem bem sucedidos ao resgatarem a filha de Kelli e ainda prenderem os criminosos, foi simples, porém emocionante mostrando que a equipe está reunida apesar dos momentos difíceis que passaram, mas nunca se esquecendo de que infelizmente um espaço vai estar sempre faltando ali. A morte de Carter ainda ecoa bastante principalmente para Reese, enquanto o resto do grupo sente, mas não demonstra ou suporta melhor a perda, ele faz questão de frisar que detetive nunca será esquecida. Eu disse uma vez que só o tempo poderia cicatrizar essa ferida, mas talvez não seja tão fácil quanto se pensa.

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Observações de Interesse:

Provenance: O nome do episódio se refere ao artista, seu lugar de origem, mudança ou propriedade artística de grande significância ou valor. Documento de proveniência é também a chave para determinar o valor ou autenticidade de uma peça de valor.

Gutemberg Bible: Essa bíblia objeto de cobiça no episódio é considerada o incunábulo (significa ser um dos primeiros livros publicados da história) mais importante, pois marca o início da produção em massa de livros no ocidente. A bíblia possui 1282 páginas e começou sua publicação em 1450.

– Reese e Fusco: Não sei vocês, mas deu a impressão (principalmente na cena final já citada na review) que John e Fusco podem entrar em atrito no futuro, mais pelo fato de que o detetive não quer ver o amigo se afogar na depressão que se encontra.

– Root: Eu realmente senti falta da hacker nesse episódio, ainda estou intrigado com a missão dela na China, mal posso esperar para ver como ela irá localizar Greer e o Samaritan.

Momento Reese:

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– Shaw: Somente Samantha consegue ser sexy e badass ao mesmo tempo, as cenas dela na exposição lutando com Kelli foram ótimas e é incrível como ela consegue lutar usando arsenal desses:

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O que digo eu Shaw, sua linda.

Reese, o senhor bigode: Essa cena dele usando um bigode como disfarce, foi bem canastrona, mais porque parecia muito fake e ele assim me lembrou do Tom Selleck no seriado Magnum.

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– Trilha Sonora: Um dos pontos altos do episódio foi à música, POI sabe como trazer os sons certos na hora certa, assim temos duas boas músicas:

“Take California” por Propellerheads

“Battleflag” por Lo Fidelity Allstars 

Personagens recorrentes: Esse é o primeiro episódio da série que não tivemos nenhuma participação de algum personagem recorrente.

– Person of Interest volta com episódios inéditos a partir do dia 25 de Fevereiro.


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