Review | Person of Interest 3×12: “Aletheia”

João Paulo

  terça-feira, 14 de janeiro de 2014

Review | Person of Interest 3×12: “Aletheia”

Até que foi rápido. POI volta depois de um curto hiatus no final do ano para concluir um de seus mais inteligentes e brilhantes arcos, trazendo revelações, ação e o retorno de um poderoso inimigo.

poi 3x12

Em uma briga de gato e rato entre mocinhos e bandidos, quem tem um “Samaritan” é rei. Piadas a parte e falando um pouco mais sério sobre o episódio desta semana de Person of Interest, fico feliz em dizer que a direção que esta temporada está tomando me agrada bastante. “Aletheia” consegue dar um tom mais urgente a sua narrativa e com isto pode se dizer que é o perfeito complemento ao episódio anterior “Lethe”. Enquanto um trouxe mistério e revelações chocantes, o outro se foca em trazer respostas, discussões e reviravoltas.

Este episódio também marca o segundo contato da “machine” em uma conversa arrepiante com a “Control” através da Root, aliás, o que não falta são momentos de puro sci-fi como este e POI sabe muito bem como fazê-los sem perder seu tom realista. O roteiro assinado Lucas O’Connor mostra uma sintonia com roteiro do episódio anterior de Erik Mountain, fazendo questão de pegar todas as pontas soltas estabelecidas e dar um dimensionamento em forma de enriquecer a trama, a começar pela cena que da sequência ao cliffhanger que fecha o episódio onze.

Era certo que Reese não voltaria a tempo para ajudar Finch e Shaw, então como foi citado na review anterior a Root acabou realmente aparecendo para livrar os dois da Control e seus agentes.  Interessante aqui é que a narrativa se divide em duas: a principal com Finch, Arthur e Shaw em busca dos drives do “Samaritan”, e a segunda com Root capturada pela Control e sendo interrogada pela mesma e uma das partes mais memoráveis do episódio.

Por fora dessas tramas temos Reese e Fusco ainda resolvendo alguns assuntos inacabados. Então começarei logo por esta parte para focar no mais importante depois. Talvez aqui seja o ponto menos interessante de “Aletheia” e ainda que relevante para o contexto geral às cenas entre os dois serviram apenas para aliviar a tensão das outras narrativas, não tendo um efeito realmente importante, a não ser é claro no clímax do episódio onde está narrativa se junta a principal com Reese retornando brevemente para ajudar Finch e companhia que estavam encurralados em banco pelo grupo dos Vigilantes.

Falando em Vigilantes, esta organização liderada por Peter Collier volta à narrativa trazendo ação para o episódio quando estes tomam o banco onde os drives do “Samaritan” estão guardados. Como eu disse no episódio “Lethe” estes vilões precisam ser mais bem polidos, suas motivações ainda estão um pouco rasas, mas neste episódio ainda que não mostre um desenvolvimento interessante para eles como no episódio “Nothing To Hide” (3×02), vale por trazer algumas informações, uma delas é que o grupo aparentemente não sabe da existência da “machine” do Finch limitando apenas a informação sobre a criação de Arthur Claypool, o que percebe-se na conversa entre Collier e Harold.

O roteiro se esforça para empregar várias citações relacionadas à revolução dentro do contexto dos Vigilantes, mas ele é realmente eficiente quando traça o paralelo entre este grupo e o “team machine”, ambos estão tentando proteger o mundo irrelevante da ameaça do governo, mas o que fica claro é que radicalismo empregado por Collier não é compartilhado por Harold, sem falar também que esta organização por mais que seja ameaçadora ainda não tem conhecimento do todo, se limitando á guerra particular contra as forças governamentais e seus segredos, seria interessante ver o grupo em posse da informação que uma máquina como a Arthur já opera dentro do sistema dos EUA.

Sobre as forças do governo, elas estão bem presentes no episódio, como eu citei antes Control cobre parte da narrativa no interrogatório com Root, enquanto Hersh vai até ao banco para interceptar Finch, Arthur e Shaw e pegar os drives do “Samaritan”.  A primeira citada é a definitivamente a melhor parte do episódio e mais uma vez devo ressaltar a feliz escolha na escalação Camryn Manheim para fazer à vilã Control, as cenas dela torturando Root na cela foram intensas e chegam a dar aflição, excelente trabalho também de Amy Acker, ela deu um show tanto na cena de tortura, como na cena seguinte quando toma controle da situação.

Quando ressaltei no início da review que POI sabe tratar sua mitologia sci-fi de forma plausível sem perder o tom realista reflete exatamente na cena quando Root consegue levar vantagem em cima da Control, o que prova que a “machine” é absoluta dona do episódio, a começar pela revelação de como a hacker se comunicava com a criação de Finch, a tática de usar o código Morse em baixa frequência é genial e só mostra o quando a série é brilhante nos detalhes. Outra cena crucial foi como a “machine” usou a hacker para mandar um aviso para Control, mostrando um tom ameaçador e dizendo todas palavras certas a criação de Harold exerce uma superioridade ímpar para controlar a situação.

O episódio consegue abrir diversas questões sobre a máquina ser considerado um organismo vivo, tanto na cena descrita no parágrafo anterior quanto nos diálogos entre Finch e Claypool. Enquanto Arthur divaga sobre sua criação revelando partes cruciais da concepção do “Samaritan”, Finch por outra lado se vê no lugar do amigo tenta levantar vários argumentos temendo que a criação dele caísse em mãos erradas.

A conversa entre ambos é tão particular e emocionante que ver essas duas mentes tentando compreender a situação e discutindo para chegar a um consenso é prazeroso. É incrível como POI sempre consegue tirar o melhor de seus personagens em situações perigosas a começar por Finch (Michael Emerson excelente) que mais uma vez tende a refletir o que sua criação significa, enquanto se amigo a considera um ser único com características humanas, ele ainda a considera uma máquina, ainda mais agora depois de tudo que aconteceu com a Carter o que fez com que ele perdesse um pouco de fé na sua “criança”.

Arthur entra neste contexto exatamente para recuperar um pouco dessa paixão perdida por Harold. As respostas reveladas sobre “Samaritan” mostram que este ser tem uma capacidade evolutiva mais eficiente que a “machine”, o que torna esta inteligência artificial um inimigo poderoso se usado por mãos erradas. Dessa forma e com esta eminente ameaça o episódio trata de reforçar os questionamentos em cima da “machine”, então basicamente algumas cenas são cruciais para moldar a confiança que devemos ter em relação a criação de Finch daqui prá frente.

O primeiro é o modo como ela age, sua superproteção ainda que não compreendida por muitos, pode ser notada em diversos momentos da narrativa e principalmente no diálogo com a Control. Quando ela diz: “I always watching” (“Eu estou sempre observando”) é uma maneira de afirmar que ela nunca saiu de sua programação básica, proteger pessoas e mesmo que algumas vezes durante esta temporada suas ações não tenham ficado claras para o público, aqui é uma prova que mesmo estando livre ela está disposta a proteger os seres humanos.

Segundo remete exatamente as diversas comparações levantadas entre a diferença entre um ser artificial e um ser humano. Quando Arthur tenta explicar para Finch que a criação é um modo de trazer ordem ao mundo, isto nada mais é que uma maneira dos roteiristas transmitir que “machine” não é a vilão da história e sim a solução do problema, o clímax do episódio trata de construir vários momentos importantes que mostram as verdadeiras intenções dela.

Se a cena com a Root transmite um lado perigoso da “machine”, a cena final entre em que ela dá um presente para Arthur é a demonstração dos indícios de humanidade que esta inteligência artificial tem em sua essência, acredito que isso vai fazer diferença em uma possível guerra contra o “Samaritan” no futuro. A cena em questão é emocionante e tem um efeito simplista, mas eficiente para história e desta forma pode-se fazer até uma comparação com os flashbacks do jovem Harold e seu pai no passado.

O eterno desejo do Harold em construir um companheiro para ajudar seu pai, não foi bem sucedido no passado devido aos empecilhos tecnológicos da época, mas a cena com Arthur revivendo memórias de seu passado reflete o que Harold queria ter feito para seu pai no passado e a “machine” conseguiu proporcionar para seu amigo de longa data no presente. É o jeito de POI dizer nas entrelinhas ao seu público e seus personagens que tudo acontece no tempo certo e na hora certa.

“Aletheia” é um episódio inteligente que merece ser assistido não apenas uma vez, mas duas, três vezes se possível para que você possa absorver os detalhes da história melhor. O ritmo que o diretor Richard J. Lewis confere ao episódio é alucinante e ao mesmo tempo equilibrado, conseguindo trazer momentos emocionantes e uma boa dose de cenas de ação, ainda que não escape de alguns clichês como aparição do Reese no último “segundo” para ajudar Finch e companhia das mãos de Peter Collier e seus associados, ou a aparente morte de Hersh depois de um ataque kamikaze de um Vigilante.

O grande trunfo aqui foi à capacidade da narrativa em guardar sua maior ameaça para ser revelada na cena que fecha o episódio. O roteiro consegue dar aquela sensação de que uma força maior está trabalhando das sombras para capturar o “Samaritan”, enquanto as forças do governo lideradas por Control e Hersh e os radicais Vigilantes brigam quase todo tempo para apossar dos drives da máquina, a Décima já está um passo a frente de todos eles. Durante muito tempo fiquei me perguntando quando encaixariam a Decima na série de novo depois que o plano do vírus deles não deu certo na reta final da segunda temporada, então nada melhor que voltar por cima e de forma tão eficiente.

É claro que quando a Root escapou da Control e foi parar na China já era um indício que a organização estava na jogada e o aparecimento de Greer só mostra que estavam só aguardando o momento certo para abrir suas garras. Dessa forma Person of Interest prepara o terreno para algo grandioso e com o aumento das ameaças a série começa a intensificar os questionamentos sobre o próprio conceito da série, para que nós tomemos  um lado quando o momento oportuno surgi e os conflitos realmente começarem a acontecer, será que confiaremos cegamente nas decisões que “machine” vai tomar? E será que o team machine irá confiar nestas decisões? E o “Samaritan” quais serão os planos do Greer para com a criação de Claypool?

Essas perguntas são apenas a ponta do iceberg, mas de tudo que foi mostrado em “Aletheia”, o que mais preocupa é essa ruptura do team machine, durante toda essa crise a equipe não funcionou bem mesmo com Finch e Shaw se esforçando para que tudo resolvesse. O fato é que o retorno de Reese (e Fusco) não foi prá valer, e como eu citei por mais que certo aspectos deste arco não me agrade, esta demora para que ele volte é interessante, faz com que vários questionamentos venham a tona e isto é importante para criar um tipo independência para que personagem possa pensar por si mesmo, como foi dito antes nem todos estão dispostos em confiar na “machine”, John é um deles, seu diálogo com Finch foi crucial e mesmo que ele volte para equipe futuramente, sua cabeça não será a mesma, mudanças são sempre boas e quando tiram um personagem da zona de conforto são melhores ainda.

Observações de Interesse:

– Aletheia: É a palavra grega que dá nome ao episódio e que significa verdade, revelação ou falta de ocultação, pode ser uma referência clara ao inimigo oculto revelado, no caso a Greer, ou relacionado a verdade sobre a concepção do “Samaritan”.

– Shaw: Eu não citei muito da personagem na review, mas devo dizer que adorei cada momento dela no episódio, Samantha está muito engraçada, decisiva e cada vez mais a vontade dentro da equipe. Sem falar que adorei o paralelo que Finch criou para explicar a diferença dela para Reese, mas vamos combinar nem sempre usar um bisturi funciona às vezes um martelo pode ser tão eficiente quanto dependendo da situação e vamos combinar assistir ela dizendo “It’s Hammer time” foi sensacional.

– Fusco: O personagem teve pouco desenvolvimento, mas foi decisivo em tentar botar juízo na cabeça de Reese para que ele voltasse à equipe, mesmo que o personagem não tenha sido totalmente bem sucedido, suas palavras certamente deixaram alguma marca em John.

– Arphanet: O roteirista do episódio Lucas O’Connor foi o mesmo que escreveu o episódio 2πR (2×11) da temporada passada, então ver o sistema Arphanet no flashback do Finch foi uma grata surpresa. Se quiserem saber um pouco mais do sistema é só procurar minha review do episódio neste site.

Ficção & Realidade: Lembram quando o Finch deu o número dele para Shaw no final do episódio “Relevance” na temporada passada? Pois é naquela época foi legal saber que o número realmente existia e tinha até mensagem de voz. Aqui neste episódio mais uma vez os roteiristas fazem questão de juntar ficção com realidade, à cena (tempo – 27:12) em que a Root explica a faixa de frequência 15 KHZ só pode ser ouvida por pessoas abaixo de 40 anos é a mais pura verdade, eu ouvi porque afinal eu tenho 24 anos, mas pedi que minha mãe ouvisse e fiquei surpreso em saber que como a personagem Control, ela também não ouvia, pois ambas tem mais de quarenta anos. É muito bacana por isso POI é uma série tão genial. Faça o teste e comprove você mesmo, peça algum familiar com faixa de idade mais avançada para assistir a cena vale a pena.

Endereço: Sério, a “machine” falando aquele endereço para Control me fez pensar, ou ela estava dando sua localização física propositalmente (o que acho que não), ou ela estava dando a localização física do “Samaritan”, seja o que for fiquei intrigado. Senão lembra do endereço veja a gif abaixo.

poi review

Control: Não sei se este foi o fim da personagem, mas não ficou claro se a Root realmente a matou. Por falar nisso alguém pode me dizer como a “machine” conseguiu derrubar os guardas de fora da cela? Fiquei intrigado com isto.

– “Eastern Birds” by Roger Tory: O livro que o jovem Harold Finch para seu pai é mais uma simbologia para o personagem, afinal todos os nomes falsos que ele usa é o nome de um pássaro presente no livro.

“The world breaks everyone and afterward many are strong in the broken places.” (“O mundo quebra todos e mais tarde muitos são fortes em lugares quebrados”) – Esta frase dita por Arthur é uma frase de Ernest Hemingway do livro “A Farewell of Arms” publicado em 1929.

– Top 5 melhores frases: Este episódio foi difícil de escolher uma realmente boa.

“You think you’re in charge. It’s adorable just how wrong you are.” (“Você pensa que está no comando. É adorável ver o quanto errada você está.”) – Root para Control

“Civil liberties cannot be forged in blood.” (“Direitos civis não podem ser forjados com sangue”) – Finch para Collier

“There’s a time for a hammer and a time for a scalpel. It’s hammer time!” (“Existe a hora para o bisturi e existe a hora para o martelo. É hora do martelo”) – Shaw para Finch

hammer time

“It’s hammer time”

                – “You’re someone that the world can’t afford to lose, but I lost a friend because of your machine, we trust it blindly, but I have not so sure he care who live or who doesn’t …” (“Você é alguém que o mundo não pode dar o luxo de perder, ma seu perda uma amiga por causa da sua máquina, nós confiamos cegamente, mas eu não tenho certeza se ela se importa com que vive ou não…”) – Reese para Finch

“My Samaritan. You are destined for great things.” (“Meu Samaritano. Você está destinado para grandes coisas”) – Greer

No próximo episódio a “machine” vai mostrar o quanto está disposta a salvar a vida humana e assim provar o quão Reese está errado sobre ela, veja a promo abaixo e aguarde, o episódio promete.

http://www.youtube.com/watch?v=0dp7d4yrYlk


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