Review | Person of Interest 3×08: “Endgame”

João Paulo

  segunda-feira, 18 de novembro de 2013

Review | Person of Interest 3×08: “Endgame”

“It’s On”. Mais de 38 números expelidos pela “machine” e a primeira parte do arco evento de POI já começa no topo, mostrando um dos melhores episódios da série ao focar na jornada de vingança de Jocelyn Carter que serviu para fazer explodir a guerra entre H.R. e os Russos.

poi 3x08

Ufaaaa! Estou sem fôlego, este episódio foi aquele que você fica grudado na tela e só tem tempo para respirar quando a tela escurece. “Endgame” não foi só um episódio extraordinário, mas foi um episódio que trouxe uma satisfação tão grande de que tudo que foi mostrado era garantia de que estávamos vendo a conclusão de uma jornada de um dos personagens mais queridos da série, o da detetive Carter. O show era dela e tudo foi construído para que ela brilhasse, dessa forma pode-se dizer que este foi o episódio que definiu a personagem por completo.

O episódio também marca o começo do arco que vai levar a fim da organização mais corrupta de Nova York, a H.R., sim o fim, em entrevista para vários sites Jonathan Nolan e Greg Plageman afirmaram categoricamente que este será a conclusão para esta facção criminosa. Ainda que eu não acredite cegamente nisto, a partir do que foi mostrado em “Endgame” pode-se dizer que sim o fim está próximo para Quinn, Simmons e companhia, mas antes de chegarmos lá ainda teremos uma grande trajetória a ser seguida e o caminho será cheio de perigos como foi mostrado nesta primeira parte da narrativa.

No começo comentei que o episódio era dedicado a Carter e o fato é que a trama foi construída exatamente para isto, mas não se preocupe Reese, Finch, Shaw, Bear e Fusco ainda estão lá e são importantes, mas todos eles ficam na sombra da personagem que consegue roubar todas as cenas para si. Aqui Taraji P. Henson consegue um desempenho impecável, digna de seu talento como atriz, trazendo um misto de complexidade, emoção e frieza necessária para que a detetive completasse seu plano mais ambicioso, derrubar o cabeça da H.R. e com isso destruir a organização de vez.

O interessante é observar como o roteiro brilhante assinado por Nic Van Zeebroeck e Michael Sopczynski consegue trazer Carter para centro do episódio fazendo com que todos os personagens trabalhem para ela de certa forma, sem falar que a detetive conseguiu fazer o que o chefão da H.R. faz melhor, agir nos bastidores fazendo que tudo ocorra exatamente como o planejado. Até antes do final do episódio tudo funcionou perfeitamente e cheguei a cogitar que Quinn não teria escapatória.

Para entendermos melhor como tudo funcionou, temos que voltar no início quando Finch recebe nada mais nada menos do que 38 NÚMEROS, e todos os membros filiados à organização criminosa de Quinn. Quando Reese e Fusco (ele voltou de vez, para alegria da nação POI) vão investigar um assalto a um carro forte que servia de fachada para o transporte de drogas para os russos a serviço da H.R., o recurso do flashback é usado para voltarmos mais de quarenta e oito horas atrás a partir daquele ponto para entendermos quem estava por trás daquele acontecimento.

Vale ressaltar o ótimo trabalho de edição do episódio, POI já utilizou essa jogada algumas vezes no decorrer das temporadas passadas, mas é neste aqui que o trabalho chega ao seu ápice da qualidade, todas as partes cruciais do plano de Carter são revelados aos poucos ditando o ritmo da trama, desde a cena em que ela fala que desistiu de investigar a morte de Beecher para despistar Quinn, passando pela ajuda que ela solicita a Elias, logo depois para Shaw culminando na cena do roubo do carro forte que seria o checkmate perfeito para que H.R. e russos quebrassem a aliança que viam mantendo desde a temporada passada e se voltassem um contra o outro. Plano perfeito? Não, plano genial e muito bem calculado.

Eu citei Elias, aliás, o mafioso foi parte crucial no plano de Carter para semear a guerra entre os russos e a H.R., a cena em que ele se encontra com o líder da máfia russa Yogorov em uma cozinha foi excelente, remete bastante os filmes de máfia dos anos 40 e 50 (além séries como Boardwalk Empire), o que me faz querer ainda mais que ele volte a ativa depois da queda da H.R., sem falar que o fato da Carter ainda não ter revelado quem é seu informante para Reese e Finch pode gerar um plot interessante no futuro.

Falando no “team machine”, eles não ficaram de fora dos planos da detetive, mesmo ela querendo isto. O fato é que o episódio faz questão de trabalhar exatamente este problema, o plano de Carter era tão milimetricamente pensado que ela sabia até o que Reese e Fusco iriam fazer para impedi-la, sendo assim conseguiu enganá-los como uma forma protegê-los no processo. Toda essa questão de trabalhar sozinha no melhor estilo lobo solitário (ou seria loba solitária) era algo perigoso e se tudo desse errado ela encontraria seu fim se ao menos ter a chance de pedir ajuda.

A partir deste ponto POI tece todo o lado emocional da detetive utilizando os recursos de flashbacks, que funcionam como um continuação não oficial do episódio “Get Carter” (1×09), assim descobrimos finalmente a que fim levou seu marido Paul Carter aqui interpretado pelo ator Laz Alonso (Breakout Kings, Southland). Ele na verdade é o motivo dela ter se tornado uma mulher tão forte que soube sobreviver com as próprias pernas tendo um filho pequeno para criar praticamente sozinha. As brigas constantes e o problema com bebidas para superar os traumas da guerra (ambos estiveram no Oriente Médio) de Paul fizeram dele um homem se condições de ter uma família, desse modo podemos entender o quão forte foi o laço criado entre Carter e Taylor para superarem esses problemas.

No presente “Endgame” também trabalha bem outros relacionamentos, como o de Carter e Reese, ele preocupado a todo momento querendo protegê-la ainda mais depois de descobrir que ela foi responsável por colocar os russos contra a H.R., o interessante aqui é o respeito que o personagem dele tem, mas sempre deixando espaço para que a própria detetive tome a decisão certa por ela mesma. Outra parte importante foi às cenas dela com Fusco, foram duas cenas ótimas e naturais e talvez as melhores cenas entre os dois personagens na série.

A primeira sequência é quando Lionel descreve o que ele acha que aconteceu na cena do crime onde acharam Terney e Laskey mortos (a resposta está no semblante dela quando ele toca no assunto). A segunda e mais importante remete ao episódio centrado em Fusco “In Extremis” (2×20), onde Carter o ajudou para que ele não fosse preso devido uma tramoia da H.R., o que leva os dois a discutirem sobre confiança, então Carter solta um “Eu queria te proteger” e depois “Você foi o melhor parceiro que já tive”. São os típicos diálogos que vão ficar marcados na memória e com destino de um dos dois na balança, momentos assim são importantes e os roteiristas sabem disso.

O epílogo de “Endgame” é de uma maestria única, que mesmo com certas partes caindo um pouco no clichê (como a jogada dos roteiristas em esconder se Carter pediria ou não ajuda), ele consegue atingir o melhor de Carter com ela armando para que a H.R. perseguisse os russos e no momento seguinte utilizando de seus contatos no FBI (o agente Donnelly abriu sorriso do Além) para prendê-los na cena terreno abandonado.  A partir desde ponto as coisas começam a desmoronar e o plano que até aquele momento parecia infalível peca exatamente pelo motivo mais simples possível.

No começo da review eu mencionei que a Carter utilizou de uma destreza e frieza única para executar seu plano, mas no final com as coisas ficando tensas e mesmo com ela tendo a vantagem de ter conseguido o apoio de Yogorvov, a detetive não conseguiu realmente escapar da armadilha que criou para si. Durante todo o episódio ela jogou na surdina, usando de meio ilegais para derrubar a H.R., fazendo Quinn tremer de medo dos russos e ainda conseguiu todas as informações necessárias para derrubar o cabeça da facção criminosa, mas ela esbarrou em dois pequenos detalhes, influência e poder.

Essas duas palavras definem muito bem o que Quinn representa, a extensão de seus aliados percorre todas as hierarquias políticas de Nova York e é claro que quando Carter ligou para juiz era fato que o dito cujo seria um pau mandado do vilão. Ela foi ingênua? Sim foi, mas o fato é que a personagem antes de aprender a jogar do lado sujo da lei, ela sempre foi uma pessoa íntegra então não há melhor satisfação do que prender um grande figurão através de meios legais, na verdade esse é um sonho de qualquer policial, detetive ou qualquer autoridade legal, mas o problema que no mundo real as coisas não funcionam assim e o jeito era jogar dos dois lados, mais ou menos o que Reese e Finch fazem.

Foi isto que Carter compreendeu, e entendeu ainda mais, não dá para trilhar o caminho que estava trilhando sozinha, às vezes é preciso ser durona, e às vezes é preciso ceder, não ceder, deixar que aqueles que te querem bem ajudar, a conversa entre ela e Taylor exalta exatamente isso, quando o garoto fala “Você sabe que não precisa fazer sozinha, não é?” e depois acrescenta “Não só eu, várias pessoas se importam com você” é simbólico, é forte e é tudo que ela precisava ouvir para chamar ajuda valiosa de John.

A cena final foi um clímax que deu um gostinho de quero mais, Carter conseguiu expor Quinn e capturá-lo com ajuda de John, mas ao fazer isso deu início aos acontecimentos da segunda parte do arco evento da série. Se “Endgame” é definitivo para moldar o personagem da detetive, o próximo será todo voltado a perseguição ao lendário “man in the suit”, pois, Simmons colocou a cabeça de Reese a prêmio, e como ele, Carter e Quinn tem que atravessar a cidade para chegar na sede do FBI, tudo pode acontecer. Este episódio teve ritmo e foi sensacional em todos os quesitos, o que só mostra que Person of Interest sabe como atiçar seu público, então esperem muitas emoções nos dois últimos episódios deste arco que promete ser um fechamento épico de uma grande trama.

#GoTeamMachine #SaveFusco #ManInTheSuitLives

http://www.youtube.com/watch?v=vPC6Tv_OKg0

Observações de Interesse:

– O destino de Carter: Não sei vocês, mas a história ficou tão bem escrita e tão bem executada que tenho medo que matem a detetive, agora que tudo ela está perto de concluir seu plano de derrubar a H.R., seria o sacrifício final para limpar NY da corrupção.

– Paul Carter: Se a detetive sair dessa (eu espero que saia), seria legal ver o personagem do ex-marido dela de novo, agora recuperado e sendo um homem confiável, ele se mostrou um bom personagem interpretado por um bom ator. Foi legal ver a cena do Taylor convivendo com pai.

Carter e Shaw: Mais uma vez as duas em cena foi algo interessante de se ver, quero ver mais cenas delas juntas.

Finch: O personagem foi pouco citado por mim no texto, mas ele estava sempre ali ajudando bastante Reese a perseguir Carter e a H.R., aliás, uma das cenas mais divertidas foi entre ele, Reese e Shaw quando descobrem que é a responsável por assaltar o carro forte dos russos.

Get Carter: A cena que o Taylor fala para Carter que ela não está sozinha me lembrou da cena do beco quando Reese fala para Carter que estaria sempre protegendo ela e que nunca estaria sozinha. Trabalho de roteirização impecável ao fazer essas conexões.

Detetive Stills: Cena engraçada quando Reese chega no local do roubo do carro forte e diz que seu nome é detetive Stills (ironicamente o parceiro de Fusco que o próprio John matou no piloto da série).

Quinn: Foi muito bom ver a H.R. correndo atrás do próprio rabo e pensando que foram os russos que armaram para eles e vice-versa. Usar o veneno do Quinn contra ele mesmo, obrigado Carter.

Fusco: Terá sido um erro a Carter ter entregado a chave de todas as suas evidências sobre a H.R. para o detetive guardar? Digo isso porque ele pode virar um alvo ambulante.

Bear: Impagável a cena em que Reese sugere a Finch comprar um colete para o Bear depois de descobrirem que teriam que lidar com mais de 38 números de POI’s.

– Melhores Frases do Episódio, Top 3:

                – “Wait, that’s my grenade launcher” – (“Espera, aquilo é meu lançador de granadas”) – Reese para Finch e Shaw.

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É sim, Mr. Reese.

                – “It’s a brave new world boys. Don’t you read the papers? Anyone can listen in to your phone, even when it’s turned off.” – (“É um bravo novo mundo garotos. Vocês não leram os jornais? Qualquer um pode ouvir seu telefone, mesmo quando ele está desligado”) – Carter para Quinn e capangas da H.R.

“The Man in the Suit dies tonight.” – (“O homem de terno morre está noite”) – Simmons (não tem um jeito mais espetacular de encerrar um episódio).


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