Review | Person of Interest 3×04: “Reasonable Doubt”

João Paulo

  segunda-feira, 21 de outubro de 2013

Review | Person of Interest 3×04: “Reasonable Doubt”

“Team Machine” bancando o juiz e o jury em uma história onde inocente e culpado são uma incógnita. Person of Interest sempre levanta esta questão uma vez ou outra na série e neste episódio mais uma vez temos um caso da semana com final em aberto.

PoI 3x04

E chegamos ao quarto episódio da terceira temporada, devo dizer que este foi o episódio médio, não é ruim, mas não é tão bom ou no nível POI que estamos acostumados. Calma, não há nada com o que se preocupar, mas fica alerta que um roteiro com mais cuidado poderia dar tons mais eletrizantes ao assunto que foi apresentado para esta narrativa.

“Reasonable Doubt” é um episódio ambíguo que tenta a todo o momento surpreender os espectadores sem realmente fazer isto inteiramente, ainda assim devo dizer que a parte positiva disso tudo é que tivemos mais participação do Reese e Finch como os protagonistas que realmente são. Veja bem nos outros episódios eles dividiram as atenções demais com Shaw, Fusco, Root e Carter, mas dessa vez o jeito que a narrativa foi trabalhada tivemos eles mais ativos por assim dizer, me lembrou de um pouco da dinâmica da primeira temporada.

A verdade é que o episódio lembra o caso tratado em “Cura Te Ipsum” (1×04) misturado com a dinâmica estabelecida pelo “team machine” na segunda temporada. Dessa forma o episódio se torna leve, tem pitadas de humor e só não é tão eficaz mesmo em criar tensão, ou até mesmo um pouco de emoção, talvez seja essa a palavra mais correta. O caso da semana é centrado em Vanessa Watkins, uma advogada de defesa que se torna a principal suspeita de ter matado o próprio marido Jeremy Watkins.

Quando mais o “team machine” descobre sobre a advogada, mais o roteiro aponta para algo dúbio em relação a ela, não sei se foi atriz, mas não consegui confiar na personagem em nenhum momento, a meu ver ela sempre tinha algo culpado na expressão, talvez por isso a revelação dela estar em conluio com próprio marido (que forjou a própria morte) para roubar cinco milhões de dólares de um fundo de caridade, não tenha surpreendido tanto. A cena em que eu realmente acreditei foi à cena do “julgamento” criado por Finch tendo a companhia de Reese e Carter, em que ela se surpreende ao perceber que o marido a estava traindo.

Falando nesta cena, achei interessante e uma boa ideia, pois não é sempre que você pode ter um julgamento particular nesses moldes. Ainda que Finch e Carter tenham falhado em acreditar no caráter da moça, vamos combinar que fizeram o trabalho direitinho, pressionando e tirando informações da advogada para terem certeza da veracidade dos fatos.

Saindo um pouco da análise do caso da semana e falando mais dos personagens em si, devo dizer que tivemos poucos desenvolvimentos em relação a história da Carter neste episódio, ainda assim duas cenas chamaram a atenção, primeiro foi o parceiro dela Laskey pegando a policial no flagra depois de uma conversa com Reese, a segunda e última foi perto do final com o novato encontrando o corrupto detetive Terney que é ligado a H.R., assim fica confirmado as suspeitas de todos, o policial é realmente corrupto e trabalha para organização criminosa vigiando a ex detetive.

Sobre Fusco, neste episódio ele apareceu mais, participando e auxiliando Finch a pegar informações para resolver o caso da advogada. É pouco para o personagem, mas pelo menos é mais do que ele apresentou nos três primeiros episódios, aliás, vale ressaltar algo que particularmente estou gostando, que é à dinâmica que criaram entre ele e a Shaw, mais uma vez os dois trabalharam juntos e mais uma vez foi divertido de assistir. Destaque para cena hilária de ambos no banco tentando saber mais informações sobre a fundação de caridade do marido de Vanessa.

Cenas como essas mostram o porquê da série ser tão diferenciada, o clima mais divertido garante o entretenimento por todo tempo, sem cansar o público.  As cenas com Fusco e Shaw não foram às únicas, além dessa tivemos a cena do julgamento já citada e outra no começo do episódio com umas das aberturas mais divertidas da série, com Reese, Finch e Bear salvando uma POI em perigo na clínica médica de animais.

É por esses momentos que não se pode dizer que o episódio foi aquém, não foi, apenas poderia ser mais bem desenvolvido, mesmo assim devo dizer que levantar a dúvida se o POI da semana é ou não culpado sempre vai ser algo interessante de assistir porque desde o piloto do seriado sabíamos que nem sempre as pessoas seriam o que aparentavam ser. É bom destacar que este foi a terceira vítima nesta temporada que flertou com dois lados da moeda antes que soubesse se era criminoso ou mocinho no final, aconteceu em “Nothing To Hide e “Lady Killer”, acredito que apenas em “Liberty” o POI da vez aparentava ser o que realmente era, uma boa pessoa.

Sendo assim chegamos à cena derradeira de “Reasonable Doubt”, um pouco polêmica, mas que levanta a pergunta exatamente para que o espectador tenha sua própria interpretação do fato em questão. Vanessa Watkins não era inocente, mas acabou sendo enganada pelo próprio parceiro e marido, sendo considerada culpada pela morte do próprio. Jeremy Watkins não só forjou a própria morte como também enganou esposa, ela por sua vez tinha motivos suficientes para matá-lo (acrescente uma traição no meio disso), sendo considerada criminosa e não vítima.

Todos esses fatores nos leva a cena em que Reese intervém no iate. A meu ver John foi mais do que correto, a premissa básica da série é salvar pessoas inocentes de serem assassinadas, ou prever que crimes sejam cometidos contra pessoas aparentemente inocentes. Quando as duas pessoas são culpadas e apenas uma estava em busca de justiça (percebeu no nome do iate?), quem realmente merece ser salvo? O fato é que Reese desta vez ao contrário de “Cura Te Ipsum”(1×04) e “Triggerman” (2×04), decidiu não tomar partido de ninguém, aqui ele deixou na mão do casal e ainda garantiu uma chance de 50% de um dos dois saírem vivos do local. Talvez o final do episódio em aberto seja frustrante para alguns, mas no geral soa intrigante, sendo assim eu irei imaginar minha própria conclusão deste episódio logo após os tiros dentro do barco. E para você, quem merecia sair vivo dali?

Observações de Interesse:

– Similaridades: Eu citei várias vezes o episódio “Cura Te Ipsum” na review pelo fato da última cena do episódio ser bem parecida com a cena deste episódio, outra cena similar vem do episódio “Triggerman”, veja a interpretação abaixo:

* “Cura Te Ipsum” (1×04) – Reese fica cara-a-cara com criminoso no final do episódio, mas antes de fazer qualquer coisa ele explica seus motivos, além de colocar a arma na mesa. A câmera enquadra os dois personagens em lado oposto da mesa até que a cena termina com a tela ficando preta, dessa forma o espectador não tem ideia da decisão de John, então não descobrimos de imediato se o criminoso morreu ou permaneceu vivo (para quem não lembra da resposta assista ao episódio 1×21 “Many Happy Returns”).

* “Triggerman” (2×04) – Mais uma vez Reese vai atrás do criminoso, mas desta vez para vingar a traição depois que o POI da semana acaba morto. O criminoso está preste a fugir, mas quando abre a porta dá de cara com John que sorri e logo depois de responder que não estava ali pelo dinheiro a tela escurece. No caso deste episódio todos sabíamos o que aconteceria a seguir.

* “Reasonable Doubt” (3×04) – Reese intervém na conversa entre o casal, logo após dizer o que queria, ele deixa uma arma sobre a mesa e sai andando do iate. Ele liga para Finch e pede que ele acione a polícia, logo após a câmera mantém o foco na embarcação e antes da tela escurecer ouvimos dois tiros. Ao contrário dos episódios anteriores Reese e o público não sabem o que ocorreu com Vanessa e Jeremy no barco.

– Smilaridades 2: Este foi o segundo episódio da temporada em que o crime não foi prevenido de acontecer, o primeiro foi “Nothing To Hide”.

– Referências: A história do desaparecimento de Jeremy Watkins foi publicada no “New York Journal”, para quem não se lembra deste jornal, é onde Maxine Angelis (POI do episódio 2×05, “Bury The Lede”) trabalhava. Coincidentemente o roteiro do próximo episódio é assinado por “David Slack” o mesmo que escreveu o episódio da jornalista.

– Root: Eu sei que a personagem mesmo sendo regular não aparecerá em todos os episódios, mas ainda assim senti falta pelo fato de Finch ou Reese nem citaram o incidente ocorrido no episódio anterior. Até a Zoe Morgan foi citada e a hacker não.

Melhor Frase do Episódio: “I’m in the business of stopping bad things from happening. I’m not so sure what’s about to happen is a bad thing” – Reese

– Chardonnay: Cena hilária da Shaw levando duas garrafas da bebida numa reunião de damas da sociedade, mais engraçado ainda foi o comportamento dela no meio daquela fofoca toda.

– No próximo episódio iremos descobrir mais sobre o passado de Shaw, veja a promo abaixo.

http://www.youtube.com/watch?v=Ha6SpsgmY7w


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