Review | Person of Interest 1×01: “Pilot”

  Leandro de Barros  |    quinta-feira, 29 de setembro de 2011

Person of Interest causou uma certa ansiedade por conta da excelente equipe técnica envolvida na série. Será que o trabalho de Jonathan Nolan, J.J. Abrams, Jim Caviezel e Michael Emerson realmente é tudo isso?

Uma das séries mais aguardadas por este humilde capiau que vos escreve estreiou lá nos EUA na semana passada. A série, escrita por Jonathan Nolan, produzida por J.J. Abrams e estrelada por Jim Caviezel e Michael Emerson, era considerada por mim como a possível “melhor série do ano”. Das estreantes, claro.

Será que eu me enganei? Continue lendo, mas cuidado, pode ter alguns spoilers de leve.

Antes de tudo, é preciso definir um ponto aqui. Uma série deve/pode tentar passar uma idéia, filosofia? Instigar o espectador a pensar, agir? Ou uma série de TV nada mais é do que uma história sendo contada, um breve momento de “desligamento do cérebro” do trabalho à 100% da capacidade durante o resto do dia, um entretenimento sem pressão?

É importante deixar uma coisa clara aqui: nenhuma das duas opções que eu dei aqui é melhor ou pior que a outra. Apenas diferentes. Mas, saber reconhecer qual série se baseia em qual “”doutrina”” é fundamental para se posicionar e poder curtir (ou não) o que lhe é apresentado.

Person of Interest é do segundo tipo. Não vá assistir à série achando que vai ver uma obra controversa, questionadora, com uma crítica feroz à sociedade atual e a evasão de privacidade que sofremos todos os dias sem perceber. Pode até ser que a série enverede por esses caminhos no futuro, mas o piloto foi totalmente sem indícios disso. Person of Interest é uma história de dois caras, de alguma forma, desencaixados do mundo. Um sem propósito, o outro sem capacidade. Vai ter ação, sim senhor. Vai ser uma série bem produzida, bem escrita, com um nível de qualidade um pouco acima do que o normal, mas não é uma história sobre ciências sociais ou nada do tipo. Pode chegar a ter, mas não é o foco. Assim como a ficção científica e a filosofia estavam presentes em Lost, mas o foco da série era nas histórias dos personagens.

Se era isso que você procurava em Person of Interest, não assista a série. Desligue a TV e vá reler 1984, talvez você se sinta melhor assim.

Agora, um outro ponto a definir: não, a série não é plágio de Minority Report. Aliás, é bem diferente, até. Comparar as duas chega a ser tolice.

Dizer que Person of Interest plagia Minority Report porque “os dois tem crimes que ainda vão acontecer”, é quase o mesmo que dizer que Grey’s Anatomy copia House porque são séries de médico. Em Minority Report, que era sim uma obra que visava levar o leitor/espectador ao questionamento, a “polícia” conseguia o local de onde um assassinato seria cometido e quem seria o assassino e deveria prendê-lo antes que acontecesse. Não vou me aprofundar nisso, mas tem todo uma questão de conceitos jurídicos e morais envolvidos.

Person of Interest, esquece tudo isso. Como eu disse, é puro entretenimento. Desligamento do cérebro por alguns minutos para relaxar e curtir uma história. A série se aproveita da teoria conspiratória do Echelon, que diz que o governo americano tem uma máquina e intercepta toda a forma de comunicação, seja por emails, telefone, etc. Na série, a máquina é criada pelo personagem de Michael Emerson, Sr. Finch, depois do 11 de setembro. A máquina analisa todos esses dados e filmagens e separa duas listas de ocorrências: as relevantes e as irrelevantes. As relevantes são passadas para os órgãos americanos responsáveis, como a CIA, o FBI e a NSA e são, normalmente, de casos de ataques terroristas e etc. As irrelevantes, são casos de violência como assassinatos, sequestros e tudo mais e são deletadas à meia-noite.

Esclarecidos os dois pontos, peço desculpa pela embromação e vou resumir daqui para a frente, já aproveitando o gancho do último parágrafo.

O personagem de Michael Emerson é esse multibilionário que se sente impotente em relação à como a vida e a sociedade funcionam atualmente. Ele já é dado como morto e consegue ter acesso às ocorrências irrelevantes antes que elas sejam deletadas. Só que ele só consegue o CPF de uma pessoa envolvida em cada caso. Ainda é preciso investigar a pessoa para saber o que vai acontecer, qual tipo de crime e qual o papel dela nessa história.

É aí que entra o personagem de Jim Caviezel, um ex-soldado da Força Aérea americana, que de alguma maneira perdeu a sua mulher/namorada. Ainda não foi explicado, mas deu a entender que ele teve de ir para a guerra após o 11 de setembro e a mulher/namorada ficou sozinha nos EUA e acabou sendo morta em algum crime. John Reese (é o nome dele) passa então à perambular por aí, tentando se auto-punir por não estar lá.

Um homem sem propósito e outro sem capacidade, lembram-se? Então. Aí é fácil deduzir. Os dois se juntam, investigam o primeiro caso e acabam firmando uma parceria no fim do episódio para continuar esse trabalho.

Uma pequena análise técnica: os atores estão muito bem, tanto Caviezel nas cenas de ação e mais dramáticas, quanto Emerson na sua habitual cara e jeito de loucos. Percebe-se que a série foi produzida com carinho, devido ao bom uso dos efeitos e na  qualidade da filmagem.

O futuro de Person of Interest deve ser uma dessas séries de “um caso por semana”, com alguma trama da temporada sendo desenvolvida mais lentamente. O grande lance deve se situar em perceber quem é o vilão e quem é a vítima de cada caso e a possibilidade de evitar ou não que o crime aconteça.

Peço desculpas pelo review anormalmente longo, mas achei que era necessário esclarecer algumas coisas.  Considero que o piloto de cada série serve para ditar como será o seriado, então uma análise dessa “apresentação” precisa ser um pouco mais longa. Serve para quem quiser desistir da série agora, ou seguir em frente. :)

Promo do próximo episódio:


Já está nos seguindo no Twitter e no Facebook? Vem trocar uma idéia com a gente também no Botecão do Jack, nosso grupo no Facebook. Se quiser algo mais portátil, corre pro Telegram.

Comentários