Review | Misfits 3×04: “Episode 4”

  Leandro de Barros  |    quinta-feira, 24 de novembro de 2011

Um velho judeu volta no tempo e tenta matar Hitler, mas acaba piorando as coisas e fazendo com que os nazistas ganhem a guerra. Toda a linha temporal é mudada por causa desses eventos

O quarto episódio da terceira temporada de Misfits começa e termina exatamente no mesmo lugar, em termos de temporada. Só que isso não significa que nós não tenhamos viajado muito.

Misfits me surpreendeu muito com esse episódio. Eu posso dizer, sem medo de parecer clichê, banal ou qualquer outra coisa, que o quarto episódio da terceira temporada da série foi um dos melhores que eu já vi esse ano.

Talvez esse episódio não agrade tanta gente assim, já que foi um dos episódios menos engraçados da série até aqui. É até compreensível, já que Hitler e os Nazistas representam o “Grande Mal do Mundo” e coisas assim. Principalmente na Europa, onde o cara do bigodinho é sinônimo de pura vilanice. Por isso, não é raro a gente ouvir referências à “voltar no tempo e matar o Hitler”.

No fim da segunda temporada, quando Curtis (Nathan Stewart-Jarrett)  vendeu seu poder pro Negociador/Traficante/Seja lá qual for o nome dele e depois quis de volta, o cara disse que já tinha vendido o poder para “um velho judeu que queria matar o Hitler”. Na hora eu, como todo mundo, achei que era uma piada e tal. Esse velho judeu é o responsável pelo episódio.

Ele realmente volta no tempo pra matar Hitler, só que não consegue. O pior: acaba derrubando o celular e os nazistas usam o objeto para melhorar em termos tecnológicos e vencem a guerra.

Antes de falar dos melhores pontos do episódio, eu vou falar do grande-mega-hiper-blaster furo no roteiro. Na verdade, esse erro é tão errado que é um erro considerá-lo um erro (??). Eu entendo perfeitamente que os roteiristas precisam de liberdade criativa, licensas poéticas, blablabla. Também entendo que Misfits nunca foi uma série científica ou verossímel (os caras ganharam poder numa tempestade!!). Mas o uso da viagem no tempo nesse episódio foi lastimável. Poucas séries/filmes conseguem se meter com viagens no tempo sem sair queimadas.

Vamos ver: o homem estava no Reino Unido em 2011 e voltou no tempo para matar o Hitler, na Alemanha em 1940 e bolinha (foi antes de 1945, certeza, e provavelmente até mesmo antes de 1940). Ok, primeiro fato: o poder era de voltar no tempo, não de se mover pelo espaço. “””Teoricamente””” se ele saiu do Reino Unido em 2011, ele deveria parar no Reino Unido em 1940 e tantos. Segundo fato, ele foi velho e chegou no passado velho. O poder nunca foi mostrado assim na série. O próprio Curtis por exemplo: sempre que ele voltava, ele voltava pro seu corpo na época. Era como se a consciência dele viajasse, não o corpo. O poder de “viajar no tempo”, na verdade, nada mais era do que mover sua consciência através do tempo. Para exemplificar, imagine que a sua vida é um filme. Aos 20 minutos de projeção, você tropeça e bate a cabeça. Aos 40 minutos de filme, você descobre como voltar no tempo. Você não vai voltar no tempo, aparecer com o seu corpo do futuro no passado e dizer pra você mesma: “Hey, cuidado!”. Você vai voltar pra assistir aquela cena e então você não vai tropeçar. Não sei se eu estou explicando direito, mas o poder nunca permitiu que o Curtis do futuro fosse pro passado, ele só permitiu que a consciência do Curtis do futuro fosse pro Curtis do passado. Pode parecer bobeira, mas isso muda absolutamente TUDO. Com o poder dessa maneira, seria impossível, por exemplo, o velho matar o Hitler já que, na melhor das hipóteses, ele ainda seria uma criança na época. Então seria a sua consciência do futuro (de velho) no seu corpo de menino. O que o Curtis podia fazer era rebobinar a fita do tempo sabendo o que vai acontecer, o que o velho fez foi rebobinar a vida do tempo, manipular o espaço pra ir até a Alemnaha e transportar matéria pelo tempo (seu corpo, a carta e o celular).

Fora esse furo, já que o poder nunca trabalhou assim para o Curtis, o episódio foi sensacional. Não só a história dele, com a Grã-Bretanha dominada pelos Nazistas, a resistência, os nazistas caçando os seres com poderes e o Traficante para poder obter os poderes e tudo mais, como aprofundou muito cada personagem da série.

Ainda nessa segunda-feira, Henry Cavill comentou que a minissérie Superman: Entre a Foice e o Martelo foi essencial para ele poder compor seu personagem em Superman – O Homem de Aço. Na HQ, a nave do Superman cai na União Soviética e não nos EUA e o Superman cresce como um herói soviético. Segundo Cavill, foi essencial ver uma versão alternativa do personagem para saber o que é essencial dele e o que é mutável pelo ambiente. Esse episódio de Misfits tem o mesmo valor pra gente. Vendo a versão alternativa de todos os personagens, nós podemos conhecer mais de quem eles são de verdade e o que só está ali por causa de determinados acontecimentos. Foi legar perceber que Alisha (Antonia Thomas) e Simon (Iwan Rheon)  se completam, mesmo sem a intervenção do Superhoodie. Só Kelly (Lauren Socha) que ficou “igual”.

O episódio foi muito interessante de se ver e eu realmente me diverti assistindo. O mais legal é que todos os aspectos do episódio foram congruentes e trabalharam em harmonia (fora o furo do roteiro, né). Os atores, a direção, a fotografia, os efeitos, os figurinos, tudo. Até as participações especiais foram incríveis. Além do cara que fazia o serviço comunitário no primeiro episódio e acabou morrendo, eu notei a volta daquele que tinha o poder de viver dentro de um jogo (e acabou matando o Superhoodie). Não reconheci a mulher com poder de gelo.

No final do episódio, tudo voltou exatamente para onde estava no começo. Só eu nunca entendi porque o Traficante não usou o poder de voltar no tempo quando comprou do Curtis para salvar a namorada dele? Acho que ele não pode usar os poderes, só transferí-los de um para o outro. Se ele pudesse pegar um poder de alguém e usar, ele seria um vilão muito bom.

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