Review – Marvel’s Agent Carter – 2° Temporada

João Paulo

  terça-feira, 08 de março de 2016

Review – Marvel’s Agent Carter – 2° Temporada

A melhor personagem feminina do MCU está de volta numa temporada, dinâmica, charmosa, romântica e cheia de ação.

[SPOILERS: Resumão e Análise dos Dez Episódios da Segunda Temporada]

A mais ou menos um ano atrás, eu lhes escrevia comentando sobre uma das melhores estreias do mid season de 2015, a série Agent Carter. Uma série excelente, muito bem ambientada e com uma qualidade de dar inveja a muita série de canal fechado. Eis que após um moderado sucesso (em sua maior parte vinda de críticas especializadas e reação positiva dos fãs da Marvel na internet), agente Peggy Carter ganhou mais uma temporada, agora com dez episódios (ao contrário dos oito da primeira temporada), começou a ser exibida nos EUA no dia 19 de janeiro de 2016, durante a pausa da terceira temporada de Agents of S.H.I.E.L.D.

A nova temporada de Agent Carter ganha pontos por manter o que deu certo na primeira temporada e ainda adicionar novidades nesta nova empreitada. O maior trunfo da série criada por Christopher Markus & Stephen McFeely (Capitão América: O Soldado Invernal, Capitão América: Guerra Civil) foi criar uma atmosfera diferente do que já tinha sido apresentado, desta forma sai de cena os arranha céus e o caos urbano de Nova York, e entra em cena a ensolarada e convidativa Los Angeles.

Inicialmente a série perde um pouco do clima mais sombrio e misterioso da cidade grande, mas ganha um ar de liberdade bem-vindo que dá a sensação de novo assim que o espectador começa a embarcar na história. Desta forma os dois primeiros episódios “The Lady In The Lake” e “A View In The Dark” são excelentes por conseguirem situar o público da nova empreitada de Peggy, enquanto o primeiro episódio faz a transição de locação entre Nova York e Los Angeles de forma interessante, o segundo traz um grande evento que introduz um novo mistério que vai ser explorado no decorrer da temporada.

O interessante aqui é que algumas questões que ficaram em aberto no final da primeira temporada, voltam à tona logo no início desta, como o retorno de Dottie Underwood que sumiu após a briga com Peggy em um hangar no final da temporada passada. Aqui Carter ajuda prender a personagem logo no começo a assim sob custódia SSRR e mais tarde do FBI.

Hayley-Atwell-as-Peggy-Carter-in-Agent-Carter-S2

O roteiro não perde muito tempo para tirar Peggy de Nova York, um caso bizarro envolvendo o congelamento de um lago e uma mulher em Los Angeles, faz com que ela vá ao encontro do agente Daniel Sousa na filial da SSR na cidade proibida. Esse mistério é o ponto de partida para o grande plot da temporada e assim como este desafio, Peggy necessita de novos aliados para ajudá-la esta nova empreitada.

Outro ponto positivo dos episódios iniciais é a apresentação das novas adições ao elenco, aqui somos apresentados ao cientista Jason Wilkes (Reggie Austin), como o primeiro ator negro no elenco recorrente, a esposa de Edwin, a carismática Ana Jarvis (Lotte Verbeek), além dos vilões Calvin Chadwick (Currie Graham) e Witney Frost (Wynn Everett) como a famosa personagem dos quadrinhos conhecida como Madame Máscara.

O segundo episódio da temporada envolve um grande evento que introduz uma substância científica chamada “Zero Matter” ou “Matéria Zero” na tradução literal. Essa substância é a porta de entrada do MCU ao mundo do Doutor Estranho, já que a substância abre um portal para uma dimensão paralela. No terceiro ato do episódio Witney Frost e Jason Wilkes são afetados pela “Zero Matter”, após uma explosão num laboratório de energia (Isodyne), ambos tem reação diferente a substância que é explorado aos poucos nos episódios seguintes.

No episódio terceiro episódio “Better Angels”, descobrimos o que aconteceu com cientista com Wilkes e com Frost, além de que Jack Thompson (Chad Michael Murray) chega em Los Angeles para causar alguns problemas para Carter. Enquanto roteiro lida com mistério no plot principal, temos também bastante desenvolvimento de personagem em relação a Peggy Carter, principalmente no que diz respeito ao campo amoroso.

Nos três primeiros episódios descobrimos que Sousa se estabeleceu em L.A. para fugir de seus sentimentos por Peggy e até um namorada enfermeira ele arrumou de forma sepultar este amor de vez. Peggy vendo isso, segue em frente também se envolvendo com o cientista Jason Wilkes, criando assim uma espécie de triângulo amoroso para a personagem título.

Os roteiristas são cuidadosos ao lidarem como questões como esta, devo dizer que a temporada está cheia de assuntos importantes que são tratados de forma na maior parte do tempo com relevância, apesar de dilemas como racismo nos anos 40 não ser ignorado na trama, ele é tratado aqui de forma velada, mas questões como inserção da mulher em profissões restritamente masculinas, são abordadas de forma magistral no episódio quarto episódio da temporada “Smokes And Mirrors”.

Falando no quarto episódio, este é um dos melhores por conseguir explorar o passado de Peggy Carter e o passado da vilã Witney Frost de uma forma única, ainda que alguns momentos a edição peque ao confundir o espectador ao misturar alguns flashbacks, porém eles são importantes no enriquecimento da trama, pois descobrimos aqui que Peggy estava preste a casar e teve um irmão (Michael, morto durante a guerra), que foi o grande percussor para que ela entrasse para o serviço secreto e logo se tornasse a espião que conhecemos hoje.

Do outro lado da moeda temos Witney, uma criança prodígio que cresceu sobre os cuidados da mãe e frequentemente de um padrasto, sempre ensinada que a beleza era a única arma que ela tinha para ter sucesso. O episódio molda bem a personagem e conhecemos mais de sua inteligência e obstinação tornando a vilã humanamente mais perigosa no presente. Neste meio tempo Frost começa a entender ainda mais como os poderes adquiridos por conta da “Zero Matter” funcionam.

Neste episódio temos também o retorno de Howard Stark, que nesta temporada teve uma participação mais contida, ainda assim engraçada e eficiente. Aqui em “Smokes And Mirrors”, descobrimos os verdadeiros vilões por trás do laboratório que explodiu no segundo episódio. “O Conselho dos Nove” surge como os vilões da primeira metade da segunda temporada e como ponto de partida das investigações de Peggy, Jarvis e Sousa.

Em quatro episódios a série se mostra mais objetiva e com ritmo mais convidativo que a primeira temporada, onde um dos defeitos era lentidão de alguns episódios. As cenas de ação também são outro destaque e colocam Hayley Atwell para chutar bundas e agradar ao público. O charme da produção é outro ponto positivo, as referências da cidade das estrelas de cinema fica em segundo plano, mas são uma grata adição a série.

O episódio cinco “The Atomic Job”, a série começa a mostrar suas cartas, explorando a investigação da Carter para achar uma forma de curar o doutor Wilkes, que estava preso entre duas realidades paralelas (a dimensão da Zero Matter e a nossa), porém consegue se comunicar com o nosso plano por causa de uma descoberta de Howard Stark. Outro aspecto explorado no episódio é fato de Witney Frost precisar da bombas de urânio para conseguir realizar seu objetivo de abrir a dimensão da “Zero Matter” de novo.

A partir deste ponto a série começa a se aproveitar de ganchos bem situados para deixar seu público alvo ainda mais grudado na tela. Os episódios “Life of the Party” (2×06) e “Monsters” (2×07), são extremamente divertidos e cheios de ação, o primeiro deixa Peggy em segundo plano (após ela se ferir no episódio anterior, fica fora das missões de campo por um tempo), dando espaço para Jarvis e Dottie Underwood (retornando a trama) brilharem em uma missão de coletar uma amostra do sangue de Witney Frost em uma festa beneficente organizada pelo Conselho dos Nove.

Neste episódio vemos a ascensão de Frost no conselho (ou seria uma afiliada da Hydra?) depois de desintegrar alguns membros (inclusive seu marido Calvin Chadwick) durante a demonstração de seus poderes. Devo ressaltar aqui que Wyn Everett está excelente na pele da vilã, sua beleza estonteante misturado com seu olhar meio maluco a tornam uma antagonista perigosa e imprevisível, a partir deste episódio a personagem cresce a tal ponto que a torna uma das melhores vilãs da série até o momento.

No episódio “Monsters”, temos Carter de volta a ação e em mais uma missão com Jarvis para salvar Dottie, depois que a mesma é capturada por Witney. Este episódio é ainda melhor que anterior, pois sua primeira hora lida muito bem com certas que estão envolvendo a vida amorosa de Peggy, tanto que a conversa dela com Jarvis em determinado momento é crucial para mostrar que a agente está dividida entre seu recente sentimento por Wilkes e seu amor escondido por Sousa.

A primeira metade do episódio lida também com Dottie em cativeiro sendo pressionada por Witney. Vale ressaltar que acho Bridget Regan uma vilã formidável, mas desta vez Dottie se mostra acuada pela presença gélida e ameaçadora de Witney, mais desfigurada do que nunca depois de tanto utilizar seus poderes. A cena do interrogatório foi deliciosamente bem feita e no ponto certo.

A segunda metade do episódio é cheia de reviravoltas, Vernon Masters, um dos membros do conselho vai atrás de Sousa a mando de Witney de forma roubar as armas nucleares que Carter e ele haviam conseguido no episódio “The Atomic Job”. Carter e Jarvis, por sua vez, vão ao até o cativeiro de Frost resgatar Dottie.

O legal aqui é que Witney é mais esperta do que se esperava, agora se aliada a um mafioso local (Joseph Manfredi), a vilã se mostra sempre um passo à frente de seus inimigos, a jogada de se aproximar do cientista Jason Wilkes na casa de Howard Stark e atiça-lo a ajuda-la foi uma boa jogada, melhor ainda quando a cena final resulta na vilã atirando em Ana Jarvis, abrindo espaço para o melhor gancho da segunda temporada até então.

O que nos leva ao dois melhores episódios da temporada e dois dos melhores da série, pois em “The Edge of Mystery” (2×08) e “A Little Song And Dance”, a série brilha se firmando como uma das melhores da atualidade. Em “The Edge of Mystery” lidamos com a consequência do gancho do episódio anterior, o tiro de Ana Jarvis e a fuga de Witney. Aqui os roteiristas conseguem explorar bem o personagem de Edwin Jarvis, mostrando uma nova face do mordomo, mais sério e obcecado por vingança, bem diferente do tom bem humorado e otimista que ele sempre apresentou.

James-DArcy-as-Edwin-Jarvis-in-Agent-Carter-S2

O roteiro aproveita para explorar bastante a amizade entre ele e Carter, a conversa entre dois tanto neste, quanto no episódio seguinte são uma sinceridade bruta e ajudam bastante no crescimento de ambos personagens dentro da série, assim como abala um pouco o laço que ambos haviam criado. Outro personagem que ganha novas dimensões é Jack Thompson (Chad Michael Murray), que até aquele momento ficou relegado a um coadjuvante inconvenientemente chato, sempre tentando derrubar Peggy, mas no entanto começa a se tornar um aliado após ser enganado por Vernon Masters.

Com Ana Jarvis entre a vida e a morte, o que resta para Edwin é se juntar a Carter e capturar Witney. Devo dizer que esta reação de Jarvis por pouco não sai do tom, mas James D’Arcy é excelente em conseguir lidar com toda essa situação, aliás, o roteiro aqui contribui também para Hayley Atwell brilhar. A amizade Peggy e Jarvis foi uma das melhores partes da primeira temporada e se torna crucial neste episódios finais de Agent Carter.

A sequência do deserto com Witney e companhia abrindo o portal para outra dimensão foi muito bem filmada, os efeitos estavam bons e a ação excelente. O plano de Carter, Thompson, Sousa, Jarvis e do cientista Dr. Samberly (Matt Braunger) era impedir que ela conseguisse absorver a quantidade de “Zero Matter” que almejava, porém Jarvis estragou a ação ao tentar capturar Frost por conta própria. No final das contas Dr. Wilkes acabou absorvendo uma quantidade imensa da substância, se tornando instável no processo.

O que nos leva ao episódio “A Little Song And Dance”, que começa exatamente com dança e música, a cena do musical parece meio deslocada no episódio, mas vamos combinar que foi muito bem executada lembrando bastante musicais como Chicago, envolveu todos os personagens inclusive a participação de Lyndsy Fonseca retornando no papel da carismática melhor amiga de Peggy. A cena em si fazia parte de um sonho de Peggy, após ter sido nocauteada por um dos capangas de Manfredi junto com Jarvis.

Wynn-Everett-as-Whitney-Frost-in-Agent-Carter-S2

O restante do episódio envolve a fuga de Peggy e Jarvis do cativeiro em que estavam e a fuga no deserto escaldante. Do outro lado Thompson, Sousa e Samberly armam um plano para ganharem a confiança de Vernon Masters e assim usar o canhão gama (construído por Samberly através dos desenhos enviados por Howard Stark) para deter Witney.

Durante toda a temporada o sentimento de afeto e algo mais entre Peggy e Jason Wilkes foi um fator importante para narrativa, porém era fato que ambos não ficariam juntos. A traição do cientista lhe custou alto, pois após absorver uma quantidade ‘zero matter’ acabou explodindo no final do episódio, servindo como um gancho para o season finale da temporada.

Desta forma chegamos ao episódio “Hollywood Ending” (2×10), em meio a rumores de cancelamento e audiência baixa durante quase toda a segunda temporada, o season finale vem para provar mais uma vez porque Agent Carter merece uma sobrevida. A explosão de Wilkes e a absorção da ‘zero matter’ por Witney foi o estopim para confronto final com Peggy, Jarvis e seus amigos.

O episódio em si é bem equilibrado e não perde tempo em inserir a ação, trazendo o retorno de Howard Stark, além de trazer Jarvis (voltando a ser o alívio cômico de sempre) ao seu estado inicial. Talvez o único ponto negativo seja na resolução do plot de Witney Frost, a antagonista foi construída de uma forma exemplar até o episódio nove, mas a utilização do portal dimensional e do canhão gama para resolver a situação foi tão rápida que praticamente minou a grande ameaça que vilã trouxe para este episódio final, porém no todo esse detalhe mesmo incomodando não compromete a história.

Hayley-Atwell-in-Agent-Carter-S2

“Hollywood Ending” (2×10) é um episódio redondo, ele praticamente fecha todos os plots da temporada, Witney é derrotada e vai parar no hospício, Jarvis e Ana após muito sofrimento encontram seu final feliz, Wilkes vai trabalhar com Howard Stark e Peggy fica livre mais uma vez para escolher seu destino, ou seja, abraçar seu amor por Daniel Sousa. Um dos melhores aspectos desta temporada, como eu havia citado, são os ganchos, e Agent Carter deixou um gancho interessante para próxima temporada com a morte de Jack Thompson.

No geral pode-se dizer que Agent Carter manteve a qualidade nesta segunda temporada. A série voltou mais dinâmica e aproveitou a mudança de cenário de Nova York para Los Angeles para deixar a série ainda mais atrativa e charmosa. A adição de novos personagens fortaleceu o núcleo recorrente, principalmente com a presença de Wyn Everett como Witney Frost e Reggie Austin como Jason Wilkes que saíram muito bem em seus respectivos papéis.

Um dos pontos fortes do seriado é o humor, este por sinal está ainda melhor nesta temporada, principalmente por explorar a dinâmica vencedora da dupla Peggy e Jarvis, pode acrescentar também a presença de Howard Stark e o Dr. Samberly contribuem também para trazer alívio cômico aos episódios que participam.

A escrita também é um fator crucial aqui, os roteiristas estão mais afiados do que nunca e apesar de explorar alguns temas de forma superficial (a questão do racismo é uma delas), eles ainda conseguiram trazer uma grau de evolução excelente para diversos personagens explorando seus passados e vulnerabilidades, em destaque podemos citar: Peggy, Witney, Dottie e Edwin Jarvis.

Veredicto: A segunda temporada de Agent Carter está melhor do que nunca, mais dinâmica, mais engraçada, madura e explosiva.  Hayley Atwell e James D’Arcy estão ainda melhores como Peggy e Jarvis, sendo apoiados por um elenco coadjuvante excelente, escrita afiada e direção exemplar. Em dez episódios e um enredo bem desenvolvido, sem se preocupar em ter várias referências ao MCU ou ao universo do Capitão América, a série mostra mais uma vez consistência e com poucas falhas demonstra porque é uma das melhores da atualidade provando que não só merece mais uma temporada, mas que merece permanecer no “Hall” das melhores séries já produzidas pela Marvel.

Nota: 4,5 ∕ 5

Observações da SSR-L.A:

Zero Matter: A substância fio condutor do enredo da temporada, é a segunda ligação do MCU as chamadas dimensões paralelas, algo que começou ano passado com Homem Formiga, tem aqui a primeira ligação direta do que poderá ser visto em no filme Doutor Estranho que estreia em novembro. Vimos como a ‘Zero Matter’ pode ser perigosa para seres humanos, Witney Frost e Jason Wilkes que o diga. Esta substância já apareceu nos quadrinhos do Doutor Estranho, mas não com o nome ‘Zero Matter’ e sim ‘DarkForce’, que aliás, já apareceu em um episódio de Agents of SHIELD sendo usada por um vilão do seriado.

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Easter Egg: Você pode chamar de easter egg, mas eu chamo de coincidência, mas olha o que apareceu em um dos carros da série durante o episódio cinco.


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