Review | Dexter 6×12: “This is the Way the World Ends” (Season Finale)

  Leandro de Barros  |    quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

Chega o season finale da polêmica e criticada sexta temporada de Dexter. Nos vemos na sétima temporada!

E então é assim que acaba a polêmica sexta temporada de Dexter. Muitos odiaram, muitos gostaram e muita coisa pode ser dita. Gostando ou não, o finale foi o episódio mais visto do Showtime no ano.

Bom, por onde começar?

O season finale começa pegando a rabeira do fim do episódio anterior: Dexter (Michael C. Hall) está no meio do mar perdido em pensamentos quando é salvo por um “milagre” (ok, ok, todo mundo notou o nome do barco, agora é tarde pra falar). De lá pra cá, vemos um season finale que descreveu parte da temporada: Dexter está perdendo seu Dark Passenger, os coadjuvantes estão sem base pra trabalhar, Debra (Jennifer Carpenter) tenente é a melhor coisa da temporada  e o desperdício de boas idéias.

Explicando um a um, de forma bem didática: Dexter está perdendo seu Dark Passenger. Não sei se é sério ou se acaba sendo uma frase irônica pra descrever o porque de muita gente não gostar da temporada, mas vamos contar quantas pessoas Dexter matou esse ano, usando o seu ritual, ok? Os dois paramédicos e o ex-colega de equipe no primeiro episódio, o Fada dos Dentes no terceiro episódio e Travis nesse. São incríveis 5 mortes em 12 episódios, sendo que 3 foram logo no primeiro. E sem o ritual? Niko, cara do hotel em Nebraska e o dono do barco hoje. 3 mortes sem o ritual. Vamos ser honestos e considerar que os dois paramédicos são apenas pra mostrar que o Dexter “continua ativo” e não dá pra considerar como morte da temporada. Fica igual. Ele matou o mesmo número de gente com e sem o ritual, mortes que não contaram pro seu Dark Passenger, que não ganharam lâminas na caixinha. Pra mim, esse é o segundo principal ponto que fez com que muita gente não gostasse da série: cade a ação?

Os coadjuvantes sem base pra trabalhar: LaGuerta (Lauren Vélez) foi “boazinha” no começo, bitch depois, gênia estrategista nos últimos episódios e voltou a ser boazinha hoje. Com tempo de tela o suficiente pra explicar e embasar o  comportamento, a personagem fica interessante e cheia de camadas. Aparecendo 30 segundos a cada 2 episódios ela só fica indecisa e descaracterizada. Baptista (David Zayas) e Quinn (Desmond Harrington) tinham um bom plot em mãos, onde um vivia uma crise de meia idade por não ter conquistado muita coisa na vida e o outro sofria com o coração partido e como esses problemas afetariam a vida profissional dos dois. Viraram alívio cômico sem funcionar e conseguiram perder foco pro Mike Anderson (Billy Brown), novato na série. Masuka (C. S. Lee) e o seu samba do criolo doido com 560 estagiários também não foi muito utilizado e nem a citação do Yoda no finale funcionou, mas vale o destaque pra Brea Grant debruçada na cadeira no segundo episódio.

Debra tenente é a melhor coisa da temporada. Por quê? Porque finalmente o Miami Metro é útil de novo e só não pegou o Travis (Colin Hanks) por conveniência do roteiro. Porque finalmente alguma coisa teve alguma evolução física e não apenas em um nível que não é facilmente medido. E também porque foi a única grande saga que agradou à gregos e troianos.

Desperdício de boas idéias. Todo o caso do Assassíno do Apocalipse poderia ter sido melhor abordado. Eu considero que muitas vezes, menos é mais. Já temos o protagonista em pleno desenvolvimento psicológico, por que perder 9 episódios com a previsível confusão mental do Travis e depois agir como se nunca tivesse existido? Nesse caso, eu pelo menos, acho que não seria preciso mexer muito com o vilão. Ele era louco e acabou, poderia ter deixado explícito desde o primeiro episódio e, invés de drama nele, focaria mais no gore e nele sendo um vilão sangrento. Resumindo: invés de extender o debate da “luz dentro da escuridão de cada um” no “herói” e no “vilão”, foca só no herói e deixa o vilão mais livre. Claro que é fácil falar estando de fora e depois que tudo já foi feito, mas enfim… ficou claro pra mim esse desperdício nesse episódio. Esse último passo do ritual foi tirado totalmente da cartola, decisão preguiçosa. Não sabiam o que fazer pra justificar mais uma ação do vilão. O caso em si poderia se apoiar em algumas teorias bíblicas mais interessantes, no começo eu e muita gente começou a tentar “seguir” as dicas lendo os versículos e tudo mais, mas logo deu pra perceber que não era o foco da trama esse desenvolvimento. O sacrifício, claro, tinha de ser com o Harrison e, p*rra, deveria ter sido. Não que eu não goste do moleque, nada disso, mas seria um choque na série, pra sair do marasmo. Ao invés disso, conclusão previsível e entediante.

Mas, nem só de pão vive o homem e a temporada também teve bons momentos, evidenciados nesse episódio também. Dexter cresceu. Bem ou mal o personagem evoluiu.  Ele trabalhou uma questão importante pra ele mesmo, nascida com o finale da temporada passada: ele poderá um dia deixar o Dark Passenger como Lumen? Mais importante: ele vai passar isso pro filho? Certa ou não, a conclusão que o personagem chegou é de que ele não vai poder se livrar do seu Dark Passenger, embora o seu filho o “amenize”. Ele já viu que é algo necessário e que o garoto não precisa ser um leão, ele pode ser um carneiro.

Agora, deixando o mais polêmico pro final. Casalzinho 20 entre os irmãos Dexter e Debra. Uns odiaram. Outros detestaram. Alguém gostou? Eu digo: vamos ver o que vem por aí. Ok, ok, a Debra nunca evidenciou que gostava do Dexter antes. Essa relação nunca transpareceu pro espectador e foi tudo sempre fraternal. Agora isso surge como a razão pra Debra sempre escolher caras errados. Foi forçado, mas foi indicado durante ESSA temporada. Dexter provavelmente nunca pensou nisso, mas já disse antes que “se tivesse que escolher alguém pra sentir alguma coisa, seria por Debra”. Na hora, ele dizia sentir alguma coisa at all, não falava em termos amorosos, mas vocês entenderam. Se a Debra decidir não denunciá-lo ainda, ele vai embarcar na brincadeira pra não se prejudicar.

Sobre Debra descobrir o segredo de Dexter: era pra acontecer na temporada passada, óbvio. Provavelmente gravaram dois desfechos para a cena onde ela vê a silhueta de Dexter e Lumen no finale da quinta temporada. Por algum motivo só aconteceu agora. É bom, é um avanço pra série. A sétima temporada não vai começar sem nada novo, como essa.

PS: eu não esqueci do Louis, só estou tratando ele como os roteiristas trataram. Um assunto pra ser lidado depois. Provavelmente o vilão da próxima temporada.

Nos vemos na sétima temporada!

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