Review | Dexter 6×08: “Sins of Omission” e 6×09: “Get Gellar”

  Leandro de Barros  |    terça-feira, 29 de novembro de 2011

Review dupla na sexta temporada de Dexter. Os acontecimentos se afunilam e a grande reviravolta da temporada acontece!

E chega mais uma review dupla para os nobres amigos do Supernovo. Não porque o episódio foi duplo, mas porque o burro do rapaz que vos escreve não fez a review da semana passada. Todo mundo vaiando-o em 3, 2, 1…

Pelo menos vocês pegam a dessa semana bem mais cedo que o normal. Então vamos lá, spoilers abaixo:

6×8: “Sins of Omission”

A verdade é que a review desses dois episódios é dupla por pura coincidência, mas poderia ser por “aspectos criativos” sem problema nenhum, já que eu realmente considero os dois episódios como um só.

Após Nebraska, que foi um episódio que quebrou a continuidade da série, quebrou o ritmo e até um pouco do controle do Dexter (Michael C. Hall), as coisas precisam voltar aos eixos. O mais engraçado é que a ponte usada para as coisas voltarem aos eixos, só existe por causa de Nebraska.

Para deixar mais claro, Dexter foi praticamente retirado da investigação do Assassino do Apocalipse pelo Departamento de Polícia de Miami e está dentro do caso por conta própria, mas parece que são dois casos diferentes.

Após ouvir as lições de Brother Sam (Mos Def) e matar Nick, Dexter viu em Jonah o que Brother Sam dizia: todo mundo tem uma luz. A verdade é que ele diz não ter essa luz (essa parte é tão conectada com o próximo episódio, vou aprofundar depois), mas a razão dele querer tanto ajudar Travis (Colin Hanks) é justamente ele querer ajudar a si mesmo.

Enquanto Dexter persegue o ajudante de Professor Gellar(Edward James Olmos), a polícia descobre que são dois Assassinos do Apocalipse graças à mulher que Travis libertou e vai atrás para saber quem é o segundo. Louis (ah rá! agora seu nome ficou fixo na nossa cabeça né?) se torna útil na investigação, reduzindo os prováveis ajudantes para um número considerável.

Na busca por Travis, Debra (Jennifer Carpenter) acaba indo na casa da irmã dele e, sem querer, causa sua morte. A irmã de Travis só morre porque ela falou com a polícia, mesmo sem saber. Antes disso, ela fez uma ótima tarefa: plantou uma sementinha na cabeça de Debra. A tenente nem notou isso ainda, mas vai começar a perceber, principalmente com as idas à psicóloga, o quanto Dexter é parecido com Travis. Se Debra levar um segundo pra considerar essa semelhança, inevitavelmente ela vai pensar: “Dexter é um assassino?” e aí vão brotar as suspeitas de Doakes, de Quinn (Desmond Harrington) e tudo mais que possa brotar. A série foi renovada para mais duas temporadas, e esse parece ser o caminho a seguir. Não acho que seja agora, nessa temporada, mas no futuro com certeza.

6×09: “Get Gellar”

Obvious Dexter is obvious” – essa frase não saiu da minha cabeça.

Galera, eu cheguei a eliminar a hipótese do Gellar ser uma alucinação do Travis pela mulherzinha dizer no sétimo episódio que eram duas pessoas e que o Professor segurou a cabeça dela. Pra mim, era a prova de que o Professor era real mesmo. Mas ficou tão evidente no episódio passado e nesse que, na cena final, eu achava que teria outra coisa dentro do frigorífico. Mas foi o óbvio mesmo.

Lembram ali em cima que eu disse que Nebraska fazia a ponte entre o começo da temporada e o resto? Bom, Dexter lá não mata Jonah, numa espécie de “estou dando uma segunda chance à quem não tem o Dark Passenger porque Brother Sam acredita que todo mundo tem um pouco de luz então eu também“. Essa postura ficou óbvia nos dois episódios seguintes com Travis.

Dexter quer realmente acreditar que ele tem um pouco de luz em si, o surto dele após matar Nick foi como se ele tivesse acabado de perder sua luz. Uma ótima piada de Alan Moore me vem na cabeça: Dois loucos fogem de um manicômio. Um deles pula o muro, mas o outro tem medo. O primeiro, que pulou o muro, liga a lanterna e diz para o companheiro descer através do facho de luz. O medroso responde: “Você acha que eu sou louco? E se você apagar a luz no meio do caminho?“.

Além da clara analogia Brother Sam e Dexter como os dois loucos fugindo do Dark Passenger (manicômio), a verdade é que Dexter se sentiu como se alguém tivesse desligado a lanterna no meio do caminho. Então, ele teve todo o surto de Nebraska, quando ele viu em Jonah que há um pouco de luz em cada assassino, desde que o Dark Passenger não seja algo fixo na pessoa, como é ele. Um exemplo: Lumen. Dexter viu na hesitação de Travis consigo mesmo (na “briga com Gellar”) um pouco de luz, como se ele fosse mais um caso desses. Na verdade, Travis é apenas alguém totalmente insano, que criou esse alter-ego para canalizar a sua loucura enquanto ele fica “são”. Eu não sou um psicólogo, mas é assim que eu vejo.

A parte boa de Dexter descobrir tudo no fim do episódio é que ele deve conseguir algumas cicatrizes emocionais agora, e talvez até físicas. Isso pode lembrá-lo de que nenhum assassino tem luz, o que resultaria num “Dexter de Nebraska” para sempre, ou ele finalmente entenderia quem tem e quem não tem luz: apenas quem tem uma lanterna. Lumen (o nome fica um pouco óbvio agora) tinha sua lanterna: sua família, noivo, etc. Dexter possui Harrison. Travis possuía sua irmã, mas ela se apagou. O segundo caminho parece um pouco mais provável. Talvez eu esteja apenas divagando e não aconteça nada disso, mas seria o caminho que eu seguiria, caso fosse o showrunner da série.

Em outros núcleos da série: a psicóloga está fazendo muito bem à Debra ajudando-a a quebrar padrões para se reconstruir (quebrar para reconstruir… mesmo esquema que Nebraska fez com a temporada… quebrou para depois reconstruir, como já expliquei acima). A personagem realmente está com bastante destaque nessa temporada e está mandando muito bem. Os diálogos: “Você é uma cadeira”, “Eu preciso de uma mesa” com Dexter foram hilários. A prensa na LaGuerta (Lauren Vélez) também foi ótima. Só a melhorar por aqui.

Baptista (David Zayas) e Quinn continuam incrivelmente perdidos nessa temporada. Tanto os personagens em si quanto a utilização deles nos episódios. Os dois sofrem por serem incompletos e estão prejudicando a série.

Masuka (C. S. Lee) como líder e guru amoroso de Louis foi incrível também. E pro garotão, você não é geek? Amigo, você programa jogos, você rastreia IPs e você aceitou um estágio só para melhorar seu próximo game. Você é geek, aceit… oh wait, o que a mão do Assassino do Caminhão de Gelo faz na sua casa?

Por que todo mundo na série tem que ser um assassino ou doente mental? Eu sabia que sua admiração pelo Dexter era suspeita! Pobre aimie (Aimee Garcia). Tomara que a Ryan (Bea Grant) volte, de alguma forma. Vamos ver o que sai desse matagal.

Promo do próximo episódio:

Episódios anteriores:


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