Review | Dexter 6×04: “A Horse of a Different Color”

  Leandro de Barros  |    quarta-feira, 26 de outubro de 2011

Num episódio consistente, Dexter finalmente entra de cabeça no caso dos fanáticos religiosos, estreita laços de amizade com Brother Sam e proporciona uma boa hora de televisão

Finalmente, sem nenhum outro assassino para atrapalhar, Dexter (Michael C. Hall) finalmente começa a entrar de cabeça nos assassinatos efetuados por Professor Gellar (Edward James Olmos) e Travis (Colin Hanks).

Se eu fosse definir esse episódio em uma palavra, eu diria “consistente”. Mas se fosse para definir em uma palavra eu não escreveria uma review, certo? Bastava uma twittada.

O último episódio deu uma trabalhada geral no Dexter enquanto esse foi guardado para mover a trama da temporada, que ficou bem parada durante a última semana. Começando o episódio com o batismo de Nick, Dexter logo é chamado para a cena onde estão os tais cavalos que apareceram no fim do último episódio.

Como era bem óbvio, os quatro cavalos representavam os Quatro Cavaleiros do Apocalipse: Peste, Guerra, Fome e Morte. Cada um deles vem sobre um cavalo de uma cor diferente e cada um deles carrega uma arma: Arco e mascara, Espada, Balança e Jarro. Por enquanto, só vamos nos preocupar com a Espada e a Balança. A Espada simboliza o assassinato. É com ela que os assassinatos são feitos. A Balança apareceu no primeiro assassinato, do vendedor de frutas. O intestito dele foi colocado em cima de uma e ela representa a desigualdade e injustiça. Por enquanto, o campo de especulação sobre esse significado é muito amplo. Pode ser a desigualdade social/financeira/cultural óbvia no mundo ou algum tipo de injustiça que Gellar tenha sofrido, enfim. Ainda pensei numa teoria curiosa, porém improvável: tivemos até aqui quatro vilões assassinos, nas 5 temporadas de Dexter – Assassino do Caminhão de Gelo, Miguel, Trinity e Jordan Chase. Doakes foi o “vilão” da segunda temporada, mas nunca matou ninguém. Jordan Chase também  não, mas era o responsável pelas mortes. Alguém disposto a relacionar os quatro com os Cavaleiros do Apocalipse?

Por fim, a morte da mulher foi muito interessante. Primeiro por ela ser quem ela é: uma piriguete do Travis. O ciúme que provém do sentimento de posse do Professor Gellar sobre Travis é palpável. Eu acho que ele é um cara aparentemente confiante e certo do que faz, mas sofre de uma insegurança tremenda de que Travis possa abandoná-lo. O problema é que o personagem de Colin Hanks não percebe que, na verdade, é ele quem detém o poder nessa interação e deixa ser dominado. Segundo por ser a morte que oficialmente coloca Travis e Professor Gellar como assassinos de cereais, chamados nos EUA de serial killers. É simbólica. E, só um detalhe, se você é um policial, entra numa cena daquelas e a mulher claramente pede pra você não mover, você se move? Polical burra.

O episódio teve 4 sub-tramas, cada uma funcionando de maneira interligada: Doença do Harrison, Debra (Jennifer Carpenter) como Tenente, Quinn (Desmond Harrington)  e Baptista (David Zayas) e A Estagiária Larápia.

Na verdade, eu nem sei se posso chamar a trama da cirurgia de Harrison como “sub-trama” já que ela ocupou o maior tempo de tela e nomeou o episódio. Na cena do hospital, onde Dexter e Brother Sam (Mos Def) conversam, ficou evidente como uma série com atores excepcionais pode confiar apenas em um bom texto e na interpretação do elenco para garantir boas cenas. A conversa sobre o passado do Brother Sam, traçando um paralelo com a história de Dexter, unida à ótima atuação dos dois atores, resultou numa das melhores cenas da temporada até agora. Confesso que eu estou confiando que o Brother Sam é um homem mudado, mas não me surpreenderia muito se ele estiver mentindo. O nome do episódio vem da conversa entre eles e como cada um deposita sua fé num lugar diferente. Fé é uma palavra que acaba sendo mal empregada no dia-a-dia e carrega uma conotação religiosa, mas foi usada na série como algo mais ou menos como a força motriz de cada um. Dexter diz ter fé na ciência (o que por si só é um paradoxo já que a fé é a crença em algo sem a necessidade de provas ou evidências e a ciência, por método de trabalho, funciona com provas e evidências, mas não vamos debater essa parte), isso se mostra na vida dele em como ele age de maneira racional, respeitando seu código, observando e raciocinando, tecendo teorias e procurando por evidências que as desmintam ou comprovem de maneira irrefutável. Já Brother Sam coloca sua fé em Deus, em como há um plano divino, um sinal de redenção e a esperança da expiação de seus pecados. No fim, são tudo cavalos com cores diferentes, tudo faz com que os dois sigam em frente.

Debra me fez gargalhar com sua entrevista. Na hora eu já saquei que o palavrão dela conquistaria o público, mas tem outra coisa que me preocupa. Parece que todo mundo ao redor dela dá um jeito de tentar influenciá-la (consciente ou não) e ela parece aceitar. Usou o colar da LaGuerta (Lauren Vélez), trocou de roupa como sugeriu Mike Anderson (Billy Brown) e então usou a aprovação de Matthews para refutar outra sugestão de Anderson. Quer dizer, quem muito cede, perde força e personalidade. E como frisou LaGuerta, ela só é Tenente enquanto faz a terapia e se for aprovada lá. Se a terapia não for bem, ela pode voltar a ser detetive. Meu palpite: LaGuerta dará um jeito de estragar a terapia de Debra para que Batista seja promovido. Matthews vai aceitar porque, de uma forma ou de outra, o hype em cima da Debra vai passar. Veremos se minha bola de cristal funciona.

As últimas duas sub-tramas foram bem discretas: enquanto Batista e Quinn fumarem um baseado no carro não funcionou como escape humorístico, só serviu pra mostrar o quão desnorteado está o detetive latino (o outro também). Lembram da conversa de cavalos de cores diferentes? Os dois detetives parecem procurar algum cavalo e não encontram. Já a estagiária safadinha e larápia Ryan (Bea Grant) não tinha nada de sinistro e macabro nela, como eu achei. Pelo menos por enquanto. Ela queria uma evidência do caso do Assassino do Caminhão de Gelo (que vem sendo citado todo episódio, quase) só para vender online. Masuka (C.S. Lee) descobriu, ficou triste e a mandou embora. Será esse o fim da loirinha mais fofinha dessa temporada? Esperemos que não.

Veja a promo do próximo episódio:

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