Review Dexter - 8ª Temporada

O último episódio de Dexter foi exibido ontem e é hora de olharmos para trás: afinal, essa última temporada fez ou não fez juz ao personagem?

Leandro de Barros

  segunda-feira, 23 de setembro de 2013

Com o último episódio de Dexter sendo exibido nesse domingo, nos EUA, a série do serial killer de Miami chegou ao seu fim.

Assim, tomamos a liberdade de dar aquela olhada supimpa nos episódios desse 8º ano do seriado, seus erros e acertos e a sua conclusão.

Tudo com spoilers, claro! ;)

Dexter season 8 cartaz

É difícil dizer qual era a expectativa para essa 8ª temporada de Dexter. Enquanto muita gente bradava que a série já tinha morrido faz tempo e só faltava enterrar, outras pessoas ainda viam valor nos últimos anos de Dexter – exceto na 6ª temporada, impossível alguém gostar da 6ª temporada.

Assim, não havia aquela onda de antecipação pelo fim, nem mesmo aquela onda de rejeição. Talvez, o problema seja esse: não havia onda nenhuma.

Seja como for, a temporada veio mais cedo nesse ano (normalmente, Dexter só era transmitida na Fall Season norte-americana, mas a sua última temporada foi exibida alguns meses antes para ajudar na promoção da novata Ray Donovan) e mostrou Dexter (Michael C. Hall) e Debra (Jennifer Carpenter) lidando com as consequências do assassinato de LaGuerta na última temporada.

Enquanto Dexter estava até que levando tudo numa boa, Debra ficou profundamente abalada com o ocorrido e pediu dispensa da polícia, indo trabalhar numa agência de investigação privada. Baptista (David Zayas) se tornou o novo Tenente e Quinn (Desmond Harrington) briga por uma vaga de Sargento enquanto seu namoro com Jamie (Aimee Garcia) vai esquentando. Ah, Masuka (C.S. Lee) ganha uma filha adotiva e, de presente, os primeiros episódios NA HISTÓRIA onde ele ganha algo mais a fazer do que piadinhas.

Para concluir a explicação dos plots, surge a misteriosa Dra. Vogel (Charlotte Rampling), que sabe muito sobre Dexter e precisa da ajuda dele numa missão especial, e a sombra de Hannah McKay (Yvonne Strahosvsky) ainda paira por Miami. Agora sim, plots apresentados!

Vamos falar do que funcionou nessa temporada: err… nada? Ok, ok, não é bem assim. Sendo justo com a 8ª temporada de Dexter, nós temos algumas boas ideias plantadas aqui e ali.

Dexter Review 8 temporada 03

Debra, por exemplo. A irmã de Dexter é uma das melhores coisas da temporada (já havia sido no ano passado!) até o momento em que explode e consegue expressar tudo que sente e estava reprimindo pelo irmão naquela tentativa de suicídio/assassinato. Até ali, a reação de Debra foi bem feita pela produção da série e fecha bem uma nova fase na relação Deb-Dex. Se, depois dela descobrir a verdade sobre o irmão, sua primeira reação é tentar reprimir o Dark Passenger dele; depois que ela mata LaGuerta pra proteger Dexter, raiva é o que domina Debra – e raiva reprimida é uma daquelas coisas que destrói a pessoa.

Outra coisa que eu acho que funcionou bem na série foi o Elway (Sean Patrick Flanery), novo chefe da Debra. Acho que ele funciona bem apenas quando a gente olha o total e vê como ele se comporta e o que isso quer dizer sobre a própria Debra. Uma das marcas da personagem é que ela sempre acaba saindo com o cara errado (Ice Truck Killer, Quinn, o agente do FBI, etc). É sempre o cara que ela não deveria ter um relacionamento e são sempre relacionamentos que acabam mal, ok? Então quando a gente conhece Elway pela primeira vez, ele parece ser um carinha maneiro: deu um trampo pra ela, ajuda e dá apoio, respeita e ‘tá amarradão na dona Morgan. BUT, PORÉM, quando ela finalmente fala que não vai rolar o que ele quer, então a gente vê a verdadeira máscara do malandro, agindo com pura ignorância, sendo estúpido e tudo mais.

Eu meio que gostei desse toque do cara ser o “homem errado” de novo, só que invertendo os papéis: nós somos os levados a acreditar que ele é um mano de bem, um senhor respeitável, enquanto a Debra já sabia que daquele mato ali não sairia coelho. PODE ter sido uma pequena agulhada do tipo: “Parem de reclamar que a Debra só escolhe homem errado, pode acontecer com qualquer um, olha só como é complicado porque as pessoas enganam o tempo todo”. Eu disse que “pode ter sido” isso porque, honestamente, não sei se os roteiristas de Dexter manjam dos paranauê de ser sutil dessa forma.

Só me respondam: POR QUÊ?

Só me respondam: POR QUÊ?

Também gostei bastante da performance de três atores: Michael C. Hall (seguro demais, como sempre – e mandou muito bem no final), Jennifer Carpenter (a melhor coisa da temporada passada e uma das melhores dessa) e Yvonne Strahovsky (mesmo sem química com o Dexter, mesmo com todos os defeitos do texto da sua personagem, aquela cena final foi muito boa. Aquele quase choro, a disfarçada por causa do Harrison e a saída se misturando na multidão, como se nada tivesse acontecido, foi tocante…).

Seguindo em frente, remando contra a corrente, vamos falar do que não funcionou nessa temporada, que são apenas duas coisas: tudo e todo o resto. Dexter está totalmente sem rumo, a sacada de colocar a Dra. Vogel como uma segunda mãe pra ele não funciona, Debra voltar para a polícia é um retrocesso na personagem (ela passou por tantas mudanças na última temporada e voltar para a polícia daquela forma era voltar para a 5ª temporada), a filha do Masuka foi desperdício de tempo em tela (sério, PRA QUÊ? POR QUÊ?), Jaime e Quinn não possuem química, por que introduzir a Det. Miller na disputa para Sargento apenas para ignorá-la solenemente depois?, Zach Hamilton foi outro desperdício de tela, o que foi aquele plano inicial da Hannah?, aliás: Hannah e Dexter não funcionaram juntos e continuam sem funcionar, o plot do filho da Vogel foi mal executado (ele tinha que ser apresentado e aprofundado mais cedo, aquela caçada nos primeiros episódios cortaram essa possibilidade), o que o Baptista fez além de estar em cena?, Quinn e Debra é retrocesso² (os dois passaram duas temporadas sem o MENOR INDÍCIO de uma relação entre eles), Dexter e Hannah se acertando como se nada fosse invalida completamente o fim da última temporada, banalização da morte (todo mundo mata todo mundo por qualquer motivo), o Harrison que é um pirralho COMPLETAMENTE insuportável… aaaah, são tantas coisas erradas e mal-feitas!

BEM FEITO, BEM FEITO, BEM FEITO, SEU INSUPORTÁVEL!

BEM FEITO, BEM FEITO, BEM FEITO, SEU INSUPORTÁVEL!

E olha que essas são reclamações só do ponto de vista da narrativa. Nem começarei a discutir como Dexter conseguiu deixar uma atriz como Charlotte Rampling com uma performance tão fraca, como algumas cenas estavam tão mal-filmadas e até mesmo mal editadas.

Honestamente, eu culpo o pouco tempo para preparar a temporada como a razão por essa repentina má qualidade técnica de Dexter. Não foi só uma temporada ruim ou abaixo do nível da série – foi uma temporada RUIM, foi de má qualidade MESMO. Se fosse a primeira temporada, não seria renovada nunca.

Mas daí veio o final e, bem, é o final né? Acabou. Eu já falei sobre o final numa pegada um pouco mais emocional em outro texto (leia!), então não vale a pena repetir tudo aqui. Eu acho que o apelo do final é mais pelo histórico da série, pelo envolvimento dos fãs nos últimos anos, do que pela conclusão em si, então não acho que ele salve essa temporada ruim.

Guardadas às devidas proporções, esse último ano de Dexter me lembrou o último ano de Chuck, da NBC, que também foi uma temporada mais fraca que as demais, mas cuja conclusão deixou aquela sensação de melancolia que faz com que a gente relevasse os problemas.

Pelo lado positivo, pelo menos o fim da série não teve lá muito a ver com um suposto roteiro do fim que vazou há algum tempo na Internet. Nesse roteiro, Dexter conseguia fugir para viver com Hannah e Harrison no Brasil (?), Debra morria mesmo, Quinn matava Saxon e assumia o “manto” de Dexter, se tornando um serial killer na polícia.

¯\_(ツ)_/¯


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